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O varejo de serviços deixa de ser coadjuvante nos shopping centers

Antes confinados a áreas específicas, o varejo de serviços começa a avançar nos corredores dos shoppings e aumentar sua participação no mix. Algumas redes de franquias e de varejo pegaram o boom deste fenômeno no Brasil e tiveram terreno fértil para crescer nestes centros comerciais.

De acordo com a Associação Brasileira de Shopping Centers (ABRASCE), em 2017, o segmento de conveniência e serviços obteve um incremento de mais de 15%, comprovando a preferência dos clientes por um espaço mais completo e que facilite as necessidades diárias. Redes de serviços de beleza e estética, academias de ginástica, laboratórios clínicos, clínicas médicas e até odontológicas começam a ter participação que beira 25% do mix.

Em viés de alta, este percentual tende a crescer cada vez mais nos próximos anos que, acompanhado pelo segmento de foodservice, juntos já chegam em alguns shoppings a ultrapassar 50% do mix. Confira alguns exemplos de redes de serviços:

– A rede de clínicas de depilação Espaçolaser teve crescimento vertiginoso nos últimos anos. Em 2015, a empresa contava com 33 lojas e 300 funcionários em todo o Brasil. Em 2018, fechou o ano com 400 unidades abertas em todo o Brasil, sendo 78% delas em shopping centers. Nesses três últimos anos, foram investidos R$ 230 milhões. Deste total, 100 lojas são próprias, 91 mistas – com sócios que possuem 49% da operação – e o restante é de franqueados. Os planos de expansão da rede, que tem um faturamento anual de R$ 800 milhões, preveem a abertura de 800 unidades no Brasil e na América Latina, o que fará a companhia dobrar o faturamento. A expansão internacional começou pela Argentina, com uma loja inaugurada em setembro do ano passado e seguirá para Paraguai, Uruguai, Chile e Colômbia.

– Outro fenômeno de crescimento é o Grupo Sobrancelhas Design, rede que iniciou e popularizou este segmento especializado no serviço de tratamento e embelezamento para sobrancelhas. Um negócio que, em seis anos, se multiplicou e hoje já conta com 420 franquias, incluindo unidades nos Estados Unidos, Guatemala e, em breve, em Portugal. Nos próximos cinco anos, a meta é chegar a 800 lojas em todos os continentes. A maior parte das unidades são localizadas na rua, mas parte estratégica da sua expansão prevê abertura de lojas em todos os shoppings do país.

– Na área de saúde, as redes de clínicas de consultas populares, que se pulverizaram em diversas redes regionais se espalharam por praticamente todos os shopping centers brasileiros. A rede paulista Dr. Consulta foi a pioneira do setor e hoje conta com 56 clínicas abertas, muitas em shoppings e pretende encerrar o ano com 79 unidades abertas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

– O Shopping Eldorado, na capital paulista, um dos primeiros shoppings a apostar em varejo de serviços no Brasil, abriga há algum tempo uma filial da Clínica CEMA, centros médicos do Hospital CEMA, referência no tratamento de olhos, ouvidos, nariz e garganta. Este, por sua vez, convive muito bem em shopping centers. Das suas 10 unidades, 9 estão localizadas nestes centros. O mesmo Eldorado incorporou no final do ano passado uma clínica pioneira. Trata-se da startup brasileira SouSmile. A clínica propõe um modelo mais prático e barato para clarear os dentes ou usar aparelhos alinhadores, aqueles modelos transparentes que encaixam na arcada dentária.

– Recentemente os shoppings Ibirapuera, Morumbi e Vila Olímpia, em São Paulo, receberam as filiais das Clínicas Seven, especializada em emagrecimento. O método “Metabolic Seven”, criado pelo médico Thiago Ferreira Lima faz sucesso entre blogueiras e influenciadoras digitais conhecidas do público adolescente e adulto.

À primeira vista soa insólito fazer exames, arrumar a sobrancelha, se depilar, corrigir os dentes ou mesmo realizar um programa de emagrecimento dentro de um shopping center. Mas considerando cada vez mais o trânsito caótico, o corre-corre diário e o excesso de compromissos, acaba sobrando muito pouco tempo para fazer tudo que é preciso. Se puder resolver tudo isto num único lugar, tanto melhor. É a hiper conveniência!

Leroy Merlin lança marketplace de materiais de construção

A Leroy Merlin Brasil lançou um marketplace de produtos para o lar. É o primeiro shopping virtual de uma empresa do varejo de materiais de construção. O projeto foi idealizado em 2017 e montado ao longo dos últimos 10 meses de 2018. O objetivo do novo modelo de negócio é oferecer um mix de centenas de milhares de produtos para reformas e construções.

O Brasil é o primeiro país onde a companhia atua a receber a plataforma, que oferece produtos da Leroy Merlin e de lojistas parceiros. “Estamos investindo em uma transformação interna”, disse Alain Ryckeboer, diretor geral da Leroy Merlin no Brasil. “Nosso intuito é garantir que o cliente compre o que quiser, onde quiser e quando quiser”.

A loja virtual oferece produtos nos segmentos de decoração, cama, mesa e banho, móveis, utilidades domésticas, eletrodomésticos, entre outras. A logística de entrega do produto fica sob responsabilidade das cerca de 60 empresas parceiras nesta primeira fase do projeto, que vai até janeiro de 2019.

Neste início a plataforma aumenta em mais 30 mil itens a quantidade de produtos disponíveis, deixando o site com mais de 100 mil itens a venda. Em um futuro próximo, o marketplace deverá disponibilizar mais de 200 mil produtos, entre os itens da Leroy Merlin e de marcas diversas.

A marca investiu cerca de R$260 milhões em TI (Tecnologia da Informação) para possibilitar a expansão online e o Brasil foi escolhido como país de teste para a nova plataforma por conta da forte presença da população no mundo digital.

O site oficial da rede representa, hoje, apenas 2% da receita total da empresa no país. Com o lançamento da nova plataforma de vendas, a meta é que esse número aumente para 10% do faturamento da marca.

“A abrangência de atuação é o habitat do cliente”, explicou Cristiano Athayde, diretor do Marketplace e responsável pela execução do projeto. “Nós vamos oferecer uma ampla gama de produtos, ofertas competitivas dentro do mercado e qualidade no atendimento. Tudo isso para viabilizar da melhor forma os projetos dos nossos clientes, desde uma compra pontual, uma pequena reforma ou um grande projeto. Assim, estamos reforçando nosso core business”, finalizou.

Por que os shopping centers precisam investir em vendas online?

Por Luiz Alberto Marinho – 31 de outubro de 2018

O Grupo Iguatemi anunciou, na semana passada, o lançamento da sua plataforma de vendas online, chamada 365 Iguatemi. O nome já entrega a estratégia: estar disponível para o cliente 24 horas por dia, 365 dias por semana. Antes dele, CCP e JHSF já haviam feito movimento semelhante e outras importantes administradoras de shopping centers estão na fila.

Afinal de contas, por que tantos shoppings estão surfando nessa onda?

A resposta é muito simples – porque não podem estar ausentes, correndo o risco de se distanciarem dos seus clientes, cada dia mais conectados e acostumados a ver seus desejos atendidos prontamente, a qualquer hora e lugar.

É preciso entender que, para muita gente, físico e digital são duas faces da mesma moeda, não dá para pensar em uma coisa separada da outra. E isso vale para consumo de conteúdo, contratação de serviços e, claro, compras. Sabendo disso, os principais varejistas nacionais estão acelerando providências para oferecer aos seus clientes experiências que integrem o online e o offline. Esta semana mesmo, a Riachuelo divulgou novas iniciativas para ampliar a digitalização de suas lojas físicas, incluindo vendas pela internet e ponto para retirada de produtos comprados virtualmente.

Para não ficar para trás, mesmo sabendo das dificuldades relacionadas à logística e o baixo retorno financeiro, grandes grupos de shopping centers decidiram apostar em marketplaces virtuais, que funcionariam como plataforma de vendas, mas também como instrumento de marketing.

Enfrentar de frente a concorrência do e-commerce também é um objetivo, claro.

Vale lembrar que cerca de 27 milhões de brasileiros fizeram alguma compra online nos primeiros seis meses deste ano e o crescimento no faturamento do varejo virtual por aqui foi de 23,6% no semestre, segundo dados do Ebit. Para efeito de comparação, as vendas no varejo tradicional, medidas pelo IBGE, cresceram 4,1% no mesmo período. Ainda de acordo com o Ebit, dentre as principais categorias, em volume de pedidos, estão itens de saúde, cosméticos e perfumaria, moda e acessórios, casa e decoração, eletrodomésticos, telefonia e celulares, artigos esportivos e de lazer. Todos bem representativos no mix dos shoppings brasileiros.

Entrar de cabeça no universo das vendas online, no entanto, exige investimentos relevantes, que nem todos os grupos de shopping centers podem ou querem assumir neste momento. Por isso, outras iniciativas, em especial relacionadas à delivery e retirada de produtos comprados online, pipocam aqui e ali. O Shopping Mueller, em Curitiba, por exemplo, fez uma parceria com o James, empresa de delivery, para entrega em domicílio ou escritórios de produtos de suas lojas. E o Shopping Itajaí, do Grupo Tacla, fechou aliança com o Pegaki para retirada no shopping de produtos comprados na web.

Explorar o imenso potencial do seu espaço físico para oferecer experiências incríveis para os clientes é a maior vocação dos shopping centers. Alguns de seus varejistas deverão usar as lojas como centros de distribuição de produtos comprados pela web, onde os consumidores também poderão comprar itens adicionais (‘shoppable distribution centers’). Outros preferirão utilizar a loja como um espaço agradável, projetado para vender o conceito da marca, com funcionários mais preocupados em orientar o cliente em suas escolhas do que em bater metas de vendas (‘shoppable billboards’). Haverá ainda aqueles que combinarão os dois caminhos. Uma coisa, no entanto, é certa: as vendas online farão parte da realidade dos shopping centers em todo o mundo.’

As maiores empresas nacionais do setor já entenderam isso e estão dispostas a fazer o necessário para não serem meras coadjuvantes nesse processo.

https://www.mercadoeconsumo.com.br/2018/10/31/por-que-os-shopping-centers-precisam-investir-em-vendas-online

5 tendências para o segmento de shopping centers

 

É de se espantar que, décadas atrás, os shopping centers tenham se questionado quanto aos ganhos de se inserir salas de cinema nos empreendimentos. Na época, muitos lojistas e gestores pensavam que poderia ser um desperdício disponibilizar uma vaga do estacionamento por algumas horas para uma pessoa que permaneceria durante esse tempo sentada diante de um telão sem comprar nada. Hoje, no entanto, o pensamento se inverteu. Cada vez mais os centros comerciais percebem as vendas como consequência de uma experiência muito mais abrangente.

Esse movimento é resultado de uma mudança no comportamento do consumidor, que deixou de enxergar os shopping centers como um simples conjunto de vitrines e ofertas. Os empreendimentos se tornaram importantes espaços de convivência. O público procura esses locais para trabalhar, se encontrar com amigos, comer, se divertir e, por que não, comprar. A primeira tendência apontada nas palestras do Recon 2014 – evento mundial do segmento que aconteceu entre os dias 13 e 22 deste mês em Chicago e Las Vegas, nos Estados Unidos – refere-se à necessidade de se contar com bares, restaurantes gourmet e entretenimento para se conquistar clientes.

São justamente esses atrativos que mantém o público por mais tempo dentro do empreendimento. “A expressão Shoppping Center, em sua tradução literal de centro de compras, já não representa mais o que realmente são esses espaços. Eles são hoje um social hub, um local procurado pelas pessoas para socialização, onde elas querem passar bons momentos, se distrair e ver as novidades. Isso está levando mudanças grandes para a arquitetura, o mix de lojas e a conveniência que os shoppings oferecem aos consumidores”, explica Luiz Alberto Marinho, Sócio-Diretor da GS&BW, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Novos formatos
O especialista participará do evento Pós-Recon, organizado pela consultoria, na próxima quinta-feira, dia 29 de maio, em São Paulo. Lá, ele contará o que viu nos Estados Unidos, onde, ainda mais do que aqui, os shoppings se aparelham com áreas de descanso, restaurantes e espaços de entretenimento para receber as pessoas com mais comodidade e serviço. “A intenção é de que elas fiquem por mais tempo dentro do empreendimento e consequentemente acabem comprando”, resume Marinho.

A segunda tendência já clara nos Estados Unidos e em mercados mais maduros é a diversificação dos formatos de shoppings. Ganharam espaço nos últimos anos os modelos de vizinhança, os outlets e empreendimentos temáticos, focados em determinados segmentos de consumo. Há também os shoppings ancorados por conjuntos residenciais e aqueles que mesclam lojas tradicionais com escritórios de empresas, os chamados multiuso.

O destaque no Brasil ainda são os shoppings tradicionais, que respondem por 83% do total de centros comerciais, mas já existe um movimento que aponta para mudanças nesse perfil. Os novos empreendimentos estão sendo construídos de modo a aproveitar o potencial da combinação de vocações em um único lugar. Um exemplo é o Palladium Shopping Center, localizado em Curitiba, no Paraná. Inaugurado em 2008, o espaço com 182.400 metros quadrados e três pavimentos é ligado a prédios comerciais por uma entrada localizada dentro do centro comercial.

No lugar das praças
O ponto de encontro conta, por exemplo, com uma área administrativa do Banco do Brasil e com laboratórios médicos. “O Palladium já foi projetado no conceito multiuso. Não é só um centro de compras. Hoje, as pessoas não precisam ir a um shopping necessariamente para comprar. Existe uma relação com a falta de espaços comuns nas cidades, como as praças, que não têm conforto, nem segurança, atributos que passaram a ser oferecidos pelos shoppings”, pontua Maria Aparecida de Oliveira, Gerende de Marketing do Palladium Shopping Center, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Surge, nesse contexto, a terceira tendência de novas atrações cumprirem o papel de âncoras nos centros comerciais, dividindo essa função com as tradicionais grandes lojas de departamento e com as marcas fortes. No Palladium, um curso de inglês é um dos responsáveis por grande parte do fluxo de clientes no estabelecimento. Além dos próprios alunos, ele atrai para o local os pais, que muitas vezes ficam aguardando o término da aula caminhando pelos corredores e, adivinha, comprando.

Ofertas de entretenimento também ganham destaque. O Shopping The Linq, em Las Vegas, é ancorado por uma roda gigante. Do alto dela, é possível admirar a vista panorâmica de boa parte da cidade. Seguindo essas tendências, as lojas também investem em experiências diferenciadas, oferecendo serviços os mais inusitados.

Valor do design
A quarta tendência é o investimento em design. Já não basta ter um grande bloco de concreto com diversas marcas dentro para satisfazer o consumidor. Ele está atrás de um ambiente agradável, diferenciado e confortável. “Já existem shoppings decorados com obras de arte e que investem em arquitetura, com atenção para a iluminação e os jardins. Num primeiro momento, chegou-se a pensar que os estabelecimentos fechados iriam acabar, permanecendo apenas os abertos, mas hoje vemos que a arquitetura dos shoppings não tem um modelo único. Ela precisa apenas se adequar ao público-alvo”, ressalta Marinho, da GS&BW.

O Pátio Savassi, em Belo Horizonte, foi construído há 10 anos com áreas abertas, o que influencia sua vocação. O estabelecimento é hoje muito procurado por jovens e conta com cafés em todos os pisos, incentivando a reunião de amigos. “Estarmos num polo cultural nos levou a nos apropriarmos da questão. Temos um anfiteatro no shopping e fazemos diversos eventos com música. Eles são importantes para trazer a família e criar vínculos com os clientes”, relata Rejane Duarte, Gerente de Marketing do Pátio Savassi, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A oferta crescente de serviços nos shoppings, sejam eles culturais ou não, é a quinta tendência percebida no mercado. As praças de alimentação ganharam importância nos empreendimentos, ao longo dos anos, da mesma forma que itens hoje indispensáveis, como estacionamento amplo e coberto, fraldário e espaço para amamentação. Ambientes voltados para crianças também se tornaram fundamentais para distrair os pequenos enquanto os pais vão às compras.

Desconto no estacionamento
Oferecer diferenciais no serviço é tão importante a ponto de alguns estabelecimentos abrirem mão de parte de receitas importantes para isso. Para estimular a ida de clientes ao Shopping Grande Rio, no Rio de Janeiro, na hora do almoço, o empreendimento reduziu o valor do estacionamento no período. Quem for ao local e consumir no mínimo R$ 15,00 em lojas participantes do segmento de alimentação pagará apenas R$ 3,00 na tarifa. A ação é válida de segunda a sexta-feira, das 12h às 15h (exceto aos feriados).

O mercado brasileiro, embora já esteja atento à maioria dessas tendências, ainda engatinha se comparado com a realidade de países como os Estados Unidos, onde já existem mais de 100 mil shoppings, ante os nossos cerca de 500 daqui. “Lá, esse segmento vem se desenvolvendo desde 1922, enquanto nós temos apenas 45 anos de centros comerciais. Ainda temos um espaço enorme para crescimento e veremos muitos novos empreendimentos serem abertos”, analisa Marinho.

Nos últimos anos, o país assistiu a um movimento de expansão das redes e de lançamento de novas unidades em áreas mais remotas, distantes do tradicional eixo Rio-São Paulo. “Estamos vivendo um momento interessante de democratização e expansão para outras cidades. Eu mesmo estive em Roraima, Sobral, Macapá, Porto Velho. É bom ver as mudanças que os shoppings estão levando para essas regiões. Vi recentemente, por exemplo, um Shopping de Alagoas levar o primeiro McDonald’s para a cidade”, lembra Marinho

Por Renata Leite, do Mundo do Marketing | 28/05/2014

http://www.mundodomarketing.com.br/reportagens/comportamento-do-consumidor/30806/5-tendencias-para-o-segmento-de-shopping-centers.html?utm_source=mail2easy&utm_medium=e-mail&utm_campaign=Newsletter+Dia

 

O futuro das lojas e dos shoppings no Século XXI: emoção, experiência de marca e entretenimento

O  painel “Reimagining Main Street: How Brick and Mortar Will Thrive in The 21st Century?” trouxe alguns pesos pesados do varejo para debater com o principal palestrante, Rick Caruso, CEO da Caruso Affiliated, um dos mais inovadores construtores de shopping centers nos Estados Unidos. Fizeram parte da bancada de debatedores Blake Nordstrom, presidente da Nordstrom, Candance Nelson, fundadora da Sprinkles Cupcakes e Rebecca Minkoff, designer de moda.

Caruso destacou a importância de investir na hospitalidade a criar experiências de marca dentro no ambiente de venda, criando uma espécie de sentido de comunidade para os frequentadores dos shoppings. O resultado disso? Vendas cada vez maiores. O The Grove, shopping de Los Angeles e criado por Caruso, é uma máquina de fazer dinheiro, com vendas por metro quadrado entre as 15 maiores do planeta. “Contratamos executivos que vieram do ramo hoteleiro para reforçar esse ponto dentro de nossos shoppings”, afirma Caruso. “Minha mensagem para os varejistas seria: use a tela branca que você tem nas paredes de suas lojas. Convite os clientes a um ambiente quente e envolvente e eles voltarão”.

Para ele, a ideia é que os clientes passem um dia dentro de seus shoppings e não apenas uma hora. Manter o cliente dentro da propriedade é a prioridade – não necessariamente para comprar. Pode ser para comer, encontrar amigos, ir ao cinema. Sempre em um ambiente que reforce a felicidade. “É preciso estar num estado permanente de felicidade, pois as pessoas querem ser felizes”, diz.

Caruso acredita que os shoppings fechados e tradicionais estão em estado terminal. Desde 2006, não se constroem mais esse tipo de“A sua história acabou. A grande questão é: se um shopping for fechado, os clientes irão?”, questiona. “Na França e na Itália, por exemplo, a rua é o lugar para se comprar. Por isso, é preciso sair das soluções tradicionais e buscar alternativas que, de fato, tragam o cliente para o shopping”.

Blake Nordstrom, presidente da Nordstrom, pontuou que o desafio de sua empresa é cercar o cliente com tudo o que ele precisa – informação, moda, dicas. O vai comandar é a conveniência do consumidor. “Se o cliente só quisesse informações, ele faria isso pelo site e jamais iria à loja”, afirma. “É por isso que estamos engajados neste desafio constante de criar experiências de marca e atender às necessidades do consumidor qualquer que seja o seu momento”. A empresa deve estar no caminho certo, já que, no último ano, chegou ao número recorde de US$ 11,8 bilhões em vendas.

Em 2013, a proximidade entre os feriados de Natal e Ação de Graças, nos Estados Unidos, criou um gargalo nas empresas de entrega – e muitos presentes não chegaram a tempo. “Não importa que 98 % chegaram a tempo”, afirma. “O que importa são os 2 % que não chegaram”. Este problema pode gerar uma reavaliação no uso do e-commerce dos clientes para 2014 e pode mexer com a fidelidade da clientela. “Se não dermos atenção especial a esse problema, os clientes vão comprar em outro lugar”, diz Nordstrom.

Candance Nelson, fundadora da Sprinkles Cupcakes, destacou a importância de reforçar a experiência de venda com vendedores que conseguem atrair clientes nas calçadas, literalmente fisgando-os pelo estômago. A rede de cupcakes tem uma atuação multiplataforma, mas tem limitações para isso: afinal, não dá para mandar cupcakes pelo correio e mantê-los fresquinhos e saborosos. Contudo, quando, a Sprinkles lançou sua linha de sorvetes, passou a utilizar o e-commerce para enviar seus produtos aos clientes.

Já a designer de moda Rebecca Minkoff destacou que os clientes querem um toque de humanidade e calor. “Na moda, as pessoas precisam de orientação. E aí que a loja entra”, afirma. Recentemente, sua rede investiu em pop-up stores, como uma forma de o consumidor experimentar a marca e depois ir à loja. Esse seria uma forma diferente de entrar em contato com a marca se comparado com a internet. Na pop-up store, percebe-se não apenas o desenho das roupas, mas o estilo e o conceito por trás dos modelos, estimulando a criação de um relacionamento com o cliente e, posteriormente, de fidelidade.

A indústria de shoppings nos Estados Unidos é madura e hoje sofre de forte saturação. Por isso, Caruso é cético quanto ao futuro do mercado de shoppings americanos. No Brasil, por outro lado, há muito espaço ainda para crescer, principalmente no interior do país. Segundo Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da GS&BW, no Brasil há 500 shopping centers, enquanto nos EUA são mais 40 000, daí a saturação.

“Apesar das tendências diferentes, contudo, a tendência de se ter o shopping no Brasil como centro de convivência já se faz notar”, diz Marinho. “Muito embora o principal motivo para se ir ao shopping ainda seja ir às compras”.

Outra diferença entre Estados Unidos e Brasil está na distribuição física do mercado. “Nossos shoppings podem ter um modelo igual ao americano, mas há uma diferença crucial”, diz ele. “Nos Estados Unidos, os shoppings estão no subúrbios, onde os terrenos são baratos e as construções, enormes. No Brasil, os centros comerciais estão inseridos no contexto urbano, mais compactos e em terrenos mais caros. Isso inviabiliza os chamados lifestyle centers – shopping abertos com muito paisagismo, fontes e praça, com foco maior em entretenimento”.

http://mercadoeconsumo.com.br/nrf2014/o-futuro-das-lojas-e-dos-shoppings-no-seculo-xxi-emocao-experiencia-de-marca-e-entretenimento/?utm_source=BenchmarkEmail&utm_campaign=News_NRF_14_01&utm_medium=email