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Alibaba investe em sustentabilidade neste Single’s Day

O Alibaba atendeu 1,3 bilhão de pedidos de entrega na edição deste ano do Single’s Day, também chamado Global Shopping Festival. Todo este volume de entregas gera uma enorme quantidade de caixas e, portanto, de lixo. Diante deste panorama, o Alibaba se comprometeu a fazer do maior evento de vendas do mundo uma data relacionada não apenas a consumo, mas também a sustentabilidade.

“Nos últimos dez anos, continuamos a estabelecer novos recordes da GMV e com isso nossa responsabilidade aumentou”, disse Jiang Fan, presidente da Taobao e Tmall. “O 11.11 deste ano não será apenas sobre nossos volumes GMV, mas também sobre desenvolvimento sustentável”.

Para esse fim, ele disse que o Alibaba montou estações de reciclagem de caixas e sacolas indesejadas – 40 mil delas – em toda a China, por meio da Cainiao Smart Logistics Network, enquanto seus parceiros de correio expresso estão hospedando outras 35 mil estações.

Esses 75 mil locais continuarão a funcionar como estações de reciclagem permanentes após o evento de vendas, ajudando a reciclar mais de 100 milhões de caixas anualmente, de acordo com as estimativas do Alibaba. A companhia também estabelecerá o dia 20 de novembro como o “Dia Nacional de Reciclagem de Caixas de Papelão” na China, implantando estações de reciclagem rápida em 180 bairros de Xangai, Pequim, Guangzhou, Shenzhen e Hangzhou naquele dia.

Para cada caixa reciclada nas estações de reciclagem de Cainiao, os consumidores podem escanear um código QR nos aplicativos Taobao, Cainiao ou Alipay para receber pontos de “energia verde” no mini-programa do Alipay Ant Forest. Seus pontos podem ser trocados pelo plantio de árvores nas áreas mais áridas da China, como as regiões desérticas da Mongólia Interior, Gansu, Qinghai e Shanxi.

O Alibaba também estima que mais de 50 milhões de pessoas tenham participado dos esforços de logística verde durante o festival de compras. Os consumidores podem se envolver online e offline, fazendo desde compras ecológicas até a reciclagem de embalagens.

Antes do evento, os consumidores puderam fazer parte do esforço de reciclagem por meio do aplicativo Mobile Taobao e receber “Meow Coins”, uma moeda de jogo interativa que se converte em descontos nas compras do 11.11. Mais de 20 milhões de pessoas utilizaram o aplicativo em 11 de novembro.

O Alibaba também está incentivando os consumidores a reciclar seus produtos indesejados, em vez de jogá-los fora. De 1 a 11 de novembro, a empresa organizou um programa de troca de aparelhos e eletrônicos nos aplicativos Taobao, Idle Fish e Alipay.

Os consumidores puderam doar dispositivos usados ​​de 80 categorias, de telefones e laptops a aparelhos de ar condicionado e máquinas de lavar, e receber compensação pelos itens reciclados, além de descontos especiais para comprar novos. Por exemplo, os consumidores poderiam receber até RMB 4.112 (US$ 587) pela reciclagem de um iPhone X, além de pacotes vermelhos no valor de RMB 411 para comprar um novo modelo.

O Tmall, o mercado de comércio eletrônico B2C do Alibaba, também realizou o descarte ecológico de produtos, como o recrutamento de mais de uma centena de produtores reais para fazer transmissões ao vivo promovendo o arroz de água salgada, uma alternativa mais sustentável à cultura de arroz, que faz uso intensivo de água do mar diluída em vez de água fresca.

A plataforma vendeu 358 mil kg de arroz de água salgada em apenas dez dias nas pré-vendas do 11.11. Isso representa o equivalente a 716.000 metros quadrados de terra que foram transformados de “terras residuais” afetadas pelo sal em terras aráveis.

Quase 40 marcas da Tmall, como L’Oréal e Giorgio Armani Beauty, optaram por usar materiais de embalagem ecológicos, como caixas que não precisam de fita adesiva. Eles enviaram 150 milhões de caixas livres de plástico no ano passado, ajudando a economizar mais de 200 milhões de metros de fita plástica.

A Cainiao também fez parceria com o Tmall Supermarket e Lingshoutong para promover a reutilização de caixas nas operações diárias. Hoje, mais de 70% de suas entregas são enviadas em caixas de papelão reutilizadas, em vez de novas embalagens.

Quando os consumidores fazem suas compras no supermercado Freshippo, no Alibaba, eles recebem pontos de energia verde do programa Ant Forest ao optar por sacolas plásticas. Os compradores do Freshippo contribuíram com quase 1 bilhão de pontos até outubro, o equivalente ao plantio de 560 mil árvores.

A rede também procurou ampliar seus esforços de redução dos resíduos de plástico, projetando embalagens mais eficientes, o que ajudou a economizar cerca de 70 toneladas de plástico.

Isso ocorre quando os consumidores chineses se tornam cada vez mais conscientes do meio ambiente. No início deste mês, o braço de pesquisa do Alibaba Group, AliResearch, disse que mais de 380 milhões de consumidores compraram produtos ecológicos em Taobao e Tmall no ano passado, a maioria dos quais é jovem: cerca de 41,8% desses consumidores nasceram após 1990 e 32,9% nasceram depois de 1980. Nas plataformas, as pesquisas por palavras-chave como “biodegradável” aumentaram 284%, enquanto por “coleta de lixo” aumentou 2 mil vezes.

Essas medidas seguem a campanha verde mais abrangente da Cainiao até o momento: a Alibaba Green Logistics 2020. A campanha apresenta esforços conjuntos de toda a empresa para melhorar a reciclagem de materiais, embalagens, planejamento de rotas e métodos de entrega para reduzir o desperdício e promover a sustentabilidade.

A Cainiao disse que seu algoritmo de desenvolvimento de embalagens inteligentes, que avalia itens comprados por categoria, volume, peso e área e, em seguida, combina os produtos com a forma de embalagem com maior eficiência de espaço, ajuda a melhorar o uso de embalagens de cerca de 290 milhões de encomendas por ano e reduz a quantidade de materiais desperdiçados devido à sobre-embalagem em 15%.

Para economizar papel, a Cainiao também expandiu o uso de etiquetas de envio eletrônico para substituir os adesivos de papel tradicionais. A empresa aplicou etiquetas de remessa eletrônica em cerca de 100 bilhões de encomendas nos últimos cinco anos, ajudando a compensar 1 bilhão de quilogramas de emissões de carbono.

“A logística verde é uma parte essencial do nosso modelo de negócios”, disse Niu Zhijing, que lidera a Campanha Go Green da Cainiao. “Acreditamos que a sustentabilidade só pode ser incentivada através de esforços conjuntos em toda a cadeia de valor, desde fornecedores de embalagens, plataformas e marcas de comércio eletrônico até empresas de entrega expressa, consumidores e formuladores de políticas. Todas as partes interessadas precisam agir em conjunto.”

“Também queremos inspirar os consumidores a agir, facilitando a participação por meio de pequenas ações”, disse Niu.

Vivo inaugura loja sustentável em shopping de São Paulo

A Vivo inaugurou sua primeira loja sustentável, que segue os conceitos LEED – Leadership in Energy and Environmental Design, selo criado pela organização americana U.S. Green Building Council. A unidade tem 167m², está localizada no Shopping VillaLobos, na capital paulista, e atende a mais de 80 pontos nas nove categorias da certificação ambiental internacional com o objetivo de atingir o selo Platinum.

“A sustentabilidade faz parte da estratégia de lojas da Vivo, que busca transformar pontos de venda em pontos de experiência, oferecendo espaços cada vez mais relevantes para os consumidores e a sociedade”, afirmou Fernando Rheingantz, diretor de Canais da Vivo.

A sustentabilidade das unidades está no mobiliário com certificação ambiental, na redução do consumo de energia elétrica e na sua utilização a partir de fontes renováveis, além da eliminação do papel e copos plásticos.

A previsão da empresa é que a redução do consumo de energia ultrapasse 28% quando comparado com a de uma loja tradicional. Para conseguir atingir este percentual, foram instalados sistemas de automação para controle da iluminação, calibrado para garantir economia e segurança e de ar- condicionados com consumo reduzido de água gelada.

A nova loja também conta com equipamento de recuperação de energia do ar-condicionado. Há sensores de presença e de desligamento automático da iluminação. A geração de energia também é 100% renovável por meio de sistema fotovoltaico e da contratação de energia verde no mercado livre incentivado.

O ponto de venda utiliza um sistema de recuperação de energia que requer menos intensidade do equipamento de ar-condicionado e contribui para a redução do consumo de água. A renovação do ar é feita por meio de filtragem fina, possibilitando a retenção de partículas e poluentes. Assim, a taxa de renovação do ar é 30% maior que a exigida por normas internacionais, fornecendo maior capacidade de diluição dos poluentes.

O mobiliário da nova unidade foi fabricado a partir utiliza madeira certificada FSC, que atesta o manejo correto e adequado às normas ambientais. As tintas, selantes e colas usadas na loja possuem baixo ou nenhum índice de Componentes Voláteis Orgânicos (COV) em sua composição, reduzindo o cheiro e os impactos causados por estes produtos químicos.

Outra ação sustentável desenvolvida pela operadora é o programa Recicle com a Vivo, em que a operadora oferece para clientes e não clientes a coleta e destinação de celulares, carregadores e baterias sem uso. Os componentes eletrônicos são destinados à reciclagem de acordo com as normas ambientais. Em 2018, as urnas do programa de reciclagem receberam cinco toneladas de equipamentos, o equivalente a 76,6 mil itens.

A Vivo oferece descontos na compra de smartphones mediante a entrega do aparelho usado. Os descontos variam de acordo com o modelo e conservação do equipamento. Os equipamentos em bom estado são recondicionados e comercializados por empresa parceira no mercado de usados. Por meio deste programa, foram recolhidas 12,9 toneladas de aparelhos, o equivalente a 84,2 mil itens.

Entre os aparelhos comercializados pela operadora, 73% possuem o selo Ecorating, que avalia, com notas de 0 a 5, mais de 100 critérios socioambientais na produção e destinação dos smartphones. A avaliação é feita pela ONG Forum for The Future, do Reino Unido.

Varejo verde: Malwee lança etiqueta para identificar peças sustentáveis

A Malwee irá lançar o selo “Moda do Bem”, que indica suas peças sustentáveis, fabricadas com uso reduzido de água, matérias primas orgânicas e biodegradáveis. A identificação será introduzida em dezembro, em uma coleção cápsula.

Um dos tecidos utilizados será confeccionado com 88% de poliéster reciclado, a partir de embalagens plásticas. De acordo com a empresa, a utilização deste material já permitiu que 30 milhões de garrafas fossem retiradas do meio ambiente.

Outro tecido que utiliza técnicas sustentáveis é o jeans, produzido com técnicas industriais que reduzem em até 93% o consumo de água. Algumas peças receberão algodão desfibrado, feito com resíduos de malhas recicladas. O tingimento é realizado a partir de um processo sustentável, que permite reduzir em até 98% o volume de água. As próprias etiquetas das peças serão feitas com tecido reciclado e as embalagens com plástico totalmente reciclado.

A criação do selo e da coleção cápsula é parte de um termo de compromisso da ONU, chamado Our Only Future (Nosso Único Futuro), que busca evitar o aumento da temperatura média global e zerar a emissão de gases de efeito estufa até 2050.

Apenas três empresas brasileiras assinaram o acordo: Klabin, Natura e a Malwee. A marca têxtil também aderiu ao pacto Fashion Pact, assinado por 32 empresas de moda, durante a reunião do G7, na França.

Guilherme Weege, atual presidente da Malwee, acredita que estes pactos ajudam a trazer visibilidade para as questões ambientais e a fabricação de produtos. “Hoje o consumidor não sabe como é fabricado o produto que ele consome, mas ele está interessado no processo”, disse.

A indústria têxtil é uma das que mais polui. Um caminhão de resíduos têxteis é jogado no lixo a cada segundo no mundo e as peças de vestuário geram meio milhão de toneladas de microfibras nos oceanos a cada ano.

De acordo com o executivo, a questão do preço é uma das maiores geradoras dos impactos ambientais. “O rápido consumo puxa os preços cada vez mais para baixo e as empresas buscam os países com os menores custos de produção”, explicou Weege.

O preço das linhas sustentáveis da Malwee é próximo ao das peças tradicionais. Mas a fabricação permanece mais cara, pois não há escala suficiente para reduzir o custo.

Para a Malwee, os ganhos devem vir em longo prazo com a redução dos custos de materiais e dos gastos com água, além do barateamento do processo com a ampliação da escola. Porém, até isso acontecer, as margens da empresa serão reduzidas. “Há consumidores que enxergam o diferencial desses produtos, mas ainda não é uma peça que se paga”, afirmou o presidente da empresa.

Para Weege, o fast fashion não deve deixar de existir. “A moda é passageira, não é atemporal, então o fast fashion continuará a existir. A diferença é que o público irá buscar mais qualidade e outros modos de produção”, afirmou.

Uniqlo comercializará roupas feitas de plástico reciclado

A varejista de moda Uniqlo irá comercializar, em 2020, roupas confeccionadas a partir de garrafas de plástico recicladas. A empresa é a terceira maior varejista de moda do mundo, atrás apenas da Inditex, dona da Zara e da H&M, além de ser a maior da Ásia.

Para o desenvolvimento das peças, foram necessários dois anos de pesquisa em parceria com a Toray Industries, uma das principais fabricantes de tecidos de borracha para a indústria automobilística do mundo. “A Terra como um todo está enfrentando uma crise, e sem a Terra não podemos fazer negócios”, afirmou Tadashi Yanai, presidente da Uniqlo. As duas companhias são parceiras há 15 anos e já desenvolveram juntas jaquetas de tecido leve e camisas que não amassam.

O executivo explicou que as roupas serão feitas de fibras produzidas a partir de garrafas de polietileno tereftalato (PET) usadas. Uma das maiores dificuldades foi retirar impurezas para gerar um tecido confortável. De acordo com ele, os resultados foram surpreendentes, dando origem a tecidos de secagem rápida que gerarão, principalmente, camisetas.

Yanai acredita que os mais jovens serão os mais atraídos pelos novos produtos, já que são mais preocupados com questões relacionadas à sustentabilidade. “Consumidores europeus já são bem conscientes. Estou confiante que os novos produtos serão bem aceitos”, disse o presidente da empresa.

A Uniqlo já é conhecida por adotar práticas sustentáveis, como incentivar seus clientes a praticarem o consumo consciente e recolher jaquetas velhas para reciclar, além de ter eliminado sacolas plásticas, tendo lojas que utilizam água da chuva e energia solar.

O presidente da empresa disse que seu objetivo é transformar a Uniqlo na maior varejista de moda do mundo até 2020. A companhia vem conquistando, de fato, um grande crescimento. Possui 2 mil lojas em 19 países e um faturamento de US$ 15 bilhões.

Brasileiros buscam produtos mais saudáveis e sustentáveis

Cresce entre os consumidores a preocupação com a saúde e o meio ambiente, o que vem sendo concretamente refletido nas estratégias e nas vendas da indústria e do varejo brasileiro.

De acordo com o estudo Estilos de Vida 2019 da Nielsen, o meio ambiente já aparece como uma das 10 principais preocupações do brasileiro, ficando atrás apenas da violência, serviços públicos, aumento no custo de vida, educação e economia.

A população do Brasil está mais prática (55% dos entrevistados vão direto à loja para efetuar a compra), mais conectada (64% têm um smartphone), mais saudável (57% reduziram o consumo de gordura e 56% diminuíram a ingestão de sal), mais negociadora (64% escolhem as marcas pelo baixo preço) e mais sustentável (42% estão mudando seus hábitos de consumo para reduzir o impacto no meio ambiente).

O shopper saudável – aquele que declara ir ao médico ao menos uma vez por ano, ter aumentado o consumo de orgânicos e diminuído a ingestão de sal, açúcar, gordura e industrializados – já representa 28% da população brasileira (Estilos de Vida 2018). Os domicílios formados por eles são, em sua maioria, compostos por 3 a 4 indivíduos, sem crianças e pertencentes às classes A e B, apresentando um maior ticket médio e indo mais vezes aos pontos de vendas.

No entanto, mesmo com maior incidência nas classes mais altas, a busca por um consumo mais saudável e sustentável vem permeando todas as faixas da população brasileira, indo além de uma segmentação demográfica, como mostra a edição 2019 do estudo Estilos de Vida.

A pesquisa aponta que 73% dos consumidores saudáveis afirmam que gastariam mais com marcas que se preocupam com o meio ambiente, porém, 43% deles declaram que ainda é difícil encontrar produtos sustentáveis nas lojas. No quesito saudabilidade, 64% afirmam seguir alguma dieta que limita ou proíbe o consumo de determinados produtos ou ingredientes: 44% gostariam de ter mais opções de produtos orgânicos, 26% adotaram uma dieta livre de glúten e 15%, sem lactose.

O consumidor saudável vai, em média, 27 vezes ao ponto de venda, com um ticket médio de R$ 29, comprando 6 itens por visita. Os canais especializados estão entre os seus preferidos: 96% declara fazer compras em feiras de rua e 74% em sacolão/hortifruti, ou seja, 26% acima da média do total de lares brasileiros sem esse perfil.

“A qualidade e a conveniência são atributos muito valorizados pelo shopper saudável, 83% afirmam que uma das principais razões para escolha da loja é encontrar itens de boa qualidade e 64% preferem fazer compras no fim de semana, principalmente, para ter mais tempo para analisar os ingredientes que os compõem”, explicou Fernanda Vilhena, gerente de Atendimento ao Varejo.

Além disso, um grande percentual dos compradores demonstra confiança em produtos de Marca Própria (71%), além de estar mais conectado, assumindo pesquisar sobre os produtos e preços em aplicativos antes de ir à loja (60%) e gostar de interagir com suas marcas preferidas pelas redes sociais (79%).

Os produtos saudáveis vêm impulsionando o mercado de FMCG, crescendo 12,7% em faturamento no último ano, o que representa 5% do total faturado. Dentre estes, os segmentos sem glúten/sem lactose, fresco/natural/orgânico e diet/light/zero recebem o maior destaque, somando 61% de importância e contribuindo com 75% do crescimento na categoria de saudáveis.

Atentos a isto, a indústria e o varejo se movimentam cada vez mais para atender tais demandas do consumidor. Alimentos e bebidas têm focado nos ingredientes – reduzindo sal, açúcar, gorduras e calorias – e recorrendo a porções menores para os produtos com atributos opostos à saudabilidade.

Para Higiene e Beleza, além das embalagens refil, os produtos com ingredientes naturais são destaques deste movimento, crescendo 18%, frente ao incremento total de 3,5% da cesta (2018 vs. 2017). Os produtos voltados para cuidados do cabelo são os principais responsáveis (95%) por este resultado.

Já no segmento de Limpeza, embalagens sustentáveis e elementos menos abrasivos têm sido as alternativas mais recorrentes para atender tais demandas.

“A indústria tem se movimentado no sentido de ampliar seu portfólio por meio da aquisição de outras marcas, de modo a ingressar em categorias ou nichos com o apelo saudável e estreitar relação com seus consumidores”, comentou Fernanda. Também já se observam investimentos em inteligência artificial a fim de criar produtos personalizados com base na demanda individual de cada consumidor.

O varejo, neste mesmo sentido, também passa a investir na saudabilidade e sustentabilidade, seja trabalhando a Marca Própria como forma de impulsionar e democratizar o consumo, seja com o investimento em estratégias digitais para engajar e personalizar a compra via mobile. Também têm sido observadas ações contra o desperdício, compras responsáveis, gestão de resíduos e do impacto ambiental de suas operações.

Para um terço da população brasileira, sustentabilidade já está entre as três principais preocupações do consumidor e 28% dos lares já adotam medidas saudáveis, destacando-se com maior frequência de compras e ticket médio mais alto em todos os canais. Os produtos saudáveis crescem 12,7% e impulsionam o resultado das categorias que atuam com diferentes drivers de crescimento, como lançamentos, descontos de preços e pulverização de canais.

Neste sentido, indústria e varejo têm buscado, cada vez mais, diversificar suas estratégias adquirindo novas marcas, reformulando produtos, lançando novos formatos de lojas, programas de reciclagem e gestão de suas operações. Desenhar uma estratégia de sortimento, comunicação e precificação para atingir o shopper saudável também se configuram como ações vencedoras para fidelizar esses clientes e garantir melhores resultados.

Adidas utilizará apenas plástico reciclado em seus produtos até 2024

A indústria da moda vinha respondendo lentamente à demanda dos consumidores por produtos sustentáveis. Este tipo de item vinha ficando isolado a algumas marcas especificas, como Patagonia, Toad & Co, Eileen Fisher, entre outras. A tendência é que isto mude com o anúncio da Adidas de que irá parar de utilizar poliéster virgem, ou seja, fibra de plástico, em seus produtos até 2024.

As implicações para a Adidas e o resto da indústria da moda são profundas, já que cerca de 50% dos materiais usados ​​nos mais de 900 milhões de itens vendidos são de poliéster. Eric Liedtke, diretor das marcas globais da Adidas, afirmou: “Nosso objetivo é nos livrar do poliéster virgem em 2024.”

A decisão da marca segue o sucesso da venda de calçados de plástico reciclado. Seu compromisso cresceu de um milhão de pares produzidos em 2017 para 5 milhões em 2018, atingindo 11 milhões de pares em 2019.

“Somente em 2018, economizamos mais de 40 toneladas de resíduos plásticos em nossos escritórios, lojas de varejo, armazéns e centros de distribuição em todo o mundo e substituímos por soluções mais sustentáveis”, disse Gil Steyaert, responsável pelas operações globais, em um comunicado da empresa.

O poliéster virgem é a fibra essencial da indústria da moda. A empresa de inteligência de mercado Plastic Insights reportou que o poliéster respondeu por 55% do mercado global de fibra, seguido pelo algodão com pouco mais de um quarto do mercado em 2016. Naquele ano, 76 milhões de toneladas foram produzidas globalmente, com apenas uma pequena participação das matérias-primas recicladas.

Os impactos disto são enormes. A ONG Ocean Conservancy afirma que “a cada ano, oito milhões de toneladas de resíduos plásticos entram nos oceanos, onde se somam a cerca de 150 milhões de toneladas que já circulam por lá”. Sem falar nos 26 milhões de toneladas de plástico que acabam nos aterros dos Estados Unidos.

Outras empresas também vêm adotando medidas sustentáveis, como a Inditex (controladora da Zara) que anunciou que irá produzir suas coleções com tecidos 100% orgânicos. A Nike também vem utilizando tecidos sustentáveis, mas de forma menos agressiva. A decisão da Adidas deve fazer com que essas empresas e as demais operadoras do mercado acelerem seus passos para um futuro sustentável.

Isso corrobora o estudo Pulse of the Fashion Industry 2019 Update, conduzido pelo Boston Consulting Group, a Global Fashion Agenda e a Sustainable Apparel Coalition. De acordo com o estudo, até 2030, a indústria global de vestuário e calçados terá crescido 81%, chegando a 102 milhões de toneladas de roupas e acessórios, “exercendo uma pressão sem precedentes sobre os recursos planetários”, informou em relatório, que também afirma: “As empresas de moda não estão implementando soluções sustentáveis ​​com rapidez suficiente para contrabalançar os impactos ambientais e sociais negativos da indústria de moda em rápido crescimento.”

Renner lança linha de peças produzidas com fio reciclado

A Renner está lançando roupas feitas com malha reciclada, batizadas de Re Malha. Os itens são desenvolvidos a partir de um processo colaborativo com seus fornecedores, dentro do conceito de fechamento de ciclo da economia circular e como parte do empenho para construir uma moda responsável.

As peças chegam às lojas um ano após a criação do selo Re – Moda Responsável e do lançamento da coleção de jeans reciclado Re Jeans. A essência do projeto é novamente o reaproveitamento de resíduos gerados pela cadeia de fornecimento: as sobras têxteis de malha das roupas produzidas para a Renner são desfibradas, dão origem a um novo tecido e voltam ao processo produtivo do fornecedor inicial, que usa esta matéria-prima reciclada na confecção de outras roupas para a varejista.

A ideia é fazer com que rede a varejista se responsabilize pelo resíduo gerado, reinserindo as sobras de tecido na cadeia e fechando este ciclo. As peças estão disponíveis em 48 lojas selecionadas. Os dois primeiros modelos de camisetas masculinas também estão à venda no e-commerce da Renner. A variedade de itens será ampliada nos próximos meses.

“Com o lançamento de Re Malha, seguimos com nosso compromisso de oferecer moda com qualidade, utilizando processos e matérias-primas menos impactantes ao meio ambiente. Estamos engajados em avançar cada vez mais neste propósito”, afirmou Eduardo Ferlauto, gerente sênior de Sustentabilidade da Lojas Renner.

Em 2018, foram produzidas para a varejista mais de 12 milhões de peças femininas, masculinas e infantis confeccionadas com matérias-primas de menor impacto, entre elas o fio reciclado, criado a partir de material têxtil e/ou plástico (PET); o liocel, fibra de origem renovável extraída da fibra de madeira; o algodão certificado, entre outros.

No ano passado, a Renner também assumiu compromissos públicos em sustentabilidade para 2021. Entre as metas estão produzir 80% das peças com matérias-primas e processos menos impactantes; utilizar algodão certificado em 100% de sua cadeia de fornecimento; ter 75% de energia proveniente de fontes renováveis em seu consumo corporativo; reduzir em 20% as emissões absolutas de gás carbônico (CO2) e ter 100% da cadeia nacional e internacional dos fornecedores de revenda com certificação socioambiental.

Por Imprensa Mercado & Consumo – 15 de julho de 2019