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A relevância do ESG no fortalecimento do engajamento e consumo

 sociedade atual, principalmente a parcela mais jovem, tem uma forte questão sobre o impacto que o consumo causa no planeta, seja no ambiente, seja no comportamental das pessoas. Essas mudanças na visão do consumidor vieram para ficar e pressionam os negócios a se reinventarem. Cresce a pressão para que empresas adotem uma posição clara a respeito desses temas.

Nesse contexto, as métricas do critério ESG, que abrangem as melhores práticas de empresas nos componentes Ambiental, Social e de Governança (Environmental, Social and Governance, em inglês) passam a ser um assunto fortemente relevante.

Empresas com posicionamentos coesos e transparentes em ESG alavancam sua reputação, pois suprem necessidades requeridas pela sociedade, consumidores, funcionários e gestores acerca do impacto positivo. São métricas críticas para o sucesso atual e futuro, pois a tendência é de crescimento para essas demandas.

Além disso, o olhar de investidores também se torna mais atrativo. Negócios com boas práticas nesses campos tendem a ser investimentos mais seguros, com possibilidade de retorno mais duradouros, uma vez que estão alinhados com compromissos relevantes de tendências sociais e de consumo, contribuindo para uma avaliação financeira, de risco e de perenidade mais positivas.

Contudo, apesar de vários movimentos assertivos de muitas empresas em ESG, ainda estamos no início da transformação e distantes do desejado pela sociedade.

Frequentemente acompanhamos em estudos de mercado realizados para diversas categorias um ponto de dor recorrente dos consumidores: a crítica sobre ausência ou baixa relevância de ações sociais e ambientais realizadas pelas marcas com as quais convivem.

Pautam que muitas marcas “comunicam”, mas na prática não fazem nada; ou fazem ações que ninguém fica sabendo ou que não importantes; ou que apenas realizam ações pontuais, esporádicas, sendo que a demanda é por algo verdadeiramente transformador, de impacto positivo real.

Os consumidores querem interagir e apoiar empresas alinhadas aos seus valores, que transmitam orgulho de fazer parte. Portanto, é fundamental que empresas transmitam:

  • Objetividade: deixem claro o que aspiram frente aos componentes de ESG;
  • Transparência: demostrem como operam esses temas no dia a dia e qual o impacto esperado e gerado. Dados, métricas e desempenho sobre o que está sendo feito são fundamentais;
  • Conexão: impactem, transformem, engajem o maior número de indivíduos possível.

Qual o papel do varejo no contexto ESG?

O canal de consumo, seja ele físico, seja digital, pode ter uma função forte no elo marca-consumidor para tangibilizar o posicionamento da empresa nos critérios ESG, trazendo evidências claras de como e por que a empresa se importa com esses componentes.

Componente E: Environmental/Ambiental

  • Menor impacto ambiental na logística (distância, pegada de carbono);
  • Uso de materiais sustentáveis (embalagem e materiais do ambiente da loja);
  • Redução de desperdícios (materiais, energia, etc.);
  • Incentivo a princípios da economia circular (reduzir, reutilizar, reformar, reparar e reciclar);
  • Integração com espaços verdes e abertos;
  • Ajudar e educar o consumidor a fazer escolhas mais conscientes.

Componente S: Social

  • Respeito a diversidade da sociedade e consumidores;
  • Acesso a educação e formação;
  • Segurança no ambiente de trabalho;
  • Ambientes e apoio a descompressão;
  • Desenvolvimento de comércio local.

Componente G: Governance/Governança

  • Inclusão e diversidade entre funcionários, atendentes, vendedores;
  • Transparência: comunicar em mídia, produto, rótulo ou ponto de venda o posicionamento da empresa nos componentes ESG;
  • Demostrar resultados da agenda proposta com relação a ESG.

O que priorizar em ESG?

Um aspecto relevante nesse cenário é que, para serem efetivas em ESG, as empresas não precisam focar em todos os critérios. É melhor ter pontos distintos, autênticos e verdadeiramente transformadores em alguns componentes do que ter um pouco de tudo de não transformar verdadeiramente.

Para auxiliar na priorização das ações em ESG, trouxemos cinco reflexões para os negócios:

Tendências: A relevância do ESG no fortalecimento do engajamento e consumo

ESG pautará por um longo tempo as decisões de consumo e investimento e em movimento crescente, portanto realizar ações de negócio nos componentes ESG é fundamental para contribuir com o sucesso competitivo futuro.

Karen Cavalcanti é sócia-diretora da Mosaiclab23/07/21 – https://mercadoeconsumo.com.br/2021/07/23/tendencias-a-relevancia-do-esg-no-fortalecimento-do-engajamento-e-consumo/

As 10 lições que Madame C.J. Walker nos ensina sobre Marketing

Madame CJ Walker é considerada a primeira mulher negra que enriqueceu por conta própria nos Estados Unidos. De uma simples lavadeira de roupas, ela se tornou milionária desenvolvendo e criando produtos para cabelo

Se você trabalha com marketing e ainda não viu Self Made, precisa imediatamente parar tudo e assistir à série. Em termos de aprendizado sobre marketing, é um material bastante colaborativo e que traz muitos ensinamentos que podem ser aplicados pelos profissionais da área. Os resultados, sem dúvida nenhuma, serão ainda mais assertivos se algumas práticas forem seguidas. Vale lembrar, que ela se passa entre 1890 e 1915, quando o termo marketing nem sonhava em existir, mas Madame CJ Walker já usava técnicas, que depois, ficariam conhecidas como Storytelling, por exemplo.

Aproveito, neste artigo, para compartilhar alguns pontos que a meu ver foram marcantes e acredito que serão de grande valia para suas futuras ações de marketing:

O seriado

SELF MADE é uma séria baseada na história de Sarah Breedlove (foto) que estreou no NETFLIX em Março de 2020. Sarah Breedlove (1867-1919), nome de batismo da futura “Madam C..J. Wlaker”, nasceu 2 anos depois que a escravidão havia sido abolida no Estados Unidos, sendo a primeira dos 5 irmãos, a nascer depois da abolição. Sarah conheceu e se casou com Charles Joseph Walker, publicitário e desenhista. Foi das que surgiu seu nome: C.J.Walker.

Madame veio depois, graças a uma briga com sua rival, Addie. que é quem cuida de Sarah e ensina sobre o medicamento para cabelos.

Sarah tem mais sucesso que Addie, que por ciúmes tenta acabar com a rival. Nessa briga, Addie, tenta menosprezar Sarah a chamando de madame, mas Sarah, já como CJ Wlaker, decide adotar o madame.

Madame CJ Walker é considerada a primeira mulher negra que enriqueceu por contra própria nos Estados Unidos. De uma simples lavadeira de roupas, ela se tornou milionária desenvolvendo e criando produtos para cabelo da mulher negra. Octavia Spencer é a atriz que dá vida a C.J.Walker na série. Aliás, que show que a atriz dá!

Empreendedorismo na veia

Dizem que todo o empreendedor cria uma empresa para resolver um problema, que muitas vezes, é o seu problema ou algo que identificou no mercado. No caso da Sarah, ela enfrentava muitos problemas com o seu próprio cabelo e entendeu que, muitas mulheres negras poderiam passar pelo mesmo problema.

Como a escravidão nos EUA havia acabado a poucos anos, os negros tinham pouco tempo de liberdade e só conseguiam empregos que pagavam muito pouco, logo, vender produtos para negros não será tão promissor, além, claro, do alto preconceito que existia com os negros naquela época.

Quando Sarah se conectou as pessoas então?

Enquanto a Sarah gritava os apelos básicos, nenhuma mulher parava perto de sua pequena barraca. Era gritos aos ventos, porém, depois algum tempo, uma jovem pararam, dizendo já ter ouvido falar daquele produto e queria saber mais. Quando essa jovem para em frente a Sarah, outras instintivamente se viraram para saber o que estava acontecendo, mas ainda sem muito interesse, porém a atenção havia sido chamada.

Lição 01: Sarah um dia, resolveu arriscar. 

Você jamais saberá se é bom em alguma coisa, se não testar. Sem Addie saber, Sarah testou seu poder de vendas. Testou apelos para chamar a atenção, até que achou o que tocava o coração das pessoas. Lição: Empreendedorismo.

Lição 02: Histórias vendem mais do que anúncios aleatórios.

Quando chegou a feira, Sarah começa a gritar apelos que não se conectam com as clientes. Coisas como “você tem caspa”? Ou “quer ter um cabelo bonito” apelos que não dizem nada.  Quando ela começa a contar a sua história, o jogo muda. Lição: Storytelling.

Lição 03: Sarah empodera a cliente

Ela não diz que aquele elixir, seu medicamento, é um milagre, mas que o que ele fará na autoestima da mulher. Ela conquista o coração da cliente e não o seu bolso. Hoje, muito se fala em não vender produto, mas sonhos. Ela fez isso em 1890! Lição: Emponderar.

Lição 04: Co-criação

Sarah traz a sua filha como teste e ouve o que a filha quer no produto para ter o cabelo bonito e poder se divertir dançando com seu namorado. Sarah entende que seu produto traz felicidade, além de empoderamento, para as mulheres. Lição: Co-criação.

Lição 05: Sarah entende que as mulheres não querem ser como Addie

As mulheres querem ser o que elas quiserem ser! A mulher negra não quer ser uma branca linda, ela quer ser uma negra linda. O erro de Addie era achar que a mulher negra queria ser como ela, que era uma mulher branca, Madame CJ Wlaker entendeu e trabalhou isso. Lição: Pesquisa de comportamentos.

Lição 06: Posicionamento de marca

Sarah entende o perfil da sua consumidora, e então ela posiciona a sua marca em um mercado que não havia sido explorado, mas com enorme potencial, de empoderar as negras, esse era o diferencial da sua marca. Não era vender produto, era vender a oportunidade. Lição: posicionamento de marca.

Lição 07: Promessa clara de marca

C.J.Walker, constrói uma empresa baseada no que a marca poderia oferecer pelas mulheres, uma promessa clara e direta. Não era ter um cabelo bonito, mas sim, ter uma melhor auto estima, por ter um cabelo bem tratado e com isso conquistar seus sonhos. Lição: Promessa.

Lição 08: Propósito de marca vale mais que o produto.

Graças a esse propósito, Madam treina um verdadeiro exército de mulheres, que distribuídas pelos Estados Unidos começam a oferecer o seu produto. Já começava pelo exemplo: mulheres que vendiam o produto, já eram mulheres que tinham a sua independência financeira e poderiam realizar seus sonhos. Lição: Propósito claro e aplicado.

Lição 09: Missão da empresa é clara e executada

Quando houve um pequeno conflito na convenção de vendas da marca, na casa da Madame CJ Wlaker, ela aplica o propósito quando essas reivindicam algo que poderia prejudicar a vida de cada uma delas. A missão de ajudar as mulheres se mantém durante uma crise. Lição: Missão clara da empresa.

Lição 10: História do fundador

Ela era, até então, a sua própria marca, que anos depois, virou C.J.Walker.  Isso faz sentido para a empresa quando a marca é o reflexo do seu, ou sua, fundador(a). Lição: Verdade.

Aprendeu?

• Marketing não é só mídia.

• Marketing não é só Redes Sociais, Inbound, Google e influenciador.

• Marketing é saber como construir uma marca com pilares sólidos e claros.

• Marketing é entender o que as pessoas querem e como a empresa pode resolver seu problema.

• Marketing é inovar, é testar, é pesquisa.

• Storytelling é uma excelente ideia para a sua marca

Felipe Morais – 26/10/2020 – https://www.mundodomarketing.com.br/artigos/felipe-morais/38921/as-10-licoes-que-madame-cj-walker-nos-ensina-sobre-marketing.html

Starbucks investe em inovação para o futuro focando na conexão humana

No processo de torrefação de café, existe um dispositivo chamado “tryer”. Ele permite que o torrefador verifique o progresso dos grãos e, se necessário, fazer adaptações adequadas.

A palavra – o processo – é rica em possibilidades, assim como o recente laboratório de inovação da Starbucks que compartilha seu nome. O Tryer Center é um centro de criatividade e experimentação. É também uma representação física de uma mudança de cultura que coloca a “ideia em ação em 100 dias”.

O CEO da Starbucks, Kevin Johnson, dividiu o palco do NRF Retail’s Big Show com Stephanie Mehta, editora-chefe da Fast Company. Naturalmente, havia uma prensa francesa na mesa próxima, completada pelo café Jamaica Blue Mountain.

Não importa que a Starbucks seja uma organização gigantesca, com mais de 31 mil lojas em todo o mundo, 400 mil parceiros, que atende a mais de 100 milhões de clientes por semana. A Starbucks, com o veterano da tecnologia Johnson no comando, continua tentando coisas novas.

O trabalho é realizado em equipes pequenas e multifuncionais. Tudo é voltado para o impacto sobre parceiros e clientes. Há uma ênfase no aprendizado, em vez de sucesso ou fracasso. E, no centro de tudo isso, está o foco na conexão humana, mesmo com o crescente uso da IA ​​por meio de sua iniciativa Deep Brew.

“Como seres humanos, fomos criados para interagir uns com os outros”, disse Johnson. “É assim que obtemos energia. É assim que obtemos suporte quando lidamos com adversidades. É assim que compartilhamos alegria e sucesso em nossas vidas. Eu acho que um dos temas comuns daqui para frente é encontrar maneiras de criar conexão humana. Interação humana. O mundo precisa disso”, afirmou o executivo.

Johnson, que passou três décadas em empresas como IBM, Microsoft e Juniper Networks, falou sobre o uso da tecnologia para liberar mais tempo para que os parceiros possam gastar com os clientes. Isso pode significar, por exemplo, manter o inventário ou simplificar a programação da equipe. Pode significar também que os clientes peçam um café com antecedência e busquem com eficiência quando pressionados pelo tempo.

Mas também pode significar que o barista usa um microfone que usa processamento de linguagem natural, permitindo contato visual durante as conversas com os clientes, em vez de ter que olhar para baixo para digitar pedidos.

 

Por enquanto, tudo bem; as conexões com os clientes estão no “nível mais alto de todos os tempos”, disse Johnson, com aumentos nas ocasiões e nos ingressos dos clientes.

A Starbucks conseguiu atrair os melhores e mais brilhantes, disse ele, e isso vem com a visão de cima para baixo. A Deep Brew, por exemplo, permitiu à Starbucks atrair talentos de classe mundial para sua “estratégia digital humana em primeiro lugar”, trazendo aqueles inspirados não apenas pela possibilidade de inovação e pela chance de impactar a humanidade, mas também pela possibilidade de alcance. Considere, por exemplo, o anúncio da empresa de que eliminaria o uso de canudos de plástico até 2020.

“Houve uma resposta massiva nas mídias sociais”, disse ele. “Havia bilhões de pessoas no planeta torcendo por nós para dar esse único passo. Isso me diz que há uma oportunidade de fazer muito mais e é isso que pretendemos fazer”.

Também há muito a ser feito em escala pessoal. A Starbucks se posiciona como um “terceiro lugar” caloroso e acolhedor, um espaço que não seja o trabalho e a casa que oferece chances de compartilhar uma xícara e se conectar.

Desde o início, a empresa buscou “inspirar e nutrir o espírito humano – uma pessoa, uma xícara e uma vizinhança de cada vez”, disse Johnson, citando a declaração de missão da empresa.

E enquanto a companhia de 49 anos olha para o seu iminente 50º aniversário, ele disse: “Realmente estamos olhando e sonhando com o centenário.” Para construir uma empresa que perdura, há duas coisas que a Starbucks tenta fazer: “A número um é ter a sabedoria de perceber o que honrar e preservar do passado: a missão, os valores e a importância da conexão humana… E temos que sonhar ousadamente com o futuro.”

Neste trecho, Kevin Johnson explica como a automação está capacitando os funcionários a se conectarem com os clientes.

Com informações da NRF

Starbucks investe em inovação para o futuro focando na conexão humana

Um novo mindset na moda: menos tendências e mais propósito

Quando falamos em moda, todos nós já aguardamos novidades, referências, uma visão de futuro. A moda é para todos, democrática, futurista, inovadora e lançadora de tendências.

Mas essa percepção vem mudando bem rápido entre as novas gerações. A Geração Z, dos jovens de 18-20 anos, que são reais, espontâneos, engajados, buscam o “ikigai” ou propósito, a verdade deles, dos outros e das marcas que consomem acima de tudo. Eles têm como tendência a não definição, pois, para eles, sempre há um ponto de conexão, ponderação, receptividade e a identidade fluída.

Valores e causas reais que realmente importam para esse novo consumidor geram um checklist para marcas e empresas. E as perguntas que este público faz são: é livre de crueldade? Não usa plástico? Usa material reciclado? Realiza ações sociais junto à comunidade local?

Nesse contexto, vemos a ascensão de novos modelos de negócios como o de consignação. Nos Estados Unidos, a “Rent the Runway” proporciona as suas clientes um sistema de assinatura mensal de roupas em consignação. Você entra na loja com uma roupa e sai com outra. Qual mulher não gostaria de ter um guarda roupa novinho toda semana e que, além de tudo, é sustentável, compartilhado e atual?

Também se fala muito em upcycling. Totalmente diferente da reciclagem, os produtos são feitos a partir do reuso de materiais como peças de roupas usadas ou acessórios existentes. No Brasil, temos um exemplo que é a “Insecta Shoes”, marca de sapatos ecológicos veganos super transados. Os calçados são fabricados com garrafas pet, utilizam borracha reaproveitada e os tecidos e acessórios são de reuso. Reúnem em um só produto os conceitos de reciclagem e upcycling.

Nos Estados Unidos e Europa, grandes marcas como “ASOS” e “Urban Outfitters” possuem linhas vintage e de produtos que foram refeitos a partir de sobras de coleções. E, parece que o sucesso foi tão grande que as marcas estão investindo pesado nessa variável do negócio.

Para quem não está familiarizado ou antenado com essa demanda, fica a dica de sempre pensar se o negócio traz algum benefício para a comunidade local ou meio ambiente, se é sustentável e tem uma comunicação transparente com os clientes

Como o franchising pode impulsionar o capitalismo consciente no Brasil

Movimentos com o objetivo de rediscutir o papel e o espaço dos negócios e do dinheiro em nossas vidas estão avançando também no Brasil, o do Capitalismo Consciente e Empresas B, são movimentos que já utilizam as ferramentas da livre-iniciativa para injetar propósito nas atividades produtivas e elevar o impacto socioambiental positivo das empresas.

Todos os movimentos visam elevar o nível de conscientização das empresas para um objetivo maior, além-lucro, no sentido de combinar lucro e justiça social, produtividade e criatividade, eficiência e bem-estar, competição e espiritualidade, resultado e felicidade, temas estes que vem também sendo discutidos por vários autores, o principal deles, John Mackey, cofundador da Whole Foods, no seu livro o Capitalismo Consciente, que escreveu em parceria com o professor de negócios indiano Rajendra Sisoda. O autor prega a ideia de que negócios podem ser veículos para o aprendizado e crescimento pessoal e organizacional.

Mackey traz no seu livro uma definição abrangente de Empresas Conscientes: “São negócios galvanizados por propósitos maiores, que servem e alinham os interesses de todos os seus principais stakeholders; negócios com líderes conscientes que existem a serviço do propósito da companhia, das pessoas que ela toca e do planeta; e negócios com culturas resilientes de cuidado, que fazem com que trabalhar neles seja uma fonte de grande alegria e realização”.

O Capitalismo Consciente está pautado em quatro princípios básicos: propósito maior, também denominado de propósito transformador massivo, integração de stakeholders, liderança consciente e administração consciente.

Como especialista em desenvolvimento de redes de franquias e negócios, ao analisar todos esses movimentos, percebo o quanto as empresas franqueadoras e as gestoras de grandes redes de negócios podem impactar positivamente e numa velocidade muito maior, as empresas que fazem parte da rede da marca, seus parceiros franqueados ou licenciados para atuarem de forma consciente em suas empresas e perante seu mercado de atuação.

Grandes players do franchising, com redes com mais de 3000 unidades, 1000, 500, 100, já atuam em diferentes mercados e interagem com uma diversidade grande de clientes e empresas, contam com a força da rede para obterem benefícios para todos os integrantes da rede, por exemplo, as negociações em escala, as trocas de experiências e as boas práticas que são facilmente disseminada para toda a rede, fazendo com que os franqueados ou parceiros sejam mais eficientes e seus negócios mais rentáveis. Por que não usar todo esse poder e também influenciar positivamente todas essas empresas e pessoas para atuarem de forma consciente e melhorarem ainda mais os seus negócios e proporcionar também felicidade para as pessoas?

A resposta é clara, o exemplo e a ação devem vir dos líderes da franqueadora e de suas equipes que para atuarem dessa forma precisam ter incorporado os quatros princípios do capitalismo consciente, o que é um processo complexo e que vai exigir um envolvimento muito grande do executivo principal da empresa, via de regra as empresas buscam ajuda externa, uma consultoria especializada, por exemplo, para orientá-los nessa jornada.

Tudo começa pelo primeiro princípio, o propósito maior, que vai além da mera geração de lucro, segundo Mackey e Sisodia, “empresas ricas em propósito são normalmente aquelas que sempre se fazem perguntas como estas: Por que o nosso negócio existe? Por que ele precisa existir? Que valores centrais animam este empreendimento e são capazes de unir todos nossos stakeholders?” Para responder estas questões, cujas respostas devem estar impregnadas em toda a empresa, vai exigir uma grande reflexão dos sócios e executivos quanto à forma de agir e pensar o negócio, o que vai envolver mudança de cultura e de estrutura organizacional, mudança na forma de fazer marketing e em como se relacionar com o mercado e com os fornecedores, com seus colaboradores e em especial o cliente.

O segundo princípio do capitalismo consciente é a geração de valor compartilhado entre todos os stakeholders. Por incrível que parece ainda se lê em algumas declarações de missão de empresas, geralmente em grandes corporações, declarações como esta: “gerar valor para os acionistas”, uma visão totalmente voltada pra dentro da empresa.

E o cliente?  Aquele que faz gerar resultados para a empresa e a condição de pagar os dividendos para os acionistas? É ele, o cliente, que faz a marca/empresa aumentar o seu valor no mercado e torná-la mais competitiva. Segundo Hugo Bethlem, um dos representantes do capitalismo consciente no Brasil, “o acionista não pode ter privilégios em relação aos fornecedores, clientes e colaboradores, ao governo, meio ambiente e à sociedade em geral. As empresas conscientes reconhecem que cada um dos seus stakeholders é importante, que eles são conectados e interdependentes e que o seu dever é criar valor para todos eles.”.

O terceiro e quarto princípio tem a ver com a liderança e a cultura da empresa, assas coisas todas só vão funcionar e ter continuidade se as empresas tiverem lideres conscientes preocupados com a forma como são tratadas as pessoas que fazem parte do negócio e determinados a entender e defender o propósito da companhia, por uma liderança que sabe lidar com a diversidade e que busca muito mais influenciar do que punir, que não abrem mão de algum poder e riqueza, mas entendem que é possível conquista-los pela realização de um propósito.

As empresas conscientes devem usar uma abordagem de administração que seja consistente com a sua cultura e baseada em descentralização, empoderamento e colaboração. Segundo Bethlem, “muitas vezes, é a ganância, a concorrência desleal e a burocracia que acabam transformando tais empreendimentos em negócios menos conscientes”.

Finalizando, reforço o quanto o franchising pode ser o caminho mais curto para fomentar e impulsionar o capitalismo consciente no Brasil. O principal elemento as empresas que atuam no franchising já tem: atuam em rede. Portanto, faço o convite aos franqueadores, franqueados e todos os fornecedores do sistema: vamos fazer diferença no mundo!

21 De Janeiro De 2019 – CLAUDIA BITTENCOURT

O FRANCHISING E O CAPITALISMO CONSCIENTE

Blended Retail, um olhar 360° sobre o novo varejo

Seja na indústria ou no varejo, como executivo ou como empreendedor, é certo que nos sentimos como verdadeiros malabaristas na condução dos nossos negócios no dia-a-dia. Com o desafio de equilibrar vários pratos ao mesmo tempo e a maestria para que nenhum deles caia, quebre e gere problemas ou prejuízos.

A analogia representa bem o momento atual de complexidade e reforça a necessidade de levar para o mercado uma proposta de valor única que mantenha seu negócio e você de pé.

No passado, eram poucos os ‘’pratos’’ para cuidar e o varejo na sua essência atuava como uma ponte entre marcas e consumidores. No novo varejo, o cenário é completamente diferente e são necessários vários pilares para sustentar uma operação saudável.

Um mundo mutante e um novo consumidor exigem das empresas e seus executivos um olhar completamente diferente perante suas estratégias de atuação.

Neste contexto surge um insight que serve como conexão da inspiração com o novo varejo. Trata-se do BLENDED RETAIL*, um conjunto de conceitos essenciais que se trabalhados de forma integrada e consistente garantem diferenciação ao seu negócio.

Provavelmente esses conceitos já são tratados na sua empresa, mas é fundamental que se busque a validação contínua e melhor posicionamento dos mesmos diante de um mercado tão disruptivo.

Visitar e revisitar os conceitos do Blended Retail é um processo contínuo e tem o poder de transformar a relação da sua empresa com os seus consumidores, definir os melhores meios para interagir com o mercado, desenvolver os canais e formatos mais adequados a serem utilizados com os clientes e, principalmente, ressignificar o ponto de venda, que passa a ser um ponto de relacionamento, experiência, contato e, sobretudo, fidelização.

O primeiro e um dos conceitos mais importantes é o PROPÓSITO, que é a razão da empresa existir. Nos dias atuais, consumidores e colaboradores dão muito valor a ele. Tão importante quanto ter um propósito genuíno, é a capacidade de contar essa história e gerar um vinculo emocional entre a marca e quem a consome (STORYTELLING).

Obviamente que para dar vida a tudo isso, PESSOAS precisam estar engajadas, motivadas e treinadas. Essa é uma premissa que tem feito a diferença em empresas que se destacam.

A transformação digital faz com que as pessoas consumam e interajam com produtos e serviços em momentos e de formas diferentes. Por isso, o conceito de NO CHANNEL é relevante na estratégia de qualquer empresa e integrar os canais ON e OFF na jornada de compra de seus consumidores é uma obrigação.

Executar e entregar valor para o mercado passa pela capacidade de OPERAÇÃO das empresas e exige sinergia de áreas diferentes, o que nem sempre acontece com harmonia. Sustentar essa operação em ambientes tão dinâmicos, desenvolver uma boa gestão com processos e indicadores bem definidos representa EFICIÊNCIA que traz resultados.

Na jornada OMNI, o fator TECNOLOGIA se bem utilizado traz benefícios tanto dentro como fora da empresa e facilita na conquista e engajamento de colaboradores e consumidores, que serão os verdadeiros embaixadores da sua marca.

Com tanta competitividade e um consumidor com tantas opções, empresas aportam valor no relacionamento com clientes, resolvendo de fato os seus problemas através de SOLUÇÕES cada vez mais completas de portfólio de produtos e agregando SERVIÇOS na entrega.

Conceitos maduros, mas destaco ainda a ampla oferta de PRODUTOS, sortimento relevante e ambiente de vendas caracterizado por uma ATMOSFERA que surpreenda seu cliente na sua experiência de compra.

Completando a análise 360 graus sobre o novo varejo, ressalto a importância de qualquer profissional acompanhar o desenvolvimento dos ECOSSISTEMAS de negócios em mercados como o chinês e o americano. São as melhores referências para quem busca levar uma proposta de valor com oferta literalmente completa para seu mercado.

Como mencionado no início do artigo, são muitos os ‘’pratos’’ para equilibrar e muitas empresas e profissionais estão adotando a cultura agile no entendimento e adoção de estratégias que apliquem todos esses conceitos do Blended Retail.

Uma visão mais ampla, holística e um mind set de crescimento são essenciais e o mercado não preservará os que ficarem na zona de conforto. É preciso senso de urgência! Quem espera nunca alcança!

 

Nota 1: A GS&Consult, consultoria de negócios do Grupo GS& Gouvêa de Souza especialista em varejo e comportamento de consumo, possui metodologia de trabalho baseada nos desdobramentos  do conceito Blended Retail. Através de analises de gaps, aderência e grau evolutivo da sua empresa em relação ao novo varejo, definimos as principais diretrizes estratégicas e táticas recomendadas sob medida para seu negócio.

Nota 2: BLENDED RETAIL* – Termo criado e desenvolvido pelo time de consultores do Grupo GS& Gouvêa de Souza a partir de estudos, analises de práticas de mercado e cases do novo varejo nacional e internacional.

Customer centricity virou mainstream