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Papo reto, direto com o consumidor

Durante muitos anos, ao apoiarmos indústrias na aproximação de suas marcas com os consumidores, invariavelmente desenvolvíamos o melhor formato de loja que traduzisse a proposta de valor da marca e seu posicionamento. A loja sempre foi o ponto de contato mais eficiente para a marca se relacionar com o público alvo, criar uma experiência imersiva de compra, estabelecer uma confiança no relacionamento, controlar sua oferta e captar importantes informações sobre os hábitos dos seus clientes e reaplicá-las em seus negócios.

Esse artigo trata justamente sobre a rápida mudança de hábitos e as novas oportunidades que as marcas têm para chegar até o seu consumidor.

O papel da loja sofre uma mudança definitiva quando a relação de fidelidade que os consumidores tinham com um canal de vendas ou com um formato específico, acaba.

 Como consequência, a estratégia para uma marca ir ao varejo deve levar em conta um hábito de consumo mais plugado, diversificado, mais exigente e agnóstico do canal do que nunca. A sedução do contato direto, sem intermediários, a qualquer momento e lugar, promovido pelo desenvolvimento tecnológico, exige respostas ágeis das marcas e reduz as barreiras de entrada de novos competidores que criam novos modelos de negócio, aumentando a competitividade do mercado.

Neste cenário de absurda rapidez de transformação de consumo, existem 3 tipos de marcas:

  • marcas tradicionais que estão buscando agilidade e que, muitas vezes, o peso, a lentidão e os processos de suas corporações não permitem atuar na velocidade correta;
  • marcas que não estão enxergando essa transformação. Essas, porém, não terão vida longa;
  • as novas marcas que já nascem com um mindset moderno, que estabelecem um papo direto e reto com seus consumidores.

As marcas iam ao varejo em busca de um contato mais próximo com quem consome. Hoje, elas podem ir diretamente ao consumidor, sem que isso signifique o fim do varejo.

Nos últimos anos, surgiu um novo termo para definir as marcas que já nascem digitais, que dialogam diretamente com seus clientes, têm presença física no varejo, mas não fazem distinção entre os canais. São as DNVB, Digitally Native Vertical Brands, ou, numa tradução livre, Marcas Nativas Digitalmente Verticais.

No varejo, é fundamental enxergar o cliente como único, independente do canal de contato. Como uma resposta clara à essa necessidade, as DNBVs são um só negócio, um só canal vertical de contato direto da marca com seu consumidor. Integrando o ON e OFF, se valendo de todos os benefícios de inteligência de dados que esse modelo permite.

O que caracteriza uma DNVB:

  • O principal meio de interação,  transação e storytelling para  os  consumidores é através da internet e se valem de muita tecnologia no seu modelo de negócio;
  • A DNVB  é  maníaca  pela  experiência  e  intimidade  com  o  A  experiência  se  sustenta  em  três  pilares:  produto  físico,  experiência  digital (com utilização de dados para criar intimidade com o consumidor)  e  atendimento  ao  cliente;
  • A DNVB  raramente  opera  APENAS  em  canais  digitais, estendendo sua atuação para o off-line através de varejo físico estimulando a experimentação com lojas próprias e parcerias exclusivas com grandes varejistas;
  • São marcas verticais. O nome da marca é o mesmo no digital (em seu site, e e-commerce) como no seu produto físico.

Que fique bem claro: apesar de serem comercializadas prioritariamente pelo digital, as DNVB, como definição, NÃO SÃO um e-commerce. O canal digital é apenas uma camada de ativação comercial e não seu ativo principal. A marca é.

Quem desenvolveu o termo DNVB foi Andy Dunn, que, em 2007, criou a BONOBOS, uma legítima marca digital vertical de moda masculina que quando surgiu confundia-se com um showroom e, recentemente, foi comprada pelo WalMart por US$ 310 milhões. Há quem diga que a ida de Andy Dunn para dentro do gigante varejista ajudará a empresa a acelerar sua transformação digital.

Novas marcas que conversam verticalmente com seus clientes estão crescendo e ganhando o mercado:

  • Warby Parker revolucionou a forma de comprar óculos. Hoje vale mais de um bilhão de dólares e tem mais de 65 lojas físicas;
  • Dollar Shave, startup que incomoda a gigante Gillette, foi comprada pela Unilever por U$1 bilhão;
  • Casper, fundada em 2013, vende colchões e travesseiros em caixas entregues diretamente na casa dos seus clientes. Tem hoje cerca de 13 lojas e pretende abrir 200 lojas físicas nos próximos 3 anos. Está revolucionando um mercado “adormecido” do varejo de colchões americano e serviu de inspiração para a brasileira Zissou.

O desenvolvimento e amadurecimento das DNVBs podem ajudar, e muito, tanto as indústrias tradicionais a repensarem sua forma de chegar ao seu consumidor, como oxigenar o modelo desgastado de varejo puramente baseado em lojas físicas.

ProXXIma – 21 de setembro de 2018 – Por Alexandre van Beeck

https://www.proxxima.com.br/home/proxxima/how-to/2018/09/21/papo-reto-direto-com-o-consumidor.html

Hering inaugura loja conceito no Shopping Morumbi, em São Paulo

Foi inaugurado no Morumbi Shopping, em São Paulo, a Hering Experience, loja conceito da marca de roupas. O objetivo do local é colocar a relação com o consumidor em primeiro lugar, destacando o storytelling da marca. A tecnologia é usada para oferecer facilidades e fortalecer esta relação. O espaço proporciona uma experiência interativa, com funcionalidades de serviços e personalização.

A loja conceito foi pensada para que o cliente seja o protagonista. Na vitrine, ele pode interagir e tirar fotos, o que também é possível nos outros ambientes Instagramáveis da loja. O espaço “Do seu jeito” é dedicado para a escolha de estampas exclusivas para imprimir nas camisetas, que ficam prontas na hora, em um processo que deve durar cerca de cinco minutos. Em frente ao ponto de venda, uma televisão disponibiliza conteúdo personalizado.

No provador, o consumidor tem toda a coleção disponível para consulta em uma tela touch screen, por meio da qual pode descobrir quais são as peças que podem ser combinadas com a que está sendo provada. Se ele quiser novas peças ou tamanhos, a solicitação pode ser feita ao vendedor sem sair da cabine.

Para o Diretor de Negócios Hering, Thiago Hering, o novo espaço quer ampliar a experiência de compra: “usamos a tecnologia como instrumento de otimização desta loja conceito, onde o consumidor está no comando de tudo. Ele define como quer conhecer os produtos, analisar suas combinações e até como comprar”.

O local abriga sensores que identificam as preferências de maneira personalizada e outras funcionalidades de gadgets estão espalhadas pelo espaço. “Mais do que disponibilizar a facilidade para nosso público, queremos conhecê-lo ainda melhor e valorizar – cada vez mais – nossas relações”, destacou Hering.

A loja do Morumbi Shopping segue o conceito omnichannel. “A Hering Experience concentra diferentes modelos de canais de venda em um único espaço. Nesta loja, é possível fazer compras e receber os produtos em casa, ou retirar em um locker o que foi comprado pelo site”, disse o diretor.

Algumas funcionalidades do local são invisíveis aos clientes, mas facilitam o trabalho e administração da loja, auxiliando o time do ponto de venda a oferecer sua melhor performance. O estoque, por exemplo, estará bem abastecido e com o sortimento de acordo com a demanda, já que as etiquetas RFDI atualizam automaticamente o sistema sobre a venda e avisam que a peça já não está mais disponível. A equipe também tem à disposição um dashboard que, baseado na disposição dos produtos, sinaliza as áreas quentes e frias em vendas da loja, segundo o interesse dos clientes; os sentimentos dos visitantes em relação às peças, por meio de análise facial, e traça o perfil dos visitantes da loja, o que pode orientar estratégias de disposição das peças.

Muitas das tecnologias usadas na loja são nacionais e foram desenvolvidas por statups apoiadas pela companhia. A ICXLabs, por exemplo, desenvolveu o espelho interativo, que permite navegar no catálogo de produtos escolhendo modelos e variações de cores disponíveis.

A Hering planeja expandir o conceito da Hering Experience, ou parte de suas funcionalidades e sistemas pontuais, para outras lojas próprias e franquias em breve

Hering abre primeira loja com todas as suas linhas de produtos

A marca de vestuário Hering inaugurou a primeira unidade que reúne todas as suas coleções. Localizada no Park Shopping São Caetano, a nova loja comercializa as linhas Hering, Hering Kids, Hering POP, Hering Intimates e Hering Pets. De acordo com a companhia, o objetivo da inauguração é aprimorar a experiência oferecida para os consumidores, diversificar os formatos de loja e facilitar as compras dos clientes.

O design do espaço segue o mesmo estilo das outras lojas da marca, sendo projetada para que os consumidores se sintam livres para montarem looks e escolherem o seu estilo.

A ideia desta loja é facilitar e tornar única a jornada de consumo. Ao invés de o consumidor precisar transitar entre várias lojas para encontrar os itens de sua necessidade, ele vai localizar na loja tudo o que precisa para si próprio e para outras pessoas.

Os itens de moda femininos e masculinos ficam posicionados na entrada da loja e, na parte central, estão as camisetas básicas e o quiosque Hering POP, com peças baseadas em temas como filmes, séries, comportamento, games, música e literatura. Neste mesmo espaço, os consumidores podem customizar camisetas Hering.

Na segunda metade da loja, são reservados espaços para as linhas Kids, inclusive com um canto onde as crianças podem brincar, além de coleções underwear, intimates e pets. Próximos aos caixas estão produtos de papelaria e demais itens presenteáveis.

A área de provadores é ampla e conta com a presença de um consultor de moda, que pode oferecer dicas de estilo e de looks para todos os consumidores. Este profissional ficará todos os dias na loja, a partir das 14h.

A loja oferece itens básicos e informações sobre moda, além de outros itens da marca e de empresas que têm sinergia com a Hering, agregando à jornada de compra do visitante. Maiôs, biquínis, sandálias, garrafas térmicas e copos fazem parte do mix de produtos.

A mega store possui estratégia omnichannel, permitindo que o consumidor realize, retire ou receba as suas compras da forma que desejar.

Por Imprensa Mercado & Consumo - 11 de dezembro de 2019
https://www.mercadoeconsumo.com.br/2019/12/11/hering-abre-primeira-loja-com-todas-as-suas-linhas-de-produtos/?__dPosclick=PG9Go.BCe.93fd

Pão de Açúcar anuncia novo formato de loja

A loja de número 1 do Pão de Açúcar, inaugurada em 1959  na região do Jardim Paulista, na cidade de São Paulo, será também a primeira unidade a receber a evolução do formato de lojas que a rede apresenta a partir deste mês como parte do aprimoramento da experiência de consumo da marca.

O projeto é resultado direto dos encontros geracionais de cocriação com clientes realizados nos últimos dez meses e também reflete os aprendizados obtidos com as unidades laboratórios do Pão de Açúcar, onde a rede implementou e testou diversas iniciativas sob o conceito “Test and Learn” durante o mesmo período.

O conceito representa, ainda, uma evolução em relação à sétima geração (G7) de lojas do Pão de Açúcar, lançada em 2017, e que apresenta um crescimento de duplo dígito em vendas em na comparação com as unidades que ainda não foram revitalizadas.

“Queremos proporcionar uma experiência de compras cada vez mais satisfatória, fluída e prazerosa. Por isso, construímos com os nossos clientes e colaboradores este novo modelo que evolui e expande a sétima geração de lojas do Pão de Açúcar. São novos olhares de quem está todos os dias consumindo em nossas lojas e, por isso, são absolutamente importantes para a cocriação deste e de nossos próximos projetos”, explica o diretor executivo do Pão de Açúcar, Laurent Maurice Cadillat.

O novo modelo de loja está baseado em quatro pilares que redesenham completamente a experiência de consumo: experimental, exclusivo, social e fluído. Os conceitos trazem um layout que revitaliza o fluxo, reforça a integração de transformação digital ao processo de compra, valoriza espaços verdes e as seções de produtos sustentáveis, além de ampliar o sortimento de produtos premium e trazer a criação de espaços de convivência com produtos prontos para o consumo.

A reinauguração da unidade Jardim Paulista inicia, também, um plano de revitalização, que inclui cerca de 20 lojas dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, além do Distrito Federal, e deve ser concluído até o fim deste ano.

Dentro do pilar Experimental, estarão abarcadas todas as iniciativas executadas sob o conceito “Test and Learn”, mantendo viva a característica de unidade laboratório que permeou o projeto até aqui e com a continuidade de lançamentos de novos produtos, serviços e conceitos inovadores para avaliação de viabilidade comercial e operacional.

Com o vértice Exclusivo, o Pão de Açúcar reforça o seu pioneirismo em produtos que são vendidos somente nas lojas da rede e continua trazendo tendências mundiais de consumo, seja por meio de grandes marcas nacionais e internacionais, ou foodtechs que desenvolvam produtos diferenciados e inovadores.

O pilar também reforçará os produtos de Marcas Exclusivas, como Taeq, Qualitá, Casino e Club des Sommeliers, trazendo cada vez mais novidades e agregando qualidade a preço competitivo.

Já o conceito Social está diretamente ligado a novas experiências de convivência para o momento de compras, como a completa reformulação do Espaço Café, que agora conta com espaços internos e externos e um cardápio completamente reformulado repleto de soluções prontas para o consumo imediato ou para viagem.

Por fim, o pilar Fluído agrupa todas as tecnologias que permitem otimizar a experiência de compras, a exemplo do Scan&Go, modelo de pagamento sem filas, que permite ao consumidor realizar compras sem passar pelos caixas e Self Checkout (ou “autoatendimento”), entre outras modalidades avaliadas sob o conceito de Test and Learn nos últimos meses.

“A inovação está totalmente conectada à história do Pão de Açúcar. Há mais de 20 anos, fomos a primeira rede a atuar com e-commerce, quando a internet ainda engatinhava no Brasil, e a ofertar produtos orgânicos em nossas lojas – hoje uma tendência crescente de consumo. Nos últimos meses, temos apertado o passo para entender como podemos evoluir a experiência de compra de nossos clientes com ainda mais foco dentro do conceito de omnicanalidade, para que ele possa consumir da maneira como, onde e quando quiser”, analisa Cadillat.

“A reinauguração de nossa primeira loja simboliza esta evolução para um novo formato das lojas do Pão de Açúcar, onde os pilares da tecnologia, produtos premium, saudáveis e praticidade estão alinhados para proporcionar uma experiência completamente nova aos nossos consumidores”, complementa o executivo.

Com a reinauguração, a loja 01 do Pão de Açúcar passa a ser o modelo referencial para as próximas unidades da rede, com o rollout de suas inovações para todas as próximas reformas. “A nossa primeira loja, a partir de agora, cria um novo modelo às próximas aberturas e mantém viva a característica de inovação que acompanha a história do Pão de Açúcar, recebendo continuamente novidades para que possamos continuar testando novos formatos e soluções diariamente”, detalhe Cadillat.

Riachuelo inaugura flagship no Shopping Morumbi em São Paulo

A varejista de moda Riachuelo lançou um novo modelo de loja, no Shopping Morumbi, em São Paulo.  A unidade possui 2.290m2 e conta com um mix completo de produtos da marca, com novos serviços e projetos pilotos da companhia. A loja possui experiência de compra digital, com a realização dos pagamentos sendo feitas por meio de dispositivos móveis espalhados pelo estabelecimento.

A flagship possui uma estratégia omnichannel, integrando a loja física com o universo digital. O cliente faz a compra digital na loja e escolhe o endereço para entrega, sem custo. Há ainda a opção dos lockers, que permite a realização do”compre e retire em loja”.

Os provadores da unidade utilizam tecnologia. Por meio de um espelho interativo, os clientes podem ver as outras cores e tamanhos disponíveis das peças, solicitar novos itens e ajustar a intensidade de luz.

A loja é organizada em departamentos, que possuem design e comunicação visual próprios. Ao todo, a unidade possui 67,8m2 de painéis de LED com o conteúdo e storytelling da marca. O espaço possui ainda áreas instagramáveis, como bonecos em tamanho real de personagens da DC, voltados para a interação dos clientes.

A Riachuelo do Shopping Morumbi possui ainda uma área voltada para a customização de peças, como jaquetas e camisetas. O chamado espaço RCHLO + permite a criação, impressão de estampas na hora e a aplicação de patches.

No mesmo espaço serão realizados workshops, bate-papos, ativações com artistas, entre outros. “Queremos que a loja se torne um espaço de encontro e, principalmente, de compartilhamento de ideias e experiências”, disse Elio Silva, diretor executivo de Marketing.

A loja recebeu o selo HBC (Healthy Building Certificate), uma certificação internacional que atesta a saludabilidade de construções com base na qualidade do ambiente. As luminárias foram produzidas a partir de cabides plásticos reciclados, uma reutilização dentro da própria cadeia.

A inauguração do Shopping Morumbi integra o plano de expansão da marca. Está prevista a abertura de mais três lojas e outros projetos, que serão lançados como pilotos na nova unidade e serão replicados nas demais lojas da rede nos próximos anos.

Novo Varejo 2.0 busca a combinação virtuosa possível

O conceito de New Retail (ou Novo Varejo) é de 2016 e foi proposto por Jack Ma, o icônico líder da chinesa, cada vez mais global, Alibaba, um ecossistema de negócios que tem valor de mercado próximo a US$ 455 bilhões.

O conceito desenhava a nova realidade no varejo com a integração entre o online e off-line com amplo envolvimento logístico e a tecnologia como elemento viabilizador de toda a evolução.

O New Retail, em 2016, era um dos conceitos propostos por Jack Ma para sua visão sobre a New Economy, que incluía ainda New Manufacture, New Finance, New Energy Source and New Technology. Em sua concepção, o New Retail era apenas uma pequena parte da cadeia mais ampla de negócios e desta forma deveria ser entendida.

Mas o impacto das inovações que a concepção do ecossistema de negócios Alibaba e outros trouxeram transcende em muito que acontece nos negócios e envolve a própria sociedade como um todo. E em todo o mundo e cada vez mais.

Especificamente no varejo, a integração tecnológica online, off-line e logística com o multirelacionamento precipitado pelos Super Apps está redesenhando toda a realidade do varejo, inicialmente na China, mas, gradativamente avançando para outras realidades, inclusive no Brasil. O seu potencial transformador nos próximos cinco anos por aqui será maior do que tudo aquilo que aconteceu no nosso varejo nos últimos cinquenta anos.

Mas, enquanto na China toda essa transformação é precipitada pela tecnologia e redesenhou a realidade dos negócios, do mercado e da sociedade, a partir dos Super Apps, em outras economias, também maduras, essa transformação acontece, porém com velocidade em menor escala, pelas estruturas, hábitos, agentes e práticas existentes.

Como parte dessa mudança na China, em torno de 80% das transações no varejo ocorrem com pagamento digital feito a partir do celular e não raro encontrar empresas, como a rede de coffee-shops Luckin, que anunciam não aceitar outra forma de pagamento que não essa. Assim como supermercados que também não aceitam outra forma de pagamento a partir de determinado horário, que não via celular.

Mas se você der um salto espacial e estiver no Hudson Yards, o novíssimo complexo multiuso inaugurado em março deste ano, em Nova Iorque, na operação da Citarella, uma combinação de loja de produtos gourmet, restaurante e wine bar, o aviso que encontrará é que também não aceitam dinheiro, apenas cartões de crédito ou débito.

Mas no Hudson Yards a arquitetura provocativamente arrojada, os novos formatos de lojas de redes globais e locais, o novo equilíbrio de produtos, serviços e soluções, combinados ou não, a predominância das marcas próprias no varejo, o design e comunicação visual únicos e pensados para constante mudança, as instalações criando interações, os elementos de tecnologia disponíveis com foco em conveniência e redução de atritos, o espaço dedicado à alimentação, entretenimento, saúde, beleza, bem estar e lazer, sinalizam mais um vetor de combinação de elementos que podem ser incorporados numa outra visão do Novo Varejo, com uma proposta mais focada na experiência, desta vez do lado ocidental do mundo.

New Retail 2.0

O que imaginamos como o Novo Varejo 2.0 é exatamente essa combinação virtuosa e emergente de elementos vindos da integração do que a tecnologia, os Supper Apps, o online e off-line, a logística e tudo o mais que redesenham a realidade do varejo a partir da China, com todos esses outros elementos que emergem das novas propostas envolvendo experiências, design, conveniência, arquitetura, soluções, marcas próprias e ênfase no bem estar e cuidados pessoais tão valorizados na realidade ocidental mais madura.

Esse desenho futurista não está ainda disponível em nenhuma proposta atualmente operacional, mas deve estar emergente na mente dos que pensam o futuro próximo, pois do lado da demanda, dos omniconsumidores 2.0, será natural buscar essa combinação virtuosa de elementos.

E se existe ainda espaço para maior ambição na proposta, ela deveria necessariamente conter as pessoas como o elemento catalizador fundamental de toda essa integração.

E aí talvez não exista espaço para avançar muito mais. Ao menos por enquanto.

Natura inaugura primeira loja omnichannel em São Paulo

 

A Natura inaugurou sua 47ª loja própria no país. Localizada no Bourbon Shopping, em São Paulo, a unidade apresenta o novo conceito da marca, com tecnologia a serviço da experiência do consumidor e maior interação com os produtos e a história da empresa.A marca está expandindo a atuação no varejo e essa é a sua 11ª loja na cidade de São Paulo. O novo modelo mostra a história e os conceitos da Natura, com ingredientes da biodiversidade brasileira utilizados nos produtos da marca. “O movimento reforça a estratégia multicanal da empresa, que busca atender todos os perfis de clientes em diferentes ocasiões de compra. Queremos levar a melhor experiência aos nossos consumidores”, afirmou Paula Andrade, diretora de Varejo da Natura.

“Em um ambiente que valoriza a jornada do consumidor, a tecnologia está a serviço do cliente”, completou Andrade. De acordo com a executiva, no novo conceito de loja há a oportunidade de vivenciar uma experiência virtual da linha Ekos, conectando-se às comunidades extrativistas da Natura com óculos de realidade virtual, experimentando vários looks em um espelho virtual para maquiagem e fazendo uma avaliação exclusiva de diagnóstico de pele para indicação da melhor solução de hidratação. Para facilitar a realização do pagamento, ele também pode ser feito por sistema mobile, trazendo uma experiência de compra mais dinâmica e fluida.

A loja está segmentada em duas ilhas principais, que permitem maior experimentação de produtos da marca e conhecimento dos ingredientes da biodiversidade. A primeira ilha, com produtos de cuidados pessoais, traz a linha Ekos, que é 100% vegana e conta com mais de 90% de ingredientes naturais da biodiversidade brasileira.

A Casa de Perfumaria do Brasil, que traz as fragrâncias exclusivas da Natura, com ingredientes da biodiversidade brasileira, álcool orgânico e vidro reciclado, ocupa a segunda ilha.

A loja também possui um ponto de logística reversa. Neste novo modelo de loja, o consumidor poderá retornar a embalagem de qualquer produto cosmético da marca já utilizado, que será transformado em novos frascos, reforçando o posicionamento da marca voltado para a sustentabilidade.

Além da presença na cidade por meio da loja própria, os consumidores podem adquirir produtos da marca por meio de suas consultoras ou nas franquias Aqui Tem Natura, modelo de negócios que busca estimular o empreendedorismo de sua rede de consultoras.