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The Body Shop conquista selo b corp

A The Body Shop, rede inglesa de cosméticos naturais, anuncia a certificação B Corp junto a um seleto grupo de empresas unidas com a missão de promover mudanças na sociedade por meio de atividades empresariais éticas e sustentáveis. A marca se une a outras companhias, que também possuem certificação B Corp, convocando empresas de todo o mundo a se comprometerem a fazer negócios de uma maneira que seja benéfica para as pessoas e para o planeta. Ao obter a certificação, a The Body Shop associa-se à sua matriz, Natura, que foi a primeira B Corp de capital aberto no mundo.

A certificação é concedida a empresas que atendem aos mais altos padrões comprovados de desempenho social e ambiental, transparência pública e responsabilidade jurídica para equilibrar lucro e propósito. É o único selo que mede todo o desempenho social e ambiental de uma empresa, indo muito além da certificação padrão de produto ou nível de serviço. Juntas, essas empresas formam uma comunidade global de 3.000 empresas que usam lucro e crescimento como um meio para alcançar um fim maior, construindo uma economia mais inclusiva e sustentável para todos. O certificado vem do B Lab, uma organização sem fins lucrativos que atende a um movimento global de pessoas que usam os negócios como uma força para o bem.

Há tempos, a The Body Shop lidera o âmbito de negócios éticos e, agora, une-se a um número crescente de empresas B Corp em todo o mundo que atuam para reduzir a desigualdade, diminuir os índices de pobreza, conquistar um ambiente mais saudável, promover comunidades mais fortes e criar mais empregos qualificados com dignidade e propósito.

Como parte da certificação, a The Body Shop mudou o Estatuto Social para que a empresa seja obrigada a entregar um compromisso com o tripé de sustentabilidade, que beneficia as pessoas e o planeta, não apenas os acionistas. “A The Body Shop se une ao movimento B Corp em um momento extremamente empolgante; o planeta e a sociedade precisam de empresas responsáveis inteiramente comprometidas. Não basta apenas se preocupar em obter lucros a curto prazo. Consumidores, funcionários e até acionistas reconhecem essa mudança e também estão mudando seu comportamento para recompensar as empresas e marcas que, na visão deles, apoiam um futuro sustentável. Mudanças reais podem acontecer com o trabalho conjunto e, como agora o mundo enfrenta emergências climáticas e a desigualdade social aumenta, essa é a hora de agir”, declara David Boynton, CEO da The Body Shop.

Segundo Christopher Davis, Diretor Internacional de Sustentabilidade da The Body Shop, a marca sempre admirou movimento B Corp e o que ele representa. “Há tempos temos a ambição de conquistar a certificação e isso nos deixou orgulhosos. Estamos prontos para nos expressar sempre que nos pronunciarmos e falar sobre a revolução na prática comercial que está incorporada a filosofia do movimento B Corp”, conta.

O presidente da Natura, João Paulo Ferreira, comemorou a conquista da The Body Shop. “A chegada da The Body Shop ao grupo de Empresas B reforça o compromisso do grupo com a sustentabilidade e amplia o movimento global de empresas e pessoas que põem os negócios a serviço da geração de impacto positivo no planeta. Acreditamos que podemos fazer parte da construção de um mundo melhor, em que a ambição legítima de crescer e gerar lucro se concilia com a virtude de promover riqueza para a sociedade como um todo”, afirma o executivo. A Natura se tornou uma B Corp em 2014.

“Estamos empolgados com o fato de a The Body Shop ter se juntado ao movimento B Corp neste momento crucial de nossa economia global. Ela se associa a uma comunidade de líderes que estão construindo uma nova economia que funciona para todos – inclusiva, sustentável e que promove o equilíbrio entre propósito e lucro. O mundo precisa de mais marcas como a The Body Shop, que geram valor verdadeiro e de longo prazo para seus clientes, comunidades, funcionários, fornecedores e meio ambiente, ao lado de seus acionistas”, afirma Anthea Kelsick, Diretora de Marketing da B Lab.

 

Selo B Corp

A trajetória da The Body Shop na B Corp começou em novembro de 2017, quando a marca mundial de beleza concluiu um processo de três etapas, composto de triagem, avaliação e verificação, que resultou na certificação.

Para receber a certificação B Corp, analisa-se o desempenho em cinco áreas principais: governança, funcionários, comunidade, meio ambiente e clientes. A campanha “Para Sempre Contra Testes em Animais” contribuiu para essa conquista. A empresa apresentou oito milhões de assinaturas para as ONU (Organização das Nações Unidas), em um esforço para banir para sempre os testes de cosméticos em animais. A campanha e o Programa de Comércio com Comunidades de mais de 30 anos, no qual a The Body Shop adquire ingredientes e acessórios naturais de comunidades economicamente vulneráveis ao redor do mundo, foram contribuições fundamentais para a certificação.

Com base nessa conquista significativa, o próximo passo para a The Body Shop é o desenvolvimento de uma nova estratégia de sustentabilidade abrangente e ambiciosa, a ser anunciada no início de 2021. O objetivo da marca é ser um negócio regenerativo para as pessoas, a sociedade, a natureza e o planeta, eliminando todos os prejuízos e garantindo um impacto positivo.

23/09/2019 – Adnews – https://adnews.com.br/adnegocios/the-body-shop-conquista-selo-b-corp/

Natura inaugura primeira loja omnichannel em São Paulo

 

A Natura inaugurou sua 47ª loja própria no país. Localizada no Bourbon Shopping, em São Paulo, a unidade apresenta o novo conceito da marca, com tecnologia a serviço da experiência do consumidor e maior interação com os produtos e a história da empresa.A marca está expandindo a atuação no varejo e essa é a sua 11ª loja na cidade de São Paulo. O novo modelo mostra a história e os conceitos da Natura, com ingredientes da biodiversidade brasileira utilizados nos produtos da marca. “O movimento reforça a estratégia multicanal da empresa, que busca atender todos os perfis de clientes em diferentes ocasiões de compra. Queremos levar a melhor experiência aos nossos consumidores”, afirmou Paula Andrade, diretora de Varejo da Natura.

“Em um ambiente que valoriza a jornada do consumidor, a tecnologia está a serviço do cliente”, completou Andrade. De acordo com a executiva, no novo conceito de loja há a oportunidade de vivenciar uma experiência virtual da linha Ekos, conectando-se às comunidades extrativistas da Natura com óculos de realidade virtual, experimentando vários looks em um espelho virtual para maquiagem e fazendo uma avaliação exclusiva de diagnóstico de pele para indicação da melhor solução de hidratação. Para facilitar a realização do pagamento, ele também pode ser feito por sistema mobile, trazendo uma experiência de compra mais dinâmica e fluida.

A loja está segmentada em duas ilhas principais, que permitem maior experimentação de produtos da marca e conhecimento dos ingredientes da biodiversidade. A primeira ilha, com produtos de cuidados pessoais, traz a linha Ekos, que é 100% vegana e conta com mais de 90% de ingredientes naturais da biodiversidade brasileira.

A Casa de Perfumaria do Brasil, que traz as fragrâncias exclusivas da Natura, com ingredientes da biodiversidade brasileira, álcool orgânico e vidro reciclado, ocupa a segunda ilha.

A loja também possui um ponto de logística reversa. Neste novo modelo de loja, o consumidor poderá retornar a embalagem de qualquer produto cosmético da marca já utilizado, que será transformado em novos frascos, reforçando o posicionamento da marca voltado para a sustentabilidade.

Além da presença na cidade por meio da loja própria, os consumidores podem adquirir produtos da marca por meio de suas consultoras ou nas franquias Aqui Tem Natura, modelo de negócios que busca estimular o empreendedorismo de sua rede de consultoras.

Natura está no ranking Sistema B de empresas com responsabilidade socioambiental

As empresas brasileiras vêm se preocupando cada vez mais em trazer retornos para a sociedade e não apenas lucro para os acionistas. Sendo assim, mais companhias do Brasil entraram no ranking das empresas mais bem avaliadas pelo Sistema B, movimento global que preza pela integração do resultado financeiro à geração de resultado socioambiental.

O Sistema B lançou a lista Best for the World, com as empresas que tiveram as melhores pontuações na Avaliação de Impacto B, metodologia de análise de impacto socioambiental utilizada para certificar as empresas que fazem parte do Sistema B. Aproximadamente mil empresas fazem parte do ranking, das quais 53 desta edição são brasileiras, contra 38 em 2018. Para conseguir classificação, a candidata precisa ter pontuação entre as 10% melhores.

As empresas privadas vêm procurando seguir, cada vez mais, o conceito de negócio socialmente responsável. O Brasil é o país que hoje tem o maior número de companhias em processo de certificação, no mundo, somando 4.400. As que já foram certificadas somam 156, incluindo a Natura, que foi a primeira empresa de capital aberto a entrar na lista em 2014.

“Vemos um fluxo crescente de empresas nacionais buscando a certificação ou utilizando o nosso modelo de avaliação como uma forma de melhorar a gestão”, disse Marcel Fukayama, co-fundador e diretor-executivo do Sistema B no Brasil.

Embora a maioria das empresas brasileiras que buscam certificação sejam pequenas e médias, algumas grandes também estão no processo, como o Magazine Luiza e a Movida, que já mudaram seus estatutos para participar e a Danone, que deverá tentar a aplicação.

O ranking Best for the World é dividido em seis categorias, sendo elas: trabalhadores, comunidade, clientes, governança, meio ambiente e pontuação geral. Há ainda uma categoria especial, as das “changemakers” (agentes de mudança), que geram impactos positivos em seus campos de atuação. Nesta edição, as brasileiras Vox Capital, Recicladora Urbana, Baluarte Cultura, Decah, Geekie, Via Gutenberg e Natura receberam esta classificação.

No mundo, mais de 80 mil empresas são aprovadas no processo. A menor pontuação necessária para conseguir é 80, de 200. Sendo assim, apenas uma a cada dez empresas conseguem a certificação. A avaliação deve ser refeita a cada dois ou três anos, a depender da companhia.

Pinterest e Natura se juntam no mundo digital

natura

Para oferecer acesso a seus produtos e se aproximar do público jovem, a Natura fechou uma parceria com o Pinterest, rede social focada na descoberta e na coleção de imagens. Os usuários do aplicativo agora podem comprar itens das produções postadas no perfil Maquiagem Natura.

Para usar basta clicar nos pins, que são aquelas imagens salvas no perfil da rede social, “Shop The Look”, pontinhos brancos marcam os itens de maquiagem usados na produção. Ao clicar nos pontos brancos, o usuário consegue ver quais produtos foram usados e é levado para compra diretamente na loja virtual da Natura.

Outra funcionalidade oferecida pela Natura em parceria com o Pinterest é o Pincode, um código personalizado que, quando escaneado através do aplicativo da rede social no celular, leva o usuário para um conteúdo exclusivo no perfil Maquiagem Natura.

“O consumidor busca cada vez mais ter uma experiência completa de compra, unindo a sensorialidade do mundo físico com a facilidade das compras online. O Pinterest já é fonte de inspiração para nossas clientes e temos uma presença relevante nessa rede social, que será fortalecida com essa parceria. Buscamos soluções criativas para atender aos consumidores, sempre com foco no relacionamento, que é a essência da Natura”, explica Murillo Boccia, diretor de negócios digitais da empresa.

http://adnews.com.br/social-media/pinterest-e-natura-se-juntam-no-mundo-digital.html

O product placement existente na consultora de Beleza Natura da novela “A Força do Querer”

14 de Junho de 2017 

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A Natura estreou esta semana uma nova campanha de marketing em “A Força do Querer”. Na novela das 21h da Globo, a personagem Abigail, interpretada pela atriz Mariana Xavier, será uma Consultora de Beleza Natura. A iniciativa faz parte da campanha de revitalização de venda direta da marca.

Para desempenhar o papel, a atriz passou por um laboratório específico com Consultoras de Beleza da Natura. O product placement (prática de divulgação realizada através de inserções de produtos/serviços em meios de entretenimento) desenvolvido em parceria pela Natura, a agência mcgarrybowen e a Globo, é uma atitude inédita no país que pela primeira vez licencia um personagem para uso fora do ambiente da novela e mostra, uma das formas para inserir marcas no contexto (não só) da televisão, de forma assertiva e condizente.

O projeto foi construído para ativar uma série de ações de merchandising, que começam no horário nobre da TV e também têm desdobramentos no digital, em que detalhes da atividade de consultora são apresentados.

Andrea Álvares, vice-presidente de marketing, inovação e sustentabilidade da Natura explica a representatividade por trás da ação: “Vemos essa iniciativa como um meio de contar a história de mais de um milhão de consultoras. É uma forma de valorizá-las, representá-las e de encantar outras pessoas pelo nosso modelo de negócios”.

Sophie Schonburg, vice-presidente de criação da mcgarrybowen, completa: “Combinar conteúdo de altíssima qualidade e ativá-lo da novela ao digital, além de falar assertivamente com as Consultoras de Beleza Natura, toca também todo o brasileiro que poderá entender o papel das Consultoras e como a empresa Natura atua junto a essa rede tão essencial”.

http://adnews.com.br/publicidade/o-product-placement-na-consultora-de-beleza-natura-da-novela-forca-do-querer.html

As estratégias da Natura para se manter jovem

Empresa investe na diversificação de canais, explora o mundo digital e oferece novos pontos de contato para conquistar cada vez mais novos públicos e retomar o crescimento

Por Roberta Moraes | 02/06/2016

Com a maturidade dos 45 anos, a Natura entendeu que é preciso buscar o vigor da juventude para continuar se reinventando e inovando para conquistar cada vez mais as consumidoras e retomar o crescimento. Após anunciar prejuízo de R$ 69,7 milhões no primeiro trimestre de 2016, a empresa vem se esforçando para ser uma marca multicanal ao investir em novos pontos de contato para estar cada vez mais próximo do seu público.

Apostando na conveniência e experimentação, apenas no primeiro semestre desde ano a companhia inaugurou sua primeira loja física, estreando no varejo convencional,inseriu a linha Natura Sou em farmácias e iniciou a venda de produtos pelo Instagram. A estratégia faz parte do projeto de manter a marca rejuvenescida e atraente para o público mais jovem que não está adaptado ao consumo via consultoras por meio da venda direta. Com tanta concorrência, a empresa teve que buscar novos caminhos para se manter competitiva.

Uma das principais apostas da marca é a loja física, que em breve deve chegar em outras cidades. A empresa não abre números e não libera o balanço do primeiro mês de operação da unidade, mas afirma que está performando bem. “A loja está sendo um sucesso e tem ficado bastante movimentada. Percebemos que a experimentação está fazendo a diferença para o consumidor. A loja física tem com 40% dos produtos disponíveis no catálogo de venda e conta com uma dinâmica promocional completamente diferente, que segue a lógica do varejo”, explica Andrea Éboli, Diretora de Marketing da Natura, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Leia a entrevista com a Diretora de Marketing da Natura, Andrea Éboli.

Mundo do Marketing – Por muitos anos, esperou-se a entrada de Natura no varejo tradicional e a companhia sempre disse que não entraria. No entanto, recentemente, a marca inaugurou uma loja em São Paulo. Quais foram os fatores preponderantes para a empresa muda de ideia?

Andrea Éboli – A Natura teve outras experiências anteriormente voltada para lojas-conceito para ficar mais próximo do consumidor e gerar uma experiência diferenciada. Neste momento, abrimos a nossa primeira loja com foco de negócio visando oferecer mais um canal de acesso. Esse é mais um ponto de contato para aproximar a marca de quem está distante da venda direta ou que vê no varejo uma opção de compra mais imediatista, como um presente de última hora, o que não dá para ser feito pela venda direta. Em geral, essa compra acontece em um shopping e a estávamos perdendo. No entanto, a loja chega para complementar os outros canais e cada um deles tem o seu papel.

Mundo do Marketing – A primeira loja acaba de concluir o primeiro mês de operação e mesmo não abrindo os números, a empresa afirma que o resultado está sendo positivo. Há a previsão da abertura de novas unidades?

Andrea Éboli – O plano de expansão está construído e já teremos a abertura de novas lojas ainda neste ano na cidade de São Paulo. Essas primeiras unidades serão próprias e neste momento estamos fechando contrato com os shoppings. Após essa fase inicial levaremos esse formato para os outros estados. O modelo de franquia está dentro do projeto, mas ainda não há data prevista para ser iniciado. Afinal, o negócio é novo e estamos aprendendo com ele.

Mundo do Marketing – A loja oferece todos os produtos do portfólio?

Andrea Éboli – Antes da abertura fizemos um business case para saber quais eram as categorias prioritárias para o varejo da Natura. Na loja oferecemos 40% dos produtos comercializado pela venda direta. Levamos as principais marcas como Chronos, Mamãe Bebe, Ekos, Tododia, as linhas de maquiagem Una e Aquarela e algumas marcas de perfume. Quem vai em busca de algum produto que não está na loja, recebe orientação das vendedoras sobre os outros canais. Cada espaço dentro da loja foi pensado exclusivamente para o tipo de produto. A maquiagem, por exemplo, que é uma categoria de compra por impulso, na hora que o consumidor entra na loja é possível experimentar cores e texturas, pois todos os itens estão disponíveis em uma enorme mesa.

Mundo do Marketing – Como garantir que um modelo não canibalize o outro?

Andrea Éboli – A dinâmica promocional é completamente diferente. O modelo de operação da venda direta conta com uma mobilização de ciclos a cada 20 dias, conta com promoções agressivas, focadas para consultoras e consumidoras. Para o varejo vamos seguir com uma outra estratégia, que será com menos promoção, estaremos mais focados em composição de presentes, de kits, focada no aumento do ticket médio. O consumidor que compra da venda direta, que aproveita as promoções de cada ciclo, não terá acesso a isso na loja. O que garante a competitividade de todos os canais.

Mundo do Marketing – Venda direta, varejo, e-commerce, aplicativo, venda via Instagram. A Natura está buscando ser uma marca multicanal. Como a empresa está conseguindo segmentar cada canal? Como está as ações de Marketing para cada um deles?

Andrea Éboli – A construção da marca Natura é a mesma para todos os canais, entretanto temos estratégias específicas para cada um deles. O digital focamos no e-commerce, trazendo um contato mais online para as consultoras e fortalecendo a rede delas por meio de ferramentas digitais. No varejo trabalhamos com visual merchandising com as categorias que tem mais impacto, afinal, já descobrimos que nem sempre as categorias com maior impacto na venda direta terão o mesmo desempenho no varejo. Desenvolvemos uma série de estratégia para cada categoria dentro de cada canal. E isso também foi considerado quando optamos por oferecer a linha Sou em redes de farmácias.

Mundo do Marketing – O que a empresa está fazendo para garantir o contato com todos os públicos? Como está a relação da marca com as mulheres mais jovens?

Andrea Éboli – A Natura é uma marca muito democrática, presente em todas as classes sociais. Estamos focados em entregar valor para as classes A e B. Com o nosso novo canal buscamos essa elevação de posicionamento. Também temos presença em todas as faixas-etárias, inclusive no ano passado lançamos uma linha teenager que contou com uma forte ação nas redes sociais e foi um sucesso. Contamos com a blogueira Camila Coelho em todo o movimento de maquiagem para atrair os consumidores. A Natura é uma empresa de 45 anos e temos total interesse de estar mais perto dessa consumidora jovem e a loja contribuirá com isso.

Mundo do Marketing – O que a companhia tem feito para estreitar essa relação?

Andrea Éboli – Há três anos criamos o movimento Adoro Maquiagem e estamos trabalhando a questão do endosso, que para nós vem de todos os lados, tanto dos influenciadores, quanto do consumidor legítimo da marca. A nossa proposta com essa plataforma era trazer essa voz dos influenciadores e dos consumidores que endossam a nossa marca. Lá contamos com o Marcos Costa, nosso maquiador oficial, ensinando passo a passo por meio de vídeos. A ideia é ajudar e estar próximo do consumidor com conteúdo de qualidade.

Mundo do Marketing – Natura é reconhecida há muito tempo e continua investindo em sustentabilidade. Até que ponto esse ainda é um posicionamento que traz diferencial para a marca e não virou padrão?

Andrea Éboli – A sustentabilidade para a Natura não é uma estratégia de Marketing e sim um pilar da empresa. É um posicionamento e falamos sobre ele por meio dos nossos produtos, mas a sustentabilidade tem a ver com a nossa proposta de valor. A empresa nasceu assim e trata do assunto em toda a sua jornada. O que percebemos cada vez mais é que temos que continuar reforçando isso de maneira inovadora, trazendo valores atuais. A sustentabilidade inegociável na Natura, a ponto de tomarmos decisões internas mais custosas ou mais lentas em benefício dessa proposta de valor. Isso, por exemplo, foi momento no momento em que a loja estava sendo projetada, pois não dava para abrir um espaço que não carregasse esse conceito. O piso é feito de madeira de demolição, os painéis são projeções para evitar o uso de cartazes, as luzes são de led, para gerar economia. E aí nos vemos praticando essa sustentabilidade. Queremos trazer cada vez mais elementos para reforçar esse posicionamento.

https://www.mundodomarketing.com.br/entrevistas/36300/as-estrategias-da-natura-para-se-manter-jovem.html

Storydoing é o novo Storytelling?

Se existe uma área que adora criar novos conceitos é a área de comunicação. Desde 2012, o conceito de Storytelling tem recebido novas denominações e até já ganhou o 2.0, o que significa nos meios um uso mais avançado do modelo. É a desmaterialização dos conceitos com novas tentativas de apropriações de território midiático. Ao lado do termo storydoing pairam ainda storytelling 2.0, storytliving e storymaking. Tudo a mesma coisa.

O termo storydoing foi introduzido em 2012 por Ty Montague, estrategista e fundador de uma empresa de consultoria, por meio de uma pesquisa e um livro sobre o assunto. Para Montague, storydoing é a publicidade tradicional nos formatos para TV, revistas, jornais, rádios e outdoors. Mas, por outro lado, afirma que outras atividades que não usam os meios tradicionais para propagar sua marca podem ser denominadas como storydoing. Inclusive, dá os exemplos de grandes marcas como Red Bull e Tom Shoes. Primeiramente a marca Tom Shoes de Blake Mycoskie. Mycoskie, um jovem americano do Texas, decidiu acompanhar a irmã na Argentina e ficou impressionado ao perceber que muitas crianças carentes brincavam descalças nas ruas da periferia porque a família delas não tinha dinheiro sequer para comprar-lhes um par de alpargatas (popular no local). Achou o calçado interessante, estudou o processo produtivo e observou que há sobras na produção que permitiriam a produção de novos calçados, porém em menor quantidade.

Em 2006, criou uma empresa cujo modelo de negócios era relativamente simples — a cada calçado vendido, outro seria doado a alguma criança carente ao redor do mundo. Essa marca é a Tom Shoes, desde então Mycoskie é o principal garoto-propaganda da empresa. Como em muitos casos de empreendedorismo, o fundador e sua própria história se tornam a personificação de seus negócios. A marca praticamente não investe nada em propaganda. Seus disseminadores são seus fãs, usuáriosda marca.

O protagonista, o próprio Mycoskie, jovem, bem articulado e bom contador de histórias. Portanto, essa marca já nasceu com um propósito claro e um modelo de negócios que hoje já é copiado por outras empresas. Por ser inovadora no modelo, gerou buzz naturalmente. Qual é a história que permeia a Tom Shoes? A história de seu fundador e de seu próprio modelo de negócios. A cada sapato vendido, uma criança receberá um par de sapatos.

As novas empresas que estão copiando o modelo terão o mesmo sucesso que Mycoskie? Sem entrar em detalhes do case Tom Shoes, mas provocando uma reflexão, perguntamos se a causa é suficientemente autêntica e suporta uma empresa social com fins lucrativos. Ou seja, além de ter um papel social, tem que ser um negócio viável, portanto doar sapatos para crianças carentes é melhor do que nada, mas será sustentável mesmo? O que ocorre com os artesões de sapatos nessas localidades que recebem doação?

O produto hoje é produzido na China e não nas regiões carentes onde há doação. E dessa forma Tom Shoes recebeu o cunho de ser uma empresa storydoing, o que para nós não é suficiente ainda. Se o cunho social tem muita relevância e é vital para os negócios de uma empresa storydoer ou storytelling 2.0, falta saber se a empresa tem um propósito verdadeiro para sustentar esse conceito. A nosso premissa é que o storytelling é o core da marca e o storydoing as ações contínuas e atitudes através de seus colaboradores, usuários, comunidades, ou seja, todos os stakeholders. Todos de fato devem viver a marca pois ela com sua essência permeia  a também a vida de seus stakeholders.

E no caso da Red Bull não há uma causa social, mas sim um DNA bem definido com foco nos esportes e entretenimento. Além disso, não é uma empresa que vende apenas taurina em latinhas, desde 2007 criou uma empresa separada chamada de Red Bull Media House, que produz, distribui e propaga conteúdos de alta qualidade. E ela não é apenas uma storydoer, é uma organização de mídia multiplataforma com foco em esportes, estilo de vida e cultura. Esse é obviamente um modelo de negócios diferente, pois as plataformas atendem diversos canais de comunicação, desde TV, redes sociais, mobile, digital até revistas especializadas para atrair a audiência. Quais os elementos por detrás dessa marca?

Não se trata apenas de contar as histórias ou exercer o branded content na sua essência. Significa que seu core concept é claro e disseminado por meio de seu modelo de negócio, vivido por todos stakeholders da marca incluindo fãs que não precisam ser consumidores do energético. Com respeito ao autor do conceito, nosso ponto de vista é diferente. Para nós não existe storydoing, sem storytelling. E o storydoing amplificará a essência da empresa, mas ele deve ser feito continuamente e com base na história que a marca quer contar para sua audiência. E uma marca sem propósito claro não consegue fazer storydoing, ela pode fazer o live marketing,proporcionando  interlocução entre marcas e pessoas, provocando uma percepção diferenciada de produtos, serviços e marcas.  No entanto táticas promocionais e live marketing não é storydoing, storymaking ou storytliving.

E quem são as marcas que fazem storydoing? Empresas como Natura e Coca-Cola usam muito bem storytelling e por isso podem potencializar suas histórias, criar experiências, incluindo as de cunho social. Essas empresas conseguem exercer o poder constante de fazer com que as histórias de suas marcas sejam vividas por todos. Acrescentamos que antes de qualquer tipo de comunicação, seja ele B2C ou B2B, é preciso que a empresa adote verdadeiramente o mantra do walk the talk, ou seja, suas ações e essência devem corresponder a sua visão, missão e valores. Sua história permeará todas as ações, independente de ela adotar um modelo sistematizado de storytelling.

As pessoas falarão dessas marcas espontaneamente e não só viverão suas histórias, como também criarão outras gerando um motocontínuo de fortalecimento. Cabe lembrar que sempre existe uma mitologia por detrás da marca e que ela pode ou não permear a empresa através de suas atitudes. Quanto mais coerente e autêntica melhor. Portanto, tanto faz se existem várias novas denominações. Uma marca tem gestão de pessoas para pessoas e é disso que suas histórias e mitologia da marca falam. Não estou convencida do mantra defendido por Montague que boas empresas são storytellers e grandes empresas são storydoers. Acreditamos que as empresas com propósito claro, e com uma história autentica e walk the talk, são as melhores empresas.

Artigo de Martha Terenzzo, diretora da Inova 360o e professora da Faculdade ESPM – 16/02/2016