Arquivo da tag: interação

Marketing 2021: Conhecimento, digitalização, jornadas não-lineares

onhecer os hábitos do seu consumidor se torna imperativo


(Crédito: Bagira22/iStock)

Olhando para as mudanças que 2020 nos apresentou, fazer previsões para um novo ano parece uma tarefa aparentemente impossível. No entanto, é possível identificar e analisar tendências e, principalmente, buscar a adaptação e a melhoria. No texto a seguir, trago reflexões sobre alguns movimentos que vão influenciar a forma de atuação dos profissionais de marketing neste ano.

O otimismo da retomada foi envolto na névoa de uma segunda onda da pandemia, e as decisões de departamentos de marketing têm-se assemelhado a outros temas de negócio frequentemente discutidos, como uma possível volta aos escritórios. Tudo tem sido feito de uma forma mais cautelosa e tímida, processos de decisão e compra são mais longos, e isso deve continuar.

Traduzindo estes movimentos para o meu universo, que é o espaço B2B, tudo está sendo repensado. Por exemplo: era comum fazer um webinar, que um potencial cliente assistiria e, posteriormente, seria convidado para um evento sobre o mesmo tema. Ou seja, havia a interação presencial. Tudo isso morreu.

Neste contexto das jornadas de compra reinventadas depois da Covid-19, conhecer os hábitos do seu consumidor se torna imperativo, bem como a automação de marketing, que tem um papel muito mais preponderante do que sempre teve, exatamente por conta das jornadas não-lineares.

Com esse pano de fundo em mente, cito três áreas de foco para o marketing em 2021:

1. Desenvolver conhecimento sobre o cliente

O primeiro movimento importante e estratégico em que as empresas devem focar é na antecipação de necessidades do cliente em projetos e propostas. Aqui, informação é chave para entender o cenário de quem se atende, as dores atuais de indústrias em um cenário em constante mudança e adaptação, desafios que podem ter sido trazidos pela pandemia. O objetivo tem que ser entender como, em nossas funções, podemos ajudar esses clientes a vender.

2. Entender a jornada de digitalização da organização

Para desenvolver ações de marketing, será cada vez mais crítico entender como a empresa em questão se situa em seu processo de transformação ou evolução digital, e os desdobramentos disso em sua cadeia de supply chain. Entre estes desafios, podemos incluir processos de manufatura, de atendimento e de retenção do cliente.

3. Usar o poder das jornadas não-lineares

Se no passado tínhamos funis de marketing muito bem definidos em que o potencial cliente se encaixava em um dos diversos pontos do processo de decisão, isso tudo mudou. Com os processos tradicionais tendo virado de ponta-cabeça, clientes buscam não só a ominicanalidade, mas também jornadas não-lineares para buscar produtos.

Para conseguir navegar nesta realidade, é essencial usar as melhores tecnologias e ferramentas para auxiliar o processo. Porém, o foco em automação e trazer para o âmbito digital muitas das coisas que aconteciam no marketing do ambiente físico não significa uma robotização da nossa essência.

O conceito de marketing H2H, ou seja, de humanos para humanos, é mais importante do que nunca. Existem muitas marcas fazendo isso de forma magistral, como Red Bull, Nike, Adidas, Adobe, e veremos mais companhias se esforçando para fazer algo parecido. A comunicação que realmente toca pessoas — e não uma massa de clientes, desconsiderando suas peculiaridades, saberes e demandas individuais e diversas — é um caminho sem volta

2 de fevereiro de 2021 – Kleber Wedemann – Diretor de marketing para América Latina do SAS – https://www.meioemensagem.com.br/home/opiniao/2021/02/02/marketing-2021-conhecimento-digitalizacao-jornadas-nao-lineares.html

E se colocar a loja dentro do vídeo?

Um movimento nem tão novo que você não possa ter ouvido falar nem tão consolidado que você não possa ter dúvidas sobre ele. Mas o fato é que o live commerce vai ocupar algumas das suas pautas de estratégia para os próximos anos.

E ele é importante não apenas pelo efeito novidade, mas pelos números que tem alcançado no mundo. O mercado de live commerce movimentou mais de US$ 140 bilhões no mundo e, no ano passado, mais de 500 milhões de pessoas fizeram compras por plataformas de live streaming só na Ásia – esses números são bem fresquinhos, foram divulgados esse mês na NRF.

Para você que está ainda sob o efeito da novidade e precisa saber mais do que se trata, basta imaginar uma live como as centenas que você viu durante a quarentena, associada ao e-commerce, com interação ao vivo dos consumidores com o hostess, além do adicional de se ter resultados instantâneos para a marca promotora. É uma verdadeira experiência de compra virtual interativa que no final das contas, além de trazer resultado, acaba por ao mesmo tempo ser divertida e engajadora para o consumidor. Tudo numa mesma experiência.

Tenho acompanhado esse movimento e para mim está muito claro: esse é o futuro de como as pessoas farão compras. Isso porque resolve um problema que o varejo ainda não tinha conseguido equacionar. Como trazer a humanização da experiência do mundo físico para o digital? Por meio da estratégia de streaming, o consumidor interage ao vivo, tira suas dúvidas, efetiva a compra em tom de conversa, de bate papo, extremamente pessoal, emocional, convincente.

Outro aspecto importante que dá força para o live commerce é que a pessoalidade da conversa faz com que quem assiste se sinta realmente presente e participante de tudo que está acontecendo. Enquanto a transmissão ao vivo de vídeo fornece o elemento de estar presente no momento, o bate-papo cria a conexão entre o host e o espectador, mas também o envolvimento entre outros espectadores. Ao compartilhar as percepções e opiniões a construção acaba sendo conjunta – consumidor e marca – de todo o processo.

E tanto engajamento só pode resultar em uma coisa: vendas.

É isso que tem chamado a atenção das marcas ao redor do mundo. E os modelos de aplicação também têm se multiplicado. Como é o caso da Esteé Lauder, marca de cosméticos premium que utiliza o live streaming tanto para uma venda mais constitutiva one to one quanto para a venda via eventos live. Até marcas como a Hering, no Brasil, têm utilizado o formato para engajar seus franqueados no lançamento de novas coleções. O formato pode ser adaptado para os diversos tipos de indústrias, portes de clientes e canais de vendas e é com certeza algo que veio para ficar pela flexibilidade e adaptabilidade.

Então, se você ainda não ouviu falar ou já ouviu, mas quer saber mais sobre isso, te convido a conhecer a StreamShop, plataforma de live commerce que o Grupo BITTENCOURT acaba de se unir. É um universo novo de oportunidades que se abre para varejo, franchising e indústrias, e ao qual tenho muito orgulho de estar dando visibilidade. Acesse: https://streamshop.com.br/.

Lyana Bittencourt é CEO do Grupo BITTENCOURT – 29/01/2021 – https://mercadoeconsumo.com.br/2021/01/29/e-se-colocar-a-loja-dentro-do-video/

Estudo revela marcas lideres em engajamento no Instagram e Facebook

Nunca houve um período mais turbulento para os profissionais de marketing digital do que os três primeiros trimestres de 2020. A pandemia do coronavírus teve um grande impacto sobre o engajamento dos usuários de mídia social e as marcas que buscam sua atenção. A boa notícia é que, embora haja muito ainda a ser feito, já é possível ver algumas evoluções notáveis ​​principalmente nos últimos meses, que apontam para um novo senso de normalidade, estabilidade e recuperação.

A conclusão faz parte de um amplo estudo realizado pela Socialbakers, plataforma líder global em soluções para a otimização de performance corporativa em redes sociais, que revelou ainda Netflix, Hotel Urbano, Grão de Gente, Esporte Interativo, Lojas Americanas, Caixa, Casas Bahia e Sadia como as marcas líderes em engajamento nas redes sociais no Brasil. Com uma estratégia bastante popular, a plataforma de streaming liderou o ranking de engajamento tanto no Facebook quanto no Instagram.

Segundo Alexandra Avelar, country manager da Socialbakers, é a partir das ações realizadas pelo público que a marca consegue saber se o trabalho está gerando o resultado esperado. “Com as reações, interações, comentários e outras ferramentas disponíveis é possível perceber se a marca está construindo uma imagem positiva e se está realmente atraindo a atenção do seu público e gerando confiança. Isso tudo porque com o crescimento e criação de mais plataformas o público está cada vez mais empoderado e sabe que pode expressar sua opinião como quiser”, comenta.

Quando o assunto é posts com mais interações, a Netflix domina o pódio com as três publicações com mais engajamento do público no Instagram, somando cerca de 2.7 milhões de interações apenas neste top 3.

 A plataforma também conquistou o topo do ranking geral de engajamento no Facebook com 4.1 milhões de interações em 265 posts. Em seguida aparece o Hotel Urbano, que recebeu 2.8 milhões de ações vindas do público em 1.288 postagens. O terceiro lugar foi ocupado pela Caixa, com 2 milhões de interações em 189 publicações. 

TOP 5: marcas que mais engajaram no Facebook:

Netflix – 4.182.190 de interações
Hotel Urbano – 2.821.098 de interações
Caixa – 2.092.169 de interações
Casas Bahia – 1.758.366 de interações
Sadia – 1.744.715 de interações

TOP 5: marcas que mais engajaram no Instagram:

Netflix – 48.815.039 de interações
Grão de Gente – 7.948.541 de interações
Esporte Interativo – 7.639.092 de interações
Hotel Urbano – 7.130.946 de interações
Lojas Americanas – 6.927.516 de interações

Metodologia do relatório
Os Social Media Trends Reports refletem o banco de dados da Socialbakers no início do trimestre seguinte ao trimestre do relatório. Os dados são extraídos uma vez e não são atualizados entre as liberações.

Por Kedyna Fernanda -21/01/2021 – https://adnews.com.br/estudo-revela-marcas-lideres-em-engajamento-no-instagram-e-facebook/

Brand Lift: A Pesquisa que Mede a Interação da Marca com seu Público

Empresário com desenho de foguete nas costas, simulando o sucesso da empresa “decolando”

brand lift, de forma bem direta, é o aumento da interação da marca com o seu público devido a uma campanha publicitária.

Você já ouviu falar neste conceito? Ele avalia todo o impacto da comunicação da sua empresa com os seus consumidores, apontando os resultados e permitindo avaliar se as suas campanhas estão no caminho certo.

brand lift é uma das estratégias de marketing que se apoia nas pesquisas de satisfação (como é o caso das perguntas de NPS®) para ter insights importantes na tomada de decisão.

Continue a leitura para saber mais!

O que é Brand Lift?

Atualmente, é fundamental que as empresas invistam em avaliações para saber o que os consumidores e prospects pensam sobre os seus produtos e serviços. Somente com esse retorno valioso é possível avaliar se o seu negócio está no caminho certo ou se é necessário alterar suas estratégias de marketing.

Nesse cenário, se você deseja mensurar os resultados das suas campanhasconferindo como está a interação e aceitação da sua marca perante seus consumidores e prospects, o brand lift é a resposta.

Afinal, não há como medir o retorno sobre o investimento (ROI) se você não se apoiar em métricas importantes para o seu negócio.

Na prática, o brand lift se baseia em criar uma campanha estratégica e utilizar os indicadores de desempenho para conferir a aceitação do público, o reconhecimento e a interação.

Quais são as Métricas para Avaliar o Brand Lift?

gráfico mostrando indicadores subindo

Existem diversos indicadores de desempenho que você pode utilizar para mensurar os resultados das suas estratégias, certo? Porém, para avaliar o brand lift existem algumas métricas mais específicas. Veja algumas delas:

  • Intenção de compra: avalia se as pessoas têm (ou não) a intenção de investir no seu produto ou serviço
  • Awareness: avalia a percepção e conhecimento da sua marca perante seus consumidores
  • Recall: percebe se os seus clientes reconhecem a sua marca em ações publicitárias
  • Atitude perante a marca: considera a avaliação dos clientes sobre a sua empresa

Como Aplicar o Brand Lift?

Aplicar o brand lift exige tempo para testes. Primeiramente, é necessário ter um banco de dados atualizado para o envio dos questionários. Separe os contatos em dois grandes grupos:

  1. Aqueles que já tiveram contato com a sua marca (que foram expostos a um determinado vídeo ou campanha);
  2. Aqueles que nunca tiveram contato com a sua marca.

Na sequência, é preciso elaborar um questionário para enviar para esses dois grupos e comparar os resultados. Para formular o questionário é importante considerar que ele precisa ser breve e englobar perguntas de intenção de compra, recall, atitude perante a marca e awareness. Veja um exemplo de questionário:

  • Intenção de compra: você compraria um produto da [NOME DA EMPRESA] na próxima vez que precisar de um [PRODUTO QUE A EMPRESA OFERECE]?
  • Awareness: você se lembra de ter visto alguma propaganda da [NOME DA EMPRESA] nas últimas três semanas?
  • Recall: quando você pensa em [NOME DA EMPRESA] qual é a primeira coisa que vem na sua mente?
  • Atitude perante à marca: de 0 a 10, quais as chances de você indicar a [NOME DA EMPRESA] para um amigo?

Para ajudar a tabular as respostas, a plataforma binds.co permite personalizar os questionários e avaliar as respostas em tempo real. Assim, você tem mais tempo para reagir e alterar as estratégias imediatamente, principalmente se começar a receber muitas respostas negativas. Com isso, você consegue aproveitar seu investimento da melhor forma.

Como Ter um Brand Lift sempre Positivo?

árvore com palavras de sucesso

É natural que você queira que os resultados das suas pesquisas sejam sempre favoráveis. Afinal, investimos tempo e dinheiro para a construção de campanhas publicitárias e queremos ver um retorno positivo, não é mesmo?

Por isso, preparamos algumas dicas que podem te ajudar a ter mais retorno na hora de aumentar a interação da sua marca com o público. Veja quais são elas:

– Crie um Planejamento de Mídia Voltado ao Branding

Tenha uma excelente identidade visual em todas as suas campanhas publicitárias. Além disso, a linguagem, o formato e o tipo de conteúdo devem estar direcionados para a sua persona.

É essencial voltar todas as ações de marketing para o branding e explorar sempre o melhor da sua marca.

– Alinhe os Objetivos e as Métricas da sua Campanha

Determine as métricas do brand lift que você utilizará no seu estudo. Citamos acima quatro indicadores fundamentais para avaliação. Portanto, é essencial alinhar os objetivos das suas campanhas voltadas para esses indicadores.

Por exemplo: se você quer melhorar a métrica “intenção de compra” é essencial acompanhar a jornada do cliente e criar campanhas voltadas para o fundo do funil de vendas — você deve fazer isso com todos os indicadores.

Fonte das imagens: Depositphotos, Pixabay – 21/03/2019https://blog.binds.co/o-que-e-brand-lift/

As tecnologias que estarão em evidência na retomada

As tecnologias que estarão em evidência na retomada

Com o comércio sendo conduzido a um caminho de reabertura gradual dos negócios, o desafio para o varejista está em encontrar, ao mesmo tempo que busca uma equação que seja favorável para a reabertura, a criação de um ambiente de vendas que seja convidativo e acolhedor, sem abrir mão de fornecer todos os processos e mecanismos possíveis para que seus consumidores sintam-se seguros e aptos a voltarem a comprar.

Se os pequenos negócios vão precisar usar de pessoas e processos mais simples, como a disponibilização de álcool gel, o uso de termômetros de leitura rápida ou uma pessoa para controlar a entrada e saída de consumidores da loja, mantendo um número adequado de ocupação, é fato que muitos varejistas poderão buscar na tecnologia um apoio para a criação de ambientes que além da segurança, se mantenham produtivos e eficientes, buscando a minimização de custos e a maximização de resultados. Algo essencial para esse momento.

Em termos de tecnologias, os sistemas de vídeo analytics parecem ter encontrado seu grande momento. Compostos de câmeras e sensores dotados de inteligência artificial, estão sendo utilizados para questões que vão desde o controle de entradas e saídas de pessoas (por conta do controle de ocupação), passando até mesmo pelo emprego de câmeras térmicas, capazes de identificar a variação de temperatura dos consumidores, um dos importante indicadores no caso do novo coronavírus.

E o controle de pessoas não para somente no vídeo analytics. Uma novidade que veio à tona durante a pandemia está no controle de pessoas por sinal de celular, capaz de registrar comportamentos ou quantidades, sem a necessidade de se identificar os usuários, e que foi amplamente divulgada por entidades públicas que utilizaram o sistema para controle dos índices de isolamento da população. Algo que poderá ser utilizado, por exemplo, para entender a retomada em corredores comerciais e shopping centers.

Além disso, a necessidade de tecnologias que permitam o que em outro artigo chamei de “Touchless Retail”, estão na questão dos meios de pagamento. O reconhecimento facial, antes uma utopia para muitos negócios, passa a se tornar cada vez mais realidade e os exemplos em breve poderão ser vistos, com tecnologias que vem sendo oferecidas tanto por grandes players de mercado, como startups, e  que serão aplicáveis em questões que vão desde o reconhecimento de funcionários em empresas, substituindo os relógios de ponto, à tecnologias que permitirão que se pague uma conta sem a necessidade de dinheiro, cartão, ou senha.

Decorrente da expansão digital que a pandemia parece ter trazido, com uma estimativa de crescimento de até 30% no e-commerce em termos de canal, operações que facilitem a compra sem a necessidade de contato ou que promovam uma experiência cada vez mais rápida, como sistemas de drive-thru, áreas de “click & collect” (clique e retire), smart lockers (similares à vending machines), ou até mesmo lojas completamente automatizadas, à exemplo da Amazon Go nos Estados Unidos serão muito mais vistas já no segundo semestre no país, com diversas iniciativas tomando forma, em modelos que tomam forma como a recente Omnibox, que oferece uma interessante experiência, inicialmente sendo instalada em condomínios pela Grande São Paulo.

E se a venda ganhou novos caminhos, passando de uma venda passiva, para uma venda totalmente ativa, os canais das redes sociais nunca foram tão importantes para o varejo nesse momento. Já está havendo uma nova onda de softwares que auxiliam o controle, o direcionamento e uma melhor interatividade entre vendedores e consumidores através dessas ferramentas. Nos Eua, Hero e The Call List são duas startups que tem apoiado de forma interessante a conexão nesse sentido.

[…] Se o mercado nunca pareceu tão difícil, e tão complexo, nunca houve tantas oportunidades para se inovar e buscar novos caminhos no negócio como hoje. E a tecnologia terá papel fundamental nessa retomada.

Por Caio Camargo -3 de junho de 2020 – https://www.mercadoeconsumo.com.br/2020/06/03/as-tecnologias-que-estarao-em-evidencia-na-retomada

Gruen, Oldenburg, Caruso e as ideias que vão moldar o shopping do futuro

Os shopping centers não estão morrendo, como alguns pensam. Mas estão passando, sem dúvida nenhuma, por uma profunda transformação, que inclui o repensar do próprio conceito. Afinal, fazer compras é apenas uma das atividades que levam as pessoas hoje a esses locais. No Brasil, segundo dados da ABRASCE (Associação Brasileira de Shopping Centers), apenas 37% dos frequentadores vão a um shopping com o objetivo de comprar. Os demais vão ao cinema, aos restaurantes, academias de ginástica, salões de beleza ou simplesmente passear e encontrar amigos.

Não é à toa que, nos Estados Unidos, alguns centros comerciais revitalizados mudaram até de nome, excluindo a palavra ‘shopping’ e substituindo-a por expressões como ‘Town Center’ ou ‘Village’.

Neste momento de reflexão sobre os rumos dos shopping centers, vale a pena estudar as ideias de três pessoas que, embora tenham diferentes campos de atuação, podem oferecer valiosas contribuições para quem trabalha no setor ou possui lojas em shopping centers.

Victor Gruen
O primeiro deles é Victor Gruen, arquiteto austríaco que veio para os Estados Unidos durante a Segunda Grande Guerra, fugindo dos nazistas. Em Nova Iorque começou a projetar lojas e logo estava desenhando lojas de departamento e depois shopping centers. Ele é considerado por alguns o pai dos shopping centers modernos. O primeiro shopping center fechado americano, o Southdale, em Minneapolis, é projeto de Victor Gruen.

Gruen acreditava que os shoppings deveriam ser mais do que simples locais de compra, mais do que uma sequência de lojas distribuídas em linha. Ele pensava que o shopping center deveria ser um lugar para congregar pessoas, um ambiente social. Isso tudo nos anos 50, veja você. A inspiração para a ideia de shopping desenvolvida por Victor Gruen vinha dos cafés europeus, onde as pessoas ficavam voltadas para a rua, conversando e vendo as pessoas passarem.

Hoje, a noção do shopping center como um espaço de socialização é amplamente aceita, embora nem todos os que concordam com essa tese conheçam o trabalho de Gruen. Para quem gostaria de saber mais sobre ele, recomendo o livro ‘The Mall Maker’ (O Construtor de Malls), disponível na Amazon, e o documentário ‘The Gruen Effect’ (O Efeito Gruen), que pode ser encontrado no Vimeo (em inglês).

Ray Oldenburg
Outra pessoa que merece ser melhor estudada pelos shoppings é o sociólogo americano Ray Oldenburg. Ele ainda está vivo, hoje tem 87 anos de idade, e escreveu uma obra muito importante chamada ‘The Great Good Place’ (O Grande Bom Lugar). Neste livro, ele lança o conceito do terceiro lugar, abraçado posteriormente por Howard Schultz quando decidiu reposicionar a Starbucks, construindo uma bem sucedida rede de cafeterias. Segundo Oldenburg, o primeiro lugar é a casa, o segundo lugar é o trabalho e o terceiro lugar seria o espaço onde vivemos interações sociais enriquecedoras e agradáveis com outras pessoas.

O caos urbano reduziu a oferta de espaços públicos onde esses encontros aconteciam. Por isso, segundo Oldenburg, bares e restaurantes deveriam cumprir esse papel. Mas quem de fato está fazendo isso são os shopping centers – e também bares e restaurantes localizados dentro dos shopping centers.

Rick Caruso
O terceiro nome é o de Rick Caruso, CEO da empresa que leva seu nome. Em 2014, Caruso fez um impactante discurso de meia hora na plenária do Big Show da NRF (National Retail Federation), em Nova Iorque, maior evento de varejo do mundo, denunciando o anacronismo dos shoppings suburbanos tradicionais.

Para Caruso, a verdadeira alma do varejo e dos shoppings é a interação social que esses lugares podem proporcionar, quando desenhados adequadamente. Na sua palestra, que provocou desconforto nos demais empreendedores de shopping centers americanos, diga-se de passagem, Caruso anunciou que o futuro dos shopping centers seria baseado em algo muito antigo – voltar a ser um local de encontros pessoais.

Note que as ideias de Gruen, Oldenburg e Caruso são convergentes. E muito claras. Mas colocá-las em prática não parece tarefa simples.

Para explicar a dificuldade que experimentamos frente às mudanças, talvez seja necessário recorrer a um quarto nome: John Keynes. Esse economista inglês, cujas ideias mudaram fundamentalmente os conceitos macroeconômicos, deixou uma frase que eu, pessoalmente, vivo repetindo para os meus clientes: “The difficulty lies not so much in developing new ideas as in escaping from old ones” (A dificuldade não reside tanto em ter novas ideias e sim em escapar das antigas).

Isso significa que ajudar as pessoas a terem novas ideias não é suficiente. Mais importante é convencê-las de que devem abrir mão da segurança e conforto oferecidos pelas ideias às quais estamos acostumados e das coisas que já sabemos fazer.

Nesse mundo novo, para ter sucesso é preciso ser bacana

O Festival de Criatividade de Cannes, que aconteceu em junho, no sul da França, consagrou uma grande tendência na comunicação de marketing – o foco no consumidor no lugar do foco nas marcas. Trocando em miúdos, isso significa que ao invés do autoelogio (o melhor shopping da cidade) as marcas deverão veicular mensagens e promover ações que melhorem a vida das pessoas. Os exemplos são muitos.

Da Duracell, que mostrou a incrível energia interna de uma atleta paraolímpica, à Dove, que procura elevar a autoestima das mulheres, passando pelo Google, que aproxima pessoas queridas que se perderam ao longo do tempo e a rede de fast food mexicana Chipotle, que defende a alimentação saudável, a regra é deixar de fazer marketing para vender para as pessoas e passar a fazer marketing em benefício das pessoas, como explicou Keith Weed, CMO da Unilever.

A tecnologia também será uma aliada dos anunciantes nessa tarefa. Exemplo disso é o premiado case brasileiro da Nivea Sun Kids, que ajuda as mães a manterem seus filhos sob vigilância na praia ou a engenhosa solução criada pelo Yahoo! para permitir que crianças cegas façam buscas na web com ajuda da voz – o objeto buscado ganha forma por meio de uma impressora 3D para poder ser manuseado pelas crianças. Em resumo, para ter sucesso é preciso ser bacana.

Por trás de tudo isso está a busca por algo muito valioso hoje em dia, a relevância. Durante o seminário que apresentou no festival, Marc Pritchard, Brand Building Officer da P&G ensinou: “comece com algo que seja verdadeiro, pense no porque alguém se importaria com o que você diz e faça a sua marca investir em coisas relevantes para as pessoas”. Ele tem razão. No meio de tanto burburinho e na era do diálogo por meio das redes sociais, o discurso egocêntrico das marcas não encontra mais eco nos indivíduos.

Falando nas redes sociais, ela também tem um papel decisivo nas mudanças pelas quais passam a comunicação mercadológica. O Twitter, por exemplo, tem investido pesado na estratégia batizada de ‘Live Storytelling’ (Histórias em Tempos Reais), onde as marcas conversam com indivíduos (e não targets) sobre assuntos relevantes para eles ao mesmo tempo em que as coisas acontecem. Nesse sentido, a Coca-Cola montou uma Central de Produção de Conteúdo, no Rio de Janeiro, para alimentar as conversas nas redes sociais sobre a Copa do Mundo. A verdade é que simplesmente postar ofertas e novidades nas redes sociais, abrindo mão de engajamento e interatividade, é cada vez menos efetivo.

Colocar em prática esses conceitos exige novos profissionais de marketing, com perfil mais eclético e com um modo de pensar capaz de integrar diferentes canais de comunicação e disciplinas. Para alcançar esse objetivo, o principal desafio das empresas e de seus executivos será abraçar as novidades, deixando para trás as velhas práticas. Nada fácil, mas cada vez mais essencial para a sobrevivência neste admirável mundo novo.

 

Luiz Alberto Marinho (marinho@gsbw.com.br), sócio-diretor da GS&BW. – Shopping Centers – 25 Jun 2014

http://www.gsmd.com.br/pt/eventos/shopping-centers/nesse-mundo-novo-para-ter-sucesso-e-preciso-ser-bacana

As empresas brasileiras sabem aproveitar o poder das multidões?

Crowd. A palavra significa multidão e vem aparecendo cada vez mais no vocabulário dos empreendedores, embutida nos termos crowdfunding e crowdsourcing. Essas duas estratégias foram tema da Conferência CrowdSourcing, Co-Criação e Comunidades 2011, realizada pela Mutopo, uma consultoria para produção colaborativa, na última segunda-feira (29/8), em São Paulo.

A ideia do evento foi discutir como as empresas estão utilizando o poder das comunidades e das multidões para obter sucesso. De um lado, empreendimentos cujo único objetivo é oferecer os meios para que outros negócios façam isso; do outro, empresas que estão utilizando essas alternativas.

Pode parecer algo bem “hypado” hoje em dia, principalmente com a popularização da internet e das mídias sociais, mas, como explica Carl Esposti, criador do site Crowdsourcing.org, casos de uso do conhecimento de grupos de pessoas, das multidões, podem ser datados bem antes, desde o século 18. Quando a Marinha britânica quis encontrar uma forma diminuir a perda de navios, pediu ideias para a população. Do conhecimento coletivo surgiu um novo sistema de navegação.

Com explicações como essa, o evento foi realmente um guia. Nessa nova realidade, a comunidade, que pode ou não envolver os consumidores da própria marca, colabora para o crescimento dela.

Enquanto o crowdfunding é uma estratégia que utiliza os recursos financeiros de diversas pessoas para a realização de projetos – de shows à abertura de uma startup –, o crowdsourcing é um pouco mais complexo. Podem variar os níveis em que essa comunidade ajuda com algum conhecimento específico, fazendo pequenas tarefas, tirando dúvidas de outras pessoas ou dando feedback sobre a própria empresa. Nessa equação, os indivíduos colaboram pelos mais diversos motivos, que podem incluir o simples prazer de ajudar, o reconhecimento e, claro, o dinheiro. “Nós já tivemos a ajuda de um grande produtor cultural que só queria colaborar em um dos nossos projetos, que envolvia um produto verde, porque estava cansado da cor vermelha com que trabalhara em outra campanha”, conta Bastian Unterberg, da Jovoto.

A Jovoto é um exemplo de empresa que estimula essa colaboração. Eles foram responsáveis por auxiliar a rede Starbucks a criar uma alternativa ecológica para seus copos de café, no projeto Beta Cup. A campanha utilizou as ideias de mais de 5.000 participantes para chegar ao resultado final. Além do primeiro lugar, outras pessoas foram premiadas e tiveram seu trabalho reconhecido.

Empresas como a construtora Tecnisa mostraram como estão fazendo para utilizar os insights da multidão para inovar em seus prédios, enquanto outros negócios, como a brasileira e jovem Catarse (leia mais sobre ela aqui), mostraram como estão trabalhando os conceitos de crowdfunding e sourcing.

Mas o que ficou no ar ao fim de um dia de palestras é se as empresas realmente estão preparadas para essa nova realidade. Será que muitas delas já utilizam o poder de suas comunidades para inovar, crescer e melhorar suas marcas? Porque, para mim, ainda parecem poucos casos aqui no Brasil. E vale lembrar que somente fazer uma enquete perguntando a opinião do seu consumidor não é considerado colaboração. É preciso realmente fazer uso das informações geradas pela interação