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O momento do live marketing no Brasil

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O cenário da comunicação atual é cada vez mais veloz, caótico e ao mesmo tempo alucinante. Em alguns casos, a junção dessas coisas gera uma espécie de sensação intensa de efemeridade. O resultado? O engajamento é um sonho cada vez mais complexo e distante para as marcas.

Como mudar esse jogo? Participar da vida dos consumidores de uma maneira marcante, gerar experiências inesquecíveis e inusitadas, usar a criatividade e oferecer algo interessante e relevante, que vá muito além de uma propaganda convencional ou a promoção de um produto.

Não por acaso o live marketing tem crescido bastante como forte aliado na estratégia das marcas. Para entender um pouco melhor os desafios, tendências e oportunidades do segmento no Brasil, o Adnews conversou com Kito Mansano, presidente da Associação de Marketing Promocional (AMPRO). Confira o bate-papo abaixo:

Qual é o momento do live marketing no Brasil?

Estamos vivendo um excelente momento de reeducação e alinhamento entre as agencias sérias do mercado. Este alinhamento trará frutos para todos, isso porque temos diretrizes de conduta muito claras tanto para as agências como para os clientes. Este trabalho está sendo desenvolvido e apresentado em workshops em todo o Brasil pelo Comitê de Relações Sustentáveis Cliente/Agências. Por essas e outras, é de extrema importância o engajamento e conhecimentos destes valores, pois as agências que mantinham condutas levianas, com taxas abaixo de 15% e aceitando prazos de pagamentos acima de 30 dias, estão hoje fechando suas portas por conta de um mercado que não permite mais maquiar os resultados com um trabalho pagando o outro.

O live marketing tem sentido os efeitos da tão propalada crise que tem impactado outras áreas no mercado brasileiro?

Sem dúvida que tem sentido, porém de maneira menos impactante que os outros setores da economia. Não existe uma ação de demissões em massa como nas indústrias ou comércio, porém o momento é de cuidado e serenidade. Nosso negócio ajuda as empresas a saírem de situações complicadas com desempenho em vendas, o live marketing é a melhor ferramenta para trazer resultados imediatos. Muitos clientes sabem disso e usam nosso conhecimento para minimizar resultados ruins ou até mesmo gerando resultados positivos. Sabemos que o volume de investimento está menor, mas a vontade de fazer está maior.

O importante é conseguir achar a equação ideal para que todos ganhem.

Os grandes eventos sediados pelo Brasil nos últimos anos, sobretudo Copa do Mundo e agora Olimpíadas, estão realmente ajudando a amadurecer ainda mais o mercado por aqui?

Estes eventos deram um banho de realidade nas agências. Clientes que mostravam grandes investimentos se tornaram, na realidade, uma armadilha para aqueles que ousaram de forma leviana em suas planilhas e aceitaram prazos de pagamento impraticáveis. Hoje as agências estão realmente entendendo que nem todo cliente vale a pena, mesmo que com muito investimento o que importa é a agência ter resultado honesto e não correr o risco só para ter o trabalho. Sinto este amadurecimento a cada concorrência onde são chamadas quatro, cinco ou seis agências e 80% delas declinam porque o cliente não está em busca de estratégia criativa em vendas e sim alguém para bancar sua ação de live marketing, gerando oportunidade para que o dinheiro que deveria ser pago aos fornecedores seja aplicado no mercado financeiro.

Durante muito tempo o segmento foi reconhecido como marketing promocional… O que mudou agora que é live marketing? Todo mundo já compreende o significado, a força e o potencial da atividade?

Quem está antenado com a modernidade da comunicação já está familiarizado com o novo posicionamento do nosso negócio. O live marketing engloba o marketing promocional e inúmeras outras atividades, como eventos, incentivos e trade marketing. Nosso negócio é muito maior que a promoção. Hoje temos o digital dentro de nossas estruturas alinhado à criatividade ao vivo. Não dá mais pra fazer comunicação de qualidade usando somente um filme na TV. Isso é passado. As telas se multiplicaram, a informação ficou acessível de fato, e a aldeia global é real. Para conquistar espaço, vender ou ser percebido, as empresas terão que usar o live marketing.

De que maneira o live marketing conversa com o meio digital, sobretudo aproveitando a questão das redes sociais em eventos como música ou futebol, por exemplo? Essa relação tem sido bastante benéfica?

O live marketing não conversa com o meio digital, ele “é” o meio digital aliado ao físico. Este conceito já existe e está amplamente difundido nas grandes estruturas de live marketing. Trata-se do “Phygital”. A navegação no mundo digital com experiências físicas. Este processo é muito interessante porque muita gente já usa este conceito de forma intuitiva para gerar volume de vendas ou criar simpatia e relacionamento com as marcas. Você navega no mundo virtual, realiza sua compra, recebe o produto em casa ou vive uma experiência única como um show, sem ter sido impactado pela televisão, rádio ou revista. Isso é que é fascinante na nova comunicação e impensável há mais de 10 anos.

Quais são as características do Live Marketing mais atrativas para as marcas?

O live marketing tem como principal característica a relação viva e real com os consumidores. As empresas usam o live marketing para atingir o consumidor de maneira objetiva tendo resultados imediatos, isso torna a ferramenta muito mais atrativa do que a mídia convencional. As equipes de criativos do live marketing foram treinadas para vender ideias, produtos e serviços através da experiência, da emoção e da informação. Ter estes especialistas ao lado é fundamental na hora de planejar uma ação de comunicação viva.

Quais são hoje os maiores desafios do segmento e live marketing no País?

Os desafios para o segmento não estão na criatividade ou na produção das ações diferenciadas, hoje o desafio é de fazer o Governo entender a ilegalidade constitucional da bitributação, isso porque as empresas de live marketing tem tratamento diferenciado quanto à tributação deixando as empresas menos competitivas. O trabalho é acabar com esta distorção e focar no cliente que tem o entendimento e a ousadia para usar o live marketing como inovação da sua comunicação.

Por Renato Rogenski – 07 de outubro de 2015 · Atualizado às 10h21

http://www.adnews.com.br/publicidade/o-momento-do-live-marketing-no-brasil

5 motivos para você desistir de fazer UX

01 de outubro de 2015 · Atualizado às 09h53

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UX, ou “User Experience” não é um termo novo no Brasil, mas que vem ganhando espaço nas agências, empresas de tecnologia e até mesmo dentro de diretorias de grandes empresas não só de produtos, mas de serviços, as vezes com a nomenclatura de design thinking, que é muito próximo.

Trata-se de tentar enxergar, por meio de diversas pesquisas e estudos, os objeivos, dores e necessidades do usuário, para que se possa construir algo estrategicamente e entender se o usuário ficará ou está satisfeito com o serviço e/ou produto oferecido por determinada marca. Na verdade, já se fazia esse trabalho muito antes do nome existir (os webmasters, gerentes de produtos, P.O’s etc) e muitas pessoas ainda continuam fazendo sem perceber que estão.

Todo mundo acaba trabalhando com em experiência do usuário/design de serviço mesmo que não tenha consciência disso, pois quem constrói produtos direcionados para as pessoas deve entender que eles são o alvo. Desde um restaurante, até uma roupa, passando por aplicativos, sites ou produtos eletrônicos. Todo mundo quer conquistar o usuário e agradá-lo, mas a maioria não sabe que esse processo não é tão fácil quanto parece. É preciso dedicação, estudo, confiança nos profissionais  dentre muitas outras coisas.

Por isso, trago 5 motivos para você desistir de vez de fazer UX com a sua marca se você não quiser fazer a coisa do jeito certo.

UX é um processo demorado: para fazer UX mal feito, é melhor não fazer. Mas, para fazer bem feito, você precisa de muitas pesquisas, estudo de teorias, tecnologia e, principalmente, muito tempo. Se você acha que em três dias terá um projeto de UX pronto, esqueça. Por mais que existam processos rápidos (e que devem ser aproveitados e utilizados o tempo todo, eu uso muito) é importante ter base e organização, só um wireframe ainda não é UX.

UX não trabalha com achismos: sempre existe bastante tecnologia envolvida em projetos de experiência de usuário. Nada é feito sem uma pesquisa por trás, por isso, não adianta pensar apenas na sua experiência como profissional da área. Cada produto é um produto, então deve-se analisar caso a caso. É claro que se fazem testes, claro que se fazem suposições que depois serão pesquisadas, mas o “eu acho” não funciona.

UX não sabe as respostas, sabe as perguntas: as pessoas costumam me procurar perguntando “já que você é especialista em usabilidade, o que você acha que dá mais certo? Essa ideia ou essa?” e a resposta na maioria das vezes é “não sei”. A questão é que no processo de descoberta sabemos as perguntas certas e esse é um ponto muito importante, porque, com isso, conseguimos ir atrás das respostas. Boas práticas existem, eu sigo muitas delas e sugiro em jobs que não temos tempo para pesquisa, é importante entender que o caminho é variado e interconectado.

UX trabalha integrado com todos: quando se pensa projetos com UX, se pensa holisticamente do início ao fim. Profissionais dessa área precisam ter uma visão integrada e variada, entender o projeto como um todo, participar de cada etapa e saber quais as necessidades, as competências e oportunidades para cada área envolvida. Costumo dizer que UX pode ser a “cola” que conecta as áreas, porque entender que é necessário integrar todos ao trabalho.

UX pisa no calo dos outros: quem está acostumado com o trabalho tradicional, não quer sair da zona de conforto e ser “cutucado” sofre um pouco com isso, eu sempre tento usar técnicas novas, caminhos novos, experimentar. Pensar no usuário já é uma coisa antiga, mas planejar corretamente a experiência dá trabalho, muitas vezes leva tempo e nem todo mundo quer fazer.

Apesar de tudo isso, e apesar desse texto ter a cara de um texto para o xpto, trabalhar de forma centrada no usuário sempre é um processo rico, empolgante e divertido, e quando tudo fica pronto, com certeza é motivo de orgulho e de resultados para a empresa e para o usuário final.

Artigo de Eurípedes Magalhães, Head de UX na agência RIOT

http://www.adnews.com.br/artigos/5-motivos-para-voce-desistir-de-fazer-ux

Novas fronteiras para o crowdsourcing

Modelo que utiliza o conhecimento coletivo e colaborativo, o crowdsourcing propõe o diálogo e estabeleceu novas formas de engajamento entre marcas e consumidores.

Oportunidade para aplicar a cultura da inovação aberta das empresas, as campanhas de crowdsourcing podem ainda ajudar na redução das receitas internas devido a terceirização, proporcionar lealdade às marcas, abrir novas frentes de receitas e, mais importante, gerar uma economia em que os consumidores não são forçadamente classificados em categoria. Entretanto, se os objetivos não estiverem bem definidos, todo o esforço será tempo perdido. Escolher o momento adequado e o contexto, é primordial para que a ferramenta seja bem aproveitada em um plano de marketing.

Sob a perspectiva do anunciante, a luta pelo engajamento dos consumidores começa centrada no bom direcionamento nas estratégias de crowdsourcing. Mais da metade dos esforços de um projeto dessa natureza deve ser investido no desenvolvimento de um briefing capaz de estimular o pensamento e a criatividade das pessoas. A utilização do ambiente da internet facilita, já que os indivíduos tendem a ser mais abertos para o diálogo na web, onde não estão sendo julgados fisicamente.

As campanhas mais bem sucedidas deste segmento utilizam duas palavras chaves: “como” e “compartilhe”. A primeira no formato de questionamento a segunda sendo uma expressão do pensamento dos consumidores.

Veja alguns exemplos de cases em que os anunciantes utilizaram crowdsourcing:

O consumidor no centro das atenções
Fotos e filmes expressam locais e estilos de vida, e aproximam ainda mais marcas e pessoas. Se você já bebeu refrigerante, sabe que não pode evitar aquela sensação de “ahhh”, mas essa é uma experiência diferente para cada pessoa. Sendo assim, a Coca-Cola quis saber qual é o momento de cada um. Além de veicular um vídeo engajador durante o American Idol, a marca reuniu insights sobre como consumidores interpretam e expressam a experiência do sabor para enriquecer campanhas futuras.

Terceirização de contribuição
A área de design da Coca-Cola convocou os consumidores para ajudar no novo desafio da marca: encontrar novos jeitos e sensações para a Coca-Cola, cujo design das garrafas foi desenvolvido em 1915. Por meio do concurso #coke100for100 a Coca-Cola está colhendo sugestões de designers de todo o mundo, julgadas por um time importante de artistas e especialistas em design para discutir como serão os próximos anos em todas as áreas que atua. Novas embalagens e produtos podem surgir a partir das sugestões.

Quebrando barreiras culturais
Boas ideias transcendem fronteiras culturais entre países. Um dos exemplos é um projeto da Panasonic Viera 4KTV feito por profissionais de marketing do Japão focado no mercado japonês, porém o vencedor foi um projeto francês. De fato, boas ideias são mais susceptíveis de vir de fora da zona de conforto habitual de um comerciante, uma vez que os participantes que não fazem parte do target, abordam o desafio sob uma perspectiva mais refrescante e inovadora.

Ajude a ajudar
Campanha do suco Whelch solicitou aos consumidores, vídeos utilizando o aplicativo Vine enquanto estavam tomando um copo de suco e em seguida encenassem, oferecendo o copo para o próximo. Para cada vídeo enviado, eles doaram uma garrafa de suco para famílias carentes cadastradas na organização Family-to-Family. A intenção era fazer o maior vídeo de Vine do mundo com “Pass the glass”. Foi uma ideia colaborativa original que rendeu muitas conversas nas redes sociais

Portfólio de novos produto
A marca Lays consultou seus consumidores sobre novas ideias de sabor através do seu site e o voto social determinaria o vencedor que ganharia US$ 1 milhão. De quebra a marca ganhou muitos elogios por dedicar-se a ouvir os seus consumidores, e também respeito por dar espaço a algumas ideias inusitadas, como sabor de gema de ovo.

Em crowdsourcing, o conteúdo gerado deve ser tratado como rei. Entretanto há de se pensar que os coletivos não são somente de inteligência, Não existem soluções mágicas capazes de resolver qualquer problema. Inteligência negativa tem seu lado negativo, ignorância coletiva e fatores semelhantes.

Por Innovation Insights | 17 agosto 2015

http://innovationinsider.com.br/novas-fronteiras-para-o-crowdsourcing/

CO:Brasil chega ao País apresentando o storydoing

Os empresários Átila Francucci e Paulo Guerchfeld, grandes nomes da publicidade no Brasil e com importantes prêmios na bagagem, trazem para o mercado nacional a CO:Brasil, primeiro escritório da americana CO:collective fora dos Estados Unidos. Fundada por Ty Montague, um dos criativos de maior reputação no mercado americano e autor do livro True Story, a companhia é focada em estratégia e inovação aplicada ao desenvolvimento de negócios. Para isso, a agência apresenta um composto de marketing baseado no conceito storydoing, que, diferentemente do storytelling, busca a verdade dos clientes, o chamado quest.

Segundo a empresa, com essa metodologia, é criado um novo segmento no Brasil, que ocupa um espaço entre as consultorias de negócios e os fornecedores de comunicação já existentes no mercado. O foco é separar a story (história), dodoing (fazer), apresentando um novo conceito de marketing.

“Hoje as empresas estão preocupadas em como montar seu storytelling, ou seja, uma história criada para se destacar no mercado. O que a CO:Brasil propõe não é contar uma história, mas, sim, basear-se no propósito e nos fatos de cada cliente, para apresentar seu diferencial real no segmento”, explica Paulo Guerchfeld, sócio da CO:.

De acordo com a agência, o modelo já é um sucesso nos Estados Unidos e vem conquistando cada vez mais espaço nas áreas de comunicação, serviços, gestão e marketing em todo mundo. Outro diferencial apontado pela CO:Brasil é trabalhar de forma colaborativa, como sugere o nome CO:. “Após a primeira fase dos trabalhos, que vão definir o quest do cliente, a CO: Brasil pode indicar os fornecedores mais adequados para desenvolver as ações planejadas, resultados de um trabalho profundo, que dura até 20 semanas. Nosso job não inclui uma porcentagem de gerenciamento e administração dos indicados, mas se o cliente optar por essa gestão isso será negociado como fee mensal para o trabalho”, diz Guerchfeld.

A metodologia da CO:Brasil estabelece um detalhado roteiro de trabalho, que engloba um grupo multidisciplinar de profissionais de estratégia em marketing, pesquisa, design, criatividade, inovação, tecnologia, entre outros, para identificar o real propósito da empresa (quest).

Entre os 15 colaboradores da CO:Brasil, alguns foram enviados a Nova York, sede da CO: internacional, para treinamento e o conhecimento de casos de sucesso já consolidados de grandes marcas, como YouTube, Google, Timberland, Infiniti (Nissan Group), Museum of Modern Art (MoMA), Coca-Cola e Microsoft.

Os sócios da empresa esperam concluir 2015 com seis projetos finalizados e expandir os negócios para todo o Brasil, bem como para o mercado latino-americano.

Redação Adnews – 12 de Agosto de 2015 · Atualizado às 11h19

http://www.adnews.com.br/negocios/co-brasil-chega-ao-pais-apresentando-o-storydoing

Case Granado: tradição e inovação podem caminhar lado a lado

Atravessar gerações e sobreviver a mais de um século de história não é fácil. Conseguir o feito combinando modernidade e tradição é um desafio extra. A trajetória da brasileira Granado mostra que é possível mesclar uma cultura voltada à inovação e, ao mesmo tempo, manter fincadas as raízes de uma companhia, embora a própria marca já tenha quase ficado esquecida no fundo da gaveta de consumidores mais maduros. Um processo de reposicionamento iniciado em 2005, entretanto, trouxe de volta os produtos para a mente das pessoas – das mais variadas idades -, deixando lições.

A companhia, fundada em 1870 como farmácia, é uma prova de que a tradição pode caminhar lado a lado com a inovação. A virada de chave da empresa, que durante anos ficou conhecida exclusivamente por seu talco antisséptico, ocorreu quando a gestão passou para as mãos do americano Christopher Freeman, após três gerações da família Granado permanecerem à frente dela. Em 2004, a Phebo foi incorporada à organização, bem como os produtos que fabricava. Três anos depois, novos itens começaram a ser desenvolvidos e acrescidos ao portfólio, como a linha Isabela Capeto, colônias e velas perfumadas.

Hoje, a linha Mamãe e Bebê é o carro-chefe da marca. As novidades foram introduzidas em roupagens modernizadas e muito mais coloridas, mas sem nunca perder o ar retrô, já que o passado é um importante ativo da Granado. “O polvilho foi criado em 1903 e permanece com a fórmula original até hoje. A embalagem que mudou. Antes, o logotipo da companhia não estava presente em todos os produtos, o que fazia com que o consumidor não soubesse que a fabricante dos itens era a mesma”, lembra Sissi Freeman, Diretora de Marketing e Vendas da Granado, que apresentou detalhes do reposicionamento da empresa durante o Circuito Mundo do Marketing de Tendências e Oportunidades para Inovar.

Chegada ao varejo
Os resultados apareceram. Em 2014, a marca faturou R$ 380 milhões, com ebtida de 20%. O salto aconteceu principalmente após a abertura da primeira loja, em 2005, no Centro do Rio. Em uma década, já são 40 unidades próprias, além de uma fora do Brasil, operando em Paris, dentro do Le Bon Marché há dois anos. A presença na Europa teve como efeito não só a geração de receita como também uma maior valorização da marca por muitos brasileiros – que deixaram de enxergar a Granado apenas como a marca do talco antisséptico.

Os pontos de venda remetem à historia da companhia, que nasceu como farmácia, ainda com “ph” no lugar do “f”. A primeira loja conceito da Granado foi inaugurada em 2005, no primeiro endereço da farmácia, no Centro do Rio de Janeiro. Aproveitando o rico acervo que a família Granado deixou, os atuais gestores foram capazes de manter a alma da marca. Vitrines originais, balanças, propagandas de época, quadros e algumas embalagens centenárias ganharam destaque na decoração. A parede de tijolos de demolição e a iluminação quente e indireta criavam o ambiente das farmácias do século XIX.

Na entrada da loja, os clientes são recepcionados por uma mesa de manipulação, hoje usada para exposição de novidades, como cremes, loções e sabonetes. A composição dos produtos continua sendo um diferencial, por usar formulações ricas em ingredientes naturais. Os sabonetes, por exemplo, não são feitos à base de banha animal, como os de concorrentes, o que explica o preço superior. Todas as lojas Granado seguem esse mesmo conceito retrô. Os produtos também estão à venda em farmácias e supermercados.

Criação interna
Em um primeiro momento, temeu-se que os pontos próprios fizessem concorrência com as varejistas que já comercializavam os itens da marca. O posicionamento das lojas impediu que isso acontecesse, já que as unidades se especializaram na oferta de kits presenteáveis e diferenciados. Elas foram, na verdade, importantes para a valorização do portfólio, a percepção dos produtos como premium e chegaram a aumentar as vendas nos supermercados e nas farmácias. A meta da companhia é abrir seis novos PDVs por ano, número que foi superado em 2014, quando houve 12 inaugurações.

Acompanhando o crescimento de demanda, a Granado investiu em uma nova fábrica, já em operação desde o início deste ano. A estratégia da companhia é manter 99% dos projetos sendo realizados internamente, seja de produção ou de idealização das embalagens e vitrines. Para isso, conta com uma equipe própria de designers, responsável por pensar os produtos, os rótulos e o merchandising como um todo.

Já a estratégia de divulgação não inclui ações de publicidade tradicional, mas sim a parceria com estabelecimentos que estejam dentro do conceito da marca, como hotéis cinco estrelas e spas. “Vendemos produtos premium para a família, com qualidade e preço justo. Buscamos sempre estar um passo a frente em relação à legislação, para atender às demandas dos parceiros, muitos deles pertencentes a redes internacionais. Tiramos os parabenos da composição dos produtos, por exemplo, porque há suspeitas de que esses químicos possam ser cancerígenos”, explica Sissi.

Parcerias estratégicas
As parcerias com empresas ou mesmo com nomes da moda, da arte e da decoração são hoje um importante trunfo da marca, mas nem sempre foi fácil atraí-los. O reposicionamento e o trabalho consistente foram fundamentais para conquistá-los. “No princípio, as pessoas se perguntavam: vou fazer parceria com a marca do talco, mas agora isso mudou. As lojas foram fundamentais para essa nova imagem, inclusive a de Paris. Muitas portas se abriram quando as pessoas viram que éramos valorizados lá fora”, complementa Sissi.

A imagem e a percepção de valor mudaram, mas a identidade e a essência permaneceram a mesma, e esse é o segredo para o sucesso da Granado. “Criamos produtos para que eles durem mais 100 anos. Não seguimos uma moda, mas o DNA da marca. E perseguimos a qualidade a todo momento”, conclui Sissi.

Por Renata Leite, do Mundo do Marketing | 25/05/2015

http://www.mundodomarketing.com.br

As lições de Steve Jobs para o Marketing

Inovação, design, experiência e excelência nortearam o cofundador da Apple

As lições de Steve Jobs para o MarketingSteve Jobs reinventou o mercado de telefonia móvel com o iPhone, o de comunicação com o iPad, o de entretenimento com o Ipod e sua App Store, além da Pixar, criou uma experiência única com seus computadores pessoais e forjou um dos mais bem acabados modelos de negócios na Apple ao orientá-la pela inovação e pelo design. É daqueles visionários que transformam o mundo para sempre e que nos deixa muitas lições.

Todos os produtos de sucesso lançados enquanto Jobs dava as cartas ganharam vida a partir de um pensamento orientado pela simplicidade. Para muitos deles não havia sequer uma demanda latente, mas criaram desejos que beiram a doença. Filas de quase um dia inteiro para adquirir um produto são a prova disto. Steve Jobs mudou a forma de fazer Marketing no mundo. Ou fez uso da forma mais inteligente vista até então.

Jobs criou uma marca valiosa e principalmente amada e adorada por milhares de pessoas em todo o mundo. Desde então, não se fala mais em Branding sem citar o exemplo da maçã mordida. O líder aclamado pelas escolas de negócios do mundo inteiro e também por seus pares no terreno da tecnologia levou até o último nível o conceito que transforma os produtos em experiências. O varejo em experiência e um evento em algo esperado. Nenhuma loja no mundo vende mais por metro quadrado do que a Apple Store e nenhum evento na área de tecnologia chama mais atenção que os seus lançamentos de produtos.

Pense diferente
Pouquíssimas empresas no mundo conseguem transportar seus valores, seu DNA, sua essência e seu propósito de marca de forma tão tangível e sensitiva em seus produtos e em suas lojas. Isso porque é muito difícil encontrar exemplos como o de Steve Jobs. Como bem disse Barack Obama, Jobs foi “bravo o suficiente para pensar diferente, bravo o suficiente para achar que podia mudar o mundo e talentoso o suficiente para fazê-lo”.

Pensar diferente e ter coragem para mudar. Fácil no discurso, difícil na prática. Infelizmente, reservado a poucos profissionais e a poucas empresas. Digamos que Jobs teve muita facilidade em se diferenciar e criar produtos que se transformaram em sinônimos de categoria. Afinal, está tudo igual. A inovação é cada vez mais escassa. Poucos pensam diferente e têm coragem para mudar o status quo. Poucos têm a coragem de transformar um mercado. O mundo.

Mas só terá um Steve Jobs nos livros de história. O que chama atenção é que ele não inventou nada, “apenas” reinventou. Para isso, teve como meta nada menos que a excelência, como disseram os fundadores do Google. Não que seja uma tarefa menos árdua. Pelo contrário. Mas aqui também mora uma boa reflexão: a de que é possível transformar uma indústria pensando diferente e de forma simples. O mundo já está complexo demais. Difícil demais. Simplificar as coisas nunca foi tão urgente. E Jobs fez isso como ninguém nos últimos anos. É uma pena não tê-lo mais entre a gente para nos ajudar

http://www.mundodomarketing.com.br/editorialmateria.php?hi=27&materia=20936

Marketing viral e de emboscada são ferramentas da Guerrilha

Conheça as características destas ferramentas e como utilizá-las nesta entrevista com Gustavo Fortes, Diretor de Planejamento da Agência Espalhe

Por Thiago Terra, do Mundo do Marketing | 29/06/2007

Para provar que o Marketing de Guerrilha tem crescido no Brasil, o Diretor de Planejamento da Agência Espalhe, especializada neste segmento, Gustavo Fortes explica a essência deste meio que tem como lema não comprar mídia. O marketing de guerrilha é baseado literalmente no boca-a-boca gerado por pessoas após um evento, feiras ou grandes concentrações de pessoas.

O marketing viral, assim como o marketing de emboscada, são as mais utilizadas pelas empresas e alimenta cada vez mais a criatividade dos seus criadores. Nesta entrevista ao Mundo do Marketing, Fortes fala das ferramentas que utiliza para elaborar campanhas para marcas famosas ou novas.

Gustavo Fortes ressalta ainda a diferença entre o marketing de guerrilha e ações de pirataria, explicando que grandes empresas não perdem tempo e nem dinheiro com campanhas que possam gerar problemas judiciais ou arranhar a imagem construída de uma marca forte.

Estamos chegando perto dos jogos Pan-Americanos. As marcas que não são patrocinadoras do evento podem fazer marketing de guerrilha para aproveitar a repercussão do evento?
Sim. Isso pode ser feito através do marketing de emboscada. As empresas aproveitam grandes eventos e mobilizações, de forma absolutamente legal, para promover a sua imagem. É diferente de pirataria, que seria usar a marca do PAN 2007, por exemplo, em camisas sem ter o direito de fazer isso. Em Copa do Mundo, Olimpíadas, isto também acontece bastante. O marketing de guerrilha não compra mídia. Usamos o boca-a-boca. É muito importante pegar carona no assunto que as pessoas já estão falando. O PAN é um evento muito grande, importante para o Brasil, para o Rio de Janeiro e muitas marcas estão falando disso.

As marcas devem aproveitar de forma inteligente. Nas copas do mundo, a patrocinadora oficial sempre foi a Adidas. Depois de pesquisa global feita no mundial de 2006, as pessoas achavam que a patrocinadora oficial do evento era a Nike. Na copa de 1998, em Paris, você só via ações da Nike acontecendo em vários lugares. Ações inteligentes, legalizadas pela prefeitura, ações que fazem o público pensar que a Nike realmente é a patrocinadora da copa. Os patrocinadores oficiais, em minha opinião, desembolsam uma grana preta (US$ 45 milhões) e pensam: Pronto! Já estou patrocinando, tudo bem enquanto que a Nike faz essas ações, aparece muito mais, está mais próxima do cliente e as pessoas ficam com a percepção de que ela é a patrocinadora. Isto se chama marketing de emboscada.

O que você não recomenda para estas empresas que pensam em fazer o marketing de guerrilha?
O maior erro é a pirataria. Utilizar uma marca sem autorização legal, como o exemplo do PAN 2007. Não acho necessário fazer isso. Normalmente acontece com pequenos comércios, porque a pirataria as grandes empresas não fazem. Hoje, o espírito das conversas em qualquer esquina já está em torno de esportes e se você se associa a isso de alguma forma inteligente a sua marca vai ser lembrada.

Qualquer empresa pode fazer marketing de guerrilha? Qual deve ser o foco para seguir este caminho?
Quando se pensa em guerrilha, logo vem a imagem do Vietnã na cabeça das pessoas. Pensando em Vietnã, remete aos EUA. Daí vem à idéia de que eles tiveram que potencializar os poucos recursos que tinham, comparados com os EUA, e tiveram que encarar eles de frente. Assim, o marketing de guerrilha é feito mais por pequenas empresas. É feito pela lanchonete da esquina para brigar com a grande cadeia de fast-food, por motivos de sobrevivência. As empresas pequenas devem, sim, fazer o marketing de guerrilha por não ter muito dinheiro para gastar com a mídia, fazer grandes eventos, eles devem pensar de forma criativa. Por outro lado deve ser feito também por grandes empresas.

Existem muitas marcas brigando por atenção. As pessoas não estão mais olhando para os outdoors como antes. Por isso que a Nike faz marketing de guerrilha e de emboscada em eventos esportivos. Uma das marcas mais guerrilheiras que tem é o Google. Ela é uma das mais admiradas e importantes marcas do mundo segundo pesquisas e isso, sem fazer um anúncio. Eu nunca vi um anúncio do Google no jornal. Esta marca cresceu através do boca-a-boca. Tanto a empresa pequena deve fazer marketing de guerrilha para sobreviver, quanto a grande deve fazer para se destacar e ter atitude.

Uma empresa que está fazendo marketing de guerrilha inteligente, com atitude, é vista com mais importância do que aquela que só assinou um cheque e está aparecendo na placa de publicidade do campo de futebol. As empresas patrocinadoras deveriam se preocupar em fazer antes um marketing de guerrilha na rua, na internet, para chamar a atenção das pessoas.

Quais são as características do marketing de emboscada?
O marketing de emboscada se aproveita de grandes concentrações de pessoas, eventos e feiras. Uma determinada empresa queria participar de uma feira, mas não possuía verba necessária para estar em um dos stands. Nós negociamos com as pessoas no ponto de táxi, que ficava fora do pavilhão da feira e, assim, patrocinamos todos os carros, colocando o material da empresa dentro dos taxis, como capa de banco e uma leitura para os passageiros, direcionando para um site. Isto é um marketing de emboscada. É pensar em soluções com mais criatividade, relevância e atingir o público-alvo. Chamar a atenção para sua marca de forma diferente.

A guerrilha é a melhor forma de gerar o boca a boca? Quais outros meios podem ser utilizados?
Uma forma boa de gerar o boca-a-boca é pegar modelos famosas, caras, de preferência uma das Tops e colocar ela nua num outdoor ou numa capa de jornal, todo mundo vai ver, vai falar. Neste caso a empresa está pagando mídia e o cachê da modelo. E aí entra a questão, o quanto isso é relevante para sua marca realmente? Lembro que antigamente os comerciais da Hollywood, que passava no domingo, no intervalo do Fantástico, eram comentados por todos na escola na segunda-feira. Lembro porque mostrava esportes novos, desconhecidos do público. Isto acontece cada vez menos hoje em dia porque existe muita informação e as pessoas não comentam. Então, o que as marcas querem? Elas querem que as pessoas comentem e que falem dela.

Além da propaganda, que funciona, temos que fazer as pessoas falarem. Tem que estar em blogs e redes sociais. Isto é o marketing de guerrilha. O ideal é já estar na estratégia antes de lançar o produto, o que nem sempre é possível. Sem isto a marca fará outra campanha e estará jogando dinheiro fora. Tem que pensar em campanhas que farão as pessoas falarem. As marcas querem estender o seu nome além dos 30 segundos do comercial. A maioria delas já está pensando nisso. O foco é gerar interesse da mídia. Isto é estratégia de guerrilha, criatividade de guerrilha. […]

http://www.mundodomarketing.com.br/7,1459,marketing-viral-e-de-emboscada-sao-ferramentas-da-guerrilha.htm