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A incrível fábrica de lojas de chocolates!

Passada a páscoa, a indústria e o comércio divulgaram os resultados das suas vendas. Este ano elas aumentaram 1,29%, em comparação com a mesma data comemorativa do ano passado. Em 2018, as vendas recuaram 0,34%, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes e Lojistas (CNDL) e Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Este resultado é um alento para o varejo começar a dar sinais mais sólidos de recuperação, mas não o suficiente para a retomada ao patamar de crescimento anterior a recessão econômica. A Páscoa representa o primeiro grande evento de consumo do ano.

Os produtos mais procurados nesta Páscoa foram os tradicionais ovos de chocolates industrializados (61%), caixas de bombons (50%), ovos de páscoa artesanais e caseiros (38%), barras de chocolate industrializadas (33%) e artesanais (25%), colombas pascoais (13%) e bebidas, como vinho (13%).

Apesar do pequeno aumento nas vendas este ano, uma fabricante de chocolates tem demonstrado grande otimismo com o futuro do país, apostando num ousado projeto de expansão de grandes lojas em shopping centers – A Cacau Show Megastore.

Tudo iniciou em novembro de 2017, quando Alexandre Costa, fundador e presidente da Cacau Show, teve a iniciativa de montar uma loja dentro de sua imensa fábrica na cidade de Itapevi-SP, nas margens da Rodovia Castelo Branco. Mais que uma loja de fábrica, o projeto contemplava uma megastore de 2 mil metros quadrados que consumiu investimentos de 7 milhões de reais e com capacidade para receber até mil visitantes por dia. Mais da metade do espaço é ocupado por um miniparque temático, o Cacau Parque. Na entrada, um carrossel com sete metros de altura. Uma árvore e um urso falantes cumprimentam aqueles que chegam. Um vagão de trem se revela um cinema para dezesseis pessoas. As cadeiras se mexem e há simulação de neve. A experiência sensorial proporcionada ao consumidor encanta a todos. A loja fez tanto sucesso que despertou o interesse de expandir este conceito em outros cantos do Brasil.

Foi assim que em agosto de 2018, num espaço de 450m²e investimentos de R$ 2 milhões, dentro de um dos principais shoppings de São Paulo – o Morumbi Shopping, numa parceria com a Multiplan, foi inaugurada a segunda loja dentro do conceito iniciado na fábrica, agora adaptado para uma área menor, mas mantendo toda a magia e passando a experiência da marca para os consumidores de todas as idades. Nesta unidade, entre outras atrações, existe um palco de shows de jazz gratuitos. Um setor destinado aos produtos infantis hospeda um teatro de fantoches. Há ainda o chamado Cacau Lab, onde profissionais ensinam o público a fazer temperagem do chocolate e outros truques. Em algumas noites, Alexandre Costa dá aulas por lá.

Novamente o sucesso se repetiu e projetou a marca Cacau Show a um novo patamar, antes uma marca de apelo mais popular para uma certa premiunização, atraindo um público que antes não frequentava suas lojas. A partir daí, animados com a resposta do público, fecharam acordo com a rede de shoppings Multiplan para uma sequência de lojas e desde então vem inaugurando unidades numa velocidade impressionante.  Foram inauguradas lojas em São Caetano, Jundiaí, Porto Alegre, no Shopping Anália Franco na capital paulista e pretendem inaugurar outras 25 unidades nos próximos meses. A meta é abrir pelo menos uma megaloja em cada cidade de grande porte no país. No alvo estão shoppings que atendem as classes A e B.

A estratégia das megalojas segue a parte do projeto de expansão da Cacau Show. Hoje, a rede que completou 30 anos de existência recentemente, conta com 2200 pontos de vendas via franquias e pretendem chegar nos próximos anos a 4 mil unidades. No ano passado inauguraram 206 novos pontos de venda e a empresa faturou R$ 3,9 bilhões, 20% mais do que em 2017. A Cacau Show é a segunda marca de chocolate mais vendida no país, com 9,6% de participação de mercado.

A Cacau Show é ou não é uma incrível fábrica de abertura de lojas de chocolates?

Café Pelé reproduz capa do Estadão em embalagens de café

O segmento de cafés gourmet cresceu exponencialmente no Brasil nos últimos anos. Como resultado, as cafeterias viraram uma referência de alto padrão. Isso significa que nos supermercados brasileiros não seja possível encontrar café de alto padrão? A marca Café Pelé criou uma campanha para responder essa pergunta com uma negativa.

Nessa linha, a Lew’LaraTBWA criou a ação “Capa Pack”, que embalou cinco mil pacotes de café a vácuo com a capa do jornal O Estado de S. Paulo e no mesmo dia colocou-os em gôndolas nos principais supermercados de São Paulo. A ideia é mostrar que o produto é fresco e embalado diariamente.

Para confirmar que as notícias reproduzidas na embalagem eram as mesmas do jornal, exemplares do veículo estarão próximos das prateleiras. “A capa do jornal sempre foi utilizada como a principal referência de tempo. Com base nesse hábito, mostramos de forma criativa e autêntica que o Café Pelé é, comprovadamente fresco, pois é embalado diariamente”, conta Felipe Luchi, CCO da Lew’LaraTBWA.

Com o conceito “Capa Pack. Café Pelé prova que é fresco porque é embalado a vácuo diariamente”, a ação também será composta de filme, ativação com os principais leitores do jornal e interação nas redes sociais.

Ficha Técnica
Agência: Lew’LaraTBWA
Cliente: Cia Cacique de Café Solúvel
Produto: Café Pelé
Título: Capa Pack
CCO: Felipe Luchi
Diretores de Criação: Sthefan Ko e Gustavo Diehl
Criação: André Pallú e Fábio Santoro
Atendimento: Valentina Ursini, Maira Bandeira e Mariana Caruso
Planejamento: Renata d’Avila, Luciana Mussato, Maria Fernanda Haddad e Murilo Chagas
Mídia: Luiz Ritton, Eduardo Shinohara, Suellen Kiss, André Magalhães, Amanda Moura, Caroline Romano e Fabian Mattua
Art buyer: Ale Sarilho, Sabino e Caio Lobo
Produção gráfica: Marcos Pedra e Alessandro Coelho
RTV: Luzia Oliveira e Angela Felicio
Produtora de filme: Dinamo
Produtora de Som: Punch Audio
Diretor de cena: Pimenta Marcell
Fotografia: Sergio Bronze
Cliente: Rodrigo França e Tatiana Godoi

Redação Adnews – 08/04/2016

http://www.adnews.com.br/publicidade/cafe-pele-reproduz-capa-do-estadao-em-embalagens-de-cafe

8 conceitos-chave da NRF trazidos pela Gouvêa de Souza

Depois de anos o mercado ditando as tendências de consumo, mais do que nunca chegou o momento em que a luz se volta para o consumidor, que assume, definitivamente, o papel de protagonista no mundo dos negócios. Não adianta mais focar apenas em tecnologia e inovação, por exemplo, se não houver relacionamento. Influenciados pelos Millennials, pessoas que nasceram entre 1980 e 2000, indivíduos de todas as gerações estão mais exigentes e esperando que as marcas estejam alinhas com suas causas.

Esses são alguns insights apontados na 105ª edição da NRF Retail´s Big Show, que aconteceu em Nova Iorque em janeiro, trazidos pela consultoria GS&MD e apresentada no evento Pós Big Show, realizada no Rio de Janeiro. Veja os oitos conceitos apontados pelo Grupo Gouvêa de Souza, que são considerados “a essência do extrato da síntese” do que foi discutido no evento norte-americano.

1 – Personalização Massificada

A ideia de solução única ficou para trás. No atual cenário é fundamental customizar para atender o cliente mais exigente. O que antes era uma distinção do mercado de luxo, começa a surgir nos mercados massificados, afinal, independente da classe econômica, todos querem se sentir únicos. Esse processo tende a aumentar uma vez que é uma forte característica dos Millennials, que por estarem mais conectados e inteirados com tudo o que acontece no mundo querem ter uma experiência diferenciada e única.

O processo da indústria e do varejo na personalização de produtos para diferenciar e agregar valor não é novo e não precisa ser tão disruptivo. De maneira simples e utilizando uma caneta, por exemplo, a Starbucks há anos personaliza os copos de café com o nome do consumidor. “Este é um processo que começou há alguns anos, mas que a tecnologia e com o nível de informação que se tem sobre o consumidor voltou com muita ênfase”, comentou , durante o evento Pós Big Show 2016, realizado no Rio de Janeiro.

A loja de departamento Macy´s, nos Estados Unidos, criou um andar exclusivo focado nos Millennials. O local funciona como um laboratório e oferece experiências interativas para envolver os jovens consumidores, como a produção autoral de bijuterias por meio da impressão 3D. Marcas focadas neste público estão presentes oferecendo serviços incomuns. Uma delas é a Levi´s, que conta com uma impressora à laser que faz aplicações nas roupas, permitindo que qualquer pessoa tenha uma peça exclusiva. No mercado de luxo, a Louis Vuitton já oferece essa possibilidade há alguns anos, diferenciando as peças que contam com a icônico monograma. Mais recentemente, a marca criou um espaço na loja em Nova Iorque em que um artesão faz na hora tags de malas personalizadas com as iniciais desejadas. À cliente basta escolher o modelo.

2 – Mobilização

O comportamento do consumidor se transformou definitivamente nos últimos anos com a popularização dos smartphones. Da palma da mão é possível comprar, comparar preços, pesquisar recomendações, buscar a localização, promover e viver vários momentos em um, o que o Google definiu como micro momentos. O que está mudando o mundo dos negócios, passa a redefiní-los. Com tanto tempo dedicado à navegação na internet móvel, o celular passou a competir com as marcas a atenção do consumidor. Logo, como diz a máxima, se não pode vencê-los, junte-se a eles faz ainda mais sentido.

Com a incorporação do hábito, o mobile mudou a forma como consumidores e marcas se interagem e, por conta disso, não há mais como as empresas não o incluírem em suas ações. No Brasil, os m-commerces começam a ganhar cada vez mais força. No último trimestre de 2015, as compras pelo dispositivo móvel representaram 19% das transações, segundo a Criteo. “A telefonia móvel permite de maneira diferenciada o empoderamento do consumidor e proporciona um relacionamento jamais visto anteriormente”, pontuou Gouvêa de Souza.

3 – Premiunização

Com o mercado cada vez mais competitivo, a premiunização se faz necessária para que marcas e varejistas criem conceitos que mereçam uma rentabilidade maior por sua diferenciação. Agregar sofisticação aos produtos permite, inclusive, que as empresas pratiquem preços mais elevados e impactem consumidores que querem algo além do comum. A estratégia inspirada no mercado de luxo é aplicada constantemente em vários segmentos e muito bem vinda naqueles em que há crescimento econômico, como o atual momento vivido nos Estados Unidos, e pessoas dispostas a pagar mais caro para se distinguirem e se sentirem exclusivas.

Apesar do período de recessão, no Brasil algumas empresas também estão apostando nesta estratégia para se diferenciar. No primeiro semestre do ano passado, no auge da crise econômica, a Nestle lançou a linha Gelato para entrar no segmento de sorvetes premium. Com identidade visual sofisticada, o produto é destinado às classes A e B e tem um posicionamento bem definido, fazendo com que a novidade não concorra com a linha tradicional. Inicialmente disponível em quatro sabores, o novo produto ganhou duas novas versões no início de 2016, mostrando que a aposta está dando certo.

4 – Mentalização

Como os Millennials formam o grupo de pessoas que influenciam toda a cadeia, é fundamental que as marcas estejam bem alinhadas com o pensamento deles. Pelo menos dois conceitos que fazem parte do pensamento deste público não devem ser esquecidos pelas empresas: Alignment (alinhamento) e Commitment (comprometimento), responsáveis pela concepção do termo “mentalização”, uma derivação do sufixo ment. Como esses jovens estão mais preocupados com a experiência e com causas, as empresas devem se preocupar efetivamente com os seus propósitos. “Os Millennials não precisam de razões para comprar um produto ou consumir uma marca, eles precisam de uma causa com as quais possam se aliar e defende-la por meio das marcas e produtos”, reforçou o Diretor-geral da GS&MD.

Com esse consumidor mais engajado, as companhias deverão dedicar mais tempo pensando em seu papel na sociedade e menos com questões econômicas. Disseminar o motivo pelo qual uma empresa faz a diferença no mundo atribui valor ao negócio e reforça seus valores, o que agrada esse público mais inquieto, afinal, empresas sem propósitos são marcas sem alma, como mostra a reportagem do Mundo do Marketing

5 – Inspiração pelas histórias

Apesar de muito se falar em tecnologia e modernidade, o resgate histórico se faz cada vez mais necessário para envolver o consumidor emocionalmente. É; o storytelling ganhando cada vez mais força. “Quanto mais futuro se discute no presente, o passado é uma referência fundamental. A história do produto, das marcas do varejo emerge com uma força importante para criar respaldo e credibilidade”, comentou Marcos Gouvêa de Souza.

Mas não adianta a história pela história, é preciso que ela seja real para ter consistência e envolver o consumidor. Caso contrário, a tentativa pode causar sérios prejuízos à imagem da marca. No Brasil, por exemplo, a Diletto admitiu ter criado um passado em uma comercial de TV. O caso foi parar no Conar e sempre é lembrado como um erro na comunicação da empresa.

6 – Revitalização

Com o passado ganhando cada vez mais valor para os consumidores, a revitalização de itens que já foram sucesso surge como uma forte tendência. O movimento retrô pode ser visto no design, na comunicação visual, no merchandising e até mesmo no próprio produto. Ao buscar inspiração no passado, as marcas visam oferecer uma relação de conforto para os consumidores ao apostar na memória afetiva, mas isso nada tem a ver com saudosismo.

A revitalização alia elementos de referências do passado com a modernidade tecnológica embarcada. É; o caso dos novos toca-discos, que além de funcionar com os antigos long plays, conta ainda com bluetooth, saída USB, se conecta aos computadores e permite a digitalização do LP, é o vintage e o moderno caminhando em paralelo em um único produto. Esses produtos, em geral, trazem valores agregados, fazendo com que custem mais em relação aos produtos tradicionais, como a linha vintage de eletrodomésticos da Brastemp.

7- Millenização

Uma das principais características dos Millennials é a capacidade de influenciar pessoas de outras gerações, o que não quer dizer uma pasteurização do comportamento do consumidor, mas que os indivíduos são impactados por essa importante parte da sociedade, que está ocupando espaço cada vez maior no mercado. Essa transformação geracional acontece graças ao acesso à informação instantânea e móvel disponível por conta da internet. Atualmente, por exemplo, é possível ver idosos cada vez mais presentes nas redes sociais, onde buscam maior conexão com os familiares. Ao utilizar a plataforma, esse grupo de pessoas também será impactado pelas ações digitais das companhias.

Esse movimento exige das empresas um maior cuidado em seus posicionamentos, estratégias de Marketing e oferta de produtos e serviços a fim de impactar este grande público. É; preciso ter em mente que algumas fortes características dessa geração, como a valorização das referências dadas pelos amigos – em detrimento às oficias -, a percepção de que o mundo está a um passo e a preferência por viver experiência no lugar da compra. “A millenização transcendo o papel dos Millennials, porque ela implica na transformação de mercado inspirada por este grupo, que influencia também a geração Z e cria uma outra realidade totalmente distinta”, explicou Gouvêa de Souza.

8 – Ecossistemas competitivos

Em países mais maduros, a evolução da tecnologia está mais disseminada, existe maior acesso aos recursos e os consumidores estão mais empoderados. Este cenário mais competitivo faz com que companhias alinhem suas marcas criando sinergia em suas atuações, criando novas oportunidades de receita e reduzindo custos. “É; uma outra realidade que está emergindo com essa ideia da composição entre marcas, negócios, varejo, empresas para criarem alternativas para desenvolverem negócios juntos”, esclarece o executivo.

Essa nova relação faz com que todas as partes saiam ganhando, empresas e consumidores. Nos Estados Unidos, a Gap e a Virgin Hotels se uniram para oferecer um serviço diferenciado aos hóspedes após perceberem que uma das principais causas de aborrecimento entre eles era não ter roupas adequadas para um evento inesperado. Unindo plataformas on e off-line, na qual as pessoas podem escolher peças de roupas, a Gap deixa os itens no quarto dos hóspedes para que eles possam escolhê-los e o pagamento pode ser feito no próprio hotel. Uma simples oferta que está facilitando a rotina dos consumidores por meio da conveniência e fazendo com que as marcas ganhem novos clientes.

Por Roberta Moraes | 02/03/2016

http://www.mundodomarketing.com.br/reportagens/mercado/35675/8-conceitos-chave-da-nrf-trazidos-pela-gouvea-de-souza.html

Hamburguerias: a febre vai além da moda. Entenda por quê

Tradicional lanche se reinventa e aparece aliado a diversas tendências do mercado, como food trucks e premiumização, dando origem a empreendimentos especializados em todo o Brasil

Impulsionadas pelo crescimento de estabelecimentos especializados em um só produto, as hamburguerias vivem um momento de acelerada expansão. O segmento registrou alta de 575% na última década, em São Paulo, segundo levantamento da consultoria Instituto Gastronomia, que excluiu padarias e redes com cinco ou mais unidades do levantamento. Depois da febre do temaki, do frozen iogurte, da paleta, do cupcake e do brigadeiro gourmet, foi a vez dos tradicionais sanduíches de pão e carne ganharemm versões premiumizadas e caírem no gosto dos consumidores. Com um toque artesanal e ingredientes mais rebuscados, o sucesso desses estabelecimentos se devem também a outras tendências, que dão ainda mais fôlego a esse movimento.

Presentes no país desde a década de 1950, essas lojas sofreram diversos tipos de variação, indo desde os fast-foods até as lojas de bairro. Para se reinventar, muitos empreendedores estão apostando na segmentação para oferecer um produto diferenciado e com maior valor agregado. No último ano, o hambúrguer ganhou aspecto mais gourmet, com a inclusão de ingredientes requintados como trufas, diferentes tipos de pães, queijos e molhos especiais, além do preparo da proteína, que passou a contar com cortes de raças de bovinos que produzem carne com qualidade superior.

Essa mudança é retrato da própria visão do empreendedor de se adaptar ao mercado e sobreviver em meio à concorrência. “Não é de hoje que vemos hamburguerias. São Paulo mesmo é o reduto desse alimento. O que está acontecendo é que transformaram o velho sanduíche em algo mais imponente e relacionado aos costumes locais ou de época. Temos a questão de saudabilidade, por exemplo, e as pessoas justificam comer porque a carne é menos gordurosa e processada. Além disso, tem a questão das pessoas estarem se alimentando mais fora de casa”, afirma Antônio Carlos Morim, Coordenador do MBA da ESPM, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Hábitos dos consumidores
As refeições nas ruas, inclusive, têm registrado crescimento médio anual de 9% nos últimos anos, como mostra o estudo publicado no Mundo do Marketing Inteligência que traz desafios, tendências e oportunidades no food service. Mesmo com os cortes no orçamento familiar, devido à crise no país, a alimentação ainda é um dos poucos setores que continuam a vender. “Houve uma redução, mas aquelas empresas que se localizam em regiões em que há um fluxo maior de consumidores tendem a manter sua lucratividade. Se elas possuem esse diferencial do hambúrguer, que está em alta, o sucesso é grande”, conta Morim.

Um exemplo disso é o Beco do Hambúrguer, localizado no Centro do Rio de Janeiro, em meio ao fluxo comercial da cidade. Inaugurado em junho de 2014, o espaço está sempre cheio de clientes em busca do sanduíche gourmet que produzem. A carne Angus e a maionese exclusiva são alguns dos itens que fazem com que o local ganhe visitantes fiéis. O diferencial, no entanto, está em esse ser um restaurante atípico na área – que reúne, em sua maioria, self-services ou estabelecimentos com almoço executivo. A escolha do ponto, em um beco, em nada atrapalhou a visibilidade e foi o boca a boca que construiu a fama do local.

Para alcançar o crescimento e atrair os consumidores, o pensamento estratégico precisa ir além do cardápio e envolver a localização da loja. “Os food trucks de hambúrguer, por exemplo, estão fazendo sucesso porque são uma novidade e todo mundo quer experimentar. Além disso, a maioria dos locais que recebe esse tipo de evento está em shoppings ou grandes espaços ao ar livre, onde há intenso fluxo de pessoas. No Rio de Janeiro, já há um número considerável de abertura dessas lojas, o que torna difícil você ser exclusivo em uma região. No Nordeste, no entanto, ainda são poucos os estabelecimentos, o que aumenta as oportunidades de sucesso”, pondera Morim.

Brother’s BurguerNo centro das atenções
Ter expertise em negócios e oferecer sanduíches em um local que é tradicionalmente conhecido pela mídia foi a saída encontrada pelo Brother’s Burguer ao abrir sua primeira unidade. O espaço, no Shopping da Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro, é frequentado por artistas e celebridades e constantemente atraído pela imprensa. Os clientes, por sua vez, possuem alta influência em suas redes sociais. Uma postagem compartilhada por eles gera mais interesse em outros consumidores.

A imagem de local exclusivo, porém, não é trabalhada. Tanto é que uma filial em um shopping na Tijuca, Zona Norte, já está prestes a abrir as portas e outras estão previstas para o futuro. “Temos um produto interessante, que agrada a quem experimenta. Somos acessíveis e não seguimos a linha premium. Buscamos inovações no cardápio para sair da mesmice e gerar interesse no cliente em voltar ao restaurante. Corremos atrás de inspirações e não ficamos parados. Sabemos que o consumidor quer ser conquistado”, conta Guilherme Romano, sócio do Brother’s Burguer, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Para fidelizar os clientes, a empresa desenvolveu um aplicativo que soma pontos para serem trocados por hambúrguer – a cada 10 sanduíches consumidos, ganha-se um. O objetivo na iniciativa é ter os dados das pessoas para então poder elaborar futuras ações, como e-mail Marketing, brindes especiais por alguma data comemorativa ou envio de informativos sobre a loja.

A boa administração e maturidade do restaurante em pouco tempo atraiu o interesse de investidores e jovens empreendedores, o que acaba sendo comum nesses negócios que caem nas graças do mercado. “Atualmente, não temos interesse em abrir franquias, queremos construir lojas próprias aqui na cidade e nos estruturarmos. Desde que inauguramos, vi nascer muitos outros pontos do mesmo segmento. Vamos manter a solidez antes de expandir para outras localidades do Brasil”, afirma Romano.

Hareburger

Adaptação de mercado
Com uma visão diferente, o Hareburger optou por trabalhar com franqueados para expandir os negócios. No ramo desde 2006, quando o criador Rafael Krás passou a vender hambúrgueres vegetarianos na praia, a empresa deixou de lado as areias para abrir a primeira loja em Ipanema. Essa unidade original já não existe mais. Ela foi substituída por um ponto no Centro da capital carioca. Hoje em dia, a Zona Sul mantém uma loja, que é a primeira franquia da marca.

Entrar no ramo de hamburguerias oferecendo uma opção diferente da carne vermelha trouxe não apenas visibilidade e lucro, como também expertise no segmento de saudabilidade. “Desenvolvemos seis sabores diferentes sem conter proteína animal e isso atrai pessoas que nem mesmo são vegetarianas. Algumas querem apenas uma refeição mais saudável, algo que não dê culpa ao comer fora de casa”, conta Marco Leite, CEO do Hareburger, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A empresa pensa grande e já almeja encerrar 2016 com mais franquias no Rio de Janeiro e chegar a São Paulo. “Não temos medo de ingressar em um mercado com diversas opções. Entendemos que nosso posicionamento é diferente dos concorrentes. Não usamos carne e estamos longe do perfil gourmet, somos despojados e usamos uma linguagem divertida. Não quero que meu produto seja premium por preço, meu objetivo é atingir o maior número de pessoas. Somos imunes ao raio gourmetizador. Buscamos vender a um preço justo. Nesse ponto, há espaço no mercado”, afirma Marco.

Zacks

Futuro
Além das vendas dos hambúrgueres nos restaurantes, tanto a Hareburger quanto a Brother’s Burger estão entrando no ramo de catering, com atendimento em eventos. A saída é uma forma de manter as vendas e dar mais um gás ao empreendimento. “Estamos criando uma equipe especial para cuidar dessa parte, porque vem ganhando muita procura. As pessoas querem ter o hambúrguer em suas festas e buscam opções saborosas. No nosso caso, vendemos a versão baby, que é mais fácil de manusear e comer em pé, enquanto os participantes conversam”, conta o sócio do Brother’s Burger.

Oferecer alternativas para a sobrevivência da empresa e possuir uma visão a longo prazo permite que esses novos restaurantes se mantenham lado a lado com grandes redes. O Hareburger já começa a implantar o seu próprio food truck para circular pela cidade. Já a hamburgueria Zacks, até então conhecida por suas releituras de burgers em receitas incrementadas, espalhadas em 10 lojas entre Rio de Janeiro, Brasília e Fortaleza, decidiu expandir seus horizontes e dar início a uma nova marca: o Zacks Hot Dogs & Shakes.

Esse modelo de negócio viabiliza a entrada da empresa em pequenos espaços com alto fluxo de pessoas, como corredores de shoppings, centros comerciais, estações de metrô, escolas e universidades. Uma das principais vantagens é a simplicidade na operação e o baixo número de funcionários, além do custo operacional. A expansão será via franquias.

Essa alternativa também deve ser encarada pelas redes de fast-food, muitas vezes conhecidas pelo tradicional pão com carne. “Os consumidores estão mais exigentes e podemos ver isso na questão de sabor, saudabilidade, variedade, ponto de venda e apresentação. Haverá uma hora que, para não perder cliente, elas precisarão investir em carnes nobres e mudanças nos pratos. Reinventar-se é preciso. O The Fifties é conhecido por seu hambúrguer, mas também vende refeições e outros lanches. É preciso pensar que o hambúrguer já tem tradição. O algo mais a oferecer é que dará destaque ao seu negócio”, finaliza Antônio Carlos Morim.

Por Priscilla Oliveira | 24/08/2015

http://www.mundodomarketing.com.br/reportagens/mercado/34308/hamburguerias-a-febre-vai-alem-da-moda.html

Projeto de co-branding cria pipoca sabor paçoca

Co-branding entre as marcas Pipó e Amor lança novo sabor de paçoca (divugação)

Pipoca e paçoca são dois sabores que com certeza marcaram a infância de muitos brasileiros. As duas guloseimas podem agora ser saboreadas ao mesmo tempo.
A Pipó, marca de pipoca gourmet, fez uma parceria com a Arcor do Brasil para o lançamento da Pipó sabor Paçoca Amor.
A proposta do projeto de co-branding, segundo as empresas, é dar a sensação de que se está degustando uma paçoca crocante e relembrar os melhores momentos da infância.
Adriana Lotaif, empresária e idealizadora do projeto, comentou sobre a fusão: “A paçoca Amor é um produto tradicional, divertido e cheio de histórias que combina com a proposta da Pipó que é de sempre inovar os hábitos de consumo com sabores inesperados que despertam sentimentos como alegrias e lembranças. Esta parceria marca o início de uma nova fase da Pipó”.
O Snack será disponibilizado para venda a partir de junho. O produto possui 140 gramas e será vendido por R$ 30,00.
“A Paçoca Amor está há 50 anos no mercado brasileiro e é referência quando o assunto é doce de amendoim, sendo apreciado durante todo ano. Nos sentimos honrados por ser a primeira fabricante a realizar um co-branding com a marca Pipó, e temos certeza que essa parceria vem para concretizar nosso posicionamento”, finaliza Nicolas Seijas, gerente de marketing da Arcor do Brasil.
Redação Adnews – 12 de junho de 2015 · Atualizado às 11h00

7 estratégias de Marketing que se consolidaram em 2014

Na Era da internet, tudo muda muito rapidamente: o comportamento e as prioridades dos consumidores e, consequentemente, os desafios que surgem diante das empresas. Algumas estratégias tornaram-se peças chave para marcas inovarem na forma como lidam com seus clientes ao longo de 2014.  As ferramentas não são novas, mas se consolidaram, alcançando um número maior de companhias neste ano.

Os food trucks e drones rapidamente se espalharam por diversas cidades, dando mobilidade ao serviço de restaurantes e à entrega de produtos. Já a Copa do Mundo favoreceu os investimentos em Marketing esportivo. Durante o evento, as ações de Real Time Marketing, que comentavam os acontecimentos e os resultados dos jogos nas redes sociais, também ganharam força. Conheça mais dessas e de outras estratégias que ganharam corpo ao longo do ano, descritas em ordem aleatória.

Design Thinking
Nenhuma marca mais tem dúvida do poder que está nas mãos de consumidores, que não hesitam em ir ao Reclame Aqui e às redes sociais contar experiências ruins com produtos e serviços. Eles também já não estão mais satisfeitos em aceitar as ofertas de modo passivo, querem ter voz e poder de influência naquilo que compram. Muitas companhias perceberam na metodologia do Design Thinking um modo de tirar suas próprias verdades e demandas do centro para colocar o cliente nessa posição privilegiada.

Esse novo modelo mental de solução de problemas busca desconstruir todas as respostas que o mercado já dá aos desafios diários, vai a campo vivenciar o que realmente falta à experiência das pessoas e escolhe alternativas, que são prototipadas e testadas a todo o momento, para minimizar riscos. Todas as fases favorecem que o pensamento criativo aflore entre aqueles que foram escolhidos para desenvolverem o projeto, equipes essas que costumam e devem ser multidisciplinares. Positivo, Natura e Coca-Cola são algumas das empresas que já adotaram a metodologia em seus projetos.

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Marketing esportivo
O país do futebol sempre deixou muito a desejar quando o assunto é Marketing esportivo. Os investimentos ainda ficavam restritos à visibilidade da marca na camisa dos atletas e nas arenas esportivas. Mesmo com o pessimismo gerado pelo movimento do “não vai ter copa” surgido durante as manifestações de 2013, a realização do mundial no Brasil serviu de aprendizado para as empresas, tanto com ações que deram certo, quanto com outras que não se saíram tão bem assim.

No ranking das marcas mais associadas ao campeonato, organizado pela Hello Research, a Coca-Cola ocupou a liderança, seguida pela Nike, que não é patrocinadora do evento, mas da Seleção Brasileira. A marca de refrigerantes montou um ambiente com experiência sensorial a poucos metros de um dos portões do Maracanã, estádio do Rio de Janeiro, com imagens, essências e sons que remetiam ao torneio de futebol. A criação do espaço é da Plusmedia.

A Nike também investiu em um ambiente voltado para os amantes do futebol, a Casa Fenomenal. Os visitantes tinham a oportunidade de vivenciar experiências como calçar as recém-lançadas chuteiras de cano médio Magista e Mercurial Superfly, sendo desafiados por um painel digital a completar exercícios. Para demonstrar seu apoio à equipe, os visitantes tinham à disposição um estúdio fotográfico e a camisa canarinho, para que cada um pudesse tirar sua foto. O registro era enviado ao time de Felipão como forma de motivação.

Um ponto fraco das marcas em geral foi a lenta resposta, nas redes sociais, à derrota da Seleção para a Alemanha, por sete a um. Os aprendizados devem ser aplicados em 2016, quando as companhias voltarão a aproveitar o momento esportivo durante as Olimpíadas. Segundo especialistas, as patrocinadoras já deveriam ter iniciado as ações ainda este ano, logo após o fim da Copa, mas pouco ainda é visto no mercado.

Real Time Marketing
A Copa do Mundo favoreceu também os investimentos em Real Time Marketing. A Coca-Cola e o Itaú foram dois dos patrocinadores que montaram estruturas voltadas para as respostas rápidas e conversas nas redes sociais. Essas equipes precisaram lançar mão do improviso e da criatividade para aproveitar o timing dos comentários e o hábito multitela dos espectadores dos jogos.

A bola fora do jogador uruguaio Luís Suarez, que mordeu o zagueiro italiano Giorgio Chiellini durante o mundial, foi um prato cheio para marcas ao redor do mundo explorarem ações em tempo real, mesmo as que não tinham qualquer relação com o evento. A Negresco enviou uma caixa com várias unidades do biscoito para o jogador. O propósito era dar ao atleta outra opção mais gostosa para que ele pudesse morder nos quatro meses em que ficaria suspenso. Um vídeo elaborado pela Publicis Brasil mostrou o preparo de envio. Assista:

Drones
As pequenas aeronaves não tripuladas também se tornaram ferramentas de Marketing, sob controle de empresas, durante o ano de 2014. O termo drone, usualmente mencionado em discursos militares, foi parar no vocabulário corporativo. A Skol aproveitou a tecnologia para mostrar ao público imagens do carnaval registradas de um novo ângulo. A empresa utilizou o aviãozinho para captar momentos dos seis dias de folia em diversas cidades brasileiras.

Já a Tecnisa incluiu o uso de drones em suas obras para registrar o andamento das construções e oferecer aos clientes a possibilidade de acompanhar os trabalhos por meio de fotos e vídeos aéreos. A franquia de padaria drive-thru Pão To Go começou a testá-los no seu serviço de entrega. O pão francês e outros produtos chegaram à casa dos clientes por meio de aviões não tripulados comandados por controle remoto.

A camisaria Colombo, por sua vez, levou manequins para as alturas para divulgar as promoções da Black Friday. A marca promoveu um verdadeiro desfile de moda aéreo na Vila Olímpia, em São Paulo. Tanta adesão acabou chamando a atenção da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que é responsável por controlar o espaço aéreo. Ainda são poucos os drones que têm licença para voar e falta regulamentação para o uso das aeronaves. Assista ao resultado da ação da Colombo.

Food Truck
Já os food trucks receberam liberação para rodarem em São Paulo este ano e já tomaram a cidade com pratos gourmet. A nova legislação abriu caminho para as marcas apostarem nos restaurantes sobre rodas. Eles se assemelham à tradicional comida de rua apenas em sua localização. O cardápio reúne ingredientes premium e refeições reconhecidas da gastronomia de diversos países, indo do tradicional ceviche peruano, aos hambúrgueres gourmet, paellas e sanduíches espanhóis com ramón (presunto).

No Rio de Janeiro, ainda sem regulamentação específica, permanecem restritos a eventos especializados, localizados em áreas privadas, como o Planetário e estacionamentos de supermercados. Para impactar o público e atrair para a experimentação ainda no primeiro contato, os empreendedores adotam identidades visuais chamativas, inusitadas e alinhadas com os produtos vendidos. A ideia é que o carro, principal ativo da empresa, já sirva de divulgação por si só.

Inbound
Os investimentos em inbound Marketing também se consolidaram ao longo de 2014. A estratégia utiliza conteúdos explicativos e várias vezes didáticos para qualificar futuros clientes e identificar a melhor maneira de atingir cada público relacionado à empresa. Essa personalização da informação começa a substituir a abordagem conhecida como outbound Marketing, que foca em comunicação massiva.

Especialmente as pequenas e médias empresas, mas não só elas, enfrentam dificuldades na hora de prospectar clientes, buscando primordialmente as pessoas conhecidas – o que pode não ser suficiente para assegurar um projeto de expansão sólido. Há formas, entretanto, de atrair interessados nos produtos e serviços ofertados por meio da geração de conteúdo estratégico.

A Samba Tech, plataforma de gestão profissional de vídeos, reformulou seu processo de vendas no início deste ano e alcançou um crescimento de 80% na base de clientes e 40% na receita no primeiro semestre, se comparado ao mesmo período de 2013. A empresa trabalha agora para atrair leads qualificados e aumentar as conversões finais.

Mídia programática
Ao colocar relevância e performance em posição de destaque, a mídia programática deslanchou, ao longo de 2014, ao fazer com que peças apareçam no momento certo para o consumidor certo. O leilão de espaços publicitários virtuais já é conhecido tanto por anunciantes quanto agências e mostra-se atrativa na busca incessante por retorno sobre investimento (ROI).

A compra pautada em métricas permite às marcas alcançar os perfis mais suscetíveis às ofertas. Com a prática, surgiram novas siglas no vocabulário da área, como RTB, DSP e DMP. O primeiro, real-time bidding, ou compra em tempo real, denomina essa forma de adquirir os espaços nos leilões. Já demand-size platform (DSP) nomeia a plataforma que permite as compras por perfil e comportamento de usuário. E o data management platform (DMP) é responsável por reunir os dados de páginas e de audiências.
Essa venda programática ajudou a simplificar o operacional do digital, que sempre foi muito complexo. Numa única plataforma, passou a ser possível comprar e vender. Segundo previsão da empresa de pesquisa eMarketer, a adesão deve movimentar US$ 70 milhões até 2017.

Por Renata Leite, do Mundo do Marketing | 22/12/2014

http://www.mundodomarketing.com.br/reportagens/planejamento-estrategico/32497/7-estrategias-de-marketing-que-se-consolidaram-em-2014.html

Ben & Jerry’s no Brasil – um case de segmentação

Neste final de semana, foi inaugurada em São Paulo a 1ª unidade da formidável marca Ben & Jerry’s, possivelmente o principal destaque global no topo do mercado de sorvetes.

Antes de falar sobre Ben & Jerry’s especificamente, vale a pena comentar que o Brasil vive um longo período de expansão de diversificação e sofisticação do consumo de diversos alimentos e, sem dúvida nenhuma, isso ocorre no mercado de sorvetes.

Este mercado tem sido impulsionado pelo crescimento muito expressivo de poder aquisitivo e as mudanças de classes sociais, com 15 milhões a mais de habitantes nas classes A e B e quase 40 milhões a mais na classe C. Com isso, do sorvete mais básico ao mais elaborado e exclusivo, vemos ocorrer avanço muito expressivo do mercado.

Relembrando os principais movimentos e novidades dos últimos anos, citamos o “boom” dos milk shakes, seguidos das “iogurterias”, após isso, as sorveterias “gourmet” com origem ou procedência italianas especialmente, e, bem recentemente, as “paleterias”. Por mais que o ritmo de expansão destes produtos e formatos de negócio percam aceleração após algum tempo, é fato que se estabelecem e criam um mercado cada vez maior e mais complexo.

Esta diversificação e segmentação do mercado é irreversível se observarmos os mais diversos produtos e categorias; a população brasileira, em sua longa trajetória de inserção e desenvolvimento sócio-econômico é ávida e aberta ao que surja de novo, de forma geral.

Agora, falando sobre Ben & Jerry’s, o primeiro ponto a comentar é sua classificação como “super premium ice cream”. Ou seja, de partida, já sabemos que é um produto realmente diferenciado, a começar pelo produto em si – matérias-primas, processo de produção, formulação, embalagem, tipos especiais, etc.

Esta diferenciação, entretanto se estende por diversos outros elementos, destacando a fortíssima e efetiva atuação no campo de “marketing de causa”, o forte envolvimento com as comunidades locais, além das lojas próprias e onde distribui seus produtos.

Toda essa diferenciação, que faz de Ben & Jerry’s um dos mais importantes fenômenos do mercado mundial de sorvetes, se traduz necessariamente em 2 elementos: seu preço é também diferenciado (alto) e seu público-alvo idem.

O consumidor deste segmento é mais maduro, sem dúvida exigente, tem poder aquisitivo superior e, no caso de Ben & Jerry’s, se caracteriza por um engajamento superior em assuntos ligados a temas sociais, ambientais, etc. Resumo: é um produto de nicho.

Não se deve esperar que ele seja uma alternativa para os produtos convencionais, vendidos em larga escala nos supermercados, padarias e outras lojas de varejo tradicional e alimentos.

Se pensarmos isoladamente no produto, sem dúvida, o grande rival de Ben & Jerry’s é Haagen Dazs na arena dos “super premium ice cream”; é assim no mundo e será assim no Brasil também. Este é um mercado bastante segmentado e concentrado, onde há muitas barreiras de competição, como distribuição, gestão de marca, inovação, etc.

Ampliando um pouco mais a análise, podemos ver como um bloco secundário de competição as sorveterias “gourmet”, especialmente com origem ou apelo italiano, como Bacio di Latte entre várias outras.

Sem dúvida, o potencial de crescimento de Ben & Jerry’s vai muito além da loja “flagship” da Rua Oscar Freire (a maior do mundo da rede), mas jamais pode se imaginar ver a marca com uma presença intensa seja em termos de número de pontos-de-venda, seja em termos de penetração no consumidor; novamente, é um nicho de preço bem superior, o que diríamos limita o consumo a uma parcela da população que não chega a 5% dos brasileiros.

Como quase sempre ocorre, nos primeiros momentos da chegada da marca e da “novidade absoluta”, o impacto vai um pouco além disso, mas após os primeiros meses, a sustentação da presença de Ben & Jerry’s no Brasil certamente ocorrerá apenas no “topo da pirâmide”.

E esse é um movimento normal de acomodação; o que é crucial é a aderência à realidade do País e do consumidor, a consistência de todos os elementos do modelo e sua execução excelente. Estes três alicerces bem equilibrados gerarão o sucesso esperado e a sustentação na linha do tempo; o contrário disso é o que encontramos na raiz de marcas e negócios que não se perpetuam

Foodservice – 01 Out 2014

http://www.gsmd.com.br/pt/eventos/foodservice/ben-jerrys-no-brasil-um-case-de-segmentacao