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Eficiência no Digital: User Experience (UX) tem papel decisivo para marcas

No mundo contemporâneo, UX tornou-se indispensável na comunicação e nos negócios; área vem crescendo em agências. Saiba mais

O surgimento das tecnologias digitais trouxe impactos significativos sobre as formas de apresentar produtos e, num cenário supercompetitivo e difuso, nunca foi tão difícil atrair e manter a atenção do cliente diante da imensidão de marcas e itens disponíveis a apenas um clique. Além disso, se antes, os consumidores decidiam suas compras baseando-se no produto em si e numa quantidade limitada de informações, hoje os hábitos de consumo são muito mais complexos. Cada vez mais as novas gerações avaliam toda a experiência que têm com as marcas, estabelecendo com elas uma relação muito mais íntima e criteriosa. Nesse contexto, uma área tem ganhado um crescente destaque: o User Experience (UX).

User Experience (UX), que significa, literalmente, “a experiência do usuário”, um campo muito mais amplo do que apenas o relacionado a interfaces digitais, como explica Guilherme Andrade, Head de UX na agência Gotcha!.

“O User Experience vai muito além de desenvolver sites e funcionalidades, ele abrange toda uma pesquisa minuciosa, captando o máximo de dados possível, traçando todos os pontos de contato que o cliente tem com o produto e a marca, para realizar, assim, um diagnóstico completo dos problemas e apontamento das possíveis soluções”, explica Andrade.

Ou seja, o profissional de UX é responsável por analisar todas as interações que o usuário tem com o produto ou serviço, levantando todas as suas dificuldades e propondo ajustes e mudanças a fim de tornar a experiência do cliente tão prazerosa e satisfatória a ponto dele esquecer até o nome dos concorrentes. “Com um mapeamento preciso é possível entregar uma análise tão detalhada que, muitas vezes, o cliente muda até a percepção de seu modelo de negócio, pois recebe uma consultoria muito aprofundada. Hoje, o User Experience tem um papel estratégico e indispensável para qualquer empresa que deseja ter destaque e relevância no mercado”, aponta o UX designer.

Vivendo o dia a dia da empresa

Para desempenhar esse papel estratégico, Guilherme Andrade explica que na fase de mapeamento, muitas vezes, a equipe passa semanas imersa na empresa que está analisando, acompanhando o dia a dia de todas as operações e identificando todas as necessidades do usuário. Somente após esse período de análises, conhecido como Product Discovery, é que são propostas as melhores soluções para o negócio.

“Muitas vezes, pequenos ajustes além de gerar impactos positivos na experiência do usuário também resultam em redução de gastos desnecessários na empresa”, ressalta Andrade.

No entanto, como o Head de UX aponta, para obter esses resultados, é preciso uma grande sinergia entre diversas áreas, como Criação, Relações Públicas, entre outras. “Na Gotcha! temos o diferencial de conseguir entregar todos os pontos relacionados à UX dentro de um só escopo e orçamento, pois temos essa visão 360º, integrando todos os departamentos, o que proporciona um resultado muito mais alinhado aos objetivos de crescimento de uma empresa ou marca”, conclui.

Adnews – 14/06/21 – Eficiência no Digital: UX tem papel decisivo para marcas (adnews.com.br)

Em um mundo digital, qual o papel do varejo físico?

A paralisação das atividades econômicas e as novas regras de distanciamento social por conta da Covid-19 impõem uma reflexão inédita às lojas físicas de pequenos negócios e grandes redes de varejo.

E é à beira deste “divã comercial” que Ken Nisch trabalha. Há 25 anos, o americano atua como chairman da JGA, um dos mais importantes escritórios de arquitetura de varejo dos Estados Unidos.

Fundada em 1971, a companhia criou ambientes de varejo inovadores e divertidos para uma lista diversificada de clientes internacionais. Entre eles,  marcas como Hershey’s, H&M, Whole Foods e a brasileira Cacau Show.

Nisch, que não parou durante a pandemia, reflete sobre seus novos aprendizados“Se o cliente esperava conveniência 24 horas por dia, 7 dias por semana, agora ele espera comprometimento”, afirmou Nisch, em entrevista ao NeoFeed.

De acordo com ele, o varejo físico terá de pensar em novas formas de engajamento. “Quando um cliente vai às compras, sobretudo às presenciais, ele é mais intencional”, afirma Nisch. “É provável que gaste mais e tenha expectativa maiores do envolvimento, reconhecimento e experiência.”

Nisch também não vê um novo normal. “Olha, o que existe, ao meu ver, é a aceleração do que já era um caminho. Então, em vez de chamá-lo de novo normal, eu diria que é um normal acelerado.”

A entrevista acontece poucos dias antes de Nisch participar do Global Retail Show 2020,  evento online que acontece entre de 13 e 19 de setembro.

O evento deste ano irá discutir a retomada do varejo e o futuro do consumo na perspectiva global. São esperadas cerca de dez mil pessoas nas plenárias e sessões temáticas, que serão distribuídas em 67 painéis com mais de 280 palestrantes nacionais e internacionais.

Acompanhe os principais trechos da entrevista com Nisch:

Você acredita que a pandemia mudou o negócio do design?
Apesar das tragédias pessoais e privadas trazidas pela Covid-19, o lado bom dessa crise é a disrupção, o foco organizacional e a mudança de cultura que só ocorre quando velhos métodos, paradigmas e expectativas são desafiados. Não estou muito seguro de que o negócio do design mudou “para valer”, mas o approach e a responsabilidade para com ele, sim, está mudando. Fazer investimentos subjetivos, como parte de um “hábito” corporativo, esperando que as coisas mudem por si, não é mais suficiente.

Como o negócio do design pode ajudar empresas e empresários a vencer essa crise?
Pode ajudar de muitas maneiras. A parte mais óbvia e, infelizmente, menos empolgante, é mostrar que as organizações têm de ter empatia e estar comprometidas com o bem-estar e segurança de todos, começando pelo de suas próprias equipes que lidam com o cliente. Isso explica as novas soluções, como as retiradas de produtos onde antes não havia, as compras assistidas, os horários especiais para idosos. Todos demonstram que as organizações estão colocando seus clientes em primeiro lugar.

E de um ponto de vista mais estratégico?
Se o cliente esperava conveniência 24 horas por dia, 7 dias por semana, agora ele espera comprometimento 24 horas por dia, 7 dias por semana. E isso vale para pequenas atitudes, como ter horários reservados para compras privadas em casos de grupos de risco, ou criar ambientes dentro da loja que permitam engajamento seguro.

Como assim?
Como cafés e outros elementos da boa hospitalidade foram suspensos por conta das regras de distanciamento social, é preciso repensar novas formas de engajamento. Estamos usando o termo “broadcast shopping” para descrever essa abordagem. Exemplos disso seria a aplicação de melhores recursos para que os vendedores tenham ferramentas para interagir de forma mais eficiente com o cliente ou com a comunidade varejista.

E por falar em varejo, qual seria esse novo normal?
Olha, o que existe, ao meu ver, é a aceleração do que já era um caminho. Então, em vez de chamá-lo de novo normal, eu diria que é um normal acelerado. As nossas necessidades e os produtos que agora entendemos como essenciais mudaram nossa ida às compras.

Mudaram como?
Quando um cliente vai às compras, sobretudo às presenciais, ele é mais intencional. É provável que gaste mais e tenha expectativa maiores do envolvimento, reconhecimento e experiência. Os consumidores, pelo menos no curto prazo, ainda procuram se unir, ser sociais, mas provavelmente o farão de maneiras diferentes. Eles podem participar de degustação de vinhos virtuais e experiências culinárias que complementam as compras.

Você poderia dar um exemplo de como o design pode ser útil para ajudar um negócio, sobretudo em tempos de dificuldade?
Para uma grande empresa de luxo, do ramo da joalheria, com centenas de lojas, aplicamos a lógica do “mais longe, mais curto, diferente”. Nós os ajudamos a ‘pivotar’ áreas do negócio que poderiam alavancar seu inventário e recursos humanos, das vendas à produção. Por fim, auxiliamos no aprimoramento de sua marca digital para que complementasse o negócio físico.

Mas como exatamente fizeram isso?
Criando uma “sala de estar” dentro do escritório. Uma área que rapidamente se transformou num espaço de “broadcasting”, servindo como cenário para videoconferências e consultas virtuais. Também desenvolvemos um cantinho para “workshops” e experiências interpessoais que respeitem as regras de distanciamento.

O e-commerce viveu um boom nos últimos meses e muitos varejistas passaram a investir em ferramentas virtuais. Você acha que é errado pensar em operação online versus offline?
Nem todos os e-commerces cresceram. Alguns exemplos nos Estados Unidos de lojas de departamento e de luxo viram suas vendas online achatarem ou declinarem. Os maiores beneficiados, no começo da crise, foram os negócios que existem exclusivamente online, como a Amazon. Mas, no longo prazo, não acho que seja uma mudança de comportamento do consumidor, mas a aceleração do que já vinha acontecendo. Se essa evolução vai estabilizar ainda é uma questão em aberto. O que não é mais uma dúvida é que o cliente tem que se relacionar com a marca, em todos os canais e áreas.

Considerando que estamos no meio de uma crise global, que dica daria para aqueles que querem ou precisam renovar sua presença física?
Acho que “atualização” não é a melhor palavra, eu prefiro o termo “ativação”, que inclui estabelecer e reforçar o diálogo entre as operações online e offline. As dicas que eu daria, portanto, seria apostar no empoderamento da equipe, no relacionamento com o cliente e balizar tudo isso como uma jornada contínua de melhoramento. Não é, portanto, uma necessidade de renovar a presença física, mas reenergizar a interação com a marca, o que também passa, provavelmente, pelo espaço físico.

Com informações do porta NeoFeed – de Imprensa Mercado & Consumo – 7 de setembro de 2020 – https://mercadoeconsumo.com.br/2020/09/07/em-um-mundo-digital-qual-o-papel-do-varejo-fisico

RECon 2014 – O que vem por ai?

A Real Estate Convention – RECon 2014, que acontece tradicionalmente em maio e em Las Vegas, terminou há uma semana. Antecedendo esse, que é o maior evento da indústria de Shopping Centers, a GS&BW coordenou visitas técnicas realizadas pela Delegação Abrasce em shoppings localizados em Chicago e em Las Vegas. Foram oito dias intensos, debatendo e refletindo sobre o setor. Após essa imersão listamos cinco grandes tendências:

 

1) Shopping Center como Social Hubs:

No ano passado, no nosso Pós RECon, uma das lições que destacamos foi justamente a transição entre o velho centro de compras para o novo centro de conveniência e convivência . Essa mudança ganhou destaque na mídia no início desse ano quando Rick Caruso, CEO da Caruso Affiliated, discursou na Convenção da NRF – National Retail Federation, em Nova Iorque, sobre o Renascimento dos Shoppings. Suas palavras reafirmaram o que expusemos, quase um ano antes, ou seja, que o “Shopping Center” não é mais como era no passado. Mais do que apenas um templo de consumo, os Shoppings consolidam sua nova vocação de um lugar onde pessoas vão encontrar-se, divertir-se, socializar e até comprar. Por isso, áreas infantis, como as do Shopping Old Orchard, da Westfield, em Chicago, que possui também espaço para que pessoas e empresas promovam churrascos em seus corredores abertos, ou anfiteatros para apresentações de música e teatro, como o do Promenade Bolingbrook, também em Chicago, e os já tradicionais lounges, encontrados hoje em toda parte, ganham importância cada vez maior. A melhor expressão para definir Essa tendência, que veio para ficar, pode ser definida como a migração do “Shopping Center” (centro de compras) para “Social Hub” (polo social).

 

2) Novas âncoras e atrações:

Como consequência desse novo conceito de shopping, os empreendimentos buscam novas âncoras e atrações, voltadas para áreas como entretenimento, gastronomia e moda. Hoje em dia restaurantes são também fortes âncoras. Se no passado nossos shoppings possuíam apenas praças de alimentação, repletas de operações de comida rápida, hoje dificilmente abrimos sem ter bons restaurantes no mix. A diversão também deve ter espaço garantido. Um exemplo dessa tendência é o recém inaugurado The LINQ, shopping aberto que visitamos em Las Vegas e que é ancorado por uma roda gigante. É isso mesmo – a maior atração desse mall é a High Roller, a maior roda gigante do mundo, o que prova que de fato o entretenimento ganha cada vez maior importância na composição do tenant mix.

Do mesmo modo as lojas físicas passam a alterar um pouco a sua configuração, também adquirindo aspectos relacionados com a experiência no ponto de venda. Em visita ao Oakbrook, shopping da GGP em Chicago, tivemos mais um exemplo dessa mudança: a maravilhosa loja Pirch, que promove experiências sensoriais e educativas. Imagine que no seu interior existe um espaço denominado “o santuário”, uma área que tem sauna, chuveiro e pode ser mesmo considerado um grande santuário de relaxamento. Os consumidores podem inclusive agendar um horário para tomar uma chuveirada ou usar a sauna dentro da própria loja! Não só como uma forma de experimentar o produto, mas também de viver uma experiência no interior da Pirch. Outro ponto importante, dentro dessa mesma lição, são as atrações oferecidas pelos shoppings como, por exemplo, a fantástica passarela que emerge do chão e torna-se cenário de desfiles de modas das lojas do Fashion Show, em Las Vegas (GGP). De um lado os desfiles evidenciam o lado fashion do mix e de um outro apoiam os lojistas no esforço para apresentar suas novidades. Tendo como cenário a primeira tendência, já consolidada, do shopping como social hub, ter um tenant mix e atrações que conversem com o novo consumidor tornou-se vital.

 

3) Valor agregado por meio de serviços:

A conveniência é algo bastante valorizado pelos consumidores cada vez mais atarefados. De olho nessa tendência, os shoppings começam a oferecer uma ampla variedade de serviços para seus clientes. O SameDay Delivery, que conhecemos no Oakbrook, é um bom exemplo desse movimento. O shopping leva no mesmo dia, no domicílio dos clientes, compras feitas em lojas selecionadas, por um custo de US$ 5 cada entrega. A tendência no futuro é que o SameDay também permita que compras feitas na internet sejam retiradas pelos próprios consumidores nas lojas do shopping. Hoje, nove shoppings da GGP adotaram o serviço, que é operado pela Deliv, uma empresa constituída em parceria com a Simon e a Macerich, que são concorrentes da GGP. Falando em delivery o Fashion Outlet também investe em serviços, como o despacho de bagagens e o check in de passageiros que pretendem embarcar no aeroporto de Chicago, que fica logo ali ao lado do shopping. Os concierges são outra tendência – no The LINQ o confortável espaço para clientes oferece água gelada a quem pedir, sem cobrar nada por isso, o que no calor do deserto de Nevada é uma grande vantagem.

 

4)Design:

A arquitetura e o design continuam sendo utilizados como elementos diferenciadores dos shoppings centers. Prova disso é o surpreendente Fashion Outlet, em Chicago, que combina barganhas, moda e arte de uma forma inovadora e significativa. Nesse shopping da Macerich destaca-se o projeto “The Arts Initiative”, um coletivo dedicado à colocação de arte visual altamente interativa em locais públicos, que selecionou 10 artistas contemporâneos, reconhecidos internacionalmente, para decorar o mall em sua inauguração. Esse projeto é fruto de uma parceria, de longo prazo, que continuará a enriquecer e dar movimento ao Fashion Outlet, integrando ideias conduzidas por artistas e obras de arte contemporânea de uma forma que visa redefinir os espaços de arte pública para os próximos anos. Outro exemplo magnífico de design como elemento diferenciador foi visto pela Delegação no Crystals, shopping de luxo em Las Vegas onde tudo é feito com extremo bom gosto, da iluminação ao paisagismo, passando pela fachada em forma de cristal, as escadas e os banheiros. Cuidados menores e mais simples também foram observados durante a visita ao “Shops at North Bridge”, da Macerich, em Chicago, onde o design é explorado até para anunciar obras com uma linguagem de moda.

   

5)Diversidade de formatos:

Em 2013, após visitarmos shoppings em Los Angeles, fechamos a nossa grande discussão com uma dúvida que pairava no ar: qual seria o formato de shopping ideal? Após visitarmos centros abertos e tradicionais, não chegamos à um consenso sobre essa questão. Nesse ano ficou clara a grande verdade – não há um formato dominante que seja adequado a todos os mercados. O Water Tower Place, em Chicago, mesmo sendo um shopping vertical, com 8 pisos, é bem sucedido e possui clientes em todos os andares, porque está localizado em uma região central da cidade. O Fashion Outlet difere do formato tradicional dos outlets e possui a arquitetura de um shopping fechado e mesmo assim funciona muito bem. Já o North Bridge é na verdade um complexo de seis prédios, distribuídos por quatro quarteirões e separados por ruas, com operações que se complementam de maneira sinérgica. A resposta enfim parece ser – o melhor formato é aquele mais relevante para o local em que o shopping está instalado.

Apesar das enormes diferenças entre os mercados brasileiro e americano, não temos dúvida de que essas cinco tendências também estão desembarcando no Brasil. Conhece-las e tropicalizá-las será tarefa essencial para quem estiver empenhado em diferenciar seu empreendimento neste cada vez mais concorrido setor dos shopping centers. Para terminar, um recado aos que acreditaram nas precoces notícias da morte dos shoppings nos Estados Unidos – a maior parte deles está viva e muito bem de saúde, diga-se de passagem.

 

 Janice Mendes (janice@gsbw.com.br), gerente da GS&BW.

http://www.gsmd.com.br/pt/eventos/shopping-centers-20130422-150547/recon-2014-o-que-vem-por-ai

5 tendências para o segmento de shopping centers

 

É de se espantar que, décadas atrás, os shopping centers tenham se questionado quanto aos ganhos de se inserir salas de cinema nos empreendimentos. Na época, muitos lojistas e gestores pensavam que poderia ser um desperdício disponibilizar uma vaga do estacionamento por algumas horas para uma pessoa que permaneceria durante esse tempo sentada diante de um telão sem comprar nada. Hoje, no entanto, o pensamento se inverteu. Cada vez mais os centros comerciais percebem as vendas como consequência de uma experiência muito mais abrangente.

Esse movimento é resultado de uma mudança no comportamento do consumidor, que deixou de enxergar os shopping centers como um simples conjunto de vitrines e ofertas. Os empreendimentos se tornaram importantes espaços de convivência. O público procura esses locais para trabalhar, se encontrar com amigos, comer, se divertir e, por que não, comprar. A primeira tendência apontada nas palestras do Recon 2014 – evento mundial do segmento que aconteceu entre os dias 13 e 22 deste mês em Chicago e Las Vegas, nos Estados Unidos – refere-se à necessidade de se contar com bares, restaurantes gourmet e entretenimento para se conquistar clientes.

São justamente esses atrativos que mantém o público por mais tempo dentro do empreendimento. “A expressão Shoppping Center, em sua tradução literal de centro de compras, já não representa mais o que realmente são esses espaços. Eles são hoje um social hub, um local procurado pelas pessoas para socialização, onde elas querem passar bons momentos, se distrair e ver as novidades. Isso está levando mudanças grandes para a arquitetura, o mix de lojas e a conveniência que os shoppings oferecem aos consumidores”, explica Luiz Alberto Marinho, Sócio-Diretor da GS&BW, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Novos formatos
O especialista participará do evento Pós-Recon, organizado pela consultoria, na próxima quinta-feira, dia 29 de maio, em São Paulo. Lá, ele contará o que viu nos Estados Unidos, onde, ainda mais do que aqui, os shoppings se aparelham com áreas de descanso, restaurantes e espaços de entretenimento para receber as pessoas com mais comodidade e serviço. “A intenção é de que elas fiquem por mais tempo dentro do empreendimento e consequentemente acabem comprando”, resume Marinho.

A segunda tendência já clara nos Estados Unidos e em mercados mais maduros é a diversificação dos formatos de shoppings. Ganharam espaço nos últimos anos os modelos de vizinhança, os outlets e empreendimentos temáticos, focados em determinados segmentos de consumo. Há também os shoppings ancorados por conjuntos residenciais e aqueles que mesclam lojas tradicionais com escritórios de empresas, os chamados multiuso.

O destaque no Brasil ainda são os shoppings tradicionais, que respondem por 83% do total de centros comerciais, mas já existe um movimento que aponta para mudanças nesse perfil. Os novos empreendimentos estão sendo construídos de modo a aproveitar o potencial da combinação de vocações em um único lugar. Um exemplo é o Palladium Shopping Center, localizado em Curitiba, no Paraná. Inaugurado em 2008, o espaço com 182.400 metros quadrados e três pavimentos é ligado a prédios comerciais por uma entrada localizada dentro do centro comercial.

No lugar das praças
O ponto de encontro conta, por exemplo, com uma área administrativa do Banco do Brasil e com laboratórios médicos. “O Palladium já foi projetado no conceito multiuso. Não é só um centro de compras. Hoje, as pessoas não precisam ir a um shopping necessariamente para comprar. Existe uma relação com a falta de espaços comuns nas cidades, como as praças, que não têm conforto, nem segurança, atributos que passaram a ser oferecidos pelos shoppings”, pontua Maria Aparecida de Oliveira, Gerende de Marketing do Palladium Shopping Center, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Surge, nesse contexto, a terceira tendência de novas atrações cumprirem o papel de âncoras nos centros comerciais, dividindo essa função com as tradicionais grandes lojas de departamento e com as marcas fortes. No Palladium, um curso de inglês é um dos responsáveis por grande parte do fluxo de clientes no estabelecimento. Além dos próprios alunos, ele atrai para o local os pais, que muitas vezes ficam aguardando o término da aula caminhando pelos corredores e, adivinha, comprando.

Ofertas de entretenimento também ganham destaque. O Shopping The Linq, em Las Vegas, é ancorado por uma roda gigante. Do alto dela, é possível admirar a vista panorâmica de boa parte da cidade. Seguindo essas tendências, as lojas também investem em experiências diferenciadas, oferecendo serviços os mais inusitados.

Valor do design
A quarta tendência é o investimento em design. Já não basta ter um grande bloco de concreto com diversas marcas dentro para satisfazer o consumidor. Ele está atrás de um ambiente agradável, diferenciado e confortável. “Já existem shoppings decorados com obras de arte e que investem em arquitetura, com atenção para a iluminação e os jardins. Num primeiro momento, chegou-se a pensar que os estabelecimentos fechados iriam acabar, permanecendo apenas os abertos, mas hoje vemos que a arquitetura dos shoppings não tem um modelo único. Ela precisa apenas se adequar ao público-alvo”, ressalta Marinho, da GS&BW.

O Pátio Savassi, em Belo Horizonte, foi construído há 10 anos com áreas abertas, o que influencia sua vocação. O estabelecimento é hoje muito procurado por jovens e conta com cafés em todos os pisos, incentivando a reunião de amigos. “Estarmos num polo cultural nos levou a nos apropriarmos da questão. Temos um anfiteatro no shopping e fazemos diversos eventos com música. Eles são importantes para trazer a família e criar vínculos com os clientes”, relata Rejane Duarte, Gerente de Marketing do Pátio Savassi, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A oferta crescente de serviços nos shoppings, sejam eles culturais ou não, é a quinta tendência percebida no mercado. As praças de alimentação ganharam importância nos empreendimentos, ao longo dos anos, da mesma forma que itens hoje indispensáveis, como estacionamento amplo e coberto, fraldário e espaço para amamentação. Ambientes voltados para crianças também se tornaram fundamentais para distrair os pequenos enquanto os pais vão às compras.

Desconto no estacionamento
Oferecer diferenciais no serviço é tão importante a ponto de alguns estabelecimentos abrirem mão de parte de receitas importantes para isso. Para estimular a ida de clientes ao Shopping Grande Rio, no Rio de Janeiro, na hora do almoço, o empreendimento reduziu o valor do estacionamento no período. Quem for ao local e consumir no mínimo R$ 15,00 em lojas participantes do segmento de alimentação pagará apenas R$ 3,00 na tarifa. A ação é válida de segunda a sexta-feira, das 12h às 15h (exceto aos feriados).

O mercado brasileiro, embora já esteja atento à maioria dessas tendências, ainda engatinha se comparado com a realidade de países como os Estados Unidos, onde já existem mais de 100 mil shoppings, ante os nossos cerca de 500 daqui. “Lá, esse segmento vem se desenvolvendo desde 1922, enquanto nós temos apenas 45 anos de centros comerciais. Ainda temos um espaço enorme para crescimento e veremos muitos novos empreendimentos serem abertos”, analisa Marinho.

Nos últimos anos, o país assistiu a um movimento de expansão das redes e de lançamento de novas unidades em áreas mais remotas, distantes do tradicional eixo Rio-São Paulo. “Estamos vivendo um momento interessante de democratização e expansão para outras cidades. Eu mesmo estive em Roraima, Sobral, Macapá, Porto Velho. É bom ver as mudanças que os shoppings estão levando para essas regiões. Vi recentemente, por exemplo, um Shopping de Alagoas levar o primeiro McDonald’s para a cidade”, lembra Marinho

Por Renata Leite, do Mundo do Marketing | 28/05/2014

http://www.mundodomarketing.com.br/reportagens/comportamento-do-consumidor/30806/5-tendencias-para-o-segmento-de-shopping-centers.html?utm_source=mail2easy&utm_medium=e-mail&utm_campaign=Newsletter+Dia

 

O redesenho do design no varejo

tempo está rodando em velocidade ainda maior. Em especial no consumo e no varejo. Como resultado de transformações estruturais que têm como epicentro o empoderado neoconsumidor, a sociedade, as organizações, as marcas, os produtos, os serviços e o varejo se defrontam com o desafio crescente de buscar caminhos para se antecipar ou, no mínimo, acompanhar essa evolução, criando alternativas para satisfazer um consumidor cada vez mais satisfeito e, consequentemente, mais difícil de ser positivamente surpreendido por algo absolutamente inovador.

No desenho dos elementos que podem contribuir na busca de soluções a tecnologia é, em suas múltiplas e diversificadas opções,  o elemento que pode gerar o maior número de possibilidades pelo alcance quase inesgotável de alternativas.

No plano das alternativas racionais  muito tem sido feito e oferecido variando dos sistemas de mensuração e controle para maximização de resultados, passando pelo recém ampliado universo do Big Data, e chegando na gestão de preços em tempo real. O céu é o limite mas quase tudo converge para o enfrentamento do desafio de uma quase inexorável pressão crescente sobre a rentabilidade.

No plano emocional ocorre a busca incessante por caminhos que possam reduzir o grau de racionalidade no processo decisório no comportamento cada vez mais pragmático, tornando-o mais emotivo e sensível, permitindo que decisões de compra e consumo sejam guiadas por outros níveis de gratificação que possam “descomoditizar” produtos, marcas, lojas e serviços.

Nesse caminho o Design de Varejo tem seu papel ampliado e potencializado pois pode contribuir decisivamente para criar um outro cenário e ambiente para negócios. Mas, também, porque não, contribuir para o processo de racionalização de processos e atividades nos pontos de vendas, como parte do chamado Design Funcional. A missão do design no varejo se torna crescentemente mais desafiadora.

Se existem novos recursos sendo disponibilizados, em especial na área da tecnologia no ponto de venda, de outro lado as pessoas têm cada vez menos tempo e estão mais ligadas e sendo inundadas de informações e conexões que contribuem para mudanças constantes em suas percepções, opiniões e decisões.

Das inovações marcantes das lojas despojadas e funcionais da Apple em todo o mundo mas também presente na loja do Rio de Janeiro, aos espaços interativos das lojas de artigos esportivos como a da Asics em Londres, passando pelas novas soluções em restaurantes e lojas de alimentação, como a recém inaugurada Eataly em Chicago ou as propostas diferenciadas das lojas Havaianas, Riachuelo e Chilli Beans na Oscar Freire em São Paulo, existe uma efervescência criativa na busca de novas respostas para novos desafios.

Criar espaços, modelos, alternativas que gerem um apelo mais emocional “desligando” o consumidor do ambiente hiper-conectado para buscar uma conexão diferenciada, induzindo um comportamento menos racional, se torna a cada momento uma missão mais difícil.

Por conta disso artistas, designers, pesquisadores e provedores de soluções dedicam-se continuamente a monitorar tendências e buscar alternativas para gerar essas conexões mágicas que possam elevar o nível de gratificação desse consumidor.

E parte do trabalho é reunir tudo o que tem sido feito em formatos e layout de lojas, decoração, comunicação visual, embalagem, sites, comunicação promocional, uniformes, equipamentos, instalações, produtos e marcas para observar aceitação e adesão para identificar preferencias e possibilidades que possam gerar novas alternativas para envolver e encantar o consumidor.

Uma espiral desafiadora de criatividade e funcionalidade visando constantemente redesenhar o design de varejo. Eis a missão.

Marcos Gouvêa de Souza (mgsouza@gsmd.com.br) diretor-geral da GS&MD – Gouvêa de Souza.

26/05/2014 – http://www.gsmd.com.br/pt/eventos/momentum/o-redesenho-do-design-no-varejo

As novas dimensões do design de varejo

Para o leigo, o design envolve as questões que dizem respeito à plástica e à forma dos objetos e, de uma forma um pouco mais ambiciosa, as soluções encontradas em outras áreas que permitem expressão de criatividade, tais como lojas, layout, embalagens e algo mais.

 Para os experts, o design invade todas as alternativas de manifestação humana através das formas, sem limites ou fronteiras, dentro de uma concepção aberta que inclui também aquelas que envolvem a dimensão digital.

No plano mais pragmático, o design cruzou muitas fronteiras estabelecidas em sua concepção original, a fim de entrar nos mais diversos campos para propor e encontrar respostas a questões que envolvem a atração que a forma pode dar para todo um universo de manifestações, que vão da pura arte aos mais racionais negócios.

Poucas áreas se tornaram tão relevantes no varejo nos últimos anos como o design, de forma abrangente e ambiciosa, para repensar produtos, espaços, embalagens, elementos de comunicação e relacionamento num cenário crescentemente desafiador para disputar a atenção e o interesse do consumidor em todos os segmentos de mercado. Um consumidor quase que asfixiado por um volume sem precedentes de mensagens e propostas, que só tendem a crescer.

No universo do varejo atual o desafio da reinvenção do ponto de venda pressionado pelo desejo de consumidores hiperconvenientes, com a alternativa do uso do ecommerce a qualquer hora e em qualquer lugar, cria um novo cenário onde a loja pode se transformar em ambiente de compras, experiências, educação, informação, relacionamento, soluções ou também na comercialização de serviços. Ou a loja que se transforma numa manifestação pop com dia e hora para começar e acabar, como atualmente faz a Target na Grand Central Station em Nova York. Ou num mural numa estação de metrô, na Coréia do Sul, onde foi feito o primeiro experimento pela Tesco, onde o cliente compra com o celular e o produto é entregue diretamente.

Tudo num cenário de rápidas criações, mudanças, recriações visando captar a atenção do neoconsumidor, digital, multicanal e global.

Num passado não muito distante o “prazo de validade” de uma loja era de 6 ou 7 anos e esse período está se reduzindo cada vez mais pressionado por essa ambição do novo, envolvente, único e distinto que o cenário digital só faz aumentar.

É nesse contexto que se propõe a discussão de todas essas transformações e sua realidade mais tangível na conversão de conceitos à realidade pragmática dos resultados.

O design não está a serviço de sua própria causa, mas sim para alavancar e maximizar resultados esperados, sejam eles quais forem.

A discussão fundamental, no plano de negócios, está na visão do design no plano mais ambicioso de mesclar o vetor pragmático e objetivo dos resultados nas mais diversas formas de varejo com a sua dimensão mais artística e intelectual como expressão de criatividade.

E isso é a arte dos negócios criando soluções e mesclando, virtuosamente, arte com negócios.

 

Fonte: Marcos Gouvêa de Souza (mgsouza@gsmd.com.br) diretor-geral da GS&MD – Gouvêa de Souza.

Momentum – 12 Mai 2013 – http://www.gsmd.com.br/pt/artigos/momentum/as-novas-dimensoes-do-design-de-varejo