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A relevância do ESG no fortalecimento do engajamento e consumo

 sociedade atual, principalmente a parcela mais jovem, tem uma forte questão sobre o impacto que o consumo causa no planeta, seja no ambiente, seja no comportamental das pessoas. Essas mudanças na visão do consumidor vieram para ficar e pressionam os negócios a se reinventarem. Cresce a pressão para que empresas adotem uma posição clara a respeito desses temas.

Nesse contexto, as métricas do critério ESG, que abrangem as melhores práticas de empresas nos componentes Ambiental, Social e de Governança (Environmental, Social and Governance, em inglês) passam a ser um assunto fortemente relevante.

Empresas com posicionamentos coesos e transparentes em ESG alavancam sua reputação, pois suprem necessidades requeridas pela sociedade, consumidores, funcionários e gestores acerca do impacto positivo. São métricas críticas para o sucesso atual e futuro, pois a tendência é de crescimento para essas demandas.

Além disso, o olhar de investidores também se torna mais atrativo. Negócios com boas práticas nesses campos tendem a ser investimentos mais seguros, com possibilidade de retorno mais duradouros, uma vez que estão alinhados com compromissos relevantes de tendências sociais e de consumo, contribuindo para uma avaliação financeira, de risco e de perenidade mais positivas.

Contudo, apesar de vários movimentos assertivos de muitas empresas em ESG, ainda estamos no início da transformação e distantes do desejado pela sociedade.

Frequentemente acompanhamos em estudos de mercado realizados para diversas categorias um ponto de dor recorrente dos consumidores: a crítica sobre ausência ou baixa relevância de ações sociais e ambientais realizadas pelas marcas com as quais convivem.

Pautam que muitas marcas “comunicam”, mas na prática não fazem nada; ou fazem ações que ninguém fica sabendo ou que não importantes; ou que apenas realizam ações pontuais, esporádicas, sendo que a demanda é por algo verdadeiramente transformador, de impacto positivo real.

Os consumidores querem interagir e apoiar empresas alinhadas aos seus valores, que transmitam orgulho de fazer parte. Portanto, é fundamental que empresas transmitam:

  • Objetividade: deixem claro o que aspiram frente aos componentes de ESG;
  • Transparência: demostrem como operam esses temas no dia a dia e qual o impacto esperado e gerado. Dados, métricas e desempenho sobre o que está sendo feito são fundamentais;
  • Conexão: impactem, transformem, engajem o maior número de indivíduos possível.

Qual o papel do varejo no contexto ESG?

O canal de consumo, seja ele físico, seja digital, pode ter uma função forte no elo marca-consumidor para tangibilizar o posicionamento da empresa nos critérios ESG, trazendo evidências claras de como e por que a empresa se importa com esses componentes.

Componente E: Environmental/Ambiental

  • Menor impacto ambiental na logística (distância, pegada de carbono);
  • Uso de materiais sustentáveis (embalagem e materiais do ambiente da loja);
  • Redução de desperdícios (materiais, energia, etc.);
  • Incentivo a princípios da economia circular (reduzir, reutilizar, reformar, reparar e reciclar);
  • Integração com espaços verdes e abertos;
  • Ajudar e educar o consumidor a fazer escolhas mais conscientes.

Componente S: Social

  • Respeito a diversidade da sociedade e consumidores;
  • Acesso a educação e formação;
  • Segurança no ambiente de trabalho;
  • Ambientes e apoio a descompressão;
  • Desenvolvimento de comércio local.

Componente G: Governance/Governança

  • Inclusão e diversidade entre funcionários, atendentes, vendedores;
  • Transparência: comunicar em mídia, produto, rótulo ou ponto de venda o posicionamento da empresa nos componentes ESG;
  • Demostrar resultados da agenda proposta com relação a ESG.

O que priorizar em ESG?

Um aspecto relevante nesse cenário é que, para serem efetivas em ESG, as empresas não precisam focar em todos os critérios. É melhor ter pontos distintos, autênticos e verdadeiramente transformadores em alguns componentes do que ter um pouco de tudo de não transformar verdadeiramente.

Para auxiliar na priorização das ações em ESG, trouxemos cinco reflexões para os negócios:

Tendências: A relevância do ESG no fortalecimento do engajamento e consumo

ESG pautará por um longo tempo as decisões de consumo e investimento e em movimento crescente, portanto realizar ações de negócio nos componentes ESG é fundamental para contribuir com o sucesso competitivo futuro.

Karen Cavalcanti é sócia-diretora da Mosaiclab23/07/21 – https://mercadoeconsumo.com.br/2021/07/23/tendencias-a-relevancia-do-esg-no-fortalecimento-do-engajamento-e-consumo/

Social Commerce: 74% dos brasileiros usam redes sociais para comprar

O consumo online, que já vinha crescendo significativamente antes da pandemia, hoje se tornou um hábito para 86% dos brasileiros. E como boa parte das pessoas está nas redes sociais — são 4,2 bilhões de usuários no mundo, segundo a We Are Social —, o avanço do Social Commerce, que engloba o relacionamento mais próximo com os compradores e a prática de compra e venda via redes sociais, ocorre a passos largos.

De acordo com pesquisa Social Commerce, realizada pela All iN | Social Miner, em parceria com a Etus e a Opinion Box, 37% dos usuários fazem uma visitinha às lojas digitais pelo menos uma vez por mês em busca de ofertas, e 23% acessam a rede semanalmente para fazer compras. Para pesquisar itens de desejo, 76% dos consumidores já recorrem às redes sociais — 56% deles para ter acesso a avaliação de outros clientes, e 54% para comparar preços.

Segundo o levantamento, os clientes das classes A e B são os que mais se interessam pela experiência de compra de outras pessoas (75%), enquanto entre o público de classe C, D e E, a porcentagem fica em 65%.

Para André Patrocínio, CEO da Etus, isso indica que os consumidores acreditam que as redes sociais têm possibilitado o acesso a uma avaliação real sobre o produto e a loja. “Quem está pesquisando quer saber a opinião de quem já comprou para ter certeza se o produto é de boa qualidade, se o tempo de entrega, preço e atendimento valem à pena, bem como se a compra é segura. Os comentários ficam visíveis, e isso pode ser bastante positivo à marca — ou não. Por isso, é fundamental garantir um bom atendimento nas redes sociais, e também no site e aplicativo”, explica Patrocínio.

O Instagram é o preferido por quem usa as redes para buscar produtos (62%), seguido pelo Facebook (61%), Google Shopping (61%) e WhatsApp (37%):

Na hora da compra, qual canal é o escolhido pelos clientes?

Dos 86% que têm o costume de consumir online, 74% o fazem pelos sites e aplicativos, 18% nas lojas físicas, e 8% pelas redes sociais. Falando especificamente dos que usam as redes sociais para consumir, a maioria recorre ao Google Shopping (53%) e ao Instagram (50%):

Entre as razões pelas quais as pessoas escolhem comprar nas redes sociais, há uma gama de opiniões diferentes que vão desde preço, rapidez, e acesso a mais informações sobre os produtos, à facilidade e praticidade ao pesquisar e à possibilidade de encontrar lojas menores, de pequenos e médios produtores:

Segundo a pesquisa, além dos preços (54%) e praticidade (49%), há pessoas que se sentem mais seguras ao comprar em sites e apps (44%), e outras que querem ter acesso a mais opções de produtos (44%).

A importância das avaliações no Social Commerce

O levantamento ainda revela que 75% dos consumidores têm o hábito de avaliar lojas e marcas das quais compram, 62% fazem isso nos sites das lojas/marcas, 35% em sites como o Reclame Aqui, e 34% nas redes sociais da marca, ou nas suas próprias redes sociais (que é a opção de 26% dos respondentes).

Os dados mostram também que 56% aderiram às redes sociais para pesquisar sobre produtos com o intuito de ter acesso às avaliações de outros compradores, e 67% vão direto aos comentários de outros clientes para saber como foi a experiência deles com a marca.

Para André Patrocínio, é fundamental que as empresas — incluindo pequenos produtores — percebam que Instagram, Facebook, Whatsapp, conhecidas redes de relacionamento entre amigos e familiares, se abriram e ganharam força quando o assunto é comércio, e se atentem mais a estratégias que incluam esses canais, até porque, proporcionar uma jornada omnichannel aos consumidores hoje é algo essencial, visto que 60% já consomem de forma híbrida no país.

“As redes sociais têm se mostrado uma importante vitrine — tanto para o lado positivo quanto para o negativo — e uma grande ferramenta de fidelização, tanto às grandes marcas, que conseguem dividir com os potenciais compradores a rotina de produção dos itens e serviços oferecidos, convidando-os a interagir e fazer parte desse dia a dia, quanto aos pequenos produtores e comércios locais, que conseguem divulgar seus negócios de maneira orgânica. Cabe aos varejistas investir em uma boa comunicação e uma boa experiência aos usuários para que suas qualidades sejam amplificadas por meio das redes”, afirma o CEO da Etus.

22/06/21 – Redação – https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/social-commerce-brasileiros-redes-sociais-comprar/

Aprimoramento da jornada do cliente: quem é o dono dessa bola?

No mapa da gestão do relacionamento do cliente, dentro das empresas, há geralmente três territórios – em convivência nem sempre pacífica: os departamentos de vendas, de marketing e de atendimento ao cliente.

A importância de cada setor é inquestionável. Vendas funciona como o ataque de um time, marcando gols e assim cumprindo com os objetivos comerciais de qualquer instituição. Marketing, por sua vez, atua como um meio de campo, técnico e criativo, fazendo com que os olhos dos consumidores brilhem ao ver os produtos da empresa. Atendimento é ao mesmo tempo a linha de zaga e o goleiro do time, não deixando que nenhuma dúvida ou problema se transforme em gol contra.

O importante, porém, é que as três áreas joguem em conjunto para garantir que o consumidor tenha sempre a melhor experiência possível. Em um momento da partida em que os números de um estudo realizado pela Officina Sophia Retail chamado Consumer Commitment Index descobre que 86% dos consumidores atuais estão dispostos a pagar mais caro por um produto ou serviço, se isso significar a garantia de experiências de excelência em todos os pontos de contato com as marcas e as empresas não podem se dar o luxo de permitir que essas áreas atuem cada qual em uma direção.

A solução talvez esteja em um modelo diferente, em que uma outra área funcionasse como o técnico de uma equipe.

Essa é a visão de Elcio Santos, CEO da Always On e dos mais ativos estudiosos de dados do país. “Infelizmente, em muitas empresas, cada área ainda olha o cliente pelo seu próprio prisma”, diz ele. “É comum haver muito foco na aquisição de novos clientes e nas vendas em si, mas poucos esforços, por exemplo, no pós-venda para reter a base de clientes. O trabalho precisa acontecer no sentido de conquistar a fidelidade do cliente. Investir para que o cliente fique mais tempo na base da empresa é um trabalho de todos e provavelmente haverá um setor autônomo e transversal a todas as áreas: o de Customer Experience.”

O Boom dos dados

Essa nova área teria como principal tarefa garantir a integridade e o uso inteligente de todo o volume de dados à disposição da empresa. Até porque, principalmente devido às mídias sociais e outros canais digitais, esse volume é imenso – e crescente.

Um exemplo? Só no primeiro semestre de 2020, as vendas online no País cresceram 74%. O mercado viu sua maior alta em 20 anos, segundo relatório da Ebit/Nielsen que apurou ainda que 7,3 milhões de novos consumidores foram levados ao e-commerce.

Esse boom impulsionado pela pandemia forçou milhares de empresas a terem de adotar, muitas vezes do dia para a noite, as mais diversas tecnologias para o aprimoramento da jornada do cliente.

Segundo estudos realizados pela International Data Corporation (IDC) entre 2018 e 2019, organizações que implantaram Inteligência Artificial em suas operações cresceram de 4% para 14%. No entanto, observa Elcio, esse percentual poderia ser muito maior já que a maioria ainda não se deu conta de que “não há caminho possível para a excelência” que não passe pelo mundo dos dados.

“A falha é sempre a mesma e o mercado será menos lucrativo enquanto continuar apostando em tecnologia sem extrair o que há de melhor dela”, alerta. “É realmente desafiador porque as soluções integram malhas de dados que, quando interpretadas, geram insights preciosos. Por isso a necessidade de que uma única área se responsabilize por essas informações e que entenda que todos os endpoints são importantes para detectar problemas com rapidez, ou até antecipá-los”.

Excelência por cultura

O CEO da Always On explica que o primeiro passo para a conquista efetiva da jornada impecável do consumidor é a adoção de um novo mindset.

“A gente costuma dizer que o consumidor é o petróleo, mas é a leitura dos dados entregues pelas ferramentas que melhoram o relacionamento e os valorizam”.

Para Élcio, o processo para que o cliente simplesmente não queira jamais trocar a sua empresa por outra, diz menos respeito às soluções implementadas em suas operações de atendimento, e mais à filosofia da própria companhia. “Customer Experience é, antes de tudo, ter como primeiro objetivo o bom relacionamento e o conhecimento real acerca das necessidades do seu público-alvo, o que é possível apenas pela curadoria dos dados. Com essa cultura instaurada, é hora de olhar para as ferramentas que melhor vão colaborar para que sua organização esteja, enfim, apta a oferecer a melhor experiência”.

Interpretação

Quando o executivo fala em malha de dados, ressalta que, por mais completa que seja a solução tecnológica, ela terá retorno muito menor se os dados e metadados gerados em cada setor não tiverem interpretação conjunta.

“O consumidor precisa dizer: ‘não tenho nenhum motivo para comprar de outra empresa porque o produto ou serviço é bom, o relacionamento é incrível, me atendem muito bem e até quando eu tive de resolver um problema foi ótimo porque a empresa se antecipou antes que eu tivesse de procurá-la e ainda resolveu o impasse sem burocracia’”, explica.

Mas, para que isso aconteça, ele reitera que não há mais espaço para erros bastante comuns nessa caminhada. “A leitura dos dados é quem vai possibilitar que você entenda em que momento da jornada está o consumidor”, fiz.

E adverte que tratar bem o cliente é uma obrigação. Mas há certos consumidores com os quais não se pode errar de jeito nenhum, sendo pelo seu valor para a empresa ou pelo seu momento na jornada. “Alguém que está há dias tentando solucionar o recebimento de um produto errado simplesmente não pode receber uma ligação ou e-mail do setor de vendas tentando vender outro produto. É a leitura de dados que vai possibilitar que não haja infortúnio como esses que podem custar a perda definitiva de um cliente”, continua.

Quem vai resistir?

Já deu para entender que todo o e-commerce de perfil reativo está fadado ao fracasso justamente porque espera, por exemplo, que o cliente informe sobre o atraso de uma entrega para que sejam tomadas as providências devidas – ou ainda oferece um produto que pode não significar nada para um potencial comprador.

Na contramão desse triste fim, a tendência é que companhias busquem por Customer Data Platforms (CDPs), plataformas de gestão de dados do consumidor que ajudarão empresas a melhorar suas campanhas direcionadas e melhor curadoria dos seus dados primários.

“Elas já são realidade e permitem às empresas direcionar melhor suas campanhas e ofertas com base no perfil de cada cliente. Quando é adequado oferecer para o cliente ‘x’ um sofá de R$50 mil ou quando a proposta deve ser de um sofá a um custo mais popular para um cliente ‘y’. Também identificam o momento em que determinado comprador de uma TV já pode estar habilitado a comprar um home theater de forma automática.

É sobre chegar nesse nível de sofisticação quando a gente olha a experiência do cliente do começo ao fim e passa a conhecê-lo de verdade por meio do real entendimento dos dados. Entenda isso e você se tornará de fato o dono da bola”, finaliza.

Texto original do Consumidor Moderno por Nayara de Deus. – 19/05/21 – https://adnews.com.br/aprimoramento-da-jornada-do-cliente-quem-e-o-dono-dessa-bola/

“H-commerce”, o novo momento do e-commerce: do desejo por conveniência às experiências humanizadas

Não é novidade que os consumidores recorreram com mais frequência aos dispositivos com conexão à internet para manterem suas rotinas em meio aos desdobramentos que marcaram a pandemia da Covid-19. Por meio de diversas tecnologias, eles criaram e aceleraram novos hábitos de trabalho, estudo, prática de exercícios físicos, socialização e também de compras.

Os lockdowns e os inúmeros protocolos de segurança, que impuseram severas medidas e restrições físicas e de contato, naturalmente ocasionaram a digitalização forçada das empresas e exigiram uma adaptação rápida das suas operações, uma vez que houve um aumento sem precedentes das vendas online no varejo. Dessa maneira, surgiu uma grande oportunidade para que os consumidores pudessem experimentar o canal digital para fazerem suas compras. E, com ela, a concorrência se tornou ainda mais acirrada nesse ambiente, também puxada pelo crescimento exponencial de outros canais, como super apps, D2C (indústria vendendo direto ao consumidor) e marketplaces.

O anseio por conveniência (encontrar, comprar e receber o item desejado de maneira ágil e pelo melhor preço) e segurança ao mesmo tempo permitiu que os clientes pudessem adquirir praticamente qualquer bem de consumo com apenas alguns cliques em múltiplos canais sem precisar sair de casa. De fato, eles ganharam ainda mais velocidade, variedade e autonomia.

Com esses avanços tecnológicos, as empresas buscaram ao máximo automatizar seus processos interpessoais, tornando-os mais ágeis e, ao mesmo tempo, reduzindo os custos operacionais. Por outro lado, os clientes também passaram a ter desejo pelas conveniências do mundo pré-pandemia. Eles começaram a sentir falta de algumas comodidades que eram despercebidas antes do abalo nos seus hábitos de compra, como por exemplo, falar com representantes humanos, ler rótulos e obter informações, tocar e experimentar produtos, entre outros. Ou seja, hoje em dia, almejam a agilidade do serviço automatizado, porém com experiências cada vez mais humanizadas.

Isso posto, mais do que nunca agora é necessário que as marcas pensem além da conveniência que o online proporciona, mas na experiência total do consumidor. É fundamental que elas tragam soluções para a ausência de toque e do atendimento físico como forma de um diferencial competitivo. As estratégias desse ambiente agora precisam ser baseadas e centradas no fator humano. Eis que surge então um novo momento para o e-commerce: o “h-commerce”. E esse termo nos mostra que por trás da relação cliente e empresa existem pessoas (H2H – human to human).

É importante salientar que esse movimento é consequência do atual comportamento do consumidor, que busca transparência, personalização, entretenimento, propósito e maior conexão com as marcas com que se relaciona. Desse modo, inúmeras novidades e ferramentas surgem todos os dias a fim de tornar essa jornada de compra digital mais pessoal, humanizada e colocando o cliente ao centro dos negócios. Assim, empresas podem (e devem) se apropriar, por exemplo, do social commerce (por meio do live shopping e conversational commerce), uso de influenciadores e especialistas como impulsionadores de venda, contato pós-venda, dentre outros.

Nesse sentido, o consumo de vídeos por meio de transmissões ao vivo vem ganhando cada vez mais adeptos. O live shopping, também chamado de live streaming, acontece quando a tecnologia de transmissão em tempo real é utilizada com o objetivo de realizar vendas. Essa é uma maneira de proporcionar engajamento e interações reais de uma marca com os consumidores, uma vez que, além de promover entretenimento, torna factível mostrar os produtos/serviços de uma forma muito mais dinâmica e autêntica ao exibir suas características, detalhes, diferenciais e utilidades. E, de quebra, ainda é possível responder dúvidas ou fazer perguntas e enquetes diretamente aos espectadores. Ademais, agregar influenciadores, chefs de cozinha, artistas e especialistas como condutores e impulsionadores de vendas nessas ações, pode contribuir para atrair mais seguidores, além de agregar conteúdo relevante para manter o engajamento e, é claro, gerar conversão.

Na mesma linha, o conversation commerce é o uso de plataformas de bate-papo (chat online, por exemplo), aplicativos de mensagens instantâneas e até mesmo interfaces de voz que permitem dar assistência de maneira humanizada durante o processo de compra ou até mesmo finalizá-la. Dentre as principais vantagens desse tipo de interação, podemos destacar: esclarecer as dúvidas do cliente em tempo real e otimizar o tempo de resposta e remover as barreiras que dificultam uma conversão, gerar oportunidades de vendas. Isso tudo permite promover uma sensação ao consumidor de que, mesmo a loja sendo virtual, é composta por pessoas.

Por conseguinte, o atendimento pós-venda não se resume obviamente à solução de problemas, mas envolve também a construção de elos de relacionamento entre a loja virtual e seus clientes. Ações de e-mail marketing para pesquisa de satisfação e até mesmo ações em redes sociais são ótimas formas de não só, saber sobre a experiência de compra na loja, como também buscar o aprimoramento dos processos envolvidos na venda.

Vale ressaltar também que conhecer cada cliente por meio de dados gera um relacionamento mais próximo, mesmo virtualmente, pois é possível prever e entender comportamentos, hábitos e preferências, mapear padrões, expectativas e saber quais são as “dores” naquele momento de vida, além de personalizar a comunicação. Ter a empatia por quem que irá consumir seus produtos ou serviços é também oferecer características completas, informações necessárias e transparentes, além da possibilidade de permitir comentários e avaliações de outros usuários para facilitar a decisão de compra. Além disso, unir tudo isso ao entretenimento pode trazer resultados surpreendentes no quesito da experiência.

Por fim, ao analisar o cenário atual em que o consumidor é protagonista e escolhe marcas que estejam alinhadas ao seu propósito, é fato que ele quer se relacionar com empresas que tornem a sua vida mais prática, conveniente, fácil e feliz por meio de relações cada vez mais humanas. Dito isso, manter o cliente, ou então, as pessoas no centro dos negócios, não é um conceito novo, tampouco uma moda passageira. Trata-se de uma questão de sobrevivência para as marcas.

 de Fernanda Dalben – 17 de fevereiro de 2021 – https://mercadoeconsumo.com.br/2021/02/17/h-commerce-o-novo-momento-do-e-commerce-do-desejo-por-conveniencia-as-experiencias-humanizadas/

“Varejo físico vai se tornar sistema de suporte para o e-commerce”, diz especialista

O futuro do varejo está tomando forma neste exato momento. A pandemia global acelerou sua chegada e tecnologias como drones e 5G estão tornando novas realidades possíveis, o que vai culminar em cidades mais inteligentes. É o que afirma Kate Ancketill, CEO da consultoria estratégica GDR Creative Intelligence, com sede em Londres, no Reino Unido.

“A calamidade que estamos vivendo apenas acelerou todas as coisas que sabíamos que precisavam acontecer no varejo”, afirma ela, para quem as mudanças rápidas pelas quais o setor passou desde o ano passado configuram uma “reinicialização total” do varejo. “Às vezes, são necessários eventos drásticos para nos obrigar a fazer o que sabíamos que deveríamos ter feito o tempo todo.”

Para ela, as vendas no varejo físico continuarão diminuindo em favor das compras online. Citando dados da KPMG, Kate diz que metade das vendas no varejo no Reino Unido será online em 2025 e que, até 2023, o país terá perdido 25% do varejo físico.

“Acho que temos de começar a aceitar que o varejo físico se tornará o sistema de suporte para o e-commerce. Isso não quer dizer que vai desaparecer, de jeito nenhum. Eu sou uma grande fã do varejo pelo tipo de experiências profundas que só ele pode oferecer. Acho que se trata de integrar o comércio e melhorar o atendimento.”

Kate Ancketill foi uma das palestrantes da NRF 2021: Retail’s Big Show, maior evento de varejo do mundo, que tradicionalmente é realizado em janeiro em Nova York, nos Estados Unidos. Neste ano, por causa da pandemia, a NRF foi dividida em dois capítulos, ambos com palestras virtuais. O primeiro terminou na semana passada e o segundo será em junho.

Varejista online busca criar experiência física

A especialista destaca que, ao mesmo tempo em que o varejo, uma indústria principalmente presencial que oferece experiências palpáveis se transforma num negócio online, players que atuavam exclusivamente online agora estão buscando espaços físicos “para preencher lacunas de experiência”.

No ano passado, a marca de cosméticos Avon, mais conhecida por sua estratégia de venda de produtos por meio de representantes independentes em comunidades ao redor do mundo, abriu um “playground de beleza” de dois andares em Los Angeles chamado de Studio 1886, uma referência a ano de fundação da empresa.

“Por que eles acham que precisam de uma loja física? Um dos motivos é que eles a desejam como um espaço comunitário para seus representantes e clientes”, afirma Kate.

Outros exemplos incluem marcas online que abrem pequenas lojas, às vezes sem funcionários, em shoppings centers. A ideia é mostrar produtos – ocasionalmente em vitrines ou displays – que os consumidores comprariam online.

Quais inovações vieram para ficar?

Ao mesmo tempo, os varejistas tradicionais estão buscando alavancar a internet para estender a experiência na loja. Uma das formas de se fazer isso é por meio do live streaming, uma transmissão ao vivo feita em vídeo em que os compradores podem receber atenção individual dos profissionais do varejo.

Em 2019, a Amazon lançou o Explore para apoiar pequenos varejistas e outras empresas interessadas em oferecer aos clientes experiências transmitidas ao vivo. “Pode ser um personal shopper, um guia turístico ou um especialista em alguma habilidade específica”, explica a CEO da GDR Creative Intelligence.  Atualmente, por US$ 10, por exemplo, os fãs de calçados podem ter acesso a um personal shopper da Thursday Boot, cuja única loja física fica na cidade de Nova York.

“A questão é: quais dessas inovações que chegaram rapidamente ao mercado durante a pandemia permanecerão conosco por muito tempo?”, questiona a consultora. E ela mesmo responde. “Qualquer coisa que esteja respondendo aos ‘três P’s’ [profit, planet and people, ou lucro, Planeta e pessoas]. Se todas essas três modalidades estiverem sendo atendidas, é provável que tenha longevidade.”

A explicação está no fato de que as inovações voltadas para as pessoas melhoram o atendimento de pedidos e trazem conveniência aos consumidores. De outro lado, com mais compradores tornando a sustentabilidade um fator em suas decisões de compra, as marcas que oferecem inovações voltadas para o Planeta são beneficiadas com credibilidade. E, é claro, eles têm que manter seus lucros enquanto avaliam seus passos.

25/01/2021 –  Erica Valério – https://mercadoeconsumo.com.br/2021/01/25/varejo-fisico-vai-se-tornar-sistema-de-suporte-para-o-e-commerce-diz-especialista/

Como a pandemia faz crescer o D2C – Direto ao Consumidor

Os tempos atuais e os futuros só fazem estimular a propensão das indústrias e as marcas ampliarem suas alternativas para chegarem diretamente ao consumidor final. Esse é outro movimento estratégico global que já tinha seu crescimento estabelecido e que a pandemia e suas consequências só fizeram acelerar ainda mais todo o processo.

Porém com mudanças significativas na ambição das propostas.

A Unilever com suas lavanderias compartilhadas Omo e as franquias Passa Fácil e a P&G com as franquias das lavanderias Ariel, ambos projetos recentes, são apenas dois exemplos dessa diferente ambição e proposição das marcas chegarem ao consumidor final por novos e inovadores caminhos. Assim como o sucesso do projeto das lojas de carnes da Swift da JBS. Ou as lojas de tintas com serviços de pintura da Sherwin-Williams, também existentes no Brasil, mas que já são mais de 4.600 nos Estados Unidos.

Sem falar no impressionante sucesso da Nespresso, com suas lojas-conceito e a participação das vendas de cápsulas pelo e-commerce da própria marca com seu Clube Nespresso.

E se quisermos ampliar a visão estratégica desse movimento será também preciso recordar os modelos totalmente integrados de O Boticário e Cacau Show que criaram campeões nacionais no mercado internacional, como as maiores redes de lojas franqueadas de marcas em suas categorias.

Na lógica básica estrutural desse movimento a necessidade, mais do que o desejo, de se aproximar do consumidor final para melhor entendê-lo e atendê-lo, além da conexão direta, estrategicamente mais interessante, e a possibilidade de melhoria da rentabilidade do negócio ao reduzir a intermediação de todo o processo. Sem falar na possibilidade da criação de novos modelos de negócios integrando produtos e marcas com serviços para entregar solução.

Mas tudo isso já era conhecido e em processo de expansão global e também local.

A pandemia acelera e potencializa esse movimento pois, de um lado, concentra ainda mais poder nas mãos das grandes redes de varejo, em especial as mais avançadas no digital e, de outro, torna mais fácil o acesso ao consumidor, exatamente pelo crescimento de participação do canal digital no total das vendas de produtos e serviços.

E reforça a importância da conexão direta com o consumidor antes que ele se torne ativo estratégico para outros operadores que, pelo conhecimento profundo, permanente e estruturado dos hábitos, atitudes e preferências desses consumidores podem atendê-lo com alternativas de produtos e marcas sob seu controle.

Para explicar melhor. As empresas de entregas conhecem hoje muito melhor em muitos aspectos, incluindo locais de demanda, forma, comportamento da demanda, preferências de pagamento e outros vários elementos sobre os consumidores de McDonald’s, Bob’s, Burger King e todas as demais empresas de foodservice do que as próprias marcas que tratavam algumas dessas informações nas operações nas lojas. A pandemia embaralhou esse jogo.

Mas não só com relação ao foodservice.

Os marketplaces conhecem muito mais sobre preferências e desejos dos consumidores em sua jornada de compra digital, cada vez com maior representativa nas vendas gerais, do que as marcas e fornecedores de produtos e serviços.

Além das facilidades para entrar na distribuição direta através do canal digital esse caminho ainda permite um conhecimento contínuo e estruturado pelo uso de instrumentos de mensuração e monitoramento com uso de inteligência artificial e outros elementos mantendo nas marcas e fornecedores um ativo estratégico fundamental representado pelo conhecimento e conexão com os consumidores.

Se o movimento estratégico das marcas para chegarem aos consumidores finais de forma direta já era uma realidade pré-pandemia, esse processo tomou outra dimensão, muito mais relevante durante esse período de contingenciamento de deslocamentos e se tornará ainda mais importante na nova reconfigurada realidade, especialmente pelo crescimento inevitável do uso dos pagamentos digitais no futuro próximo.

E nesse aspecto é sempre importante lembrar o que esse conhecimento estruturado pelo monitoramento dos pagamentos digitais na China trouxe para os Ecossistemas Alibaba e Tencent, permitindo sua tentacular expansão para outros negócios, serviços e marcas, muito além de seus negócios iniciais.

A combinação desses fatores envolvendo todos esses elementos permite prever que os papéis e representatividade dos agentes de mercado no cenário pós-pandemia será significativamente diferente do que aquele que tínhamos no período anterior. E vale muito refletir estrategicamente sobre tudo isso pois é só uma questão de tempo.

 de Marcos Gouvêa de Souza – 3 de agosto de 2020 – https://mercadoeconsumo.com.br/2020/08/03/como-a-pandemia-faz-crescer-o-d2c-direto-ao-consumidor/

Renner amplia formato de vendas com máquina de autoatendimento

(Crédito: Divulgação)

Com o intuito de ampliar os formatos de vendas, a Renner inaugura uma máquina de autoatendimento. A iniciativa, instalada na estação São Bento do metrô em São Paulo, espera usar a tecnologia e a digitalização para oferecer uma jornada de compra mais conectada ao dia a dia dos consumidores.

Segundo a empresa, a máquina disponibiliza para compra produtos como camisetas básicas femininas e masculinas, máscaras de tecido, frascos de álcool em gel, além de acessórios como lenços para pescoço.

“A implementação desta primeira vending machine saiu do papel rapidamente. Em cerca de um mês e meio, desenvolvemos o projeto e fizemos a instalação. O objetivo é que os clientes tenham fácil acesso a produtos que atendem necessidades básicas do dia a dia de quem tem uma rotina na rua”, diz Henry Costa, diretor de produto da lojas Renner. 

Ainda segundo a marca, a ideia é expandir a novidade ainda em 2020 para mais estações de metrô e também áreas de conveniência, como aeroportos, universidades e academias, além de shoppings onde a Renner ainda não está presente. 

Por Alisson Fernández – https://propmark.com.br/anunciantes/renner-amplia-formato-de-vendas-com-maquina-de-autoatendimento

As mudanças nas jornadas de compra e experiência no pós pandemia

A adoção do digital na jornada de compra e experiência do consumidor era algo esperado e que vinha crescendo paulatinamente ao longo dos anos. Algumas categorias já tinham suas jornadas em transformação, com muitos pontos de contato digital e outras ainda muito dependentes dos pontos físicos para concretizarem uma venda.

A pandemia acelerou o processo de digitalização das jornadas de diversas categorias e tem transformado até mesmos categorias pouco prováveis como a automotiva com boas experiências omnichannel.

As fases iniciais da jornada, onde construímos conhecimento e consideração por determinados produtos e serviços passaram por uma alteração na pandemia. Boa parte das tarefas feitas nestas fases passaram a serem feitas quase que 100% no ambiente online no pico da pandemia e seguem sendo assim mesmo com o afrouxamento. O reconhecimento da necessidade por determinado produto ou serviço, a busca por informações e exploração das alternativas antes da efetivação da compra são tarefas que se adaptaram aos tempos de isolamento e novas alternativas e pontos de contato foram criados e aperfeiçoados pelas indústrias e o varejo.

Há diversos exemplos, que vão desde o simples uso do Whatsapp e outras redes sociais para a divulgação de um produto ou serviço ou como canais de venda, passando pela avaliação de influenciadores e youtubers, até a criação de verdadeiras experiências online para demonstrar um produto ou serviço

O uso do Whatsapp na jornada de compra foi comprovado na pesquisa realizada pela consultoria Accenture, em parceria com o Facebook, em diversos países. 83% dos consumidores brasileiros utilizam este meio para comprar produtos e serviços. O mesmo fenômeno ocorre em outros países na América Latina, onde o Chile também tem 83% dos consumidores que utilizam a ferramenta em suas compras. Em seguida vêm Peru (77%), Colômbia (74%), Argentina (71%) e México (53%). O Uso do Whatsapp somente mostra o quanto ainda temos oportunidade de melhorar a experiência digital da jornada. A ferramenta é um meio do caminho entre o físico e o digital.

Outras experiências digitais cresceram muito, como o uso das redes sociais como pontos de vendas e o grande salto tecnológico nos aplicativos de compras e nos meios de pagamentos, com o uso do pagamento por aproximação e as carteiras digitais em destaque.

O sofasizer, da empresa de móveis inglesa made.com, é um exemplo de como a exploração de alternativas pode ser feita de forma digital, mesmo para uma categoria onde a experimentação do produto é fundamental como a de sofás. O consumidor coloca as medidas ou apenas puxa a seta para qualquer lado e as sugestões de sofás para aquela medida vão aparecendo na tela.

Imagem do site www.made.com
Imagem do site http://www.made.com

Já a fase de conversão da jornada, que inclui a experimentação, a efetivação da compra e a recompra seguem ainda muito dependentes do ambiente físico, mas cada vez mais podemos perceber a presença do digital ganhando força nestas fases da jornada. A experimentação dos produtos e a negociação estão cada vez menos presenciais. A logística reversa permite que produtos de sites de moda sejam provados em casa e trocados sem que haja a necessidade do cliente se deslocar para uma loja física. Os agendamentos de test drives em casa que estão sendo feitos pela indústria automotiva são outro exemplo de como a montadora pode ir ao consumidor e não o contrário.

Na negociação, novamente vemos o Whatsapp ganhando força, sendo um meio termo entre o físico e o digital. A efetivação da compra e a entrega do produto segue ainda dependente do espaço físico, mas a proliferação dos serviços de delivery e do compre remotamente e retire na loja cresceram fortemente nos tempos de pandemia. A compra pelo Whatsapp com retirada nas lojas tem sido muito recorrente nas classes mais baixas, onde o preço do frete muitas vezes inviabiliza a compra.

As lojas também tiveram que repensar seus formatos para tornarem a compra física uma tarefa menos perigosa e mais prática para o consumidor. A super conveniência é um fator a ser levado em conta. O pronto para levar e pronto para presentear da loja da Ofner do Shopping Center 3, em São Paulo, são um exemplo de como esta conveniência vem sendo utilizada para diminuir o tempo em loja e tornar a compra mais simples e conveniente para o consumidor. Os delivery centers em shopping centers e no foodservice também são exemplos da super conveniência.

Foto da Ofner no Shopping Center 3 tirada por Janice Mendes, da Gouvea Malls, na reabertura dos shoppings em São Paulo.
Foto da Ofner no Shopping Center 3 tirada por Janice Mendes, da Gouvea Malls, na reabertura dos shoppings em São Paulo.

A jornada de compra e experiência não é igual para cada categoria e deve seguir em constante mudança nos próximos meses. Ainda há um longo caminho de integração do digital com o físico e vamos seguir observando curiosamente estas transformações.

 de Ricardo Contrera- 4 de setembro de 2020 no Artigos, https://mercadoeconsumo.com.br/2020/09/04/as-mudancas-nas-jornadas-de-compra-e-experiencia-no-pos-pandemia

Em um mundo digital, qual o papel do varejo físico?

A paralisação das atividades econômicas e as novas regras de distanciamento social por conta da Covid-19 impõem uma reflexão inédita às lojas físicas de pequenos negócios e grandes redes de varejo.

E é à beira deste “divã comercial” que Ken Nisch trabalha. Há 25 anos, o americano atua como chairman da JGA, um dos mais importantes escritórios de arquitetura de varejo dos Estados Unidos.

Fundada em 1971, a companhia criou ambientes de varejo inovadores e divertidos para uma lista diversificada de clientes internacionais. Entre eles,  marcas como Hershey’s, H&M, Whole Foods e a brasileira Cacau Show.

Nisch, que não parou durante a pandemia, reflete sobre seus novos aprendizados“Se o cliente esperava conveniência 24 horas por dia, 7 dias por semana, agora ele espera comprometimento”, afirmou Nisch, em entrevista ao NeoFeed.

De acordo com ele, o varejo físico terá de pensar em novas formas de engajamento. “Quando um cliente vai às compras, sobretudo às presenciais, ele é mais intencional”, afirma Nisch. “É provável que gaste mais e tenha expectativa maiores do envolvimento, reconhecimento e experiência.”

Nisch também não vê um novo normal. “Olha, o que existe, ao meu ver, é a aceleração do que já era um caminho. Então, em vez de chamá-lo de novo normal, eu diria que é um normal acelerado.”

A entrevista acontece poucos dias antes de Nisch participar do Global Retail Show 2020,  evento online que acontece entre de 13 e 19 de setembro.

O evento deste ano irá discutir a retomada do varejo e o futuro do consumo na perspectiva global. São esperadas cerca de dez mil pessoas nas plenárias e sessões temáticas, que serão distribuídas em 67 painéis com mais de 280 palestrantes nacionais e internacionais.

Acompanhe os principais trechos da entrevista com Nisch:

Você acredita que a pandemia mudou o negócio do design?
Apesar das tragédias pessoais e privadas trazidas pela Covid-19, o lado bom dessa crise é a disrupção, o foco organizacional e a mudança de cultura que só ocorre quando velhos métodos, paradigmas e expectativas são desafiados. Não estou muito seguro de que o negócio do design mudou “para valer”, mas o approach e a responsabilidade para com ele, sim, está mudando. Fazer investimentos subjetivos, como parte de um “hábito” corporativo, esperando que as coisas mudem por si, não é mais suficiente.

Como o negócio do design pode ajudar empresas e empresários a vencer essa crise?
Pode ajudar de muitas maneiras. A parte mais óbvia e, infelizmente, menos empolgante, é mostrar que as organizações têm de ter empatia e estar comprometidas com o bem-estar e segurança de todos, começando pelo de suas próprias equipes que lidam com o cliente. Isso explica as novas soluções, como as retiradas de produtos onde antes não havia, as compras assistidas, os horários especiais para idosos. Todos demonstram que as organizações estão colocando seus clientes em primeiro lugar.

E de um ponto de vista mais estratégico?
Se o cliente esperava conveniência 24 horas por dia, 7 dias por semana, agora ele espera comprometimento 24 horas por dia, 7 dias por semana. E isso vale para pequenas atitudes, como ter horários reservados para compras privadas em casos de grupos de risco, ou criar ambientes dentro da loja que permitam engajamento seguro.

Como assim?
Como cafés e outros elementos da boa hospitalidade foram suspensos por conta das regras de distanciamento social, é preciso repensar novas formas de engajamento. Estamos usando o termo “broadcast shopping” para descrever essa abordagem. Exemplos disso seria a aplicação de melhores recursos para que os vendedores tenham ferramentas para interagir de forma mais eficiente com o cliente ou com a comunidade varejista.

E por falar em varejo, qual seria esse novo normal?
Olha, o que existe, ao meu ver, é a aceleração do que já era um caminho. Então, em vez de chamá-lo de novo normal, eu diria que é um normal acelerado. As nossas necessidades e os produtos que agora entendemos como essenciais mudaram nossa ida às compras.

Mudaram como?
Quando um cliente vai às compras, sobretudo às presenciais, ele é mais intencional. É provável que gaste mais e tenha expectativa maiores do envolvimento, reconhecimento e experiência. Os consumidores, pelo menos no curto prazo, ainda procuram se unir, ser sociais, mas provavelmente o farão de maneiras diferentes. Eles podem participar de degustação de vinhos virtuais e experiências culinárias que complementam as compras.

Você poderia dar um exemplo de como o design pode ser útil para ajudar um negócio, sobretudo em tempos de dificuldade?
Para uma grande empresa de luxo, do ramo da joalheria, com centenas de lojas, aplicamos a lógica do “mais longe, mais curto, diferente”. Nós os ajudamos a ‘pivotar’ áreas do negócio que poderiam alavancar seu inventário e recursos humanos, das vendas à produção. Por fim, auxiliamos no aprimoramento de sua marca digital para que complementasse o negócio físico.

Mas como exatamente fizeram isso?
Criando uma “sala de estar” dentro do escritório. Uma área que rapidamente se transformou num espaço de “broadcasting”, servindo como cenário para videoconferências e consultas virtuais. Também desenvolvemos um cantinho para “workshops” e experiências interpessoais que respeitem as regras de distanciamento.

O e-commerce viveu um boom nos últimos meses e muitos varejistas passaram a investir em ferramentas virtuais. Você acha que é errado pensar em operação online versus offline?
Nem todos os e-commerces cresceram. Alguns exemplos nos Estados Unidos de lojas de departamento e de luxo viram suas vendas online achatarem ou declinarem. Os maiores beneficiados, no começo da crise, foram os negócios que existem exclusivamente online, como a Amazon. Mas, no longo prazo, não acho que seja uma mudança de comportamento do consumidor, mas a aceleração do que já vinha acontecendo. Se essa evolução vai estabilizar ainda é uma questão em aberto. O que não é mais uma dúvida é que o cliente tem que se relacionar com a marca, em todos os canais e áreas.

Considerando que estamos no meio de uma crise global, que dica daria para aqueles que querem ou precisam renovar sua presença física?
Acho que “atualização” não é a melhor palavra, eu prefiro o termo “ativação”, que inclui estabelecer e reforçar o diálogo entre as operações online e offline. As dicas que eu daria, portanto, seria apostar no empoderamento da equipe, no relacionamento com o cliente e balizar tudo isso como uma jornada contínua de melhoramento. Não é, portanto, uma necessidade de renovar a presença física, mas reenergizar a interação com a marca, o que também passa, provavelmente, pelo espaço físico.

Com informações do porta NeoFeed – de Imprensa Mercado & Consumo – 7 de setembro de 2020 – https://mercadoeconsumo.com.br/2020/09/07/em-um-mundo-digital-qual-o-papel-do-varejo-fisico

Aplicativo de moda da C&A é o mais baixado do Brasil

Inúmeras empresas tivera seus processos de digitalização acelerados pela pandemia de Covid-19 acelerou. Quem não era digital precisou correr para implementar processos simples, como vendas online e delivery, para conseguir se manter no mercado. Com a C&A não foi diferente. Mas a varejista centenária, pautada nas formas tradicionais de venda, derrubou hierarquias e, hoje, possui o aplicativo de moda mais baixado do Brasil.

Fernando Guglielmetti, head de e-commerce e Digital da C&A, explica que a maioria dos processos já existia, mas que, com a pandemia, a estrutura de gestão foi totalmente remodelada para que a empresa não só se mantivesse ativa, mas também aumentasse sua presença digital e, consequentemente, lucros durante o período de crise.

As afirmações foram feitas durante o Showcase Brasil 2020, evento promovido pela Zendesk, empresa de desenvolvimento de software, na quinta-feira (20).

E-commerce da C&A

O executivo conta que, com a explosão da pandemia, a empresa passou a trabalhar com foco em saúde e caixa para o período, o que mudou toda a estrutura da empresa. “A pandemia não é positiva em nenhum sentido. Em primeiro lugar, pensamos na saúde dos nossos quase 15 mil colaboradores e na perenidade da empresa, pois foram quase 290 lojas fechadas em todo o Brasil, que é a nossa maior fonte de receitas”.

De acordo com Guglielmetti, o e-commerce da C&A foi lançado em 2014, com escalada em 2015. Porém, para que tudo funcionasse como deveria após o fechamento das lojas, foram necessárias mudanças drásticas.

“A C&A é uma empresa familiar com mais de 200 anos no mundo, sendo 40 anos no Brasil. Mas, por conta da crise, precisamos refletir na forma como trabalhamos. Para que os projetos evoluíssem da maneira como precisávamos, as hierarquias desapareceram, com a criação de grupos multidisciplinares, sendo a maioria com projetos digitais. Também usamos a metodologia agile. Não adianta pensar daqui a três meses, mas sim entregar o valor ao cliente na semana seguinte”.

Ainda segundo o executivo, foi necessário reduzir investimentos para equilibrar as finanças. “Desaceleramos em alguns pontos, mas não no digital. Apostamos na mudança perene porque essas mudanças não durarão apenas na pandemia, isso chegou para durar. O cliente que se digitalizou no período não vai voltar a ser como antes”, acredita.

Guglielmetti lista os principais pilares aplicados pela C&A:

Aplicativo

O app da loja foi criado há dois anos, inicialmente como uma central de relacionamento e cresceu com diversas funções, inclusive de compra, segundo o executivo. “Quando estourou a pandemia, criamos uma campanha e canalizamos as ofertas no app. Tínhamos 500 mil usuários ativos na plataforma. Hoje, são mais de 3 milhões de usuários por mês. Somos os app de moda mais baixado do Brasil”, afirma.

No entanto, Guglielmetti ressalta que melhoraram a experiência continuamente para saber porque o cliente mantém com app instalado, por exemplo. “Não existe cartilha para isso, que é novo para todo mundo”.

Fast and learning

É o conceito de fazer rápido enquanto aprende. “Isso é mais presente em empresas de tecnologia, não na C&A, que é mais tradicional, o que mudou bastante. Agora não tem mais time offline e online. Todos são responsáveis pela estratégia digital”, afirma.

Drive-thru

“Aproveitamos lojas fechadas e, em três dias, fizemos o set up da operação que permitia comprar online e ir até o shopping, com agendamento prévio feito pelo WhatsApp, e retirar as compras. Muito importante que o local esteja preparado do ponto de vista de saúde”, reitera.

Omnicanalidade

O setor já existia na empresa desde 2016, mas oCompre e Retire cresceu exponencialmente, segundo o executivo. “Antes, os pedidos eram enviados dos centros de distribuição. Com a evolução do setor, as lojas passaram a separar os pedidos. Se a compra era feita em Manaus, não fazia sentido ser separada em São Paulo, por exemplo. Com isso, integramos os sistemas de estoque das lojas físicas com o digital, o que nos deu uma vantagem competitiva importante”.

No ano seguinte, foi implementado o Pick Up Store e o Ship From Store, como maneiras de vender os estoques das próprias lojas. “Com a mudança descentralização dos estoques, aumentamos de 3% para quase metade dos pedidos enviados de lojas físicas. Isso fez com que aumentasse a oferta de produtos. Quando começou a pandemia, tudo já estava pronto”, relata Guglielmetti.

CRM

O executivo revela que os clientes das lojas físicas não eram registrados até pouco tempo atrás, o que precisou ser mudado para a criação do programa de relacionamento da marca. “Começamos a registrar os clientes e identificar as vendas. Antes da pandemia, tínhamos 10 milhões de clientes cadastrados. Com a pandemia, foi mais fácil convidar os clientes para experimentarem o canal digital, mesmo quem não era fã da modalidade, pois as pessoas estavam mais propensas a isso. É um marketing individual”, ensina.

Produtos

As coleções da loja também precisaram se adaptar, segundo Guglielmetti. “Ninguém queria comprar roupa social na pandemia, porque perdeu a função. As pessoas queriam comprar moletom, pantufa, pijama. Com dados do analytics do squad ágil, monitoramos as tendências, acionamos a área responsável e aumentamos a produção dos produtos mais pedidos rapidamente”, explica.

Dados

Outro ponto importante são dados, mas não apenas tê-los. “Ter dados é fácil, o difícil é usá-los da melhor forma. Achar cientistas de dados no mercado é bem difícil e eles têm papel importantíssimo por mexer com informações complexas e distribuí-las”, diz Guglielmetti.

“Também não adianta ter um time maravilhoso se a cultura da empresa não se conecta com esse time para que faça o que precisa fazer. Por isso, a participação da liderança na transformação digital das empresas é fundamental. A pandemia deu o empurrão necessário para termos coragem de tomar certas decisões, pois o nosso normal nao era trabalhar com mudanças tão frequentes. O nosso costume era sempre buscar a estabilidade. Mas não tinha como ser diferente. Mudar virou questão de sobrevivência”, finaliza o executivo.

Imprensa Mercado & Consumo – 24 de agosto de 2020 – https://mercadoeconsumo.com.br/2020/08/24/aplicativo-de-moda-da-ca-e-o-mais-baixado-do-brasil