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Starbucks investe em inovação para o futuro focando na conexão humana

No processo de torrefação de café, existe um dispositivo chamado “tryer”. Ele permite que o torrefador verifique o progresso dos grãos e, se necessário, fazer adaptações adequadas.

A palavra – o processo – é rica em possibilidades, assim como o recente laboratório de inovação da Starbucks que compartilha seu nome. O Tryer Center é um centro de criatividade e experimentação. É também uma representação física de uma mudança de cultura que coloca a “ideia em ação em 100 dias”.

O CEO da Starbucks, Kevin Johnson, dividiu o palco do NRF Retail’s Big Show com Stephanie Mehta, editora-chefe da Fast Company. Naturalmente, havia uma prensa francesa na mesa próxima, completada pelo café Jamaica Blue Mountain.

Não importa que a Starbucks seja uma organização gigantesca, com mais de 31 mil lojas em todo o mundo, 400 mil parceiros, que atende a mais de 100 milhões de clientes por semana. A Starbucks, com o veterano da tecnologia Johnson no comando, continua tentando coisas novas.

O trabalho é realizado em equipes pequenas e multifuncionais. Tudo é voltado para o impacto sobre parceiros e clientes. Há uma ênfase no aprendizado, em vez de sucesso ou fracasso. E, no centro de tudo isso, está o foco na conexão humana, mesmo com o crescente uso da IA ​​por meio de sua iniciativa Deep Brew.

“Como seres humanos, fomos criados para interagir uns com os outros”, disse Johnson. “É assim que obtemos energia. É assim que obtemos suporte quando lidamos com adversidades. É assim que compartilhamos alegria e sucesso em nossas vidas. Eu acho que um dos temas comuns daqui para frente é encontrar maneiras de criar conexão humana. Interação humana. O mundo precisa disso”, afirmou o executivo.

Johnson, que passou três décadas em empresas como IBM, Microsoft e Juniper Networks, falou sobre o uso da tecnologia para liberar mais tempo para que os parceiros possam gastar com os clientes. Isso pode significar, por exemplo, manter o inventário ou simplificar a programação da equipe. Pode significar também que os clientes peçam um café com antecedência e busquem com eficiência quando pressionados pelo tempo.

Mas também pode significar que o barista usa um microfone que usa processamento de linguagem natural, permitindo contato visual durante as conversas com os clientes, em vez de ter que olhar para baixo para digitar pedidos.

 

Por enquanto, tudo bem; as conexões com os clientes estão no “nível mais alto de todos os tempos”, disse Johnson, com aumentos nas ocasiões e nos ingressos dos clientes.

A Starbucks conseguiu atrair os melhores e mais brilhantes, disse ele, e isso vem com a visão de cima para baixo. A Deep Brew, por exemplo, permitiu à Starbucks atrair talentos de classe mundial para sua “estratégia digital humana em primeiro lugar”, trazendo aqueles inspirados não apenas pela possibilidade de inovação e pela chance de impactar a humanidade, mas também pela possibilidade de alcance. Considere, por exemplo, o anúncio da empresa de que eliminaria o uso de canudos de plástico até 2020.

“Houve uma resposta massiva nas mídias sociais”, disse ele. “Havia bilhões de pessoas no planeta torcendo por nós para dar esse único passo. Isso me diz que há uma oportunidade de fazer muito mais e é isso que pretendemos fazer”.

Também há muito a ser feito em escala pessoal. A Starbucks se posiciona como um “terceiro lugar” caloroso e acolhedor, um espaço que não seja o trabalho e a casa que oferece chances de compartilhar uma xícara e se conectar.

Desde o início, a empresa buscou “inspirar e nutrir o espírito humano – uma pessoa, uma xícara e uma vizinhança de cada vez”, disse Johnson, citando a declaração de missão da empresa.

E enquanto a companhia de 49 anos olha para o seu iminente 50º aniversário, ele disse: “Realmente estamos olhando e sonhando com o centenário.” Para construir uma empresa que perdura, há duas coisas que a Starbucks tenta fazer: “A número um é ter a sabedoria de perceber o que honrar e preservar do passado: a missão, os valores e a importância da conexão humana… E temos que sonhar ousadamente com o futuro.”

Neste trecho, Kevin Johnson explica como a automação está capacitando os funcionários a se conectarem com os clientes.

Com informações da NRF

Starbucks investe em inovação para o futuro focando na conexão humana

Havaianas inaugura primeira loja conceito com formato Shopper Mission Lab

A Havaianas reinaugurou sua loja no Shopping Iguatemi Faria Lima com um novo conceito. A chamada Havaianas Lab possui um formato Shopper Mission Lab, voltada para a conexão tecnológica, tendo como foco melhorar a experiência do cliente em todos os pontos de contato durante sua jornada de compra.

O objetivo do estabelecimento é ser uma espécie de laboratório para testar tecnologias. Outra unidade do conceito será inaugurada no início do ano que vem em Carnaby Street, Londres (UK).

A loja contará com telas interativas, provadores inteligentes, check-out móvel, lockers para retirada de compras online e vitrine infinita para compra de produtos disponíveis online. A Havaianas Lab irá promover coleções e ocasiões de uso para o usuário por meio da exposição dos produtos em moodlists. Oferecendo uma curadoria de produtos expostos fisicamente, a loja contará com o portfólio integral da marca digitalmente.

“Queremos ampliar a nossa conexão com o público jovem, e vamos nos comunicar com eles da forma com que ele está acostumado a interagir. Dessa maneira, a loja passa a ser organizada em moodlists, com seções por ocasiões de uso. A ideia é que, ao circular, o cliente descubra, além de novos produtos, inspiração de como usar nossas peças. É uma navegação com foco na descoberta”, explicou a diretora de marketing e inovação Global da Alpargatas, Fernanda Romano.

A nova loja também vai permitir que seja exposta uma coleção completa dos produtos da marca, o que nem sempre é possível no modelo tradicional de PDV. “Agora, o cliente vai ter acesso a modelos-chave na loja e ao restante em vitrines infinitas, graças às tecnologias implantadas. Nossa linha mais urbana vai ganhar novos espaços e itens colecionáveis, como as linhas de licenciados, também. Vamos explorar diferentes ocasiões de uso” explicou Fefa.

“Esses Shopper Mission Labs visam entender e identificar as necessidades dos consumidores da marca, monitorando estes dados, aprimorando os seus processos, formando e capacitando pessoas. Essas lojas laboratórios têm o objetivo de aprender com o consumidor e, a partir daí, realizar a melhor oferta para os seus clientes. Essas experiências sendo aprovadas ganharão outras lojas da rede”, explicou Jean Paul Rebetez, sócio-diretor da GS&Consult.

A Two Design foi responsável por criar o conceito de moodlists no projeto de arquitetura flexível da loja. “Com a mesma lógica de consumo do Spotify, a loja não se divide em masculino, feminino, etc, mas sim em “lists” de moods, como, por exemplo: Brasilidades, Pé na Areia, Sinta o Verão, e por aí vai. Algo que muda a dinâmica de exposição e se encaixa à dinâmica de consumo atual”, disse Erick Machado, sócio e diretor criativo do escritório.

A agência internacional focada em produtos digitais Work & Co também fez parte do projeto, colaborando no desenvolvimento dos conteúdos dinâmicos e interativos da loja. “Num mundo em constante mudança, precisamos evoluir no mesmo ritmo do público. A Havaianas Lab é um espaço físico equipado com experimentos, com o objetivo único de aprender e melhorar a experiência de descoberta, compra, e do relacionamento com o seu público”, destacou Diego Zambrano, um dos sócios da Work & Co. e líder da conta da Havaianas.

Para responder mais rápido às expectativas e necessidades dos seus usuários, essa loja faz parte de um projeto maior do grupo Alpargatas que abre quatro Shopper Mission Labs até o fim do ano em São Paulo, Rio de Janeiro e Londres, em 2020. A companhia desenhou um novo modelo de lojas para as marcas Havaianas, Osklen e Mizuno para oferecer mais experiências e serviços. Os novos pontos de vendas são conectados com novas tecnologias e permitem que a empresa possa escalar inovações de forma acelerada e eficiente.

“A consultoria da Gouvêa de Souza vem ajudando a Alpargatas a entender e identificar as necessidades desses consumidores, a partir de softwares como o Facemedia, onde traduzimos e correlacionamos todos os comportamentos assinalados nessas lojas, traduzindo isso em experiências, em um melhor sortimento de vendas, em formação e capacitação de suas equipes”, contou Rebetez.

Novo Varejo 2.0 busca a combinação virtuosa possível

O conceito de New Retail (ou Novo Varejo) é de 2016 e foi proposto por Jack Ma, o icônico líder da chinesa, cada vez mais global, Alibaba, um ecossistema de negócios que tem valor de mercado próximo a US$ 455 bilhões.

O conceito desenhava a nova realidade no varejo com a integração entre o online e off-line com amplo envolvimento logístico e a tecnologia como elemento viabilizador de toda a evolução.

O New Retail, em 2016, era um dos conceitos propostos por Jack Ma para sua visão sobre a New Economy, que incluía ainda New Manufacture, New Finance, New Energy Source and New Technology. Em sua concepção, o New Retail era apenas uma pequena parte da cadeia mais ampla de negócios e desta forma deveria ser entendida.

Mas o impacto das inovações que a concepção do ecossistema de negócios Alibaba e outros trouxeram transcende em muito que acontece nos negócios e envolve a própria sociedade como um todo. E em todo o mundo e cada vez mais.

Especificamente no varejo, a integração tecnológica online, off-line e logística com o multirelacionamento precipitado pelos Super Apps está redesenhando toda a realidade do varejo, inicialmente na China, mas, gradativamente avançando para outras realidades, inclusive no Brasil. O seu potencial transformador nos próximos cinco anos por aqui será maior do que tudo aquilo que aconteceu no nosso varejo nos últimos cinquenta anos.

Mas, enquanto na China toda essa transformação é precipitada pela tecnologia e redesenhou a realidade dos negócios, do mercado e da sociedade, a partir dos Super Apps, em outras economias, também maduras, essa transformação acontece, porém com velocidade em menor escala, pelas estruturas, hábitos, agentes e práticas existentes.

Como parte dessa mudança na China, em torno de 80% das transações no varejo ocorrem com pagamento digital feito a partir do celular e não raro encontrar empresas, como a rede de coffee-shops Luckin, que anunciam não aceitar outra forma de pagamento que não essa. Assim como supermercados que também não aceitam outra forma de pagamento a partir de determinado horário, que não via celular.

Mas se você der um salto espacial e estiver no Hudson Yards, o novíssimo complexo multiuso inaugurado em março deste ano, em Nova Iorque, na operação da Citarella, uma combinação de loja de produtos gourmet, restaurante e wine bar, o aviso que encontrará é que também não aceitam dinheiro, apenas cartões de crédito ou débito.

Mas no Hudson Yards a arquitetura provocativamente arrojada, os novos formatos de lojas de redes globais e locais, o novo equilíbrio de produtos, serviços e soluções, combinados ou não, a predominância das marcas próprias no varejo, o design e comunicação visual únicos e pensados para constante mudança, as instalações criando interações, os elementos de tecnologia disponíveis com foco em conveniência e redução de atritos, o espaço dedicado à alimentação, entretenimento, saúde, beleza, bem estar e lazer, sinalizam mais um vetor de combinação de elementos que podem ser incorporados numa outra visão do Novo Varejo, com uma proposta mais focada na experiência, desta vez do lado ocidental do mundo.

New Retail 2.0

O que imaginamos como o Novo Varejo 2.0 é exatamente essa combinação virtuosa e emergente de elementos vindos da integração do que a tecnologia, os Supper Apps, o online e off-line, a logística e tudo o mais que redesenham a realidade do varejo a partir da China, com todos esses outros elementos que emergem das novas propostas envolvendo experiências, design, conveniência, arquitetura, soluções, marcas próprias e ênfase no bem estar e cuidados pessoais tão valorizados na realidade ocidental mais madura.

Esse desenho futurista não está ainda disponível em nenhuma proposta atualmente operacional, mas deve estar emergente na mente dos que pensam o futuro próximo, pois do lado da demanda, dos omniconsumidores 2.0, será natural buscar essa combinação virtuosa de elementos.

E se existe ainda espaço para maior ambição na proposta, ela deveria necessariamente conter as pessoas como o elemento catalizador fundamental de toda essa integração.

E aí talvez não exista espaço para avançar muito mais. Ao menos por enquanto.

Natura inaugura primeira loja omnichannel em São Paulo

 

A Natura inaugurou sua 47ª loja própria no país. Localizada no Bourbon Shopping, em São Paulo, a unidade apresenta o novo conceito da marca, com tecnologia a serviço da experiência do consumidor e maior interação com os produtos e a história da empresa.A marca está expandindo a atuação no varejo e essa é a sua 11ª loja na cidade de São Paulo. O novo modelo mostra a história e os conceitos da Natura, com ingredientes da biodiversidade brasileira utilizados nos produtos da marca. “O movimento reforça a estratégia multicanal da empresa, que busca atender todos os perfis de clientes em diferentes ocasiões de compra. Queremos levar a melhor experiência aos nossos consumidores”, afirmou Paula Andrade, diretora de Varejo da Natura.

“Em um ambiente que valoriza a jornada do consumidor, a tecnologia está a serviço do cliente”, completou Andrade. De acordo com a executiva, no novo conceito de loja há a oportunidade de vivenciar uma experiência virtual da linha Ekos, conectando-se às comunidades extrativistas da Natura com óculos de realidade virtual, experimentando vários looks em um espelho virtual para maquiagem e fazendo uma avaliação exclusiva de diagnóstico de pele para indicação da melhor solução de hidratação. Para facilitar a realização do pagamento, ele também pode ser feito por sistema mobile, trazendo uma experiência de compra mais dinâmica e fluida.

A loja está segmentada em duas ilhas principais, que permitem maior experimentação de produtos da marca e conhecimento dos ingredientes da biodiversidade. A primeira ilha, com produtos de cuidados pessoais, traz a linha Ekos, que é 100% vegana e conta com mais de 90% de ingredientes naturais da biodiversidade brasileira.

A Casa de Perfumaria do Brasil, que traz as fragrâncias exclusivas da Natura, com ingredientes da biodiversidade brasileira, álcool orgânico e vidro reciclado, ocupa a segunda ilha.

A loja também possui um ponto de logística reversa. Neste novo modelo de loja, o consumidor poderá retornar a embalagem de qualquer produto cosmético da marca já utilizado, que será transformado em novos frascos, reforçando o posicionamento da marca voltado para a sustentabilidade.

Além da presença na cidade por meio da loja própria, os consumidores podem adquirir produtos da marca por meio de suas consultoras ou nas franquias Aqui Tem Natura, modelo de negócios que busca estimular o empreendedorismo de sua rede de consultoras.

Como o novo perfil de compras impacta nos canais do varejo

Estamos passando por um momento único na história do varejo, onde os novos hábitos de compra estão transformando os tradicionais canais e estimulando o surgimento de novos formatos de lojas. Tudo começa pelo shopper, aquele personagem fundamental que sempre realizou a compra na sua loja e que sempre decidiu o que iria comprar na frente da prateleira. Isso é passado. Ele mudou e não mudou hoje.

A tecnologia, que está em todo lugar, facilitou tanto a sua vida, tornou tão fácil a comparação de preço, ganhou agilidade na “compra com um clique”, que hoje está avançando para entregas quase que imediata das mercadorias e acostumou tão bem o shopper, que ele está buscando essa facilidade do mundo digital no mundo físico, através de uma palavra: conveniência.

A busca pela conveniência, aliada ao equilíbrio do preço cobrado, está impactando diretamente as características dos canais tradicionais do varejo. Você conhece o novo atacado? Como os hipermercados estão reagindo à esse movimento? O que são as lojas de proximidade? As lojas de conveniência não são mais as mesmas e você precisa entender no que elas se transformaram. Quais as oportunidades das farmácias no novo varejo?

Atacado

Para aqueles que acompanham de perto o desenvolvimento deste canal, percebe que está havendo uma transformação, principalmente, em função do perfil de quem está visitando suas lojas. Os principais clientes do atacado sempre foram os “Transformadores”, isto é, pizzarias, restaurantes e pequenos negócios de alimentação fora do lar. O shopper brasileiro, atento a essa oportunidade, passou a fazer compras nos atacados. As famílias e amigos se organizam para fazer compras planejadas de produtos para abastecer o mês inteiro e, no final da compra, dividem a conta. Pela redução de compra das pessoas jurídicas e o crescimento das pessoas físicas, em algumas lojas, o percentual de participação já está equilibrado em 50%.

Não é à toa que este canal vem crescendo nos últimos anos e o atacado está se transformando em atacarejo (atacado + varejo) por força do novo consumidor. Os atacadistas estão tendo que rever suas operações de loja, a gestão de seus funcionários e o sortimento oferecido, para atender melhor um cliente que tem um tíquete médio menor que um Transformador e que tem exigências distintas, sem deixar de atender bem seu cliente de maior volume.

Hipermercado

Fazer compras em hipermercado já não seduz mais o shopper como ocorria antes. Grandes lojas, longos corredores, centenas de opções de produtos, tudo em uma loja em que o shopper faz tudo sozinho. Apesar de bons preços, definitivamente essas características não combinam com conveniência. O consumidor sabe disso e os hipermercados estão passando por um momento delicado de revisão do seu modelo para torna-lo mais ágil e mais moderno para atender o novo shopper. A busca por eficiência e produtividade das suas operações é constante, assim como a rentabilidade dos milhares de metros quadrados de suas lojas.

Lojas de Proximidade (ou de vizinhança)

As grandes empresas proprietárias de redes de hipermercado não estão paradas. Sabendo da dificuldade de mobilidade urbana, aliada à busca pela conveniência, redes como Carrefour e GPA estão investindo pesado no desenvolvimento das Lojas de Proximidade, ou as chamadas lojas de vizinhança. São lojas menores que um supermercado, que concorrem diretamente com a lojinha de bairro, com a vantagem de ter suas compras centralizadas e com todo o know how do grande varejo.

As Lojas de Proximidade tem um sortimento adequado à área de influência da loja e uma quantidade restrita de funcionários, o que facilita o treinamento, melhorando o nível do serviço oferecido.

Como fica mais conveniente para o shopper encontrar o que procura, como o nível de atendimento é melhor que um auto serviço, o cliente se permite pagar mais por esse serviço.

Lojas de Conveniência

Ir ao posto para abastecer e aproveitar para comprar bebida e cigarro. Esse era o perfil das lojas de conveniência até pouco tempo atrás. Hoje, apesar dos preços mais altos, as lojas de conveniência estão se tornando a principal solução como um facilitador de compra, com um bom nível de serviço.

Não só no exterior, mas também no mercado brasileiro, as lojas mais modernas ampliaram os serviços oferecidos e contam com padarias, área de produtos frescos e saudáveis (FLV), refeições feitas na hora, farmácias e o cliente pode até abastecer o carro.

A ampla capilaridade e o hábito de ir até o posto de combustível complementam as fortalezas desse canal aqui no Brasil. Um posto de combustível que tem uma loja de conveniência junto do seu negócio fatura em média de 20% a 30% a mais de combustível. Em países onde o varejo é mais desenvolvido, as lojas de conveniência conseguem atuar independente do posto de combustível, se aproximando das características de uma Loja de Proximidade.

Farmácias

A legislação brasileira talvez seja o maior entrave para que este canal se torne uma solução completa para o varejo. Segundo relatório recente do ICTQ “Os serviços farmacêuticos prestados em farmácias e drogarias, têm sido vistos como fator de diferenciação para os negócios, e como fator social cada vez mais necessário à saúde pública. Desde a regulamentação da prescrição farmacêutica e da lei 13.021, que define a farmácia como estabelecimento de saúde, os serviços farmacêuticos ganharam força e estão cada vez mais presentes em todo o varejo. A população, atenta à evolução da profissão farmacêutica, já demanda por estes serviços – alguns mais, outros menos.”

Serviços Farmacêuticos que os brasileiros mais buscam nas farmácias

Entender o perfil e os caminhos de transformação que cada canal está seguindo é fundamental para a estratégia de qualquer indústria que atua no varejo. Assim como ser ágil em adequar o formato das lojas, melhorar seus processos, rever o sortimento e a estratégia de preço é fundamental para o varejo permanecer competitivo e atender melhor seu shopper.

Varejista chinesa recebe flagship com experiência de compra

A agência de design de varejo Dalziel & Pow criou uma loja com experiência de compra diferenciada para a marca “Selected” do grupo chinês Bestseller Fashion.

O novo conceito premium da Future You Store será lançado inicialmente em uma série de lojas em Pequim, oferecendo um espaço “pronto para conectar, mudar e vestir o futuro consumidor”. O modelo de loja pretende divulgar a Selected como o destino para comprar roupas de trabalho de qualidade e que seguem as tendências, além de criar um modelo de estilo de vida aspiracional em torno da marca.

Integrando uma experiência dinâmica e hiperconectada para impressionar os nativos digitais da China, a loja inclui projeções, sinalização cinética e um feed de mídia social ao vivo por trás do caixa para evocar um sentimento de mudança e “novidade”. Um “espelho mágico” dentro da área dos provadores permite que os clientes percorram os produtos para encontrar sua roupa perfeita, que, uma vez escolhida, pode ser compartilhada via WeChat.

Pequenas telas de bolso, chamadas “Debriefs”, estão à disposição, integradas em toda a loja. Nelas são exibidas pequenas informações sobre o produto, escolha de materiais utilizados na confecção e inspirações de moda.

A linguagem do design da loja foi desenvolvida para criar uma sensação de “um único espaço”, um conceito projetado para pessoas e não para gêneros; um local fluido que cria fluxo entre categorias e reflete o fato de que os casais chineses costumam fazer compras juntos. Uma única arara com os produtos flui através de toda a loja, unificando simbolicamente o espaço.

Os provadores selecionados são uma característica arquitetônica importante, além de um espaço social, assim como o balcão do caixa. Há também store-in-store separadas para as marcas Chinos e Denim, aprimoradas por pequenas telas que detalham as características de modelagem e tecido.

O varejo do futuro: sua marca está preparada?

futuro do consumo

O comportamento do consumidor se transformou rápido e completamente. Ele está cada vez mais exigente, dinâmico, super bem informado e hiperconectado. Compreender essa evolução é fundamental para saber atender às suas expectativas e assim, manter-se vivo no mercado, seja ele qual for. Vamos lá: não faz tanto tempo, uma pessoa interessada em determinado produto aceitava andar por horas para conhecê-lo de perto e comprar. A fase do “namoro” até chegar, enfim, a uma aquisição, podia levar semanas ou até meses. A busca por informações antes de fechar a compra era longa e penosa.

As lojas, geralmente grandes e distantes atraiam consumidores ávidos por novidades. Atendentes explicavam as funcionalidades e esclareciam dúvidas, mas, por serem vendedores, suas opiniões podiam ser contestadas. O consumidor sabia disso, até questionava se aquela marca era boa realmente, se havia muita reclamação ou não. Tentava se munir do máximo de informações para tomar sua decisão em um ambiente totalmente off-line, incompreensível nos dias de hoje.

Nos últimos anos, o contexto deste consumidor mudou. Sua vontade de obter informações, saber a origem dos artigos ou serviços, opção de cores, formatos e performance foi potencializada por um ambiente muito mais convidativo. Com a evolução da internet, dos smartphones, dos sistemas de busca e das redes sociais, o consumidor consegue identificar uma necessidade, pesquisar sobre ela, saber a opinião de outros usuários e adquiri-la em poucos minutos, ou até segundos. Eis que surge o novo consumidor: hiperconectado, ele quer acessar o maior número de conteúdos possível e efetuar sua compra online e ontime.

Seguindo essa tendência de comportamento no ambiente online, é preciso modernizar o off-line, ou seja, as lojas, para continuar a atrair a atenção e a preferência desse consumidor. Se faz urgente pensar no conceito de “convergência” entre os diferentes canais e trabalhar para que ela aconteça de fato.

Facilidade, transparência, entretenimento e conectividade. O consumidor quer chegar a uma loja e, ao pegar um produto, ter acesso a todas as informações sobre ele – origem, produção, cores indicadas, tamanhos disponíveis, etc – isso de uma forma leve e intuitiva. Se puder efetuar a compra ali mesmo, sem precisar passar no caixa, melhor ainda! Ah, não tem a cor no estoque? É só selecionar a cor desejada no aplicativo da loja que em poucas horas o produto chegará em casa. O frete é por nossa conta, obrigado!

É aqui que a internet das coisas começa a fazer sentido. Ao adotar tecnologias que possibilitam essas vivências, como RFID (Identificação por radiofrequência), as marcas podem se conectar com os consumidores de forma personalizada e transparente, fornecendo a eles conteúdos relevantes e uma experiência de compra aprimorada, quando e onde eles quiserem se envolver com elas.

Nas lojas, por exemplo, é possível por meio de uma etiqueta de RFID oferecer uma grande variedade de informações e conteúdos multimídia sobre um determinado produto. Materiais de campanha, dados sobre a origem e fabricação, tutoriais para a sua melhor utilização, opções de cores, formatos e tamanhos, entre outras informações que façam sentido e que ajudem a entregar o tão almejado storytelling para o consumidor, além de permitir também a venda online, quando não houver o artigo em estoque na loja física.

As experiências podem ser as mais variadas possíveis. Rápidas e eficientes ou personalizadas e assistidas, isso depende do perfil de cada marca e consumidor. Mas uma coisa é certa: o valor comercial é exponencial! Ao escolherem onde, como e quando comprar e se engajar com determinada empresa, os consumidores possibilitam a ela maximizar sua força de trabalho e capturar novos conjuntos de dados informativos que continuam a melhorar a personalização oferecida a cada cliente.

Nesse cenário, ganhará aquele que sair na frente e oferecer este novo universo de consumo.

Por Fabiana Wu, gerente de desenvolvimento de negócios América Latina da Avery Dennison e especialista em Tecnologia RFID

http://adnews.com.br/negocios/o-varejo-do-futuro-sua-marca-esta-preparada.html