Arquivo da tag: Cacau Show

A incrível fábrica de lojas de chocolates!

Passada a páscoa, a indústria e o comércio divulgaram os resultados das suas vendas. Este ano elas aumentaram 1,29%, em comparação com a mesma data comemorativa do ano passado. Em 2018, as vendas recuaram 0,34%, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes e Lojistas (CNDL) e Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Este resultado é um alento para o varejo começar a dar sinais mais sólidos de recuperação, mas não o suficiente para a retomada ao patamar de crescimento anterior a recessão econômica. A Páscoa representa o primeiro grande evento de consumo do ano.

Os produtos mais procurados nesta Páscoa foram os tradicionais ovos de chocolates industrializados (61%), caixas de bombons (50%), ovos de páscoa artesanais e caseiros (38%), barras de chocolate industrializadas (33%) e artesanais (25%), colombas pascoais (13%) e bebidas, como vinho (13%).

Apesar do pequeno aumento nas vendas este ano, uma fabricante de chocolates tem demonstrado grande otimismo com o futuro do país, apostando num ousado projeto de expansão de grandes lojas em shopping centers – A Cacau Show Megastore.

Tudo iniciou em novembro de 2017, quando Alexandre Costa, fundador e presidente da Cacau Show, teve a iniciativa de montar uma loja dentro de sua imensa fábrica na cidade de Itapevi-SP, nas margens da Rodovia Castelo Branco. Mais que uma loja de fábrica, o projeto contemplava uma megastore de 2 mil metros quadrados que consumiu investimentos de 7 milhões de reais e com capacidade para receber até mil visitantes por dia. Mais da metade do espaço é ocupado por um miniparque temático, o Cacau Parque. Na entrada, um carrossel com sete metros de altura. Uma árvore e um urso falantes cumprimentam aqueles que chegam. Um vagão de trem se revela um cinema para dezesseis pessoas. As cadeiras se mexem e há simulação de neve. A experiência sensorial proporcionada ao consumidor encanta a todos. A loja fez tanto sucesso que despertou o interesse de expandir este conceito em outros cantos do Brasil.

Foi assim que em agosto de 2018, num espaço de 450m²e investimentos de R$ 2 milhões, dentro de um dos principais shoppings de São Paulo – o Morumbi Shopping, numa parceria com a Multiplan, foi inaugurada a segunda loja dentro do conceito iniciado na fábrica, agora adaptado para uma área menor, mas mantendo toda a magia e passando a experiência da marca para os consumidores de todas as idades. Nesta unidade, entre outras atrações, existe um palco de shows de jazz gratuitos. Um setor destinado aos produtos infantis hospeda um teatro de fantoches. Há ainda o chamado Cacau Lab, onde profissionais ensinam o público a fazer temperagem do chocolate e outros truques. Em algumas noites, Alexandre Costa dá aulas por lá.

Novamente o sucesso se repetiu e projetou a marca Cacau Show a um novo patamar, antes uma marca de apelo mais popular para uma certa premiunização, atraindo um público que antes não frequentava suas lojas. A partir daí, animados com a resposta do público, fecharam acordo com a rede de shoppings Multiplan para uma sequência de lojas e desde então vem inaugurando unidades numa velocidade impressionante.  Foram inauguradas lojas em São Caetano, Jundiaí, Porto Alegre, no Shopping Anália Franco na capital paulista e pretendem inaugurar outras 25 unidades nos próximos meses. A meta é abrir pelo menos uma megaloja em cada cidade de grande porte no país. No alvo estão shoppings que atendem as classes A e B.

A estratégia das megalojas segue a parte do projeto de expansão da Cacau Show. Hoje, a rede que completou 30 anos de existência recentemente, conta com 2200 pontos de vendas via franquias e pretendem chegar nos próximos anos a 4 mil unidades. No ano passado inauguraram 206 novos pontos de venda e a empresa faturou R$ 3,9 bilhões, 20% mais do que em 2017. A Cacau Show é a segunda marca de chocolate mais vendida no país, com 9,6% de participação de mercado.

A Cacau Show é ou não é uma incrível fábrica de abertura de lojas de chocolates?

Experiência, experiência, experiência!

10 Corso Como, em Seaport, Nova York

No passado eram localização, localização e localização as três coisas mais importantes no varejo. Eram.

No varejo moderno, se for digital, a localização é quase irrelevante.

Na realidade atual e futura, pressionada pela comoditização acelerada, que pressiona a rentabilidade de todos os negócios do setor, o fator potencial de equilíbrio é a experiência agregada no processo de compra física ou digital. Ela, a experiência, pode re-equilibrar a componente racional do processo de decisão de compra, permitindo colocar mais emoção e, com isso, melhorar o resultado.

Nos processos de compra digital essa experiência está associada às possibilidades de mais informação, interação, navegabilidade e resenhas, além de comparação de produtos e serviços. E, nesse quesito, a Amazon é o benchmarking global e fonte maior de referências inovadoras, parte delas também usadas nas lojas.

Nos novos formatos, esse processo envolve aspectos físicos, visuais e sensoriais, além de relacionamento e interação, que transformam a loja em um ponto multiconfigurado, incorporando novas funções e propostas.

A loja tradicional, mais ambiciosa em sua proposta, evolui para ser uma instalação que pode incorporar arte, decoração, alimentação, produtos, serviços, interação e, acima de tudo, experiências.

Como exemplo, a 10 Corso Como, recém-inaugurada no Seaport em NY ou a RH – Restauration Hardware, do Meatpacking, ambas descritas em nosso artigo anterior, são um exemplo perfeito e completo. Assim como o novo formato do Eataly, aberto já algum tempo no WTC, também em NY, tanto como a reconfiguração das lojas da Ralph Lauren na Madison, em NY, ou as novas unidades da Whole Foods, incorporando muito mais opções de alimentação na própria loja ou “ready to go”.

Até mesmo na Macy’s, em sua luta por renovar o tradicional formato de lojas de departamentos, sempre em constante desafio de reinvenção, tem incorporado, ao seu modo, mais experiência, especialmente visual e relacional, na sua loja da rua 34, também em NY,  em particular nos serviços de alimentação do sub solo.

Tanto quanto a Amazon, com sua re-invenção das livrarias integradas com as experiência aprendidas no processo digital, como a do Columbus Circus e outras.

Mas, não precisamos ir longe. A novíssima loja da Cacau Show, no Shopping Morumbi, em São Paulo, incorporando loja, espaços de interação, área lab e serviços de alimentação, está exatamente na mesma linha.

Tanto quanto, em outro extremo, a recém-inaugurada Onofre CVS, na Avenida Paulista, que inova em muitas frentes, inclusive com área de serviços e o robot que recepciona, armazena, seleciona, entrega e controla produtos farmacêuticos.

Na sua guerra particular com a conveniência, facilidade e atemporalidade das opções digitais, as lojas, de todos os posicionamentos, buscam opções para melhorar de forma contínua, surpreendente e em constante renovação, a experiência do consumidor.

As dimensões geradoras de experiência

Interessante notar que no mercado norte-americano e em todos aqueles onde o custo de mão-de-obra é o item mais sensível da estrutura de custos do negócio, a visão da experiência é profundamente baseada na incorporação de tecnologia que facilite, torne mais conveniente, rápido e fácil os processos de avaliação, envolvimento, decisão e compra de um produto ou serviço, buscando aproximar o processo one click do digital de uma proposta similar no ambiente físico.

Em outras realidades, e em particular no Brasil, a experiência pede, de forma marcante, que haja interação humana, apoiada ou complementada, pelas alternativas tecnológicas que podem maximizar a satisfação do omniconsumidor.

Nesse aspecto, podemos afirmar que, provavelmente, o Brasil está entre aqueles mercados onde se apresenta um padrão médio de atendimento e serviços no varejo, que pode diferenciar pelo envolvimento humano, já que esta é uma demanda emergente do nosso consumidor, especialmente aqueles das camadas média e alta da população.

Na nossa realidade, definitivamente não basta a opção apoiada em tecnologia que ofereça o “no stress” como proposta. É muito pouco e não diferencia.

A importância de incorporar o envolvimento humano, apoiado em tecnologia que facilite e agilize processos, é o elemento da experiência de varejo talvez mais relevante na atual cenário e aquele que faz, definitivamente, a diferença.

https://www.mercadoeconsumo.com.br/2018/09/17/experiencia-experiencia-experiencia/

A fofurização do varejo – experiência acima de tudo!

Por Marcos Hirai – 18 de outubro de 2018

O MorumbiShopping, templo do consumo da zona sul paulistana vêm se tornando, voluntariamente ou não, berço de vários novos modelos de varejo que têm em comum propostas de lojas que oferecem, sobretudo, experiência ao consumidor além de uma dose de fofura. Conheçam algumas delas (e aproveite para visitá-las):

Estrela Beauty – Em junho último, a tradicional fabricante de brinquedos Estrela inaugurou a primeira unidade da “Estrela Beauty”, uma marca de play make-up e acessórios, pensados e desenvolvidos para a criança. O espaço dispõe de diversas penteadeiras para quem quiser se maquiar “brincando”. Uma loja concebida para experiências, por isso, na entrada da loja existe um painel interativo com animação como um ponto de atração, onde as crianças podem brincar e clicar nos ícones. Além de um espelho mágico, que possui um monitor atrás, promovendo interatividade, onde a criança assiste outras crianças com vários tipos de maquiagem. Um ateliê com mesa, onde ela pode sentar e se maquiar, há armários com produtos para pegar e se divertir, papéis para desenhar e espelhos com frases escritas com batom. Para as meninas, papais e mamães, é um lugar com diversão garantida.

Snoopy Café – Snoopy, o famoso cão das histórias em quadrinhos criadas por Charles Schulz, é o tema de uma cafeteria inaugurada em junho. O balcão da loja é todo decorado com as tirinhas da turma de Charlie Brown. E as xícaras, os guardanapos, os copos e a maioria das guloseimas vêm decorada com imagens dos personagens. Quem é fã também pode levar para casa uma lembrancinha, já que a casa vende canecas e bichos de pelúcia de personagens como Snoopy, Charlie Brown, Woodstock e Lucy. Fofos não?

Megastore Cacau Show – A loja inaugurada em agosto ocupa 450 m² do piso térreo e é a maior loja de chocolates em shopping centers do Brasil. O espaço lúdico mostra um ambiente repleto de experiências diferenciadas. Por exemplo, nas noites de terça e sexta, monta-se um palco de shows de jazz gratuitos. Um setor destinado aos produtos infantis hospeda um teatro de fantoches. Há ainda o chamado Cacau Lab, onde profissionais ensinam o público a fazer temperagem do chocolate e outros truques. Tem também uma exótica e charmosa cafeteria. Na área Bean to Bar, os consumidores podem acompanhar todo o processo de torra e drageamento do cacau. Enfim, uma loja para consumir, mas, sobretudo, se divertir muito.

Sorveteria Dona Nuvem – A sorveteria Dona Nuvem, que abriu há pouco mais de um ano numa galeria da rua Augusta e virou sensação entre as adolescentes, anunciou a abertura nos próximos dias de uma filial conceito com 125m2. A sorveteria, inspirada numa doceria de Londres , é conhecida por oferecer a combinação de sorvete com algodão doce que lembra uma nuvem, com possibilidade de customização e criação dos sorvetes a partir da escolha de temas como “Unicórnio”, “Sereia”, “Tubarão”, além de coberturas e toppings variados, como pipoca, confeitos de estrelinhas ou até um biscoito em formato de emoji. “A ideia é resgatar os sabores da infância”. Um lugar feito sob medida para postagens no instagram.

Essas quatro lojas citadas deixaram de ser pontos de vendas (PDVs) para se transformarem em pontos de experiência. Este termo que o Grupo GS& Gouvêa de Souza batizou de PDX, envolve absolutamente tudo em relação à antiga concepção da loja, com relação à oferta de produtos e serviços, ao design, à ativação e promoção de vendas, ao atendimento, à atuação e ao papel das pessoas, aos instrumentos de monitoramento e controle incorporados e, talvez mais importante, ao empoderamento das equipes que atuam nesses espaços. A loja começa a exercer um papel mais amplo, como um ponto de encontro, de experiência e de relacionamento não se restringindo mais à venda de produtos baseado na racionalidade e que pressiona a rentabilidade do negócio.

https://www.mercadoeconsumo.com.br/2018/10/18/a-fofurizacao-do-varejo-experiencia-acima-de-tudo