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Grupo 3Corações lança projeto de ambientação de corredor de cafés

O Grupo 3corações, em parceria com o Grupo Facta e o Supermercado Enxuto, localizado em Campinas, interior de São Paulo, desenvolveu o maior projeto de ambientação de corredor de cafés em supermercados no Brasil. Após dez meses de trabalho colaborativo entre a indústria e o varejo, a equipe de Shopper Marketing e Gerenciamento por Categoria do Grupo 3corações apresentou um projeto para o ponto de venda (PDV), que incorpora informações sobre os produtos, entretenimento e tecnologia ao espaço, para gerar mais interatividade e conhecimento ao consumidor.

“O café, bebida mais consumida no Brasil depois da água, faz parte de diferentes momentos do dia: de manhã, antes e depois do almoço, no lanche da tarde e até após o jantar. Por isso, estamos valorizando o produto em todos os canais de comunicação do PDV, afinal, é lá que o consumidor decide o que vai comprar”, disse Diogo Alves, coordenador de Shopper Marketing e Gestão por Categorias do Grupo 3Corações.

O projeto conta com ponta de gôndola, que, além de reunir todos os produtos da marca, apresenta um relógio no topo com suas funções em um background com imagens de café; além de TV informativa, que disponibiliza conteúdo sobre cafés para os consumidores; aromatizador de café; testeiras que carregam como tema principal os momentos do dia; faixas de gôndola com o intuito de segmentar e apresentar as subcategorias de cafés do Grupo 3Corações; painéis informativos sobre processos de produção, desde o plantio e cultivo até a diferenciação entre os tipos de grão e a moagem; guia com a cápsula ideal, para auxiliar o consumidor a entender a relação de compatibilidade das cápsulas com as máquinas, diante da infinidade de marcas e formatos desse tipo de produto existente no mercado; e LEDs na área de cafés especiais, que ocupam uma área diferenciada, chamada Momentos Especiais.

O CTA também vale para as lojas físicas

Por Caio Camargo – 

CTA: Call to action. Termo em inglês que significa “chamar para a ação”. É muito utilizado principalmente nas mídias digitais, como as postagens nas redes sociais, como forma de engajar consumidores, ou pelo menos, estimulá-los a participarem da conversa, com comentários e opiniões.

São frases como: “E aí, qual sua opinião sobre esse assunto?”, que costumam a encerrar as postagens, no intuito de que movimentar o post em si. Em tempos onde comentários e compartilhamentos são muito mais valiosos do que os likes antes perseguidos, o CTA hoje é essencial para as marcas.

Agora o que isso tem a ver com as lojas físicas? Há muito tempo estamos criticando as lojas que ainda insistem no modelo de ser apenas um local de venda de produtos, ou um ponto de venda como sempre utilizamos na linguagem técnica, para algo muito maior do que isso e que no âmbito de marca, seja um local de conexão entre a marca e os consumidores.

Mas falta pegada.

Se estiver por exemplo em algum corredor de shopping, talvez o único call to action que você verá na maioria das lojas ainda são os cartazes com descontos, cada vez menos eficazes, uma vez que há a sensação de que durante o ano todo você encontra descontos de 20-30% em praticamente todas as lojas do local. Para o consumidor, virou paisagem.

E se sobra inspiração na hora de pensar no conceito ou arquitetura da loja, parece que falta brilho ou inspiração na hora de criar vida e atenção na hora da promoção.

Embora seja uma das alternativas, principalmente se estivermos falando de lojas de rua com perfis mais populares, música alta ou clima de festa não funciona para todos.

Exemplos como colocar na entrada, algo que possa contar com a interatividade do consumidor, como um local “instagramável”, que sirva de inspiração para uma foto, ou melhor dizendo para muitas fotos, podem ser algumas das alternativas. Empresas como Mac e Hering apostaram recentemente nesses conceitos.

Na recente loja conceito da Hering, do Morumbi Shopping, por exemplo, há um balanço colocado na vitrine, onde as pessoas podem literalmente fazer parte da vitrine. Um convite não só para uma foto, mas para conhecer a loja.

Vale a pena buscar novas possibilidades para chamar a atenção do consumidor. Hoje, mais do que uma loja de descontos, os novos consumidores cada vez mais buscam um local para se relacionar, e se relacionar com a marca. Em um mundo onde o engajamento se torna cada vez mais relevante em relação à notoriedade, buscar novas e criativas formas de “chamar para alguma ação” seus consumidores, é cada vez mais essencial.

* Imagem reprodução

https://www.mercadoeconsumo.com.br/2019/03/20/o-cta-tambem-vale-para-as-lojas-fisicas

Casa Pilão: de produto a serviço e franquia

Comer fora de casa é um dos novos hábitos do consumidor brasileiro e isso vai muito além do almoço ou saídas de final de semana. O café da manhã e pequenos lanches entre as refeições já fazem parte da rotina de gastos fora de casa. Pensando nesse público, a Pilão abriu em 2010 sua primeira unidade do projeto Casa Pilão – uma cafeteria que busca levar aconchego e experiência ao consumidor e que agora se aventura no mundo das franquias.

O espaço possui tons claros, valorizados por detalhes em vermelho que lembram os pacotes dos grão da marca. Para acomodar os clientes, há um balcão e confortáveis poltronas e mesas de madeira, além de um cardápio típico brasileiro e opções que incluem os itens do portfólio da empresa. A aposta nesse nicho reflete um comportamento já existente em outros países e ainda em processo de difusão no Brasil: o movimento de nomes consolidados de produtos para o serviço.

A estratégia da Pilão é levar a marca a ser lembrada em outros lugares onde o consumidor está presente. “Queremos desenvolver a marca não apenas no varejo com nossos conhecidos cafés, mas fora de casa em um momento de lazer e descanso. Não queremos concorrer com nenhuma loja. O que buscamos mesmo é criar uma lembrança na mente do consumidor, dar uma experiência diferenciada e de valor. A loja ajuda em termos de imagem, o produto tem mais força e visibilidade”, conta Ricardo Souza, Diretor de Marketing da Casa Pilão, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Novos formatos
Acostumada a vender produtos desde 1978, a empresa saiu da zona de conforto ao observar o sucesso da grife Café do Ponto, também pertencente a Sara Lee, mesmo grupo que administra a Pilão. “A área de food service está crescendo muito e vimos que tínhamos uma boa variedade de itens no portfólio que pudesse ser levada para as ruas, afinal fazemos desde o expresso até o coado em diferentes formas. Só precisávamos estudar o mercado para saber fazer bem enquanto varejo”, conta Ricardo.

Dentre as preparações para transformar uma marca de produto em serviço, a companhia contratou uma consultoria para que pudesse alinhar o propósito do negócio com o que já fazem nas gôndolas. Uma equipe de baristas também foi convocada para elaborar o cardápio, que além de preparos feitos à base do grão – diferentes blends, da casa e regionais, coado no papel e filtro de papel – inclui comidas como tapioca, pão de queijo e demais salgados mais consumidos por brasileiros.

O diferencial das unidades, no entanto, está em vender lançamentos em primeira mão nesses pontos de venda. “Fornecemos na Casa Pilão as cápsulas compatíveis com Nespresso, que lançamos em julho e somente agora está chegando no varejo. Essa foi uma forma encontrada de criar um novo tipo de valor e ganhar o interesse desse consumidor que está cada vez mais exigente”, afirma o Diretor de Marketing da Casa Pilão.

A estratégia adotada é um dos caminhos para o sucesso do negócio, uma vez que a exclusividade cria a diferenciação entre os demais. “Cafeterias existem em qualquer lugar, é um local que o brasileiro se acostumou a ir. Criar uma vantagem entre os demais, oferecendo um produto que só será encontrado dentro de um determinado ponto de venda é fundamental. A marca pode continuar a fazer isso com todos os seus lançamentos e mesmo utilizando a loja como teste para novidades”, analisa Roberto Kanter, Diretor Executivo do Canal Vertical e Professor dos MBAs da Fundação Getúlio Vargas, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Franquias
Do mesmo modo, a expansão das lojas deve ser feita sempre atenta aos mercados que mais possuem abertura com esse nicho. A primeira experiência da Pilão em serviços foi com uma loja conceito no shopping Morumbi e hoje a empresa conta com 17 unidades em diversas regiões do Brasil, incluindo Centro-Oeste e Nordeste. O projeto de expansão conta com um programa de franquias feito em parceria com a Francap.

A proposta é de um modelo saudável financeiramente para o empreendedor, em que o investimento não é alto. “Ser atrativo enquanto negócio é muito importante. A Pilão já possui um nome reconhecido e que pode transmitir confiança tanto por quem quer ser um empresário quanto pelos clientes. Se a marca souber aproveitar bem a expertise que tem em produto nessas lojas, tem tudo para ser um exemplo global de case de produtos que se transformam em serviço”, conta Roberto Kanter.

Dentre os desafios ao se lançar nessa seara está o caminho oposto a muitas empresas. A marca quer buscar pontos alternativos a shoppings e se consolidar em lojas de rua. “Hoje há uma saturação nesses locais fechados. É preciso se manter rentável e nos centros comerciais os custos estão cada vez maiores, além da alta competitividade”, conta o Diretor de Marketing da Casa Pilão.

Ações de Marketing
Como forma de ganhar o interesse dos consumidores e fidelizá-los no local, a fabricante de cafés busca em suas estratégias e campanhas diferenciar quanto ao posicionamento e visual das demais concorrentes. Além disso, a Pilão quer mostrar algo mais casual e despojado, para o seu público que compreende homens e mulheres que trabalham, na faixa etária de 25 aos 50 anos.

Para chegar até eles são utilizadas ações de relações públicas, promoções com drinks, eventos sazonais, como lançamentos de inverno, além de participação nos ambientes digital e off-line. A presença em feiras também é um modo de ser visto e conseguir o olhar do empresário tanto como modelo de negócio como trazê-lo para ser cliente. “Muitos executivos frequentam nossas lojas. Nosso grande momento é o pós-almoço, em que eles se reúnem e descansam. Por isso procuramos melhorar o ambiente para que eles possam utilizar o espaço para reuniões e resolver questões de trabalho”, conta Ricardo.

Diferente do perfil do Café do Ponto, que é mais A/B, a Casa Pilão atinge a classe C. Mesmo com a crise econômica brasileira atingindo diretamente essa parcela da população, a empresa não sentiu uma queda nas vendas. “A procura continua a mesma, temos preços acessíveis e um formato atraente. Construímos em nossas ações uma estratégia que apresenta valor e faz com que o cliente se sinta em casa. O café não deixou de ser consumido em casa e também não vai deixar de ser consumido na rua”, afirma Ricardo Souza.

Por Priscilla Oliveira | 30/09/2015

http://www.mundodomarketing.com.br/cases/34629/casa-pilao-de-produto-a-servico-e-franquia.html

A TV, o varejo e o público

Dizer que vivemos em um ambiente cada vez mais invadido por mensagens que nos atingem sem a menor cerimônia é lugar comum. E o pior é que temos que nos adaptar, nos transformando em seres conectados 24 x 7 e capazes de dividir a nossa atenção, sem prejudicar a nossa concentração ou capacidade produtiva.

Em casa, trabalhando ou nos divertindo, somos impactados por centenas de imagens por hora, que concorrem pela nossa atenção. As mídias tradicionais foram muito rápidas em criar recursos para nos manter ligados, na busca dos  níveis de audiência, mesmo na desfavorável condição de receber apenas uma parcela da atenção.

Isso aconteceu com a televisão e também com o varejo. A TV passou a dividir a atenção com smartphones, laptops ou outros recursos a que recorremos para ampliar a nossa capacidade de conexão com o mundo em tempo real, e no caso do varejo físico, o varejo virtual nos convida a consumir onde e quando desejamos.

Exercendo o seu direito de defesa, os programas de TV ficaram mais rápidos, diminuindo a duração dos programas e das cenas, os vídeos clipes foram encurtados e a dicção das palavras acelerada. Além disso, as imagens passaram a ser mais chamativas, com a presença de mais personagens e de cenografia mais elaborada. Tente procurar uma parede branca e vazia em toda a programação.

A concorrência do varejo eletrônico e as novas expectativas e comportamento do consumidor, levaram as lojas a buscar o mesmo remédio. Diminuíram de tamanho, tornando-se mais densas e de reconhecimento mais rápido, ao mesmo tempo em que assumiram uma ambientação mais rica e imagética. As lojas “clean” e minimalistas simplesmente desapareceram.

As séries, que vêm substituindo os filmes, passam a contar histórias em capítulos. Na tentativa de prender o consumidor, as redes entenderam que, para se comunicar, precisam demonstrar claramente quem é o seu público, quais os seus valores, diferenciais competitivos e posicionamento.

O exemplo da PROXIMO GAMES, cadeia para a qual criamos do zero um novo conceito, representa bem esta preocupação. Tivemos como objetivo desenvolver um projeto integrado, desde o logo até a loja, passando pelas embalagens, uniforme, etc., de modo a criar uma relação forte entre a marca e o seu consumidor, que reconhece a sua tribo e passa a desejar aderi-la, vivenciando o espaço da loja e consumindo.

As cores, acabamentos, formas, design de equipamentos e iluminação se somam ao conceito de autosserviço e a possibilidade de degustação dos games e das diferentes plataformas para passar uma imagem moderna, amigável e dinâmica, que atende ao desejo do consumidor.

A fachada é aberta, desenhada num ângulo que convida à entrada, com um grande logo iluminado e demonstra desde o início a dedicação e especialização do varejista no objeto de adoração dos fãs de jogos eletrônicos.

Enfim, já que o nosso futuro está definitivamente ligado a uma tela, decidimos contribuir para torná-lo mais interessante e atraente.

 

 

 

Manoel Alves Lima (mlima@falzonialveslima.com.br), diretor da FAL Design Estratégico para Varejo, Vice Presidente do Retail Design Institute e co-editor do Blog da FAL

redesign –  19/03/14

http://www.gsmd.com.br/pt/eventos/redesign-20121214-093438/a-tv-o-varejo-e-o-publico

Hiperestesia sensorial, uma fronteira a ser explorada

O cheiro arrebatador de café que desperta o desejo de um autêntico espresso italiano; as prateleiras exuberantes que nos fazem entrar na livraria e passar o tempo folheando diferentes livros ou revistas; o ambiente acolhedor daquele restaurante que parece ser a própria extensão da nossa casa. As possibilidades são infinitas, mas o conceito por trás delas é um só: o de hiperestesia sensorial. Basicamente, trata-se de planejar um conjunto de experiências capazes de estimular os cinco sentidos do consumidor, levando-o a mergulhar de repente em um mundo inteiramente novo – o mundo da marca.

Ainda são poucas as empresas de varejo que conseguem ir além dos estímulos visuais. Justamente por isso, quando trabalhamos e conectamos as experiências dos nossos sentidos, construimos uma oportunidade de diferenciação. Sons, cheiros, aromas, texturas e até sabores proporcionam novos pontos de contato com a marca e ampliam radicalmente as fronteiras do que chamamos de Retail Experience Design. Oposta à anestesia, que é a ausência de atitude, a hiperestesia movimenta e surpreende o shopper com uma experiência mais plena e marcante, transformando o PDV naquilo que chamamos de “ambiente de marca”. Isto é: um ambiente que potencializa a percepção de valor e o reconhecimento de todos os atributos que tornam a marca realmente única no mercado.

Para que esse conceito entre no planejamento de Retail Experience Design, porém, é preciso conhecer a fundo os cinco sentidos e o papel que eles exercem na formação das nossas percepções. Tradicionalmente, as marcas dão prioridade à visão. Nem poderia ser diferente: principal ponto de contato do cérebro com o mundo, o olho é rápido, eficiente e confiável – raramente duvidamos daquilo que estamos vendo. Daí que a visão é explorada exaustivamente em todas as esferas do varejo: nas cores e formas de embalagens, na ambientação das vitrines, na apresentação dos profissionais de atendimento e na própria arquitetura do PDV.

Os demais sentidos têm a função de aprofundar a experiência de compra, levando o shopper a descobrir atributos que estão fora do alcance dos olhos. Algumas marcas utilizam aromatizadores para despertar desejos fugazes, tais como o de tomar um café. Outras utilizam o olfato para criar uma espécie de identidade etérea – um cheiro que o shopper seja capaz de reconhecer aonde quer que vá. Para a audição, muitas marcas usam sons e efeitos que criam a atmosfera certa no PDV. A experiência se torna ainda mais envolvente quando atinge o tato. As pessoas, afinal de contas, gostam de tocar naquilo que estão prestes a comprar – roupas, computadores, automóveis e até alimentos. Os PDVs podem (e devem) dar a elas a chance de fazer esse reconhecimento e ficar com ótimas percepções. Mais ou menos como em um test-drive ou, ainda, uma sessão de degustação – quando o paladar é que fala mais alto.

Bem planejada, a experiência sensorial atinge um outro patamar: torna-se uma experiência emocional. Com os sentidos aguçados, o shopper descobre dimensões surpreendentes da marca e se deixa levar pelas experiências de consumo que adicionam valor a seus produtos e serviços. Consequentemente, fica mais próximo de chegar ao encantamento, atribuindo novas camadas de significados à marca. Nesse processo, um shopping deixa de ser um simples local de compras e passa a ser visto como um espaço de lazer e bem-estar.

Inovador e ainda pouco conhecido, este conceito traz uma nova visão que deve e pode ser ampliado para o ambiente de marca. Para trazer bons resultados, é essencial que esteja alinhado com a estratégia de Branding e Design no PDV. Os estímulos visuais, sons, cheiros, sabores e texturas não podem colocar em xeque as promessas de marca feitas pelos meios convencionais de contato. Ao contrário: devem reforçá-las, enaltecê-las, expandi-las. Em todos os sentidos.

Neste recente projeto que desenvolvemos, um restaurante deixa de ser um lugar para comer e se torna um ponto de encontro para amigos e familiares que apreciam a boa gastronomia. Em Porto Alegre, a cervejaria Dado Bier inaugurou mais um Dado Garden Grill, no Shopping Bourbon Wallig, incorporando mais um ambiente à rede de restaurantes bem-sucedidos.

Leonardo Koboldt de Araujo é sócio do GAD e diretor do Gad’Retail. Graduado em Arquitetura e Urbanismo, possui mais de 30 anos de experiência na gestão de design de ambientes comerciais, design de produtos, na criação, planejamento e desenvolvimento de espaços e experiências para importantes marcas nacionais e internacionais.

26/03/2013 – http://www.gsmd.com.br/pt/artigos/redesign/hiperestesia-sensorial-uma-fronteira-a-ser-explorada

L.L.BEAN

L.L.BEAN, varejista líder no segmento de equipamentos e indumentárias para atividades ao ar livre, é uma das vedetes do competitivo mercado americano, conhecida por seus produtos e serviço ao consumidor de alta qualidade e por oferecer 100% de garantia de satisfação aos seus clientes. Com uma simples receita, que engloba qualidade e serviço a um preço razoável, se transformou em uma grande estrela do segmento, criando dessa forma, a fidelidade entre os seus consumidores e proporcionando uma “experiência positiva de compra”.

A história
A história da empresa tem início quando Leon Leonwood Bean, um caçador do pequeno estado americano do Maine, conhecido por suas belezas naturais, especialmente as florestas, resolveu fundar em 1912 na pacata cidade de Freeport, uma empresa para comercializar, de dentro de uma pequena sala da empresa de seu irmão, um único produto que iria revolucionar a indústria de calçados dos Estados Unidos: a Maine Hunting Shoe (uma espécie de bota para caçadores). A ideia surgiu depois que Leon voltou de uma desgastante caçada com os pés frios e úmidos. Foi então que contatou um sapateiro local para fazer adaptações nas tradicionais botas de caça (uma combinação de partes superiores em couro leve e das partes inferiores de borracha), tornando-as impermeáveis e mais confortáveis para explorar as belas florestas que estado tinha a oferecer.
 
Inicialmente ele obteve uma lista dos principais caçadores de fora do estado e preparou um folheto explicativo que dizia: “You cannot expect success hunting deer or moose if your feet are not properly dressed. The Maine Hunting Shoe is designed by a hunter who has tramped the Maine woods for the last 18 years. We guarantee them to give perfect satisfaction in every way” (“Você não pode esperar êxito caçando veados e alces se os seus pés não estiverem devidamente calçados. O Calçado Maine Hunting Shoe é desenvolvido por um caçador que explorou as florestas do Maine por 18 anos. Nós garantimos que o produto dará uma perfeita satisfação em todos os sentidos”). Os caçadores não resistiram à qualidade e ao apelo do novo produto, fazendo com que rapidamente os pedidos fossem se multiplicassem.
Mas, o começou não foi fácil para Leon. As borrachas costuradas ao couro de 90 das 100 primeiras botas vendidas se soltaram. Começava então uma estratégia que iria nortear o sucesso da marca nos anos seguintes. Ele ressarciu todos os clientes que haviam tido problemas com os calçados, levantou um empréstimo, contatou sapateiros para corrigirem o problema e imprimiu novos folhetos explicativos. A partir de então, ele próprio testava os produtos, garantindo assim a qualidade e a satisfação de seus clientes. Rapidamente a marca L.L.BEAN se estabeleceu no mercado como sinônimo de produtos de qualidade. Pouco depois, em 1917, a empresa inaugurava sua primeira loja, que vendia também alguns outros itens para atividades e esportes ao livre, como por exemplo, um casaco especialmente desenvolvido para os caçadores se tornarem mais visíveis para outros caçadores. A loja focou-se no essencial: produtos de qualidade, garantia de satisfação e funcionários extremamente treinados para atender ao público com serventia e educação.
 
Na década de 20, com a popularização cada vez maior dos automóveis, mais pessoas visitavam o estado do Maine para curtir suas belezas naturais. Com isso a L.L.BEAN continuou atraindo caçadores, pescadores e campistas pela qualidade de seus serviços e produtos. Nesta época a marca introduziu os famosos casacos para atividades ao ar livre (Field Coat), em 1924, e as camisas de Chamois, em 1927. Foi nesta época que a marca ganhou ainda mais popularidade quando o escritor Ernest Hemingway recomendou suas tradicionais botas para outros caçadores. Na década de 30 a empresa aumentou sua área de venda na loja, incrementou o catálogo, agora com 52 folhas e aumentou o número de itens vendidos como a tradicional bolsa Boat and Tote, lançada em 1934. Em 1951, o proprietário resolveu que a loja iria abrir 365 dias por ano, 24 horas por dia, proclamando com bom-humor: “Jogamos fora as chaves!” (We have thrown away the keys to the place). E ele não estava brincando. Até hoje, não existe fechadura nas portas da loja principal localizada na cidade de Freeport, que se transformou em um ponto turístico, recebendo mais de 4 milhões de visitantes anualmente. A enorme loja é famosa pela escultura gigante da bota que fez a fama da marca, localizada na entrada, e do enorme tanque de peixes interno com várias espécies naturais da região.
Em 1954 a loja inaugurou uma sessão dedicada aos produtos femininos. No dia 5 de fevereiro de 1967 ocorreu a morte do fundador da empresa aos 94 anos. Na época, mais de 50.000 cartas de condolências de consumidores entristecidos chegaram à sede da empresa na cidade de Freeport. Era um claro reconhecimento dos consumidores à tudo que Leon Leonwood Bean tinha feito por eles no varejo. O comando da empresa foi assumido por Leon Gorman, neto do fundador, que conduziu a empresa para uma transição aos tempos modernos que viriam. Na década de 70 a empresa inaugurou a divisão de vendas diretas, especialmente para atender clubes, times, organizações e empresas de qualquer porte. Foi também nesta década, em 1976, que a introdução do cartão de crédito facilitou ainda mais o ato de comprar dentro da L.L.BEAN.
 
Pouco depois, em 1979, a empresa divulgou seu primeiro catálogo totalmente colorido. O rápido crescimento continuou na década seguinte, incluindo a introdução das famosas camas para cachorros em 1980, das mochilas escolares em 1982 e de rifles de caça em 1984. Pouco depois, em 1985, a empresa implantou um número gratuito de atendimento para vendas, em resposta a demanda cada vez maior dos consumidores em comprar pelo telefone. Poucos anos depois, em 1988, a L.L.BEAN inaugurou sua primeira loja de desconto (outlet) na cidade de North Conway, estado de New Hampshire. O crescimento continuou, e, no mês de novembro de 1992, a rede inaugurou sua primeira unidade no Japão, iniciando assim uma consistente presença nesse país (em 2006 já inaugurava sua 14ª loja de varejo em terras orientais). Três anos mais tarde expandiu seus canais de venda inaugurando seu comércio on-line. Em julho de 2000, a L.L.BEAN ampliou sua presença no varejo americano além do estado do Maine pela primeira vez em sua história, quando abriu uma loja na cidade de McLean na Virginia.
De 2001 a 2007 a empresa inaugurou lojas adicionais nos estados do Maryland, Pensilvânia, New Hampshire, Massachusetts, Connecticut, Nova York e Illinois, se transformando em uma das mais descoladas e criativas redes de varejo do segmento esportivo e para atividades ao ar livre. Em 2007, foram inauguradas duas lojas adjacentes a sua loja âncora na cidade de Freeport: L.L.Bean Hunting & Fishing Store (especializada em artigos e equipamentos para pesca) e L.L.Bean Bike, Boat & Ski (especializada em equipamentos para esqui, ciclismo e esportes náuticos). Em setembro de 2008, a rede inaugurou sua primeira unidade na China, e, em pouco mais de um ano, já possuía 30 unidades em solo chinês. Pouco depois, em 2010, lançou no mercado a L.L. BEAN SIGNATURE, uma linha contemporânea de roupa que recriava toda originalidade e tradição da marca americana.
Em 2012 a marca comemora 100 anos com o lançamento de uma linha de produtos limitada e ações de marketing inusitadas, como criar um veículo em forma da tradicional bota de caça, batizado de Bootmobile, que vai viajar durante todo o inverno americano divulgando o centenário da L.L.Bean. Afinal, resistir tanto tempo à concorrência e às oscilações do mercado é um motivo para se orgulhar e festejar. Atualmente a empresa tem como conceito o “tente, aprenda e curta” – comunicando a ideia de que o consumidor experimente, por exemplo, remar (dentro da loja), antes de comprar um caiaque.
O cliente em primeiro lugar
A L.L.BEAN é um caso de marketing que serve como referência de como trabalhar ofertando ênfase na satisfação do cliente. Em 2011, a empresa foi eleita pela tradicional BusinessWeek em primeiro lugar no quesito atendimento ao cliente. Com o propósito de conscientizar seus funcionários sobre a importância do cliente como foco nos negócios, a empresa ostenta um cartaz em seus escritórios expressando a ideia que tem sobre ele:
– Um cliente é a pessoa mais importante do mundo neste escritório. Quer ele se comunique pessoalmente, e-mail ou até mesmo por carta.
– Um cliente não depende de nós. Nós é que dependemos dele.
– Um cliente não interrompe nosso trabalho. É a finalidade dele. Não estamos fazendo um favor de servi-lo. Ele está nos fazendo um favor dando a nós a oportunidade de fazê-lo.
– Um cliente não é alguém com quem discutir ou debater. Ninguém jamais venceu uma discussão com um cliente.
– Um cliente é uma pessoa que nos traz seus desejos. É nossa obrigação lidar com eles de maneira lucrativa para ele e para nós.
 
Outra razão de sucesso da L.L.BEAN é sua famosa garantia, a qual foi utilizada com grande êxito durante muitos anos. A garantia diz o seguinte:
Todos os nossos produtos estão garantidos para proporcionar-lhe 100% de satisfação em todos os sentidos. Devolva qualquer compra realizada em qualquer momento se não for assim. Não queremos que fique com nada comprado da L.L.Bean que não seja completamente satisfatório. A L.L.Bean aceita devoluções de produtos sem se importar com o tempo em que foram adquiridos.
Mesmo com o volume de negócios crescendo substancialmente, a L.L.BEAN ainda mantém os valores de seu fundador e continua em sua busca por qualidade, serviço ao consumidor e um amor por atividades ao ar livre. Nos últimos cinco anos, a empresa doou mais de US$ 10 milhões para preservação da natureza e melhorias em aproveitamento de solo.
 
Dados corporativos
● Origem: Estados Unidos
● Fundação: 1912
● Fundador: Leon Leonwood Bean
● Sede mundial: Freeport, Maine
● Proprietário da marca: L.L. Bean, Inc.
● Capital aberto: Não
● Chairman: Leon A. Gorman
● CEO & Presidente: Christopher McCormick
● Faturamento: US$ 1.52 bilhões (estimado)
● Lucro: Não divulgado
● Lojas: 115
● Presença global: 3 países (física) e 160 (online)
● Presença no Brasil: Não
● Funcionários: 4.500
● Segmento: Varejo
● Principais produtos: Roupas e equipamentos esportivos
● Concorrentes diretos: Columbia Sportswear, Eddie Bauer, North Face e Timberland
● Ícones: A tradicional garantia de seus produtos e a bota de caçador
● Slogan: Guaranteed. You have our word.
● Website: www.llbean.com
A marca no mundo
A L.L.BEAN possui atualmente mais de 33 lojas (1/3 delas atuando sob o sistema de outlets) localizadas em 10 estados americanos. Além disso, a rede possui mais de 20 unidades em várias cidades japonesas, e outras 57 lojas na China. Os produtos vendidos pela empresa também podem ser adquiridos via catálogo e Internet em 160 países ao redor do mundo. Em 2011 a empresa produziu 49 catálogos, que foram distribuídos em todos os 50 estados americanos e mais 160 países. Ao todo, nesse ano, a empresa recebeu mais de 11 milhões de contatos dos consumidores, e, em um único dia de novembro, foram realizados mais de 142.000 pedidos on-line.
Você sabia?
● A sede da empresa fica na cidade de Freeport, localizada no pitoresco estado do Maine, na mesma rua da loja original.
● Sua famosa bota de caça, à prova d’água e pra lá de resistente, vendeu em 2011 mais de 400.000 pares.
As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).
Última atualização em 5/6/2012