Arquivo da categoria: Tendências

A indústria no franchising: a simbiose perfeita para aproximação com o novo consumidor

Como as indústrias vêm se beneficiando do franchising para acelerar a transformação na forma de se relacionar com o consumidor final?

O que está em discussão
Não se discute mais o quanto o franchising é uma forma de expansão que vem mudando, no mundo, a forma e a velocidade com que as empresas estão expandindo seus negócios e ocupando mercado de forma exponencial, desde os pequenos negócios até os grandes players do varejo, serviços e indústrias de bens de consumo. O que está em destaque aqui é o quanto as indústrias podem se beneficiar ainda mais do franchising para entender o varejo e, consequentemente, entender melhor o consumidor de seus produtos, aquele que é a base da pirâmide de desenvolvimento das empresas, explorado por mim em artigo anterior.

A cultura nas indústrias
Ainda se discute sobre a cultura impregnada nas indústrias, de pouca flexibilidade e voltada para dentro, com foco na qualidade dos produtos e na eficiência e produtividade dos equipamentos, na formação do time de produção – fazer mais, mais rápido e melhor.

Porém, com tudo isso, ainda fica a dúvida: quando se trata da condição para a sobrevivência dos negócios no mundo atual, classificado como mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) – termo incorporado ao vocabulário corporativo, apesar de ter surgido na década de 90 no ambiente militar, pelo U.S Army War College, para explicar o mundo no cenário pós-Guerra Fria – o  quanto a indústria está preparada para ser ágil em  responder  às transformações intensas e absolutamente disruptivas, que trazem desafios enormes, uma vez que rompem completamente padrões tidos como corretos e imutáveis?

Como ser indústria 4.0 e amiga do consumidor?

A transformação da indústria tradicional para a Indústria 4.0, também  bastante explorada no mundo das consultorias e no meio empresarial,  foca no fato de que a indústria deve adotar tecnologias emergentes de TI e automação industrial, criando um  sistema de produção físico-cibernético, com alto nível de digitalização de dados que se comunicam com máquinas, produtos e pessoas, o que deverá gerar um ambiente de manufatura muito  mais  flexível e auto ajustável  à demanda crescente por customização.

Tudo perfeito! E como essa indústria contemporânea, digital 4.0 vai interagir com o consumidor final de seus produtos? A resposta, e como uma das alternativas mais segura para a marca, é por meio de um canal que fala diretamente com esse consumidor, que convive com ele diariamente e que pode lhe oferecer a experiência que deseja e no momento que deseja. Estou falando do franchising.

As indústrias podem se beneficiar muito do franchising para tornar tangível para o cliente final toda essa transformação e investimentos que vêm fazendo para se tornarem Indústria 4.0, digital,  ágil e amiga do consumidor. Já temos muitos cases de sucesso no mercado que podem servir como o teste de São Tomé, para aqueles que querem ver para crer.

Indústrias que, a partir de um produto, estão criando redes de franquias com lojas ou  unidades de prestação de serviços que falam diretamente com o consumidor da marca.  No Brasil, esse movimento começou com a indústria de cosméticos, com O Boticário, depois com a indústria de calçados, vestuário e, mais recentemente, a indústria de produtos de higiene e limpeza, como as lavanderias OMO, entre outros cases.

Os desafios
Qual é o grande desafio nesse processo? A incorporação da cultura de varejo e de franchising – que tem muito de prestação de serviços e relação ganha ganha com uma a rede de empresários, e não com distribuidores –, o que não se faz numa virada de chave. O empresário que faz essa opção deve percorrer uma jornada de transformação e de mudança de cultura interna, de forma quase que radical.

Em muitos casos a mudança ou incorporação de novos profissionais é inevitável, caso contrário, o processo entra nos mesmos trilhos da cultura já arraigada e tradicional da indústria  e os resultados podem ser prejudicados ou mais lentos. O maior desafio tem sido o de assimilar a dinâmica que o varejo os impõe e a mudança na forma de se comunicar com esse novo consumidor que vive e transpira no mundo digital.

A solução
A entrada no varejo via franchising é uma nova estratégia e como tal deve ser tratada, bem concebida, com o projeto realizado com o apoio de especialistas e sem queimar etapas, o que passa pela concepção do modelo e formato do negócio, viabilidade financeira da operação para o franqueado e franqueadora, plano de expansão consistente, além de estrutura, processos, tecnologia e pessoas com competências alinhadas à nova cultura e estratégia a ser implementada.

Resumindo: é uma jornada que não permite mais amadorismo, evitando colocar em risco uma marca com décadas de existência e não perder a oportunidade de ser mais um case de sucesso da indústria atuando no varejo.

Redes de supermercados abrem unidades em prédios de escritórios

Os supermercados estão apostando na abertura de lojas em centros corporativos, exemplo do GPA e do Hirota. O objetivo é atender os trabalhadores em seu café da tarde e dar opções de refeições prontas para o jantar, que podem ser levadas para casa.

O GPA vem apostando na abertura de unidades do modelo Minuto, sua bandeira de lojas de vizinhança, em um novo formato. O espaço piloto foi aberto na sede do grupo em São Paulo, em abril. A empresa pretende inaugurar novas lojas do formato na cidade, durante o segundo semestre.

O Hirota abriu três unidades Express em prédios de grandes empresas, como o escritório do banco Itaú, que se tornou a loja da rede mais rentável por metro quadrado. O supermercadista possui 36 lojas em São Paulo. Mais três minimercados devem ser inaugurados até o final de 2019.

Varejistas norte-americanos apostam em unidades dentro de campus universitários

A rede norte-americana Target está tentando atrair estudantes universitários. Para alcançá-los, a oitava maior varejista nos EUA está apostando em mini-lojas, que tem cerca de um terço do tamanho de uma unidade típica. De acordo com Jacqueline DeBuse, porta-voz da empresa, o mix foi reduzido e feito com base em uma seleção cuidadosa de produtos, gerando forte alta nas vendas e impulsionando sua expansão.

Nos últimos anos, a Target abriu novas unidades em cerca de 100 campi. Ela planeja abrir aproximadamente 30 dessas lojas de pequeno formato em faculdades anualmente, nos próximos anos, assim como em cidades e outras áreas sem espaço para unidades de tamanho normal.

Como a Target estoca uma grande variedade de itens e sua cadeia de suprimentos permite que o varejista concilie prontamente produtos com base no interesse do consumidor, suas lojas menores são capazes de atender à demanda por itens específicos para seus clientes universitários, como alimentos no formato grab-and-go, eletrônicos e roupa de cama que se encaixa nos colchões do dormitório.

O varejista não está sozinho. Enquanto as faculdades há muito olham para as empresas externas para ajudá-las a incluir recursos como livrarias e restaurantes fast-food no campus, um novo impulso no varejo inclui lojas de departamentos, supermercados e até mesmo lojas de marcas populares de vestuário.

“Os bons varejistas estão sempre procurando uma saída”, disse Steve Niggeman, vice-presidente executivo da Metro Commercial, que faz negócios imobiliários entre faculdades e varejistas, incluindo a Target. Enquanto as faculdades variam em tamanho e cultura, seus alunos, funcionários e, até mesmo os pais visitantes, podem ser clientes “bastante cativos”, acrescentou.

No final do ano passado, a cadeia de supermercados Publix, com sede na Flórida, abriu sua primeira loja em campus, localizada em terras arrendadas da University of South Florida (USF – Universidade do Sul da Flórida), embora já tivesse uma loja a menos de dois quilômetros e meio do campus de Tampa. O local, cerca da metade do tamanho de seu supermercado típico, está localizado próximo à nova vila residencial da escola, que pode abrigar cerca de 2.000 estudantes.

Para Ana Hernandez, vice-presidente assistente de habitação e educação residencial na universidade, estas iniciativas tem sido um sucesso em vários níveis. Os estudantes estão à procura de mais comodidades, ela disse, enquanto a universidade está procurando maneiras de aprofundar as conexões dos alunos com a comunidade do campus. Antes do acordo, acrescentou, o governo estudantil da universidade aprovou uma resolução em favor da adição do supermercado e a Publix concordou em realizar pelo menos duas feiras de empregos a cada ano para oferecer aos estudantes empregos e estágios.

“Não há dúvida de que os varejistas estão tentando gerar lealdade”, disse Nick Egelanian, presidente e fundador da empresa de varejo SiteWorks. Embora haja um grande movimento de faculdades e universidades para construir mais moradias estudantis, os varejistas sabem que estar associado a um dormitório é uma experiência positiva para a marca, acrescentou.

Ainda assim, Niggeman adverte que nem toda escola pode suportar esse tipo de varejo. De fato, a USF tem 50.000 estudantes, incluindo cerca de 6.300 que moram no campus. Ele estima que as faculdades com pelo menos 20.000 estudantes poderiam apoiar o varejo adicional no campus. À medida que mais estudantes escolhem a faculdade com base no tipo de “experiência” que podem ter, as opções de varejo podem se tornar um fator da decisão, disse.

Dada a popularidade das roupas esportivas, por exemplo, Niggeman acredita que cadeias como a Lululemon teriam ótimos resultados em alguns campi. Na verdade, a Lululemon abriu lojas temporárias “sazonais” perto de várias instituições, incluindo uma perto da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, no ano passado.

Egelanian pensa neste crescimento como uma nova variação de um tema antigo. “Sempre existiu varejo em faculdades”, ele disse, acrescentando que algumas, como a Universidade de Harvard, a Universidade de Georgetown e a Universidade da Califórnia, em Los Angeles, estão  em bairros bem estabelecidos, repletos de lojas de varejo.

Citando o crescimento da Target, Egelanian argumentou que as novas lojas são mais uma consequência de cadeias de varejo que se deslocam para áreas urbanas. Mas ele afirmou que a capacidade do varejista de se ajustar agilmente para atender à demanda dá uma vantagem a outros varejistas, como o Walmart, nesse tipo de mercado. Por sua vez, o Walmart recuou em uma iniciativa semelhante há alguns anos.

Um dos grandes varejistas das faculdades, a Barnes & Noble, percebeu mudanças nas tendências de varejo nos campi. A rede agora atualiza sua mercadoria de três a quatro vezes por ano, disse Kenneth Wincko, vice-presidente de marketing da Barnes & Noble College. Dentro de suas lojas em campus, a livraria está experimentando o varejo especializado, com curadoria de produtos de saúde e beleza, revistas, roupas esportivas e outros itens relacionados ao bem-estar.

A Barnes & Noble também tenta se integrar à vida no campus de outras maneiras, recebendo até 3.000 eventos por ano e abrindo lojas pop-up perto de estádios esportivos durante grandes torneios. A rede também está aberta ao feedback dos alunos. Por exemplo, quando a Barnes & Noble adicionou um café dentro de sua loja no campus da University of Central Florida (UCF – Universidade do Centro da Flórida), os estudantes pediram para comprar plantas – então a rede agora está testando a inclusão de floriculturas em suas lojas, afirmou Wincko.

A rede atualmente tem cerca de 770 unidades em campus e Wincko disse que há planos para adicionar dezenas a mais a cada ano.

Para ficar em contato com as necessidades dos alunos, a Barnes & Noble pesquisa anualmente 100.000 estudantes, usando endereços de e-mail coletados nas lojas do campus. Resultados recentes da pesquisa mostraram que metade dos alunos que responderam não tem todos os materiais necessários no primeiro dia de aula. Para resolver isso, a empresa está trabalhando com o corpo docente para identificar itens necessários, de livros a equipamentos de laboratório, para que a loja possa adequar seu estoque antes do início do semestre.

Os estudantes de hoje podem estar à vontade para fazer compras online (em alguns casos, mesmo durante as aulas), mas Wincko e outros executivos do setor acreditam que as lojas de tijolo e argamassa, aliadas ao comércio eletrônico, continuam sendo fundamentais.

A Target aumenta a capacidade de alunos, ou seus pais, comprarem itens online e buscá-los em uma loja próxima em uma hora, disse DeBuse. A varejista está apresentando um crescimento nas vendas de dois dígitos nesta modalidade, que é especialmente popular no início do ano acadêmico, acrescentou.

Os pontos de coleta da Amazon nos campi universitários ou próximos a eles têm um objetivo semelhante.

No entanto, o bônus para os varejistas que querem fazer negócios no campus, de acordo com DeBuse, é a capacidade de criar sentimentos positivos sobre a marca, assim como muitos alunos estão começando a tomar suas próprias decisões de compra.

Niggeman não tem certeza de onde essa tendência vai acabar. “Não vamos colocar 1 milhão de pés quadrados” de varejo no campus, afirmou. Mas as faculdades que estão aumentando o número de matrículas devem considerar como o varejo influencia esse crescimento. “À medida que você expande as matrículas, precisa de mais apoio”, disse.

Para Marcos Hirai, sócio-diretor da GS&BGH, esta movimentação dos varejistas norte-americanos é natural e representa a hiperconveniência: “O varejo precisa estar onde o consumidor está. Quanto mais perto dele (o consumidor), maiores as chances de conversão de vendas. Com o advento dos deliveries e do m-commerce, passa a ser uma maneira do varejo físico se fazer presente, trazendo lojas mais perto nos diferentes momentos do consumidor.”

Empresas investem em formato Grab and Go para atrair clientes

Na correria do dia a dia, muitas vezes as pessoas mal conseguem parar para comer. O conceito de hiperconveniência surgiu justamente da necessidade de os estabelecimentos oferecerem soluções que poupem tempo e esforço de seus clientes. O Grab and Go (cuja tradução significa “pegue e vá”) é um modelo de atendimento que consiste na oferta de alimentos e bebidas prontos para consumo. A modalidade, que já é amplamente utilizada em países como Estados Unidos e Reino Unido, agora começa a conquistar espaço no Brasil.

A principal característica do Grab and Go é a oferta de alimentos e bebidas prontos e embalados, o que possibilita que o cliente faça uma compra rápida, sem necessidade de realização de pedidos. Os produtos são dispostos em prateleiras expositoras com temperatura controlada e em embalagens que facilitam a identificação de cada item. Essa tendência segue uma demanda dos consumidores por produtos alimentícios que sejam saudáveis, minimamente processados, frescos e, é claro, saborosos.

O sistema surgiu como resposta ao estilo de vida dinâmico e cronometrado da atualidade. Conforme dados apurados em 2017 por uma pesquisa da Nestlé Profissional, 60% dos entrevistados afirmam fazer refeições (como café da manhã, almoço e jantar) em movimento entre as atividades do dia. O estudo também identificou que o tempo dedicado à alimentação está encolhendo: 70% dos respondentes gastam 10 minutos ou menos para o café da manhã, enquanto 95% leva menos de 30 minutos para almoçar.

O sistema Grab and Go é uma opção vantajosa para empreendedores do setor de Alimentos e Bebidas. As empresas focadas especificamente no modelo podem ter instalações pequenas, com cozinha e uma área de atendimento contendo as prateleiras e o caixa de pagamento. A equipe necessária para operação do negócio também costuma ser enxuta, já que grande parte do atendimento ocorre por meio de autosserviço.

O Grab and Go permite o controle dos insumos e pré-preparo antecipado, o que traz ganhos de agilidade – aspecto importante, pois a reposição das prateleiras deve acontecer rapidamente. Além de atuar em espaço próprio e vender diretamente ao consumidor final, as empresas podem fechar parcerias com empreendimentos onde esse tipo de serviço pode ser útil, como prédios corporativos, por exemplo.

Para os clientes, o formato proporciona uma experiência que alia a praticidade de comprar algo pronto para fazer refeições e lanches, a variedade de opções para diferentes paladares e dietas e a conveniência de consumir os produtos onde quiser.

O modelo ainda é pouco explorado no Brasil e um dos motivos é a questão cultural. Segundo dados do Sebrae, de cada dez restaurantes de pequeno porte do país, seis operam por meio de atendimento self-service. São os típicos buffets a quilo. As empresas que desejam apostar em um modelo diferenciado devem ficar atentas aos detalhes, além de oferecer uma opção atrativa de alimentação fora do lar.

Os estabelecimentos de Grab and Go devem estruturar o espaço e a sistemática de atendimento de forma que os clientes entendam facilmente qual caminho seguir. Nesse aspecto, devem ser considerados tanto o acesso aos produtos como a itens complementares, entre eles molhos e condimentos, talheres, guardanapos, copos e sacolas. Também é importante agilizar o processo de pagamento, direcionando um funcionário apenas para operar o caixa ou oferecendo outras alternativas, como pagamento por aplicativo.

A logística de um negócio como esse depende muito da escolha dos equipamentos adequados, especialmente no que se refere às prateleiras de apresentação dos produtos. É necessário que os aparelhos conservem a higiene e a temperatura correta, a fim de garantir a qualidade e a segurança dos produtos oferecidos.

Na área de vendas de produtos Grab and Go, as embalagens assumem uma posição de destaque. Elas devem possibilitar a visualização detalhada do conteúdo interno e direcionar a atenção para o produto. Os recipientes precisam também permitir o consumo prático do alimento ou bebida. Materiais biodegradáveis são opções que agregam valor ao produto pelo apelo ambiental, já que existe uma preocupação com geração de lixo no segmento.

O formato representa um campo com amplas oportunidades para o setor de Alimentos e Bebidas, incluindo refeições e lanches para todos os períodos do dia. Os empreendedores podem usar o modelo para vender refeições, como café da manhã, almoço e jantar; lanches e sobremesas; bebidas; sanduíches; comida saudável; saladas; produtos vegetarianos e veganos, entre outros.

Adidas utilizará apenas plástico reciclado em seus produtos até 2024

A indústria da moda vinha respondendo lentamente à demanda dos consumidores por produtos sustentáveis. Este tipo de item vinha ficando isolado a algumas marcas especificas, como Patagonia, Toad & Co, Eileen Fisher, entre outras. A tendência é que isto mude com o anúncio da Adidas de que irá parar de utilizar poliéster virgem, ou seja, fibra de plástico, em seus produtos até 2024.

As implicações para a Adidas e o resto da indústria da moda são profundas, já que cerca de 50% dos materiais usados ​​nos mais de 900 milhões de itens vendidos são de poliéster. Eric Liedtke, diretor das marcas globais da Adidas, afirmou: “Nosso objetivo é nos livrar do poliéster virgem em 2024.”

A decisão da marca segue o sucesso da venda de calçados de plástico reciclado. Seu compromisso cresceu de um milhão de pares produzidos em 2017 para 5 milhões em 2018, atingindo 11 milhões de pares em 2019.

“Somente em 2018, economizamos mais de 40 toneladas de resíduos plásticos em nossos escritórios, lojas de varejo, armazéns e centros de distribuição em todo o mundo e substituímos por soluções mais sustentáveis”, disse Gil Steyaert, responsável pelas operações globais, em um comunicado da empresa.

O poliéster virgem é a fibra essencial da indústria da moda. A empresa de inteligência de mercado Plastic Insights reportou que o poliéster respondeu por 55% do mercado global de fibra, seguido pelo algodão com pouco mais de um quarto do mercado em 2016. Naquele ano, 76 milhões de toneladas foram produzidas globalmente, com apenas uma pequena participação das matérias-primas recicladas.

Os impactos disto são enormes. A ONG Ocean Conservancy afirma que “a cada ano, oito milhões de toneladas de resíduos plásticos entram nos oceanos, onde se somam a cerca de 150 milhões de toneladas que já circulam por lá”. Sem falar nos 26 milhões de toneladas de plástico que acabam nos aterros dos Estados Unidos.

Outras empresas também vêm adotando medidas sustentáveis, como a Inditex (controladora da Zara) que anunciou que irá produzir suas coleções com tecidos 100% orgânicos. A Nike também vem utilizando tecidos sustentáveis, mas de forma menos agressiva. A decisão da Adidas deve fazer com que essas empresas e as demais operadoras do mercado acelerem seus passos para um futuro sustentável.

Isso corrobora o estudo Pulse of the Fashion Industry 2019 Update, conduzido pelo Boston Consulting Group, a Global Fashion Agenda e a Sustainable Apparel Coalition. De acordo com o estudo, até 2030, a indústria global de vestuário e calçados terá crescido 81%, chegando a 102 milhões de toneladas de roupas e acessórios, “exercendo uma pressão sem precedentes sobre os recursos planetários”, informou em relatório, que também afirma: “As empresas de moda não estão implementando soluções sustentáveis ​​com rapidez suficiente para contrabalançar os impactos ambientais e sociais negativos da indústria de moda em rápido crescimento.”

Gruen, Oldenburg, Caruso e as ideias que vão moldar o shopping do futuro

Os shopping centers não estão morrendo, como alguns pensam. Mas estão passando, sem dúvida nenhuma, por uma profunda transformação, que inclui o repensar do próprio conceito. Afinal, fazer compras é apenas uma das atividades que levam as pessoas hoje a esses locais. No Brasil, segundo dados da ABRASCE (Associação Brasileira de Shopping Centers), apenas 37% dos frequentadores vão a um shopping com o objetivo de comprar. Os demais vão ao cinema, aos restaurantes, academias de ginástica, salões de beleza ou simplesmente passear e encontrar amigos.

Não é à toa que, nos Estados Unidos, alguns centros comerciais revitalizados mudaram até de nome, excluindo a palavra ‘shopping’ e substituindo-a por expressões como ‘Town Center’ ou ‘Village’.

Neste momento de reflexão sobre os rumos dos shopping centers, vale a pena estudar as ideias de três pessoas que, embora tenham diferentes campos de atuação, podem oferecer valiosas contribuições para quem trabalha no setor ou possui lojas em shopping centers.

Victor Gruen
O primeiro deles é Victor Gruen, arquiteto austríaco que veio para os Estados Unidos durante a Segunda Grande Guerra, fugindo dos nazistas. Em Nova Iorque começou a projetar lojas e logo estava desenhando lojas de departamento e depois shopping centers. Ele é considerado por alguns o pai dos shopping centers modernos. O primeiro shopping center fechado americano, o Southdale, em Minneapolis, é projeto de Victor Gruen.

Gruen acreditava que os shoppings deveriam ser mais do que simples locais de compra, mais do que uma sequência de lojas distribuídas em linha. Ele pensava que o shopping center deveria ser um lugar para congregar pessoas, um ambiente social. Isso tudo nos anos 50, veja você. A inspiração para a ideia de shopping desenvolvida por Victor Gruen vinha dos cafés europeus, onde as pessoas ficavam voltadas para a rua, conversando e vendo as pessoas passarem.

Hoje, a noção do shopping center como um espaço de socialização é amplamente aceita, embora nem todos os que concordam com essa tese conheçam o trabalho de Gruen. Para quem gostaria de saber mais sobre ele, recomendo o livro ‘The Mall Maker’ (O Construtor de Malls), disponível na Amazon, e o documentário ‘The Gruen Effect’ (O Efeito Gruen), que pode ser encontrado no Vimeo (em inglês).

Ray Oldenburg
Outra pessoa que merece ser melhor estudada pelos shoppings é o sociólogo americano Ray Oldenburg. Ele ainda está vivo, hoje tem 87 anos de idade, e escreveu uma obra muito importante chamada ‘The Great Good Place’ (O Grande Bom Lugar). Neste livro, ele lança o conceito do terceiro lugar, abraçado posteriormente por Howard Schultz quando decidiu reposicionar a Starbucks, construindo uma bem sucedida rede de cafeterias. Segundo Oldenburg, o primeiro lugar é a casa, o segundo lugar é o trabalho e o terceiro lugar seria o espaço onde vivemos interações sociais enriquecedoras e agradáveis com outras pessoas.

O caos urbano reduziu a oferta de espaços públicos onde esses encontros aconteciam. Por isso, segundo Oldenburg, bares e restaurantes deveriam cumprir esse papel. Mas quem de fato está fazendo isso são os shopping centers – e também bares e restaurantes localizados dentro dos shopping centers.

Rick Caruso
O terceiro nome é o de Rick Caruso, CEO da empresa que leva seu nome. Em 2014, Caruso fez um impactante discurso de meia hora na plenária do Big Show da NRF (National Retail Federation), em Nova Iorque, maior evento de varejo do mundo, denunciando o anacronismo dos shoppings suburbanos tradicionais.

Para Caruso, a verdadeira alma do varejo e dos shoppings é a interação social que esses lugares podem proporcionar, quando desenhados adequadamente. Na sua palestra, que provocou desconforto nos demais empreendedores de shopping centers americanos, diga-se de passagem, Caruso anunciou que o futuro dos shopping centers seria baseado em algo muito antigo – voltar a ser um local de encontros pessoais.

Note que as ideias de Gruen, Oldenburg e Caruso são convergentes. E muito claras. Mas colocá-las em prática não parece tarefa simples.

Para explicar a dificuldade que experimentamos frente às mudanças, talvez seja necessário recorrer a um quarto nome: John Keynes. Esse economista inglês, cujas ideias mudaram fundamentalmente os conceitos macroeconômicos, deixou uma frase que eu, pessoalmente, vivo repetindo para os meus clientes: “The difficulty lies not so much in developing new ideas as in escaping from old ones” (A dificuldade não reside tanto em ter novas ideias e sim em escapar das antigas).

Isso significa que ajudar as pessoas a terem novas ideias não é suficiente. Mais importante é convencê-las de que devem abrir mão da segurança e conforto oferecidos pelas ideias às quais estamos acostumados e das coisas que já sabemos fazer.

Shopping Metrô Tucuruvi vira ponto de retirada de compras online

O Shopping Metrô Tucuruvi firmou com a startup de logística Pegaki para virar um ponto de retirada de compras online. O consumidor que decidir buscar seus produtos no local recebe um SMS notificando a chegada dos produtos e tem sete dias para passar no shopping e buscar suas mercadorias.

Para João Cristofolini, CEO e fundador da Pegaki, “os shoppings centers são frequentados no dia a dia por pessoas que querem fazer compras, comer alguma coisa ou até mesmo se encontrar com amigos. São locais que oferecem diversas conveniências, como estacionamento, por exemplo. Por isso, essa parceria com o Shopping Metrô Tucuruvi contribui muito com a missão da Pegaki de facilitar a entrega de produtos comprados online. Estamos muito otimistas”.

“Para nós é importante estreitarmos o relacionamento com o público mais conectado que faz compras em lojas virtuais”, comentou José Bernardo Milek, superintendente do Shopping Metrô Tucuruvi. O executivo destaca que o fluxo de clientes permite a possibilidade de converter as visitas em vendas. Em média, 30% dos clientes que passam no ponto para retirar compras online acabam adquirindo mais produtos.