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Varejistas norte-americanos apostam em unidades dentro de campus universitários

A rede norte-americana Target está tentando atrair estudantes universitários. Para alcançá-los, a oitava maior varejista nos EUA está apostando em mini-lojas, que tem cerca de um terço do tamanho de uma unidade típica. De acordo com Jacqueline DeBuse, porta-voz da empresa, o mix foi reduzido e feito com base em uma seleção cuidadosa de produtos, gerando forte alta nas vendas e impulsionando sua expansão.

Nos últimos anos, a Target abriu novas unidades em cerca de 100 campi. Ela planeja abrir aproximadamente 30 dessas lojas de pequeno formato em faculdades anualmente, nos próximos anos, assim como em cidades e outras áreas sem espaço para unidades de tamanho normal.

Como a Target estoca uma grande variedade de itens e sua cadeia de suprimentos permite que o varejista concilie prontamente produtos com base no interesse do consumidor, suas lojas menores são capazes de atender à demanda por itens específicos para seus clientes universitários, como alimentos no formato grab-and-go, eletrônicos e roupa de cama que se encaixa nos colchões do dormitório.

O varejista não está sozinho. Enquanto as faculdades há muito olham para as empresas externas para ajudá-las a incluir recursos como livrarias e restaurantes fast-food no campus, um novo impulso no varejo inclui lojas de departamentos, supermercados e até mesmo lojas de marcas populares de vestuário.

“Os bons varejistas estão sempre procurando uma saída”, disse Steve Niggeman, vice-presidente executivo da Metro Commercial, que faz negócios imobiliários entre faculdades e varejistas, incluindo a Target. Enquanto as faculdades variam em tamanho e cultura, seus alunos, funcionários e, até mesmo os pais visitantes, podem ser clientes “bastante cativos”, acrescentou.

No final do ano passado, a cadeia de supermercados Publix, com sede na Flórida, abriu sua primeira loja em campus, localizada em terras arrendadas da University of South Florida (USF – Universidade do Sul da Flórida), embora já tivesse uma loja a menos de dois quilômetros e meio do campus de Tampa. O local, cerca da metade do tamanho de seu supermercado típico, está localizado próximo à nova vila residencial da escola, que pode abrigar cerca de 2.000 estudantes.

Para Ana Hernandez, vice-presidente assistente de habitação e educação residencial na universidade, estas iniciativas tem sido um sucesso em vários níveis. Os estudantes estão à procura de mais comodidades, ela disse, enquanto a universidade está procurando maneiras de aprofundar as conexões dos alunos com a comunidade do campus. Antes do acordo, acrescentou, o governo estudantil da universidade aprovou uma resolução em favor da adição do supermercado e a Publix concordou em realizar pelo menos duas feiras de empregos a cada ano para oferecer aos estudantes empregos e estágios.

“Não há dúvida de que os varejistas estão tentando gerar lealdade”, disse Nick Egelanian, presidente e fundador da empresa de varejo SiteWorks. Embora haja um grande movimento de faculdades e universidades para construir mais moradias estudantis, os varejistas sabem que estar associado a um dormitório é uma experiência positiva para a marca, acrescentou.

Ainda assim, Niggeman adverte que nem toda escola pode suportar esse tipo de varejo. De fato, a USF tem 50.000 estudantes, incluindo cerca de 6.300 que moram no campus. Ele estima que as faculdades com pelo menos 20.000 estudantes poderiam apoiar o varejo adicional no campus. À medida que mais estudantes escolhem a faculdade com base no tipo de “experiência” que podem ter, as opções de varejo podem se tornar um fator da decisão, disse.

Dada a popularidade das roupas esportivas, por exemplo, Niggeman acredita que cadeias como a Lululemon teriam ótimos resultados em alguns campi. Na verdade, a Lululemon abriu lojas temporárias “sazonais” perto de várias instituições, incluindo uma perto da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, no ano passado.

Egelanian pensa neste crescimento como uma nova variação de um tema antigo. “Sempre existiu varejo em faculdades”, ele disse, acrescentando que algumas, como a Universidade de Harvard, a Universidade de Georgetown e a Universidade da Califórnia, em Los Angeles, estão  em bairros bem estabelecidos, repletos de lojas de varejo.

Citando o crescimento da Target, Egelanian argumentou que as novas lojas são mais uma consequência de cadeias de varejo que se deslocam para áreas urbanas. Mas ele afirmou que a capacidade do varejista de se ajustar agilmente para atender à demanda dá uma vantagem a outros varejistas, como o Walmart, nesse tipo de mercado. Por sua vez, o Walmart recuou em uma iniciativa semelhante há alguns anos.

Um dos grandes varejistas das faculdades, a Barnes & Noble, percebeu mudanças nas tendências de varejo nos campi. A rede agora atualiza sua mercadoria de três a quatro vezes por ano, disse Kenneth Wincko, vice-presidente de marketing da Barnes & Noble College. Dentro de suas lojas em campus, a livraria está experimentando o varejo especializado, com curadoria de produtos de saúde e beleza, revistas, roupas esportivas e outros itens relacionados ao bem-estar.

A Barnes & Noble também tenta se integrar à vida no campus de outras maneiras, recebendo até 3.000 eventos por ano e abrindo lojas pop-up perto de estádios esportivos durante grandes torneios. A rede também está aberta ao feedback dos alunos. Por exemplo, quando a Barnes & Noble adicionou um café dentro de sua loja no campus da University of Central Florida (UCF – Universidade do Centro da Flórida), os estudantes pediram para comprar plantas – então a rede agora está testando a inclusão de floriculturas em suas lojas, afirmou Wincko.

A rede atualmente tem cerca de 770 unidades em campus e Wincko disse que há planos para adicionar dezenas a mais a cada ano.

Para ficar em contato com as necessidades dos alunos, a Barnes & Noble pesquisa anualmente 100.000 estudantes, usando endereços de e-mail coletados nas lojas do campus. Resultados recentes da pesquisa mostraram que metade dos alunos que responderam não tem todos os materiais necessários no primeiro dia de aula. Para resolver isso, a empresa está trabalhando com o corpo docente para identificar itens necessários, de livros a equipamentos de laboratório, para que a loja possa adequar seu estoque antes do início do semestre.

Os estudantes de hoje podem estar à vontade para fazer compras online (em alguns casos, mesmo durante as aulas), mas Wincko e outros executivos do setor acreditam que as lojas de tijolo e argamassa, aliadas ao comércio eletrônico, continuam sendo fundamentais.

A Target aumenta a capacidade de alunos, ou seus pais, comprarem itens online e buscá-los em uma loja próxima em uma hora, disse DeBuse. A varejista está apresentando um crescimento nas vendas de dois dígitos nesta modalidade, que é especialmente popular no início do ano acadêmico, acrescentou.

Os pontos de coleta da Amazon nos campi universitários ou próximos a eles têm um objetivo semelhante.

No entanto, o bônus para os varejistas que querem fazer negócios no campus, de acordo com DeBuse, é a capacidade de criar sentimentos positivos sobre a marca, assim como muitos alunos estão começando a tomar suas próprias decisões de compra.

Niggeman não tem certeza de onde essa tendência vai acabar. “Não vamos colocar 1 milhão de pés quadrados” de varejo no campus, afirmou. Mas as faculdades que estão aumentando o número de matrículas devem considerar como o varejo influencia esse crescimento. “À medida que você expande as matrículas, precisa de mais apoio”, disse.

Para Marcos Hirai, sócio-diretor da GS&BGH, esta movimentação dos varejistas norte-americanos é natural e representa a hiperconveniência: “O varejo precisa estar onde o consumidor está. Quanto mais perto dele (o consumidor), maiores as chances de conversão de vendas. Com o advento dos deliveries e do m-commerce, passa a ser uma maneira do varejo físico se fazer presente, trazendo lojas mais perto nos diferentes momentos do consumidor.”

Varejista chinesa recebe flagship com experiência de compra

A agência de design de varejo Dalziel & Pow criou uma loja com experiência de compra diferenciada para a marca “Selected” do grupo chinês Bestseller Fashion.

O novo conceito premium da Future You Store será lançado inicialmente em uma série de lojas em Pequim, oferecendo um espaço “pronto para conectar, mudar e vestir o futuro consumidor”. O modelo de loja pretende divulgar a Selected como o destino para comprar roupas de trabalho de qualidade e que seguem as tendências, além de criar um modelo de estilo de vida aspiracional em torno da marca.

Integrando uma experiência dinâmica e hiperconectada para impressionar os nativos digitais da China, a loja inclui projeções, sinalização cinética e um feed de mídia social ao vivo por trás do caixa para evocar um sentimento de mudança e “novidade”. Um “espelho mágico” dentro da área dos provadores permite que os clientes percorram os produtos para encontrar sua roupa perfeita, que, uma vez escolhida, pode ser compartilhada via WeChat.

Pequenas telas de bolso, chamadas “Debriefs”, estão à disposição, integradas em toda a loja. Nelas são exibidas pequenas informações sobre o produto, escolha de materiais utilizados na confecção e inspirações de moda.

A linguagem do design da loja foi desenvolvida para criar uma sensação de “um único espaço”, um conceito projetado para pessoas e não para gêneros; um local fluido que cria fluxo entre categorias e reflete o fato de que os casais chineses costumam fazer compras juntos. Uma única arara com os produtos flui através de toda a loja, unificando simbolicamente o espaço.

Os provadores selecionados são uma característica arquitetônica importante, além de um espaço social, assim como o balcão do caixa. Há também store-in-store separadas para as marcas Chinos e Denim, aprimoradas por pequenas telas que detalham as características de modelagem e tecido.

A incrível fábrica de lojas de chocolates!

Passada a páscoa, a indústria e o comércio divulgaram os resultados das suas vendas. Este ano elas aumentaram 1,29%, em comparação com a mesma data comemorativa do ano passado. Em 2018, as vendas recuaram 0,34%, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes e Lojistas (CNDL) e Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Este resultado é um alento para o varejo começar a dar sinais mais sólidos de recuperação, mas não o suficiente para a retomada ao patamar de crescimento anterior a recessão econômica. A Páscoa representa o primeiro grande evento de consumo do ano.

Os produtos mais procurados nesta Páscoa foram os tradicionais ovos de chocolates industrializados (61%), caixas de bombons (50%), ovos de páscoa artesanais e caseiros (38%), barras de chocolate industrializadas (33%) e artesanais (25%), colombas pascoais (13%) e bebidas, como vinho (13%).

Apesar do pequeno aumento nas vendas este ano, uma fabricante de chocolates tem demonstrado grande otimismo com o futuro do país, apostando num ousado projeto de expansão de grandes lojas em shopping centers – A Cacau Show Megastore.

Tudo iniciou em novembro de 2017, quando Alexandre Costa, fundador e presidente da Cacau Show, teve a iniciativa de montar uma loja dentro de sua imensa fábrica na cidade de Itapevi-SP, nas margens da Rodovia Castelo Branco. Mais que uma loja de fábrica, o projeto contemplava uma megastore de 2 mil metros quadrados que consumiu investimentos de 7 milhões de reais e com capacidade para receber até mil visitantes por dia. Mais da metade do espaço é ocupado por um miniparque temático, o Cacau Parque. Na entrada, um carrossel com sete metros de altura. Uma árvore e um urso falantes cumprimentam aqueles que chegam. Um vagão de trem se revela um cinema para dezesseis pessoas. As cadeiras se mexem e há simulação de neve. A experiência sensorial proporcionada ao consumidor encanta a todos. A loja fez tanto sucesso que despertou o interesse de expandir este conceito em outros cantos do Brasil.

Foi assim que em agosto de 2018, num espaço de 450m²e investimentos de R$ 2 milhões, dentro de um dos principais shoppings de São Paulo – o Morumbi Shopping, numa parceria com a Multiplan, foi inaugurada a segunda loja dentro do conceito iniciado na fábrica, agora adaptado para uma área menor, mas mantendo toda a magia e passando a experiência da marca para os consumidores de todas as idades. Nesta unidade, entre outras atrações, existe um palco de shows de jazz gratuitos. Um setor destinado aos produtos infantis hospeda um teatro de fantoches. Há ainda o chamado Cacau Lab, onde profissionais ensinam o público a fazer temperagem do chocolate e outros truques. Em algumas noites, Alexandre Costa dá aulas por lá.

Novamente o sucesso se repetiu e projetou a marca Cacau Show a um novo patamar, antes uma marca de apelo mais popular para uma certa premiunização, atraindo um público que antes não frequentava suas lojas. A partir daí, animados com a resposta do público, fecharam acordo com a rede de shoppings Multiplan para uma sequência de lojas e desde então vem inaugurando unidades numa velocidade impressionante.  Foram inauguradas lojas em São Caetano, Jundiaí, Porto Alegre, no Shopping Anália Franco na capital paulista e pretendem inaugurar outras 25 unidades nos próximos meses. A meta é abrir pelo menos uma megaloja em cada cidade de grande porte no país. No alvo estão shoppings que atendem as classes A e B.

A estratégia das megalojas segue a parte do projeto de expansão da Cacau Show. Hoje, a rede que completou 30 anos de existência recentemente, conta com 2200 pontos de vendas via franquias e pretendem chegar nos próximos anos a 4 mil unidades. No ano passado inauguraram 206 novos pontos de venda e a empresa faturou R$ 3,9 bilhões, 20% mais do que em 2017. A Cacau Show é a segunda marca de chocolate mais vendida no país, com 9,6% de participação de mercado.

A Cacau Show é ou não é uma incrível fábrica de abertura de lojas de chocolates?

Marisa investe em omnichannel e reforça o serviço Clique e Retire

A Marisa, maior rede de moda feminina e de lingerie do Brasil, comemora a primeira fase da sua transformação para o modelo omnichannel com a expansão do serviço Clique e Retire para 115 lojas em todas as regiões brasileiras.

Dessa forma, a rede alia a conveniência da compra digital com a praticidade da entrega presencial na unidade de escolha do cliente. Com Clique e Retire, a Marisa responde a uma demanda de suas clientes que querem comprar online, mas não estão em casa durante o dia para receber suas entregas. A modalidade também possibilita que a consumidora tenha contato com o produto, facilitando a prova antes de levar as peças para casa, e faça a troca imediata, se necessário, além de permitir a escolha de itens complementares para sair da loja com um look completo. Outro benefício para a cliente é o frete grátis sem valor mínimo de compra.

De acordo com Marcelo Pimentel, vice-presidente de vendas e operações da Marisa, a funcionalidade contribui para aumentar o fluxo de clientes em loja. “Começamos a testar o serviço em 2018 e identificamos que havia ganhos para os dois canais: clientes online passaram a frequentar nossas lojas físicas e os pontos de venda que divulgavam o site como opção para encontrar produtos geravam menos atrito. Com o omnichannel, reduzimos a ruptura e garantimos maior disponibilidade de produtos. A expansão do número de lojas para retirada em maio de 2019 vai melhorar a experiência de compra e aumentar a fidelidade da consumidora”.

O executivo respondeu algumas perguntas para o portal Mercado & Consumo:

Os consumidores brasileiros já têm um comportamento omnichannel? Ou ainda precisam evoluir neste sentido?
As nossas clientes já estão conectadas nos diversos canais da marca em busca informação e moda e conveniência de compra. Por alguns meses, oferecemos a opção de comprar no site e retirar na loja em apenas algumas lojas, mas em todas as regiões do Brasil, para testar o serviço. Nesse período, identificamos que havia um bom número de consumidoras que preferiam retirar na loja por não ter como receber durante o dia ou por querer experimentar o look.

Esse comportamento é mais frequente nas consumidoras mais jovens, que já nasceram num mundo digital. Nas mulheres mais maduras, percebemos que o consumo de informação de moda acontece em todos os canais e principalmente no digital, mesmo que ela ainda prefira comprar na loja física hoje em dia. Em pouco tempo, porém, a compra desse perfil também passará a ser mais omnichannel, o que nos levou a expandir o clique e retire para mais de 100 lojas em abril de 2019.

Também inauguramos um espaço na loja do Boulevard Tatuapé, em São Paulo, que respeita esses dois perfis: ele ajuda a transição das clientes que ainda não têm o hábito de comprar roupas pela Internet, com promotoras que facilitam a navegação pelo site, e apresenta produtos exclusivos do site para as clientes que compram online, mas talvez não tenham percebido que há mais opções.

Como uma marca de 70 anos se preparou para se adaptar a essa realidade que vem tomando conta do varejo?
A Marisa foi pioneira no e-commerce de moda ao lançar seu site há 19 anos. O fato de termos 70 anos e sermos a maior varejista de moda feminina e lingerie do Brasil mostra que estamos sempre atentos às transformações do mercado e da sociedade e não podia ser diferente no cenário digital atual. É claro que isso demanda mudanças internas: criamos um grupo de projeto multi-funcional, investimos em tecnologia, desenvolvemos treinamentos para a equipe de loja e administrativa e revisamos nossos processos, por exemplo.

O que foi feito em relação à cultura da empresa para que todos os colaboradores compreendam esse processo e estejam dispostos a fazê-lo funcionar – sobretudo os que trabalham na loja física?
A companhia realizou treinamentos com os funcionários para que estejam preparados para realizar as novas tarefas e receber o aumento do fluxo de clientes. Observamos um grande engajamento das lojas. Os times estão extremamente empolgados com o novo serviço que, além de gerar fluxo para a loja, traz novas consumidoras para o ponto de venda.

Vale ressaltar que o projeto de omnichannel está sendo desenvolvido em parceria com a Linx, empresa que conta com sistema especializado para o setor de varejo.

O olhar de foodservice no NRF 2019

Restaurante no rooftop da Restoration Hardware
Restaurante no rooftop da Restoration Hardware

Participar do NRF Retail’s Big Show, principal evento internacional de varejo, realizado de 13 a 15 de janeiro desse ano, me trouxe a visão de novas e consistentes oportunidades para os operadores PROFISSIONAIS do mercado de foodservice. E eu coloco em caixa alta e grifado porque há uma tendência de crescimento expressivo de operações de foodservice em modelo in-store, co-branding, proprietário (criado e operado em nome de outra marca) ou independente, associadas a operações de outros setores de varejo com o objetivo de agregar valor à experiência do cliente daquela marca.

Essa temática é bastante provocativa para os operadores de foodservice porque ela configura uma oportunidade atraente ao permitir a redução dos custos fixos, implantação e, em muitos casos, custos de comunicação já que ocorre uma integração simbiótica das estratégias de comunicação da operação de varejo e da operação de foodservice, construindo de maneira virtuosa a geração de fluxo. Mas, por outro lado, a responsabilidade do operador de foodservice é muito grande. Ele não está representando sua marca, ou melhor, não está representando somente a sua marca. Porém, passa a fazer parte de uma estratégia maior e somente uma atitude empresarial empática das duas partes permitirá o sucesso.

Em NY, para complementar o NRF, fizemos visitas técnicas. Destaco dois cases que ilustram a direção dessa tendência que descrevi acima. A Restoration Hardware, uma loja de móveis e objetos de decoração para a casa, possui um wine bar & café em um piso intermediário e, no rooftop, um restaurante que hoje é referenciado como um dos melhores da cidade. A Nordstrom Men, uma loja especializada em produtos para homens, oferece duas atmosferas. A primeira de uma cafeteria cuja combinação de café e opções rápidas para lanches são bem convidativas e um bar de coquetéis para um drink no final da tarde. Esses dois casos são operações gerenciadas pela própria marca, que criou estruturas próprias de foodservice e ambos referenciaram que são lucrativas. The Real Real, 10 Corso Como e American Girl também são outros exemplos.

Aqui no Brasil também vemos esses modelos se desenhando, como o Café da Le Lis Blanc Casa, na rua Oscar Freire em São Paulo; o Café da marca Reserva; o Work Café; Bar do Cofre e Restaurantes Pop Up que, pasmem, são operados dentro das estruturas do Banco Santander em agências e prédios corporativos. Especialmente falando do Santander, eles buscaram parceiros para iniciar essa empreitada e nos provocam a olhar o poder da alimentação em ressignificar o modelo de relacionamento e hospitalidade dos negócios. Porque agora eu vou tomar um café dentro de uma agência bancária ou vou fazer uma reunião com um amigo nesse espaço e, a partir daí, visito o gerente do banco para conversar sobre crédito ou qualquer outro assunto.

Bar do Cofre no Farol Santander

Tudo isso parece muito bom, não é? Mas, de fato, temos que considerar as fragilidades que os operadores de foodservice no Brasil possuem para entrar nesse jogo. Profissionalização, entendimento do varejo, flexibilidade e operação perfeita são fundamentais. Além disso, imersão e entendimento da marca em que será inserida a operação, treinamento incansável da equipe, tecnologia, customização de mix de produtos ao perfil do consumidor, segurança alimentar e logística.

O nome do jogo é relações inter marcas e inter empresas para estruturar um novo modelo de expansão no foodservice.

Experiência, experiência, experiência!

10 Corso Como, em Seaport, Nova York

No passado eram localização, localização e localização as três coisas mais importantes no varejo. Eram.

No varejo moderno, se for digital, a localização é quase irrelevante.

Na realidade atual e futura, pressionada pela comoditização acelerada, que pressiona a rentabilidade de todos os negócios do setor, o fator potencial de equilíbrio é a experiência agregada no processo de compra física ou digital. Ela, a experiência, pode re-equilibrar a componente racional do processo de decisão de compra, permitindo colocar mais emoção e, com isso, melhorar o resultado.

Nos processos de compra digital essa experiência está associada às possibilidades de mais informação, interação, navegabilidade e resenhas, além de comparação de produtos e serviços. E, nesse quesito, a Amazon é o benchmarking global e fonte maior de referências inovadoras, parte delas também usadas nas lojas.

Nos novos formatos, esse processo envolve aspectos físicos, visuais e sensoriais, além de relacionamento e interação, que transformam a loja em um ponto multiconfigurado, incorporando novas funções e propostas.

A loja tradicional, mais ambiciosa em sua proposta, evolui para ser uma instalação que pode incorporar arte, decoração, alimentação, produtos, serviços, interação e, acima de tudo, experiências.

Como exemplo, a 10 Corso Como, recém-inaugurada no Seaport em NY ou a RH – Restauration Hardware, do Meatpacking, ambas descritas em nosso artigo anterior, são um exemplo perfeito e completo. Assim como o novo formato do Eataly, aberto já algum tempo no WTC, também em NY, tanto como a reconfiguração das lojas da Ralph Lauren na Madison, em NY, ou as novas unidades da Whole Foods, incorporando muito mais opções de alimentação na própria loja ou “ready to go”.

Até mesmo na Macy’s, em sua luta por renovar o tradicional formato de lojas de departamentos, sempre em constante desafio de reinvenção, tem incorporado, ao seu modo, mais experiência, especialmente visual e relacional, na sua loja da rua 34, também em NY,  em particular nos serviços de alimentação do sub solo.

Tanto quanto a Amazon, com sua re-invenção das livrarias integradas com as experiência aprendidas no processo digital, como a do Columbus Circus e outras.

Mas, não precisamos ir longe. A novíssima loja da Cacau Show, no Shopping Morumbi, em São Paulo, incorporando loja, espaços de interação, área lab e serviços de alimentação, está exatamente na mesma linha.

Tanto quanto, em outro extremo, a recém-inaugurada Onofre CVS, na Avenida Paulista, que inova em muitas frentes, inclusive com área de serviços e o robot que recepciona, armazena, seleciona, entrega e controla produtos farmacêuticos.

Na sua guerra particular com a conveniência, facilidade e atemporalidade das opções digitais, as lojas, de todos os posicionamentos, buscam opções para melhorar de forma contínua, surpreendente e em constante renovação, a experiência do consumidor.

As dimensões geradoras de experiência

Interessante notar que no mercado norte-americano e em todos aqueles onde o custo de mão-de-obra é o item mais sensível da estrutura de custos do negócio, a visão da experiência é profundamente baseada na incorporação de tecnologia que facilite, torne mais conveniente, rápido e fácil os processos de avaliação, envolvimento, decisão e compra de um produto ou serviço, buscando aproximar o processo one click do digital de uma proposta similar no ambiente físico.

Em outras realidades, e em particular no Brasil, a experiência pede, de forma marcante, que haja interação humana, apoiada ou complementada, pelas alternativas tecnológicas que podem maximizar a satisfação do omniconsumidor.

Nesse aspecto, podemos afirmar que, provavelmente, o Brasil está entre aqueles mercados onde se apresenta um padrão médio de atendimento e serviços no varejo, que pode diferenciar pelo envolvimento humano, já que esta é uma demanda emergente do nosso consumidor, especialmente aqueles das camadas média e alta da população.

Na nossa realidade, definitivamente não basta a opção apoiada em tecnologia que ofereça o “no stress” como proposta. É muito pouco e não diferencia.

A importância de incorporar o envolvimento humano, apoiado em tecnologia que facilite e agilize processos, é o elemento da experiência de varejo talvez mais relevante na atual cenário e aquele que faz, definitivamente, a diferença.

https://www.mercadoeconsumo.com.br/2018/09/17/experiencia-experiencia-experiencia/

Pequenas empresas apostam em marketplaces como principais canais de venda

Usar canais de venda na internet deixou de ser uma tendência e tornou-se uma necessidade. A 4ª edição da Pesquisa Nacional de Varejo Online, realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com o E-Commerce Brasil, Lojas Integradas (VTEX) e B2W, mostrou que os empresários que atuam no e-commerce pretendem ampliar suas vendas em marketplaces até 2021. Atualmente, os shoppings virtuais já são considerados a principal plataforma de e-commerce utilizada por microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte, alcançando a preferência de 52% dos pesquisados.

A pesquisa revelou que 30% das empresas consultadas trabalham apenas com e-commerce, 22% atuam com loja física e e-commerce e apenas 12% dos empreendimentos possuem apenas loja física.  “O e-commerce é uma opção de compra cada vez mais frequente do consumidor brasileiro e não investir para desenvolver um canal de vendas na Internet pode significar a perda de um enorme volume de negócios”, disse o presidente do Sebrae, João Henrique de Almeida Sousa. Ele acrescenta que ter uma presença online não é difícil, mas é importante planejar bastante antes de criar uma loja virtual. “É fundamental analisar as alternativas de plataformas disponíveis, desenvolver estratégias para atrair os clientes e diferenciar o seu negócio da concorrência. Além disso, assim como toda loja física, o e-commerce também tem seus gastos. É preciso contar com boas ferramentas de gestão para garantir a rentabilidade e o sucesso do negócio”, afirmou o presidente do Sebrae.

Nesse sentido, a pesquisa também apontou as principais dificuldades que os pequenos negócios enfrentam na rotina de gestão do e-commerce. A carga tributária é considerada um dos principais empecilhos para os pequenos negócios (43%), seguida por logística (42%. Marketing e concorrência/showrooming empatam em terceiro lugar (30%). O levantamento detectou ainda que 46% dos pequenos negócios online apresentam lucro. “Esse dado é reflexo do momento do país, que está saindo de um processo de crise econômica. O pequeno negócio ganha visibilidade com os shoppings virtuais, mas a concorrência ainda é alta”, explicou Flávio Petry, especialista do Sebrae.

Os principais produtos comercializados por meio do e-commerce, no Brasil, estão relacionados à casa e decoração (26%), seguido por moda (24%), beleza (12%) e eletrônicos/telefonia (11%). Informática e esporte/lazer empatam com 10%. Além disso, os estados que mais compram produtos pela internet são São Paulo (89%), Rio de Janeiro (75%), Minas Gerais (69%), Rio Grande do Sul (42%) e Paraná (40%).