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Como o novo perfil de compras impacta nos canais do varejo

Estamos passando por um momento único na história do varejo, onde os novos hábitos de compra estão transformando os tradicionais canais e estimulando o surgimento de novos formatos de lojas. Tudo começa pelo shopper, aquele personagem fundamental que sempre realizou a compra na sua loja e que sempre decidiu o que iria comprar na frente da prateleira. Isso é passado. Ele mudou e não mudou hoje.

A tecnologia, que está em todo lugar, facilitou tanto a sua vida, tornou tão fácil a comparação de preço, ganhou agilidade na “compra com um clique”, que hoje está avançando para entregas quase que imediata das mercadorias e acostumou tão bem o shopper, que ele está buscando essa facilidade do mundo digital no mundo físico, através de uma palavra: conveniência.

A busca pela conveniência, aliada ao equilíbrio do preço cobrado, está impactando diretamente as características dos canais tradicionais do varejo. Você conhece o novo atacado? Como os hipermercados estão reagindo à esse movimento? O que são as lojas de proximidade? As lojas de conveniência não são mais as mesmas e você precisa entender no que elas se transformaram. Quais as oportunidades das farmácias no novo varejo?

Atacado

Para aqueles que acompanham de perto o desenvolvimento deste canal, percebe que está havendo uma transformação, principalmente, em função do perfil de quem está visitando suas lojas. Os principais clientes do atacado sempre foram os “Transformadores”, isto é, pizzarias, restaurantes e pequenos negócios de alimentação fora do lar. O shopper brasileiro, atento a essa oportunidade, passou a fazer compras nos atacados. As famílias e amigos se organizam para fazer compras planejadas de produtos para abastecer o mês inteiro e, no final da compra, dividem a conta. Pela redução de compra das pessoas jurídicas e o crescimento das pessoas físicas, em algumas lojas, o percentual de participação já está equilibrado em 50%.

Não é à toa que este canal vem crescendo nos últimos anos e o atacado está se transformando em atacarejo (atacado + varejo) por força do novo consumidor. Os atacadistas estão tendo que rever suas operações de loja, a gestão de seus funcionários e o sortimento oferecido, para atender melhor um cliente que tem um tíquete médio menor que um Transformador e que tem exigências distintas, sem deixar de atender bem seu cliente de maior volume.

Hipermercado

Fazer compras em hipermercado já não seduz mais o shopper como ocorria antes. Grandes lojas, longos corredores, centenas de opções de produtos, tudo em uma loja em que o shopper faz tudo sozinho. Apesar de bons preços, definitivamente essas características não combinam com conveniência. O consumidor sabe disso e os hipermercados estão passando por um momento delicado de revisão do seu modelo para torna-lo mais ágil e mais moderno para atender o novo shopper. A busca por eficiência e produtividade das suas operações é constante, assim como a rentabilidade dos milhares de metros quadrados de suas lojas.

Lojas de Proximidade (ou de vizinhança)

As grandes empresas proprietárias de redes de hipermercado não estão paradas. Sabendo da dificuldade de mobilidade urbana, aliada à busca pela conveniência, redes como Carrefour e GPA estão investindo pesado no desenvolvimento das Lojas de Proximidade, ou as chamadas lojas de vizinhança. São lojas menores que um supermercado, que concorrem diretamente com a lojinha de bairro, com a vantagem de ter suas compras centralizadas e com todo o know how do grande varejo.

As Lojas de Proximidade tem um sortimento adequado à área de influência da loja e uma quantidade restrita de funcionários, o que facilita o treinamento, melhorando o nível do serviço oferecido.

Como fica mais conveniente para o shopper encontrar o que procura, como o nível de atendimento é melhor que um auto serviço, o cliente se permite pagar mais por esse serviço.

Lojas de Conveniência

Ir ao posto para abastecer e aproveitar para comprar bebida e cigarro. Esse era o perfil das lojas de conveniência até pouco tempo atrás. Hoje, apesar dos preços mais altos, as lojas de conveniência estão se tornando a principal solução como um facilitador de compra, com um bom nível de serviço.

Não só no exterior, mas também no mercado brasileiro, as lojas mais modernas ampliaram os serviços oferecidos e contam com padarias, área de produtos frescos e saudáveis (FLV), refeições feitas na hora, farmácias e o cliente pode até abastecer o carro.

A ampla capilaridade e o hábito de ir até o posto de combustível complementam as fortalezas desse canal aqui no Brasil. Um posto de combustível que tem uma loja de conveniência junto do seu negócio fatura em média de 20% a 30% a mais de combustível. Em países onde o varejo é mais desenvolvido, as lojas de conveniência conseguem atuar independente do posto de combustível, se aproximando das características de uma Loja de Proximidade.

Farmácias

A legislação brasileira talvez seja o maior entrave para que este canal se torne uma solução completa para o varejo. Segundo relatório recente do ICTQ “Os serviços farmacêuticos prestados em farmácias e drogarias, têm sido vistos como fator de diferenciação para os negócios, e como fator social cada vez mais necessário à saúde pública. Desde a regulamentação da prescrição farmacêutica e da lei 13.021, que define a farmácia como estabelecimento de saúde, os serviços farmacêuticos ganharam força e estão cada vez mais presentes em todo o varejo. A população, atenta à evolução da profissão farmacêutica, já demanda por estes serviços – alguns mais, outros menos.”

Serviços Farmacêuticos que os brasileiros mais buscam nas farmácias

Entender o perfil e os caminhos de transformação que cada canal está seguindo é fundamental para a estratégia de qualquer indústria que atua no varejo. Assim como ser ágil em adequar o formato das lojas, melhorar seus processos, rever o sortimento e a estratégia de preço é fundamental para o varejo permanecer competitivo e atender melhor seu shopper.

A indústria no franchising: a simbiose perfeita para aproximação com o novo consumidor

Como as indústrias vêm se beneficiando do franchising para acelerar a transformação na forma de se relacionar com o consumidor final?

O que está em discussão
Não se discute mais o quanto o franchising é uma forma de expansão que vem mudando, no mundo, a forma e a velocidade com que as empresas estão expandindo seus negócios e ocupando mercado de forma exponencial, desde os pequenos negócios até os grandes players do varejo, serviços e indústrias de bens de consumo. O que está em destaque aqui é o quanto as indústrias podem se beneficiar ainda mais do franchising para entender o varejo e, consequentemente, entender melhor o consumidor de seus produtos, aquele que é a base da pirâmide de desenvolvimento das empresas, explorado por mim em artigo anterior.

A cultura nas indústrias
Ainda se discute sobre a cultura impregnada nas indústrias, de pouca flexibilidade e voltada para dentro, com foco na qualidade dos produtos e na eficiência e produtividade dos equipamentos, na formação do time de produção – fazer mais, mais rápido e melhor.

Porém, com tudo isso, ainda fica a dúvida: quando se trata da condição para a sobrevivência dos negócios no mundo atual, classificado como mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) – termo incorporado ao vocabulário corporativo, apesar de ter surgido na década de 90 no ambiente militar, pelo U.S Army War College, para explicar o mundo no cenário pós-Guerra Fria – o  quanto a indústria está preparada para ser ágil em  responder  às transformações intensas e absolutamente disruptivas, que trazem desafios enormes, uma vez que rompem completamente padrões tidos como corretos e imutáveis?

Como ser indústria 4.0 e amiga do consumidor?

A transformação da indústria tradicional para a Indústria 4.0, também  bastante explorada no mundo das consultorias e no meio empresarial,  foca no fato de que a indústria deve adotar tecnologias emergentes de TI e automação industrial, criando um  sistema de produção físico-cibernético, com alto nível de digitalização de dados que se comunicam com máquinas, produtos e pessoas, o que deverá gerar um ambiente de manufatura muito  mais  flexível e auto ajustável  à demanda crescente por customização.

Tudo perfeito! E como essa indústria contemporânea, digital 4.0 vai interagir com o consumidor final de seus produtos? A resposta, e como uma das alternativas mais segura para a marca, é por meio de um canal que fala diretamente com esse consumidor, que convive com ele diariamente e que pode lhe oferecer a experiência que deseja e no momento que deseja. Estou falando do franchising.

As indústrias podem se beneficiar muito do franchising para tornar tangível para o cliente final toda essa transformação e investimentos que vêm fazendo para se tornarem Indústria 4.0, digital,  ágil e amiga do consumidor. Já temos muitos cases de sucesso no mercado que podem servir como o teste de São Tomé, para aqueles que querem ver para crer.

Indústrias que, a partir de um produto, estão criando redes de franquias com lojas ou  unidades de prestação de serviços que falam diretamente com o consumidor da marca.  No Brasil, esse movimento começou com a indústria de cosméticos, com O Boticário, depois com a indústria de calçados, vestuário e, mais recentemente, a indústria de produtos de higiene e limpeza, como as lavanderias OMO, entre outros cases.

Os desafios
Qual é o grande desafio nesse processo? A incorporação da cultura de varejo e de franchising – que tem muito de prestação de serviços e relação ganha ganha com uma a rede de empresários, e não com distribuidores –, o que não se faz numa virada de chave. O empresário que faz essa opção deve percorrer uma jornada de transformação e de mudança de cultura interna, de forma quase que radical.

Em muitos casos a mudança ou incorporação de novos profissionais é inevitável, caso contrário, o processo entra nos mesmos trilhos da cultura já arraigada e tradicional da indústria  e os resultados podem ser prejudicados ou mais lentos. O maior desafio tem sido o de assimilar a dinâmica que o varejo os impõe e a mudança na forma de se comunicar com esse novo consumidor que vive e transpira no mundo digital.

A solução
A entrada no varejo via franchising é uma nova estratégia e como tal deve ser tratada, bem concebida, com o projeto realizado com o apoio de especialistas e sem queimar etapas, o que passa pela concepção do modelo e formato do negócio, viabilidade financeira da operação para o franqueado e franqueadora, plano de expansão consistente, além de estrutura, processos, tecnologia e pessoas com competências alinhadas à nova cultura e estratégia a ser implementada.

Resumindo: é uma jornada que não permite mais amadorismo, evitando colocar em risco uma marca com décadas de existência e não perder a oportunidade de ser mais um case de sucesso da indústria atuando no varejo.

Redes de supermercados abrem unidades em prédios de escritórios

Os supermercados estão apostando na abertura de lojas em centros corporativos, exemplo do GPA e do Hirota. O objetivo é atender os trabalhadores em seu café da tarde e dar opções de refeições prontas para o jantar, que podem ser levadas para casa.

O GPA vem apostando na abertura de unidades do modelo Minuto, sua bandeira de lojas de vizinhança, em um novo formato. O espaço piloto foi aberto na sede do grupo em São Paulo, em abril. A empresa pretende inaugurar novas lojas do formato na cidade, durante o segundo semestre.

O Hirota abriu três unidades Express em prédios de grandes empresas, como o escritório do banco Itaú, que se tornou a loja da rede mais rentável por metro quadrado. O supermercadista possui 36 lojas em São Paulo. Mais três minimercados devem ser inaugurados até o final de 2019.

Varejistas norte-americanos apostam em unidades dentro de campus universitários

A rede norte-americana Target está tentando atrair estudantes universitários. Para alcançá-los, a oitava maior varejista nos EUA está apostando em mini-lojas, que tem cerca de um terço do tamanho de uma unidade típica. De acordo com Jacqueline DeBuse, porta-voz da empresa, o mix foi reduzido e feito com base em uma seleção cuidadosa de produtos, gerando forte alta nas vendas e impulsionando sua expansão.

Nos últimos anos, a Target abriu novas unidades em cerca de 100 campi. Ela planeja abrir aproximadamente 30 dessas lojas de pequeno formato em faculdades anualmente, nos próximos anos, assim como em cidades e outras áreas sem espaço para unidades de tamanho normal.

Como a Target estoca uma grande variedade de itens e sua cadeia de suprimentos permite que o varejista concilie prontamente produtos com base no interesse do consumidor, suas lojas menores são capazes de atender à demanda por itens específicos para seus clientes universitários, como alimentos no formato grab-and-go, eletrônicos e roupa de cama que se encaixa nos colchões do dormitório.

O varejista não está sozinho. Enquanto as faculdades há muito olham para as empresas externas para ajudá-las a incluir recursos como livrarias e restaurantes fast-food no campus, um novo impulso no varejo inclui lojas de departamentos, supermercados e até mesmo lojas de marcas populares de vestuário.

“Os bons varejistas estão sempre procurando uma saída”, disse Steve Niggeman, vice-presidente executivo da Metro Commercial, que faz negócios imobiliários entre faculdades e varejistas, incluindo a Target. Enquanto as faculdades variam em tamanho e cultura, seus alunos, funcionários e, até mesmo os pais visitantes, podem ser clientes “bastante cativos”, acrescentou.

No final do ano passado, a cadeia de supermercados Publix, com sede na Flórida, abriu sua primeira loja em campus, localizada em terras arrendadas da University of South Florida (USF – Universidade do Sul da Flórida), embora já tivesse uma loja a menos de dois quilômetros e meio do campus de Tampa. O local, cerca da metade do tamanho de seu supermercado típico, está localizado próximo à nova vila residencial da escola, que pode abrigar cerca de 2.000 estudantes.

Para Ana Hernandez, vice-presidente assistente de habitação e educação residencial na universidade, estas iniciativas tem sido um sucesso em vários níveis. Os estudantes estão à procura de mais comodidades, ela disse, enquanto a universidade está procurando maneiras de aprofundar as conexões dos alunos com a comunidade do campus. Antes do acordo, acrescentou, o governo estudantil da universidade aprovou uma resolução em favor da adição do supermercado e a Publix concordou em realizar pelo menos duas feiras de empregos a cada ano para oferecer aos estudantes empregos e estágios.

“Não há dúvida de que os varejistas estão tentando gerar lealdade”, disse Nick Egelanian, presidente e fundador da empresa de varejo SiteWorks. Embora haja um grande movimento de faculdades e universidades para construir mais moradias estudantis, os varejistas sabem que estar associado a um dormitório é uma experiência positiva para a marca, acrescentou.

Ainda assim, Niggeman adverte que nem toda escola pode suportar esse tipo de varejo. De fato, a USF tem 50.000 estudantes, incluindo cerca de 6.300 que moram no campus. Ele estima que as faculdades com pelo menos 20.000 estudantes poderiam apoiar o varejo adicional no campus. À medida que mais estudantes escolhem a faculdade com base no tipo de “experiência” que podem ter, as opções de varejo podem se tornar um fator da decisão, disse.

Dada a popularidade das roupas esportivas, por exemplo, Niggeman acredita que cadeias como a Lululemon teriam ótimos resultados em alguns campi. Na verdade, a Lululemon abriu lojas temporárias “sazonais” perto de várias instituições, incluindo uma perto da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, no ano passado.

Egelanian pensa neste crescimento como uma nova variação de um tema antigo. “Sempre existiu varejo em faculdades”, ele disse, acrescentando que algumas, como a Universidade de Harvard, a Universidade de Georgetown e a Universidade da Califórnia, em Los Angeles, estão  em bairros bem estabelecidos, repletos de lojas de varejo.

Citando o crescimento da Target, Egelanian argumentou que as novas lojas são mais uma consequência de cadeias de varejo que se deslocam para áreas urbanas. Mas ele afirmou que a capacidade do varejista de se ajustar agilmente para atender à demanda dá uma vantagem a outros varejistas, como o Walmart, nesse tipo de mercado. Por sua vez, o Walmart recuou em uma iniciativa semelhante há alguns anos.

Um dos grandes varejistas das faculdades, a Barnes & Noble, percebeu mudanças nas tendências de varejo nos campi. A rede agora atualiza sua mercadoria de três a quatro vezes por ano, disse Kenneth Wincko, vice-presidente de marketing da Barnes & Noble College. Dentro de suas lojas em campus, a livraria está experimentando o varejo especializado, com curadoria de produtos de saúde e beleza, revistas, roupas esportivas e outros itens relacionados ao bem-estar.

A Barnes & Noble também tenta se integrar à vida no campus de outras maneiras, recebendo até 3.000 eventos por ano e abrindo lojas pop-up perto de estádios esportivos durante grandes torneios. A rede também está aberta ao feedback dos alunos. Por exemplo, quando a Barnes & Noble adicionou um café dentro de sua loja no campus da University of Central Florida (UCF – Universidade do Centro da Flórida), os estudantes pediram para comprar plantas – então a rede agora está testando a inclusão de floriculturas em suas lojas, afirmou Wincko.

A rede atualmente tem cerca de 770 unidades em campus e Wincko disse que há planos para adicionar dezenas a mais a cada ano.

Para ficar em contato com as necessidades dos alunos, a Barnes & Noble pesquisa anualmente 100.000 estudantes, usando endereços de e-mail coletados nas lojas do campus. Resultados recentes da pesquisa mostraram que metade dos alunos que responderam não tem todos os materiais necessários no primeiro dia de aula. Para resolver isso, a empresa está trabalhando com o corpo docente para identificar itens necessários, de livros a equipamentos de laboratório, para que a loja possa adequar seu estoque antes do início do semestre.

Os estudantes de hoje podem estar à vontade para fazer compras online (em alguns casos, mesmo durante as aulas), mas Wincko e outros executivos do setor acreditam que as lojas de tijolo e argamassa, aliadas ao comércio eletrônico, continuam sendo fundamentais.

A Target aumenta a capacidade de alunos, ou seus pais, comprarem itens online e buscá-los em uma loja próxima em uma hora, disse DeBuse. A varejista está apresentando um crescimento nas vendas de dois dígitos nesta modalidade, que é especialmente popular no início do ano acadêmico, acrescentou.

Os pontos de coleta da Amazon nos campi universitários ou próximos a eles têm um objetivo semelhante.

No entanto, o bônus para os varejistas que querem fazer negócios no campus, de acordo com DeBuse, é a capacidade de criar sentimentos positivos sobre a marca, assim como muitos alunos estão começando a tomar suas próprias decisões de compra.

Niggeman não tem certeza de onde essa tendência vai acabar. “Não vamos colocar 1 milhão de pés quadrados” de varejo no campus, afirmou. Mas as faculdades que estão aumentando o número de matrículas devem considerar como o varejo influencia esse crescimento. “À medida que você expande as matrículas, precisa de mais apoio”, disse.

Para Marcos Hirai, sócio-diretor da GS&BGH, esta movimentação dos varejistas norte-americanos é natural e representa a hiperconveniência: “O varejo precisa estar onde o consumidor está. Quanto mais perto dele (o consumidor), maiores as chances de conversão de vendas. Com o advento dos deliveries e do m-commerce, passa a ser uma maneira do varejo físico se fazer presente, trazendo lojas mais perto nos diferentes momentos do consumidor.”

Empresas investem em formato Grab and Go para atrair clientes

Na correria do dia a dia, muitas vezes as pessoas mal conseguem parar para comer. O conceito de hiperconveniência surgiu justamente da necessidade de os estabelecimentos oferecerem soluções que poupem tempo e esforço de seus clientes. O Grab and Go (cuja tradução significa “pegue e vá”) é um modelo de atendimento que consiste na oferta de alimentos e bebidas prontos para consumo. A modalidade, que já é amplamente utilizada em países como Estados Unidos e Reino Unido, agora começa a conquistar espaço no Brasil.

A principal característica do Grab and Go é a oferta de alimentos e bebidas prontos e embalados, o que possibilita que o cliente faça uma compra rápida, sem necessidade de realização de pedidos. Os produtos são dispostos em prateleiras expositoras com temperatura controlada e em embalagens que facilitam a identificação de cada item. Essa tendência segue uma demanda dos consumidores por produtos alimentícios que sejam saudáveis, minimamente processados, frescos e, é claro, saborosos.

O sistema surgiu como resposta ao estilo de vida dinâmico e cronometrado da atualidade. Conforme dados apurados em 2017 por uma pesquisa da Nestlé Profissional, 60% dos entrevistados afirmam fazer refeições (como café da manhã, almoço e jantar) em movimento entre as atividades do dia. O estudo também identificou que o tempo dedicado à alimentação está encolhendo: 70% dos respondentes gastam 10 minutos ou menos para o café da manhã, enquanto 95% leva menos de 30 minutos para almoçar.

O sistema Grab and Go é uma opção vantajosa para empreendedores do setor de Alimentos e Bebidas. As empresas focadas especificamente no modelo podem ter instalações pequenas, com cozinha e uma área de atendimento contendo as prateleiras e o caixa de pagamento. A equipe necessária para operação do negócio também costuma ser enxuta, já que grande parte do atendimento ocorre por meio de autosserviço.

O Grab and Go permite o controle dos insumos e pré-preparo antecipado, o que traz ganhos de agilidade – aspecto importante, pois a reposição das prateleiras deve acontecer rapidamente. Além de atuar em espaço próprio e vender diretamente ao consumidor final, as empresas podem fechar parcerias com empreendimentos onde esse tipo de serviço pode ser útil, como prédios corporativos, por exemplo.

Para os clientes, o formato proporciona uma experiência que alia a praticidade de comprar algo pronto para fazer refeições e lanches, a variedade de opções para diferentes paladares e dietas e a conveniência de consumir os produtos onde quiser.

O modelo ainda é pouco explorado no Brasil e um dos motivos é a questão cultural. Segundo dados do Sebrae, de cada dez restaurantes de pequeno porte do país, seis operam por meio de atendimento self-service. São os típicos buffets a quilo. As empresas que desejam apostar em um modelo diferenciado devem ficar atentas aos detalhes, além de oferecer uma opção atrativa de alimentação fora do lar.

Os estabelecimentos de Grab and Go devem estruturar o espaço e a sistemática de atendimento de forma que os clientes entendam facilmente qual caminho seguir. Nesse aspecto, devem ser considerados tanto o acesso aos produtos como a itens complementares, entre eles molhos e condimentos, talheres, guardanapos, copos e sacolas. Também é importante agilizar o processo de pagamento, direcionando um funcionário apenas para operar o caixa ou oferecendo outras alternativas, como pagamento por aplicativo.

A logística de um negócio como esse depende muito da escolha dos equipamentos adequados, especialmente no que se refere às prateleiras de apresentação dos produtos. É necessário que os aparelhos conservem a higiene e a temperatura correta, a fim de garantir a qualidade e a segurança dos produtos oferecidos.

Na área de vendas de produtos Grab and Go, as embalagens assumem uma posição de destaque. Elas devem possibilitar a visualização detalhada do conteúdo interno e direcionar a atenção para o produto. Os recipientes precisam também permitir o consumo prático do alimento ou bebida. Materiais biodegradáveis são opções que agregam valor ao produto pelo apelo ambiental, já que existe uma preocupação com geração de lixo no segmento.

O formato representa um campo com amplas oportunidades para o setor de Alimentos e Bebidas, incluindo refeições e lanches para todos os períodos do dia. Os empreendedores podem usar o modelo para vender refeições, como café da manhã, almoço e jantar; lanches e sobremesas; bebidas; sanduíches; comida saudável; saladas; produtos vegetarianos e veganos, entre outros.

Strip malls oferecem baixos custos e conveniência para lojistas

Há mais de 30 anos no mercado, a PetCamp, rede de produtos e serviços para pets sediada em Campinas e região, que cresceu com lojas de rua, mudou de direção a partir de 2015, em plena crise, e passou a abrir lojas em strip malls.

Com 19 unidades no total, sendo que cinco operam nesses locais, a empresa pretende inaugurar mais três dentro desse formato até o final de 2019.

Para quem não é familiarizado com o termo, strip mall é uma espécie de “centro comercial de rua muito bem organizado”, define Marcos Saad, presidente da recém-fundada ABMalls (Associação Brasileira de Strip Malls).  São de cinco a 20 lojas, uma ao lado da outra, voltadas principalmente para as áreas de alimentação e serviços, com estacionamento e segurança.

Enquanto há quem avalie na ponta do lápis se vale mais a pena ter uma loja de rua ou em um shopping no atual cenário de redução de custos e margens (quase sempre) apertadas para o varejo, o strip mall tem se mostrado uma opção para pequenos e médios lojistas manterem a visibilidade, o potencial de crescimento e, claro, as vendas – caso do PetCamp.

O formato atrai por questões simples (e essenciais): custos de ocupação até 50% inferiores aos de um shopping center, além de vagas próprias de estacionamento voltadas para o mix de lojas e serviços de segurança dificilmente encontrados em uma operação de rua. Como despesas básicas, aluguel e condomínio e, às vezes, merchandising compartilhado que, juntos, ajudam a rentabilizar melhor o negócio.

Tendo como âncora geralmente um grande varejista, como um supermercado, o mix dos strip malls não compete com o de um shopping, por exemplo, considerado um destino por contar com entretenimento e lazer no mix.

Já os strip malls, segundo Marco Saad, atendem o cliente num outro momento de consumo: o de conveniência, ou seja, onde ele consegue resolver suas necessidades e demandas de alimentação, academia, farmácia, salão de beleza e estética, exames médicos, ida ao pet shop ou ao banco em um só lugar e sem sair do bairro onde mora.

“Mas, se a grande vantagem para o cliente é conveniência, para o lojista é o compartilhamento, que vai muito além do condomínio e do aluguel mais baratos, chegando ao paisagismo, iluminação e limpeza, despesas divididas com ajuda da geração de tráfego entre as operações que compõem o strip mall”, afirma Saad.

Victor Leite, diretor comercial e de expansão da PetCamp, confirma. Segundo ele, apesar de estudar diversas propostas para entrar em shoppings, a rede optou em continuar a expansão migrando das ruas direto para os strip malls por duas razões.

Primeira: pelo tamanho das lojas (350 m2), já que os custos altos inviabilizariam a operação em um shopping. Segunda: pelo crescimento mais rápido e 50% mais barato (em termos de divulgação) que na loja de rua.

“O strip mall às vezes traz custos superiores a uma loja de rua, claro. Por outro lado, as vantagens de associar sua marca a outras marcas de sucesso potencializa o crescimento de cada unidade”, afirma. “Em resumo, capturar um cliente que já está no seu estacionamento (consumindo no vizinho) é mais fácil e custa bem menos.”

Saad, da ABMalls, reforça que”apesar de o lojista gastar menos, o faturamento é proporcionalmente menor.”

Apesar de ainda não existirem dados oficiais sobre strip malls – exceto um estudo da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), de 2017, que mostra que 44% estão em cidades com população de até 500 mil habitantes, sendo que 66% estão no interior – a tendência, que está se espalhando, levou à criação da ABMalls.

Formada por 100 empreendedores do ramo, a associação tem como foco reunir informações, além de defender os interesses dos strip malls junto aos órgãos públicos, já que “o setor se mostrou sólido durante esse período de instabilidade econômica”, diz Marcos Saad, que tem larga experiência como co-fundador da Rep Real Estate Partners, em 1996 – uma das responsáveis pela inauguração do primeiro strip mall brasileiro, que até hoje funciona na Av. Ricardo Jafet, em frente ao Shopping Plaza Sul, na capital Paulista. Desde 2011, ele está à frente da Mec Malls, que já realizou 20 projetos do tipo e tem de 8 a 10 previstos em São Paulo e um no Rio de Janeiro para 2019.

Com os diferenciais já demonstrados, aliados ao pouco investimento em infraestrutura que o poder público efetua nas cidades, segundo Saad, esse conceito acaba se tornando uma solução em razão do grande tráfego, que viabiliza consumo e serviços num só lugar.

“Ele também é rentável para o investidor, já que o tipo de mix oferece menos volatilidade em caso de desaquecimento da economia, além do baixo índice de vacância e de inadimplência.”

Apostando no formato que é muito explorado no interior, conforme demonstrado pelo estudo da Abrasce, a Best Center, incorporadora e administradora imóveis comerciais focados em conveniência e serviços, possui 36 strip malls espalhados por São Paulo (dois na capital e o restante na região metropolitana de Campinas e São José do Rio Preto), além de dois no Rio de Janeiro (Macaé e São João do Meriti). São eles, aliás, que sediam cinco lojas da PetCamp.

O diferencial dos strips, segundo o diretor geral João Fernando Sammarone, além de estarem estrategicamente posicionados num raio de 3 a 4 km na volta para a casa do consumidor, é oferecer uma estrutura que tenha desde um grande fast food ou pet shop como âncoras, e até postos de gasolina e laboratórios, como o Fleury ou o A+.

Um mix do tipo, segundo o executivo, também consegue ser muito mais resiliente ao e-commerce – um dos responsáveis por ajudar a encerrar milhares de lojas que não se adaptaram a ele nos últimos cinco anos. “Além de resolver a vida do consumidor, (o strip mall) oferece experiência”, acredita.

Mas, apesar dos bons resultados, o diretor geral da Best Center lembra que, assim como outros formatos de varejo, os strip malls tiveram que lidar com problemas gerados por conta da crise -como a inexperiência de pessoas que se aventuraram a empreender, achando que “bastava abrir a porta para sair vendendo” (e acabaram fechando), além da solicitação de descontos e renegociação de alugueis para manter os negócios funcionando no período mais crítico.

“Por outro lado, enquanto os shoppings sofreram com lojistas que tiveram que sair pra não arcar com custos de ocupação que chegavam a 40%, diversos lojistas fizeram realocação para os nossos centros, tanto em busca de um custo de condomínio quatro vezes menor como pela sinergia com outros lojistas”, comemora.

Fonte: Diário do Comércio

Asics reinaugura flagship store na Oscar Freire

A marca esportiva Asics irá reinaugurar no próximo sábado, 1º de junho, sua Flagship Store na rua Oscar Freire, em São Paulo. Com projeto arquitetônico repaginado, a loja contará com todos os produtos da marca, além de seus principais lançamentos. Entre eles está a Casa Tokyo, espaço no mezanino, que será dedicado a receber eventos e ativações já visando os jogos olímpicos no Japão, em 2020.

Um dos destaques da loja continua sendo o Asics Foot ID. Em seu primeiro estágio, o teste escaneia os pés da pessoa. Em um segundo momento, ocorre a análise da corrida em uma esteira. Uma câmera de alta definição capta imagens da passada em câmera lenta e, após o cruzamento de dados, é possível avaliar o pé e descobrir deformidades, calos e/ou angulações. O teste é realizado com um calçado neutro que conta com sensores embutidos, sendo eles os responsáveis pelos detalhes que auxiliam na indicação do calçado mais adequado.

Além do teste da pisada, será possível encontrar também os sneakers clássicos da Asics Tiger – como o GEL Kayano 5 OG, marcado pelo seu design, entre outras novidades, com destaque para GEL-Nimbus 21, Metaride e Court FF Novak.

O projeto da loja foi feito pelo arquiteto paulistano Naoki Otake. Com vivência no Japão, seu trabalho é inspirado no estilo sukiya da arquitetura mais tradicional japonesa. Entre os conceitos mais trabalhados pelo profissional está o wabisabi, estética que remete a transitoriedade e a imperfeição. Após a reformulação, a Flagship, que foi aberta em 2011, conta agora com um espaço total de 422m².