Arquivo da categoria: Marketing Institucional

Um novo mindset na moda: menos tendências e mais propósito

Quando falamos em moda, todos nós já aguardamos novidades, referências, uma visão de futuro. A moda é para todos, democrática, futurista, inovadora e lançadora de tendências.

Mas essa percepção vem mudando bem rápido entre as novas gerações. A Geração Z, dos jovens de 18-20 anos, que são reais, espontâneos, engajados, buscam o “ikigai” ou propósito, a verdade deles, dos outros e das marcas que consomem acima de tudo. Eles têm como tendência a não definição, pois, para eles, sempre há um ponto de conexão, ponderação, receptividade e a identidade fluída.

Valores e causas reais que realmente importam para esse novo consumidor geram um checklist para marcas e empresas. E as perguntas que este público faz são: é livre de crueldade? Não usa plástico? Usa material reciclado? Realiza ações sociais junto à comunidade local?

Nesse contexto, vemos a ascensão de novos modelos de negócios como o de consignação. Nos Estados Unidos, a “Rent the Runway” proporciona as suas clientes um sistema de assinatura mensal de roupas em consignação. Você entra na loja com uma roupa e sai com outra. Qual mulher não gostaria de ter um guarda roupa novinho toda semana e que, além de tudo, é sustentável, compartilhado e atual?

Também se fala muito em upcycling. Totalmente diferente da reciclagem, os produtos são feitos a partir do reuso de materiais como peças de roupas usadas ou acessórios existentes. No Brasil, temos um exemplo que é a “Insecta Shoes”, marca de sapatos ecológicos veganos super transados. Os calçados são fabricados com garrafas pet, utilizam borracha reaproveitada e os tecidos e acessórios são de reuso. Reúnem em um só produto os conceitos de reciclagem e upcycling.

Nos Estados Unidos e Europa, grandes marcas como “ASOS” e “Urban Outfitters” possuem linhas vintage e de produtos que foram refeitos a partir de sobras de coleções. E, parece que o sucesso foi tão grande que as marcas estão investindo pesado nessa variável do negócio.

Para quem não está familiarizado ou antenado com essa demanda, fica a dica de sempre pensar se o negócio traz algum benefício para a comunidade local ou meio ambiente, se é sustentável e tem uma comunicação transparente com os clientes

Subway provoca McDonald’s em campanha

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A rivalidade explícita entre redes de fast food nos Estados Unidos não é novidade. Empresas como o Burger King já realizaram diversas ações em que provocam o McDonald’s, mas, agora foi a vez do Subway.

A ação criada pela Dentsu Aegis Network e leva o bordão “Faça o que você quer” mostra o típico palhaço da rede de fast food em um resort onde tira férias e troca os sanduíches de sua rede por lanches do Subway.

A ideia da propaganda surgiu do fato da marca ter crescido financeiramente em 2018 depois de começar a aplicar promoções diárias em suas unidades nos Estados Unidos. Confira as peças abaixo:

Tabloides do The New York Post esgotam após anúncio da Supreme na capa

Supreme de novo

A busca por monetização nos jornais cresce cada vez mais. E em empreitada, os tabloides do New York Post foram esgotados na última segunda-feira (13) após sua capa ter sido estampada com uma propaganda da grife Supreme.

A peça tornou-se item de colecionadores e segundo dados do Post, algumas foram vendidas por até U$100,00. Em alguns lugares os jornais esgotaram cerca de três horas antes do previsto devido à febre.

Foi a primeira vez em que o jornal dedicou uma capa apenas para anúncio publicitário e essa parceria foi estabelecida quando a marca solicitou a postagem de ideias inovadoras para a sua divulgação.

http://adnews.com.br/publicidade/tabloides-do-new-york-post-esgotam-apos-anuncio-da-supreme-na-capa.html

A Converse e o poder da conversação

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“Como manter as marcas icônicas relevantes em um mundo tão iconoclasta?”, pergunta Andres Kiger, vice-presidente de marketing da Converse para uma sala cheia na abertura do segundo do Engage Prague. Dessa maneira, o executivo começa sua apresentação e mostra para o público de diversos países como é possível que aquela marca de desejo há décadas continue atual e na mente do público.   

Para contextualizar, o profissional remonta ao início da publicidade e mostra como os padrões tradicionais não se conectam mais com os jovens. Corpos perfeitos, situações romantizadas e artistas sem ligação com a marca não serão mais aceitos. “Os jovens de hoje não aceitam passivamente a propaganda. Eles respondem na hora, conversam entre si e viralizam memes que têm mais popularidade que a campanha em si, como aconteceu com a Pepsi e a Kendall Jenner”, apontou o criativo.   

Na ocasião, a gigante do ramo alimentício convidou a celebridade para ser a segunda modelo na história da marca para protagonizar um filme. Diante de um papel que só havia sido de Cindy Crawford, a estrela da familia Kardishian atua em um vídeo em que ela sai de uma gravação de fotos, vai até uma manifestação, entrega uma lata de refrigerante para um policial e faz a massa de manifestantes vibrar com o desfecho.  

Apoiado em padrões de muitos anos atrás, o comercial ao invés de sucesso rendeu ruídos e uma resposta avassaladoramente ruim do público. Por isso, o executivo defende que as “marcas icônicas não servem mais para oferecer benefícios, recompensas ou inovações técnicas. Elas devem se integrar de maneira intrinsíca à cultura que estão relacionadas. A realidade é que o mundo mudou e os consumidores estão descontentes com as marcas”.   

Como criar conversas positivas  

Comunicar marcas em um tempo que tudo vira meme é uma tarefa difícil. Para isso, segundo Kiger, é necessário se alicerçar nos momentos marcantes que envolvem as empresas, as pessoas que realmente a usam e os influenciadores que autenticamente gostam do produto.  

Não há mais espaço para que os rostos de empresas sejam estampados por mascotes e uniformes. O ideal é que elas se cerquem da realidade das pessoas. Convidem grafiteiros, músicas de estilos específicos e incentivem eventos que determinado público adora. 

“Parece irreal acreditar que as marcas permeiam tantos momentos, mas vou contar para vocês que um dos eventos mais legais que participei foi a Copa do Mundo. Me diverti muito no Rio de Janeiro e em quase todas as fotos que tirei nas portas dos estádios aparece o logo da Coca-Cola. Na hora não percebi, mas ela ficou intrinsicamente ligada de maneira positiva em minha vida”, explica o americano.  

Da mesma maneira que as marcas ocupam os grandes eventos sociais, elas também estão nas histórias de muita gente. Para exemplificar, quem não se lembra do primeiro encontro com uma pessoa amada o tênis que ela vestia? Nisso se apoia o marketing proposto por Kiger.  

“Esse menino da foto utilizada nas redes da Conversa foi tirada quando eu andava pela rua e vi um menino tão feliz. Parecia que acabava de conhecer a primeira namorada. Pedi para tirar uma foto dele e para ele contar a sua história. Entendemos a importância de mostrar algo verdadeiro e no final do dia o que tentamos criar são comunidade de amigos que conversem de maneira orgânica sobre um ponto em comum: a marca” 

Facebook testa feed separado para marcas e outro para amigos

Facebook

Profissionais de social media com pressão alta tenham cuidado pois as próximas frases podem mexer com suas saúdes. Está em fase de testes pelo Facebook uma timeline a parte, só para  páginas e marcas e outra para aproximar amigos e familiares. Assim, o feed principal fica reservado para pessoas conhecidas e a aba “Explorar” fica o “resto”, ou seja: as páginas. A ferramenta foi liberada para usuários do Sri Lanka, Bolívia, Eslováquia, Sérvia, Guatemala e Camboja.

Ao site do Facebook, Adam Mosseri, Head of News Feed, reiterou que:“Nós sempre ouvimos nossa comunidade sobre maneiras de melhorar o feed de notícias. As pessoas nos dizem que querem uma maneira mais fácil de ver posts de amigos e familiares. Estamos testando um espaço dedicado para que elas conversem com seus amigos e familiares e outro espaço separado, chamado Explore, com posts de páginas”.

Sobre o teste, Mosseri relatou que o objetivo é entender se as pessoas preferem ter lugares separados para o conteúdo pessoal e público. E então, a empresa ouvirá “o que as pessoas dizem sobre a experiência para entender se é uma idéia que vale a pena seguir”.

A respeito da implementação de forma global, Adam revela que “não há um plano atual para levar isso além desses países de teste ou para cobrar páginas no Facebook para pagar por toda a sua distribuição no News Feed ou no Explore. Infelizmente, alguns erroneamente fizeram essa interpretação – mas essa não era nossa intenção”.

Um jornalista da Eslováquia falou sobre a queda vertiginosa do alcance da página nas regiões onde o teste foi lançado: “As páginas estão vendo quedas dramáticas no alcance orgânico – as [sessenta] maiores páginas de mídia eslovacas alcançaram 4 vezes menos interações (gostos, comentários, compartilhamentos) desde o teste. Parece que o efeito na Guatemala e no Camboja é o mesmo”.

Confira os gráficos.

 

Justin Bieber usa camisa do Palmeiras e gera mídia espontânea para Crefisa

 

03 de Abril de 2017 

renato belieber

Muitas vezes um simples presente pode ter um valor inestimável. É o que ficou claro no show do Justin Bieber realizado no Allianz Parque no sábado (1). Na ocasião, o cantor apareceu com a camiseta do Palmeiras no final do evento e alegrou a Crefisa pela mídia espontânea que foi transmitida em todas as plataformas e replicada para globalmente.

Em entrevista à Veja, Leila Pinheiro, dona da companhia, conta que foi surpreendida por ligações de amigos comentando que o ídolo teen estava na TV com a camiseta do time que a marca patrocina. “Foi uma loucura. As marcas Crefisa e Fam irão correr o mundo”, comemorou a executiva.

Não pra menos, o ícone pop também é famoso por contratos publicitários com grandes anunciantes como Calvin Klein, Adidas e até a joalheria Tiffany. Os acordos com as empresas não têm as cifras anunciadas, mas certamente os milhões envolvidos não se comparam com o pouco dinheiro gasto por Alexandre Mattos, diretor de futebol do clube, e Rogério Dezembro, CEO da WTorre, ao presentear o astro com o uniforme personalizado com seu nome

http://adnews.com.br/negocios/justin-bieber-veste-camisa-do-palmeiras-e-quem-ganhou-foi-crefisa.html

Harley-Davidson cria campanha para seu principal lançamento do ano

 

15 de Março de 2017

Roadster

A Harley-Davidson estreia a comunicação para seu principal lançamento do ano: a Roadster, protagonista das duas produções que estão sendo veiculadas nas redes sociais da marca, com o objetivo de difundir o estilo de vida da marca, reforçando quesitos importantes como liberdade e irmandade, além de oferecer descontos especiais na compra do modelo. A agência f2f-digital assina a campanha digital da marca no Brasil.

A Roadster é o mais novo modelo do lineup 2017 brasileiro, da família Sportster. Com estilo minimalista, o modelo se destaca pelo desempenho moderno e um motor de 1200 cilindradas V-Twin Evolution refrigerado a ar.

Para comunicá-lo, a campanha conta com dois filmes: o primeiro, com um enredo sombrio, que revela ao público alguns detalhes do novo modelo, narrado pela própria motocicleta.

https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fharleydavidsondobrasil%2Fvideos%2F1425433920824584%2F&show_text=0&width=560

O segundo, enfatiza o seu desempenho, que tem origem nas pistas de corrida e cuja essência faz parte do DNA da marca.

https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fharleydavidsondobrasil%2Fvideos%2F1443627562338553%2F&show_text=0&width=560

A agência, parceira digital da marca há 2 anos, também produziu um vídeo parabenizando pela parceria e compartilhou em suas redes. Confira:

https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2FAgenciaf2f%2Fvideos%2F1249135038507019%2F&show_text=0&width=560

http://adnews.com.br/internet/harley-davidson-lanca-campanha-para-seu-principal-lancamento-do-ano.html

O amargo resultado do Tweet de Donald Trump Jr. ao comparar refugiados com balas Skittles

20 de Setembro de 2016 14h – Atualizado às 14:23

skittles

Donald Trump Jr, além de ser filho do questionável presidenciável Donald Trump, também é uma famosa figura americana. Tal qual o pai, ele adora usar as redes sociais para compartilhar seu ponto de vista sobre assuntos atuais. Com mais de 650 mil seguidores, seu perfil no Twitter é atualizado com frequência. Lá, ele posta textos, links e fotos. E foi o que o primogénito, como de costume, fez ontem (19), porém um tweet sobre a crise dos refugiados transformou a internet em uma zona de guerra.

Por volta das 20:41, o empresário e influenciador resolveu, mais uma vez, postar sua opinião. Só que dessa vez ele conseguiu comparar e envolver coisas que não devia. Na sua publicação aparece uma grande tigela cheia de balas Skitties e um texto que diz “Se eu tivesse um pote cheio de Skittles e dissesse a você que apenas três de lá poderiam te matar, você encheria a mão de balas? Esta é nosso problema com os refugiados sírios. Faça a América grande de novo!”

This image says it all. Let’s end the politically correct agenda that doesn’t put America first. #trump2016pic.twitter.com/9fHwog7ssN

— Donald Trump Jr. (@DonaldJTrumpJr) 19 de setembro de 2016

Claro que ninguém na websfera curtiu, pincipalmente o pessoal da Skittles. A resposta veio rápida e amarga. Denise Young, Vice Presidente de relações públicas da companhia de doces, disparou “Skittles são doces. Refugiados são pessoas. Não sentimos que foi apropriada sua analogia. Nós respeitosamente preferimos nos abster de comentários adicionais que podem ser mal interpetados como marketing”. Depois dessa, a VP não se pronunciou mais, nem precisava.

Os repliques e os engajamentos negativos com o entusiasta republicano fizeram com que a afirmação tomasse grandes proporções e a Skitles já podia sair do fogo cruzado virtual, pois outros formadores de opinião se encarregaram de afundar de vez a popularidade do direitista.

Jon Favreau, antigo responsável pelos discursos de Barack Obama não ficou indiferente e usou a simbólica imagem de Omran Daqneesh para rechaçar o comentário de Trump Jr. “Esta é uma das milhões de crianças que hoje você comparou com Skittles envenenados”, tweetou o porta-voz.

Hey @DonaldJTrumpJr, this is one of the millions of children you compared to a poisoned Skittle today: https://t.co/SDSGw0eUIPpic.twitter.com/HuhY9RGvWW

http://adnews.com.br/internet/o-amargo-resultado-do-tweet-de-donald-trump-jr-ao-comparar-refugiados-com-balas-skittles.html

Esqueça o “Abra a felicidade”: Coca quer que você “Sinta o Sabor”

 

Como uma espécie de piada interna, numa roda de publicitários, costuma-se se dizer que a Coca-Cola praticamente patenteou o conceito de “felicidade” na propaganda e fez dessa palavra o DNA de sua comunicação. Agora, sete anos após o lançamento da assinatura “Open Happiness”, para evitar o desgaste, a marca criou um novo posicionamento global.

Com “Taste the Feeling” ou “Prove o Sentimento” na tradução, a Coca-Cola volta a colocar o produto no centro de seus comerciais, sem deixar de lado a sua abordagem humana e emocional. “A grandeza da Coca-Cola reside no fato de que é um prazer simples, de modo que quanto mais humilde formos, maior seremos. Queremos lembrar as pessoas sobre o porquê elas adoram o produto tanto quanto amam a marca”, disse o CMO da empresa, Marcos de Quinto. No fim das contas, o direcionamento é bem básico: celebrar a experiência de beber uma Coca-Cola gelada.

Além disso, numa grande mudança estratégica, a indústria de refrigerantes anunciou hoje (19), num evento em Paris, que pela primeira vez vai unir todas as marcas, incluindo a Coca-Cola Zero, no mesmo projeto de comunicação. “A ideia é reforçar que a Coca-Cola é para todos”, disse o executivo.

Para lançar a campanha no âmbito global, diversas agências já começaram a criar as peças para todas as mídias, incluindo os comerciais de TV. Entre elas, Mercado-McCann, Santo, Sra. Rushmore e Oglivy & Mather. No Brasil, o lançamento ficou sob responsabilidade da J.Walter Thompson e a Mutato, que também é uma agência do grupo JWT, produziu um trabalho especial para a plataforma de comunicação em tempo real da Coca-Cola. Ao todo, são 20 vídeos de 15 segundos chamados de “Thirstygrams”, que serão veiculados no Instagram da marca em vários países.

Confira abaixo alguns dos primeiros comerciais da nova proposta da gigante das bebidas. O primeiro deles abre a nova série. Já o segundo, conta com um detalhe especial: o cover de “Under Pressure”, de Queen e David Bowie

Redação Adnews – 19/01/2016

http://www.adnews.com.br/publicidade/esqueca-o-abra-a-felicidade-coca-agora-quer-que-voce-prove-o-sentimento

Manifestações levam Fiat a transformar sua plataforma de comunicação

Por Renata Leite, do Mundo do Marketing | 15/05/2014

A apropriação da música tema do comercial de TV da Fiat para a Copa das Confederações pelos manifestantes, em junho do ano passado, deixou executivos da montadora de cabelo em pé. E não foi de emoção por ver centenas de milhares de pessoas cantando o “vem pra rua” lançado pela marca quatro semanas antes do início dos protestos. O temor por atritos com o governo federal, num setor altamente influenciado por incentivos, parece, no entanto, ser menos significativo do que os resultados. As manifestações não conseguiram gerar mudanças consideráveis no Brasil, mas revolucionaram a comunicação da montadora. Desde então, a Fiat não abandonou mais a rua como tema e a tornou sua plataforma de marca.

Nesta quinta-feira, dia 15, a companhia lança um novo anúncio televisivo musicado, com o mote de “a nossa festa é na rua” – dessa vez para a Copa do Mundo. Falcão, do Rappa, que cantou na ação do ano passado, dá lugar a Herbert Vianna e Negra Li na produção. As referências não param por aí. Recentemente, a montadora já havia colocado na internet quatro vídeos irreverentes de animação com o mote “Vacilão, na rua não”, em tom educativo. Até o fim do ano, oito deles estarão no ar.

A empresa, que costumava focar em produtos nas suas ações de Marketing, adota agora uma plataforma institucional. “A postura da Fiat é outra depois das manifestações. A marca começa a trabalhar aspectos que vão além de sua responsabilidade, como a educação no trânsito. Não se trata mais de uma campanha para a Copa, é uma plataforma de marca”, afirma Tiago Lara, Diretor de Planejamento na Leo Burnett Tailor Made, que participou nesta quarta-feira do 5º Encontro Internacional Coppead de Comportamento do Consumidor, no Rio de Janeiro.

Excluídos da Copa
Tudo começou durante a Copa das Confederações, quando a Fiat, como não patrocinadora, estava proibida de atuar num raio de dois quilômetros dos estádios. Não podia mencionar o evento ou a Seleção Brasileira. A marca mandou, então, pesquisadores para conversar com os brasileiros e, embora tenha notado um entusiasmo com o fato de as competições esportivas acontecerem no país, identificou um descontentamento em relação à dificuldade de se comprar ingressos para partidas, por conta do preço.

A companhia notou um sentimento de exclusão por parte da população. “A Fiat estava tão excluída da Copa quanto milhões de brasileiros. Se tivéssemos parado para fazer a campanha no primeiro insight, criaríamos o mesmo que tantas outras marcas: uma ação contemplativa, do tipo “vai Brasil”, falando de festa e alegria. O mote, no entanto, se voltou para: se vocês não estão na Copa, vem com a gente que a gente também não está. A Fiat está no mesmo lugar que vocês: na rua”, explica Tiago Lara.

Hoje, o vídeo com o Falcão cantando a música tem 19 milhões de views e é o mais assistido do YouTube na categoria automóveis. A marca teve ainda 38% de associação com a Copa das Confederações, embora não tenha investido recursos no evento. Apareceu na frente de concorrentes que eram patrocinadores oficiais, como Hyundai e Kia Motors. A montadora ainda registrou o maior crescimento em vendas se comparado aos três principais adversários no mercado e o “vem para a rua” foi mencionado mais de três milhões de vezes nas redes sociais.

Grito da Fiat e das ruas
O momento inicial, no entanto, foi de tensão. No dia seguinte à primeira grande manifestação de junho, a montadora enviou representantes para protestos nas capitais Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. Os executivos se perguntavam se era preciso tirar o anúncio do ar ou modificá-lo, mas nada disso foi feito. “Ficou claro que o grito não era mais da Fiat. Não havia motivo para tirar o anúncio do ar. A marca não tinha mais autoridade para falar”, pontua Tiago Lara.

A expectativa geral no país é de que os protestos voltem a ocorrer com mais frequência durante a realização da Copa do Mundo. A perspectiva, no entanto, não assusta a Fiat. A companhia continuará se posicionando como a marca das ruas. “A Fiat é uma montadora popular, que dá acesso, que traz tecnologias novas para a categoria de base. Este conjunto fez com que tivéssemos um link muito maior com a população. A gente entendeu que a Fiat estava no lugar que ela sempre quis estar. Ela estava na rua, do lado das pessoas”, diz o Diretor de Planejamento da agência.

O risco de a companhia ser taxada de oportunista, desta vez, também foi descartado, à medida que o mote das ruas foi mantido durante todo o tempo de intervalo entre a Copa das Confederações e o mundial. De qualquer forma, para minimizar as possibilidades de problemas, as criações na área de comunicação vêm sendo acompanhadas de perto pelo CEO e pela diretoria globais da Fiat e não apenas pela equipe local.

Flechas e alvos
A empresa, inicialmente, não sabia as proporções que a apropriação da música lançada por eles iria tomar. Embora não fosse completamente cômoda, a situação da Fiat, ainda assim, era muito melhor do que a de outras marcas, que passaram a ser sistematicamente atacadas pelos manifestantes. Por ter lido, entendido e traduzido um sentimento dos brasileiros, a montadora se tornou flecha, enquanto outras companhias viraram alvo.

Empresas como a FIFA, a TV Globo e instituições bancárias ocuparam uma posição um tanto desconfortável durante os protestos. A população questionava prioritariamente as relações dessas organizações com o governo, o poder econômico delas e suas influências institucionais na sociedade. Tanto nas apropriações, como nas críticas, a população lançou mão das marcas como um instrumento simbólico para uma situação mais abrangente, como mostrou um estudo realizado pela Coppead, UFRJ, e apresentado durante o 5º Encontro Internacional.

O levantamento evidenciou uma fragmentação dentro das manifestações, por elas serem formadas por grupos com interesse e formação distintos. Nos protestos de junho, os próprios participantes relataram aos entrevistadores da Coppead existirem perfis mais ou menos politizados, engajados e voltados para ações radicais. Essa pluralidade de características se assemelha à realidade da própria população em geral e explicaria a apropriação de marcas para serem usadas na comunicação.

A Fiat não foi a única a ir parar nas ruas, em gritos e cartazes. Manifestantes também se apoderaram de “o gigante acordou”, que havia sido tema de um anúncio da Johnnie Walker, e levavam dizeres como “jogaram Mentos na geração Coca-Cola”. “Os profissionais de Marketing estão sempre trabalhando de modo a se comunicarem com todo mundo, numa sociedade extremamente fragmentada. Isso os leva a criarem um repertório capaz de falar com grupos muito heterogêneos, o que explica as apropriações por manifestantes”, resume Maribel Suarez, Professora de Marketing e Comportamento do Consumidor do Coppead, UFRJ, em entrevista ao Mundo do Marketing.

http://www.mundodomarketing.com.br/reportagens/planejamento-estrategico/30703/manifestacoes-levam-fiat-a-transformar-sua-plataforma-de-comunicacao.html