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H&M cria coleção a partir de buscas dos clientes do e-commerce

A varejista de fast fashion H&M lançou uma coleção criada a partir das pesquisas realizadas pelos consumidores em seu e-commerce. Os dados da trajetória de navegação dos usuários foram obtidos através dos cookies de usuários da cidade de Berlim. A coleção estará à venda somente em oito lojas na cidade alemã.

A companhia pesquisou apenas informações específicas sobre as cores, estampas e tecidos que têm maior preferência entre seus clientes. Isso permite ver a possibilidade de produzir sob demanda, criando linhas em maior coesão com o perfil dos seus consumidores, de acordo com sua localização. Outra vantagem do método é a redução de custos, já que são reduzidos os riscos de produzir e armazenar produtos em excesso, além do transporte desnecessário, ajudando a diminuir os impactos ambientais.

Heléne Riihonen, criadora do projeto na empresa, afirmou que “com essa coleção, queremos ser verdadeiramente centrados no cliente e oferecer aos nossos consumidores de Berlim uma linha hiper local e hiper relevante”.

A Nike já utiliza big data para criar produtos, anunciando planos de adaptar todo o seu portfólio aos dados obtidos em cada cidade onde atua.

5 comportamentos emergentes a que marcas devem estar atentas

A internet pode ser um tanto contraditória. Ao mesmo tempo em que rompe fronteiras e une pessoas, facilita a formação de bolhas que mantêm os indivíduos somente entre iguais. As marcas precisam estar cientes dos bônus e ônus dos algoritmos e do meio digital quando usarem as plataformas para se comunicar e relacionar com os consumidores. Depois das tendências apontadas pela Hyper Island no mundo dos negócios e na tecnologia, os comportamentos dos consumidores em um cenário em que mundo real e virtual se confundem são descritos na terceira reportagem que teve o estudo Changes Of Tomorrow (mudanças do futuro, em tradução livre) como fonte.

1. Cocriação: um desejo social
A cocriação é inerente à internet – um ambiente que tem como finalidade primeira facilitar a comunicação entre pessoas -, mas essa união de esforços chega agora a um nível histórico. O comportamento é favorecido pelo amadurecimento da web: a banda larga cresceu e há 3,2 milhões de pessoas online. Houve ainda um incremento no número e na capacidade das ferramentas disponíveis para auxiliar a cocriação.

As manifestações de junho de 2013 demonstraram o poder de ação de um trabalho conjunto iniciado na internet e como seus efeitos podem extrapolar o mundo virtual. Há ainda inúmeros grupos no Facebook, que unem indivíduos com interesses semelhantes, gerando inúmeros frutos fora da web. As redes sociais não são as únicas ferramentas disponíveis para a cocriação. Há ainda Wikipedia, GiftHub, HitRECord, Dropbox.

O comportamento demonstra como as pessoas estão predispostas a dedicarem parte de seu tempo a projetos colaborativos, esforço que pode e deve ser aproveitado pelas empresas. A grande vantagem de proporcionar essa abertura dos processos criativos para o público como um todo é contar com opiniões, conhecimentos e habilidades muito mais diversos do que aqueles disponíveis em um time de profissionais.

2. Relacionamento online
À medida que a vida social das pessoas é transportada para a internet, relacionamentos 100% digitais passam a se tornar comuns. A capacidade de manter amizades distantes geograficamente também cresce de modo significativo. Como resultado, eventualmente, as fronteiras entre o online e o off-line tendem a desaparecer. Passa a haver apenas uma realidade, com o mundo virtual como parte dela. Até quando fará sentido pensarmos em internautas? As pessoas já trocam mensagens quando estão há poucos metros de distância; ao mesmo tempo que jogam vídeo game com desconhecidos que vivem do outro lado do globo.

Algumas barreiras, entretanto, ainda não foram transpostas – e talvez nunca sejam. Apenas 8% dos adolescentes e 5% dos adultos norte-americanos conheceram namorados pela internet. Ainda assim, esses pares românticos se mantêm em contato, em grande parte do tempo, pela web, em seu dia a dia. Já em relação a amizades, o ambiente virtual mostra-se perfeito. Os relacionamentos estritamente online já não são mais, de forma alguma, estranhos.

3. Cultura globalizada
A internet conseguiu enfim eliminar fronteiras ao colocar grande parte da população mundial conectada. O novo cenário exigiu um maior entendimento e respeito às diferenças, mas o processo de transformação ainda não terminou. No futuro ainda mais globalizado, a informação circula livremente, hierarquias emergem e se dissipam e inovadoras subculturas surgem e desaparecem ao passo da moda.

A tendência, segundo a Hyper Island, é de que a ideia de Estado-Nação sofra uma erosão, na medida em que as diferenças entre as culturas e os países se tornam menos relevantes do que as similaridades. As pessoas, os profissionais e as marcas devem então se questionar em que ponto estão nesse espectro que vai do nacionalista ao globalizado. Estão abraçando as ideias de livre ir e vir, culturas fluidas e cooperação internacional, ou estão mais ligados à identidade local, conexões regionais e às singularidades de cada país.

4. Economia social
A crise financeira internacional de sete anos atrás serviu para derrubar a crença na estabilidade e para motivar as pessoas a buscarem modelos econômicos mais democráticos, de acordo com análise da Hyper Island. Os serviços que surgiram com a missão de revolucionar a indústria bancária são um exemplo. Crowdfunding e crowd equity são alguns dos exemplos desse movimento conduzido por plataformas digitais para aproximar investidores a empresas ou projetos, deixando de lado estruturas tradicionais de investimento. Muitas corporações ainda subjugam essas ferramentas – mas não deveriam.

5. Bolhas digitais
Com o crescimento da web semântica – que atribui significados aos conteúdos publicados na web de modo que possam ser identificados pelo computador -, os produtos e serviços diariamente usados estão se tornando mais inteligentes. Assim, pouco a pouco, os consumidores aceitam que partes do controle da tomada de decisão passem para o digital, tornando a vida mais fácil. O computador já oferece para cada indivíduo aquilo que está dentro dos interesses dele, sejam objetos, conteúdo ou pessoas.

A lógica é bem conveniente, mas também tem um lado obscuro. Hoje, é mais fácil acabar encapsulado dentro de uma bolha. São os algoritmos que apontam as opções de lugares onde se comer, se hospedar, pessoas para se relacionar e o que ler, como apontou o especialista Eli Pariser, em 2011. Desde então, os filtros usados pelas redes sociais e plataformas como AirBnB, Amazon e Netflix tornaram-se ainda mais sofisticados. As empresas devem olhar para dentro de seus próprios quadros para promover a comunicação entre os profissionais e os times, já que as bolhas costumam estar reproduzidas em ambiente corporativo também

01/04/2016- Renata Leite

https://www.mundodomarketing.com.br/reportagens/comportamento-do-consumidor/35889/5-comportamentos-emergentes-a-que-marcas-devem-estar-atentas.htm

Novas fronteiras para o crowdsourcing

Modelo que utiliza o conhecimento coletivo e colaborativo, o crowdsourcing propõe o diálogo e estabeleceu novas formas de engajamento entre marcas e consumidores.

Oportunidade para aplicar a cultura da inovação aberta das empresas, as campanhas de crowdsourcing podem ainda ajudar na redução das receitas internas devido a terceirização, proporcionar lealdade às marcas, abrir novas frentes de receitas e, mais importante, gerar uma economia em que os consumidores não são forçadamente classificados em categoria. Entretanto, se os objetivos não estiverem bem definidos, todo o esforço será tempo perdido. Escolher o momento adequado e o contexto, é primordial para que a ferramenta seja bem aproveitada em um plano de marketing.

Sob a perspectiva do anunciante, a luta pelo engajamento dos consumidores começa centrada no bom direcionamento nas estratégias de crowdsourcing. Mais da metade dos esforços de um projeto dessa natureza deve ser investido no desenvolvimento de um briefing capaz de estimular o pensamento e a criatividade das pessoas. A utilização do ambiente da internet facilita, já que os indivíduos tendem a ser mais abertos para o diálogo na web, onde não estão sendo julgados fisicamente.

As campanhas mais bem sucedidas deste segmento utilizam duas palavras chaves: “como” e “compartilhe”. A primeira no formato de questionamento a segunda sendo uma expressão do pensamento dos consumidores.

Veja alguns exemplos de cases em que os anunciantes utilizaram crowdsourcing:

O consumidor no centro das atenções
Fotos e filmes expressam locais e estilos de vida, e aproximam ainda mais marcas e pessoas. Se você já bebeu refrigerante, sabe que não pode evitar aquela sensação de “ahhh”, mas essa é uma experiência diferente para cada pessoa. Sendo assim, a Coca-Cola quis saber qual é o momento de cada um. Além de veicular um vídeo engajador durante o American Idol, a marca reuniu insights sobre como consumidores interpretam e expressam a experiência do sabor para enriquecer campanhas futuras.

Terceirização de contribuição
A área de design da Coca-Cola convocou os consumidores para ajudar no novo desafio da marca: encontrar novos jeitos e sensações para a Coca-Cola, cujo design das garrafas foi desenvolvido em 1915. Por meio do concurso #coke100for100 a Coca-Cola está colhendo sugestões de designers de todo o mundo, julgadas por um time importante de artistas e especialistas em design para discutir como serão os próximos anos em todas as áreas que atua. Novas embalagens e produtos podem surgir a partir das sugestões.

Quebrando barreiras culturais
Boas ideias transcendem fronteiras culturais entre países. Um dos exemplos é um projeto da Panasonic Viera 4KTV feito por profissionais de marketing do Japão focado no mercado japonês, porém o vencedor foi um projeto francês. De fato, boas ideias são mais susceptíveis de vir de fora da zona de conforto habitual de um comerciante, uma vez que os participantes que não fazem parte do target, abordam o desafio sob uma perspectiva mais refrescante e inovadora.

Ajude a ajudar
Campanha do suco Whelch solicitou aos consumidores, vídeos utilizando o aplicativo Vine enquanto estavam tomando um copo de suco e em seguida encenassem, oferecendo o copo para o próximo. Para cada vídeo enviado, eles doaram uma garrafa de suco para famílias carentes cadastradas na organização Family-to-Family. A intenção era fazer o maior vídeo de Vine do mundo com “Pass the glass”. Foi uma ideia colaborativa original que rendeu muitas conversas nas redes sociais

Portfólio de novos produto
A marca Lays consultou seus consumidores sobre novas ideias de sabor através do seu site e o voto social determinaria o vencedor que ganharia US$ 1 milhão. De quebra a marca ganhou muitos elogios por dedicar-se a ouvir os seus consumidores, e também respeito por dar espaço a algumas ideias inusitadas, como sabor de gema de ovo.

Em crowdsourcing, o conteúdo gerado deve ser tratado como rei. Entretanto há de se pensar que os coletivos não são somente de inteligência, Não existem soluções mágicas capazes de resolver qualquer problema. Inteligência negativa tem seu lado negativo, ignorância coletiva e fatores semelhantes.

Por Innovation Insights | 17 agosto 2015

http://innovationinsider.com.br/novas-fronteiras-para-o-crowdsourcing/

O varejo e as mídias sociais

Quero começar meu artigo de hoje com a análise de uma matéria publicada em 14 de maio último, no mobile commerce. O destaque do clipping é para uma campanha que a Forever 21 está fazendo nos Estados Unidos, unindo mídias sociais, a solução mobile da empresa e o cliente final.

A ideia é a seguinte: O cliente tira uma foto com seu “look”, coloca no Facebook, Instagram ou Twitter, com a hashtag #F21xMe ou #F21SummerCool e “tagueia” a @forever21. A partir dai, a foto fica na galeria da empresa onde os consumidores podem comprar os produtos diretamente.

A campanha coloca o consumidor no papel de curador dos produtos e dá um certo glamour para quem publica suas fotos, uma vez que o volume de “likes” proporciona bastante popularidade para os modelos virtuais!
Essa estratégia aproxima o consumidor da realização da compra, reduzindo o prazo entre a pesquisa e a conversão.

Enquanto selfies e campanhas nas mídias sociais são comuns, a criação de uma galeria de fotos com produtos que podem ser acessíveis imediatamente não é.

As inovações que estamos acompanhando nos aplicativos para mobile têm o objetivo de transformar os smartphones em verdadeiros PDVs. Os desdobramentos dessa nova tendência são diversos, mas todos com uma semelhança: acontecerão de forma muito rápida.
No último quadrimestre de 2014, segundo Criteo, as vendas realizadas pelo aparelho celular chegaram perto de 10,1% do movimento total do e-commerce. No primeiro quadrimestre de 2015, 12,2%. A tendência é finalizar o último quadrimestre de 2015 com algo perto de 20%!
Agora, imagine a velocidade com que as empresas terão que se adaptar para atender essa demanda. Imagine a ruptura de modelo organizacional que precisaremos atingir nos modelos atuais das empresas.
Primeiro, as empresas deverão incorporar de vez o entendimento que o cliente será o centro das decisões (customer centricity), organizando suas estruturas de suporte com foco no cliente e não mais no canal ou no segmento. No exemplo da Forever, imagine que o Marketing tem que garantir que as demandas dos clientes geradas por essa campanha possam ser atendidas por qualquer ponto de contato que ele queira: nas lojas ou no digital. O consumidor vê o produto na galeria de fotos e pode comprar pelo mobile, ou não. O consumidor pode chegar na loja e querer o mesmo produto que viu no mobile. Saberá o vendedor da loja atender esse consumidor? Terá ele informação suficiente sobre a performance de vendas destes produtos e oferecer alternativas?

Plataformas de tecnologia deverão ser totalmente integradas: o cliente clica em “comprar” e todas as respostas colocadas a seguir devem ser respondidas em questão de segundos. Como garantir disponibilidade do produto? De onde reservo essa mercadoria? Como otimizar o custos de entrega?

As equipes de desenvolvimento de produto deverão ter à sua disposição ferramentas de gestão (algoritmos e PLM – product lifecycle management, por exmeplo) que permitam acompanhar a performance dos produtos de forma estruturada, para todos os canais e que direcionem o mix de produtos. Assim, mesmo que um determinado produto acabe, outros similares estejam em desenvolvimento para ser prontamente colocados nas lojas.

Posso listar por vários parágrafos todas as mudanças que antevejo nessa tendência sem retorno. Na verdade, minha sugestão é que a empresa se antecipe a esse cenário e, se organize de uma forma simples e rápida. Não perca tempo, inove sua relação com seus cliente e veja no mobile uma forma de aumentar as vendas!

Ana Paula Tozzi (ana.tozzi@agrconsultores.com.br) é sócia da GS&AGR Consultores.

19 Mai 2015

http://www.gsmd.com.br/pt/eventos/implantacao-de-projetos/o-varejo-e-as-midias-sociais

Los Paleteros cria dois novos sabores em ações de cobranding

A Los Paleteros apostou no cobranding para colocar no mercado dois novos sabores de paletas mexicanas. A partir de agora, fazem parte do portfólio da marca o Iogurte com Frutas Vermelhas, inspirado na bala Fruittella Grego, e o Crunchy Cream. Criado em parceria com o Rock In Rio, em comemoração aos 30 anos do festival, este picolé é à base de nata com baunilha com pedaços de biscoito de chocolate.

Para estreitar o relacionamento com os clientes, a marca vai permitir que os consumidores acompanhem o processo de fabricação das paletas. Em determinados momento do dia, os frequentadores da loja do bairro Moema, em São Paulo, poderão ver o funcionamento do laboratório de criação pelas vitrines. Apenas quando as receitas confidenciais estiverem sendo preparadas, a cortina será fechada. O espaço também será utilizado para degustações, testes sensoriais e ações com franqueados e clientes.

Los Paleteros, Fruittella Grego, Rock in Rio

Por Roberta Moraes, do Mundo do Marketing | 15/04/2015

http://www.mundodomarketing.com.br/

User Experience Branding: interação com o consumidor chega aos logos

A revolução tecnológica está transformando uma sociedade linear, cartesiana, mecanicista e funcional, inspirada nas máquinas que proporcionaram a Revolução Industrial, em uma sociedade randômica, criativa e orgânica. A conectividade promovida pelo mundo digital faz com que as relações aconteçam em rede, derruba hierarquias e põe o modelo centralizado de liderança em xeque. Os reflexos são sentidos não apenas na horizontalização das funções dentro das empresas, mas até em seus logotipos, que precisam dialogar com consumidores e funcionários empoderados.

No passado, as marcas eram representadas por grafismos monolíticos, sólidos e estáticos, que traduziam o peso das organizações. O desafio atual é justamente abrir mão do discurso centralizador de poder para permitir ao consumidor se apropriar dessa representação. O jovem conceito de User Experience (UX) Branding prevê uma marca constituída a partir da experiência das pessoas com ela – e não por si mesma.

Aos poucos, as companhias começam a enxergar as oportunidades de abrir esse canal de interação com o público. “Algumas empresas começaram adotando o conceito que eu chamo de marca fluida, em que o logotipo assume formas variadas de acordo com o contexto em que está inserido, como o Nickelodeon e a Oi. Nestes exemplos, no entanto, os consumidores ainda não podiam interagir com a representação. O que vemos agora são marcas abertas, que permitem às pessoas se apropriarem delas. É o caso do logotipo que criamos para o aniversário de 450 anos do Rio”, diz Ricardo Leite, Sócio e Diretor de Criação da Crama Design Estratégico, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Apropriação da marca
O desafio de desenvolver uma imagem capaz de representar a todos os 6,5 milhões de moradores da cidade conduziu a equipe do escritório carioca até a solução ganhadora do concurso promovido pela prefeitura. Nela, os algarismos que compõem a efeméride que será comemorada em 2015 formam um rosto estilizado. A partir daí, as pessoas são convidadas a intervirem, criando figuras únicas e próprias. A ideia é que a marca possa ser utilizada livremente por todos, inclusive pelas empresas.

Essa apropriação já pode ser notada em diferentes pontos da cidade, como na fachada do Shopping Rio Sul, em Botafogo, Zona Sul do Rio, e até nas barracas de artesanato na Feira Hippie, em Ipanema. Bolsas vendidas no comércio de rua passaram a ter, entre suas estampas, a marca comemorativa estilizada com fuxicos e bordados. Já o centro comercial instalou um painel de 600 metros quadrados em que ícones da cidade, como os Arcos da Lapa, o Pão de Açúcar e a Pedra da Gávea, representam o cabelo no rosto formado a partir dos números. O grafismo dará origem também a mobiliários urbanos, como bancos de praça e brinquedos infantis.

A forma geométrica do logotipo é fácil de ser replicada, o que potencializa a sua customização e, consequentemente, o engajamento com ele. “Assim como os produtos começaram a ser construídos coletivamente, com o crowdsourcing, a tendência é que as marcas sigam o mesmo caminho. As pessoas querem ter voz, participar. Daí, as redes sociais darem tão certo. Buscamos focar na relação do carioca com a cidade e no jeito dele de ser. Chegamos a uma solução única, porém múltipla; assim como a carioquice, que é singular e plural”, resume Ricardo Leite.

Storytelling narrado pelo usuário
A utilização do conceito por trás da marca dos 450 anos do Rio não é único. O Airbnb aplicou o UX Branding ao lançar o Bélo em julho. O novo logo da empresa busca transmitir, por meio desta apropriação, a sensação de pertencimento. A marca da rede de hospedagem ancorada no compartilhamento já estava nas mãos dos usuários desde suas origens, já que são os anfitriões que promovem a experiência prometida pela companhia. O storytelling também é narrado pelos hóspedes do serviço, que relatam no site o que viveram na viagem.

A principal recompensa oferecida pelo Airbnb é pessoal e não financeira. “Criamos a página create.airbnb para cada um customizar sua marca, fazendo menção a alguma experiência que tivesse vivido com a empresa. O usuário escolhe formato, cor e textura, além de poder subir uma imagem. Em um mês, tivemos cerca de 20 mil logos diferentes geradas. Clicando nela, descobre-se a história por trás de cada uma delas, o que aponta para peculiaridades das viagens. Elas são únicas. Outros meios de hospedagem podem ter como valor o fato de serem iguais em qualquer parte do mundo, mas em nosso caso o valor está na diversidade”, diz Samuel Soares, Gerente de Marketing do Airbnb, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A nova marca não ficou apenas no site e no material de divulgação. O Bélo está em chaveiros, camisetas, bolsas e outros produtos, que levados pelos usuários do serviço também proporcionam o sentimento de perecimento a uma comunidade. O item é feito com base no logo criado individualmente por cada um dos anfitriões. A produção é realizada em San Francisco, mas o Brasil – quarto maior mercado da empresa – foi um dos países que mais encomendou a novidade.

Estranhamento revertido pela comunicação
Sair na frente em uma tendência tem seus desafios, especialmente num conceito que pressupõe significados construídos pelo uso. Os novos logos que seguem o UX Branding podem parecer enigmáticos num primeiro momento, mas esse estranhamento inicial é transformado por meio da comunicação posterior à apresentação da solução. O Airbnb, por exemplo, criou um vídeo em que apresenta o que está por trás das linhas que parecem um coração de cabeça para baixo ou mesmo o “A” do nome da empresa.

Mesmo assim, com a cultura do “troll” típica da era digital, o logotipo não passou incólume aos usuários. Muitos completaram o desenho para fazer piada, mas isso faz parte do jogo, quando se chama as pessoas a participarem. “Encaramos com bom-humor e fizemos até um report dos casos mais engraçados. Abrimos espaço para a criatividade. Teve gente que não entendeu, que não gostou, mas, colocando na balança, não podíamos estar mais felizes. O novo logo abriu um leque de oportunidades. Muitas imagens foram compartilhadas no Instagram e em outras redes sociais, com a marca desenhada na areia de uma praia e até em um bolo de aniversário”, conta Samuel Soares.

Mais cases
O Myspace já havia inovado em seu logo em 2010, com a palavra “my”, na tipologia Helvetica, e um símbolo delineando um espaço em branco, que pode ser preenchido pelo usuário da forma que lhe convier. A solução pioneira partiu de uma companhia que, na época, já contava com um Vice-Presidente de User Experience.

A Ocad University desenvolveu uma solução com a mesma ideia, deixando uma área para intervenção dos funcionários e alunos. Assim, os cartões de trabalho, por exemplo, passaram a ganhar um incentivo à customização. A construção coletiva de marcas, até o momento, alcança, portanto, companhias de educação, de tecnologia e sociais, mas ainda não chegou às corporações mais tradicionais, como as de bens de consumo. A semente está plantada.

Por Renata Leite, do Mundo do Marketing | 12/11/2014

http://www.mundodomarketing.com.br/reportagens/marca/32179/user-experience-branding-interacao-com-o-consumidor-chega-aos-logos.html

Mídias Sociais e Crowdsourcing no Varejo

Durante o Congresso e Exposição TI & Varejo, que acontece esta semana em São Paulo, especialistas discutiram qual o papel das redes sociais na melhoria de produtos e serviços. Segundo eles, as informações geradas nas redes sociais ajudam as empresas a entenderem como suas marcas são percebidas e avaliadas pelo público.

Thiago Suzano, gerente de TI, do McDonalds falou sobre o alcance e o impacto das redes sociais. “Hoje a gente pode lançar um novo sanduíche do McDonalds no Instagram e isso é muito diferente de uma propaganda no intervalo da novela das nove. A reação é imediata, com comentários e reclamações em tempo real das pessoas que já provaram o novo lanche”, exemplifica. Suzano comentou sobre a eficiência do Twitter no Varejo. “Pesquisas mostram que reclamar no Twitter é quase 10 mil vezes mais eficiente que reclamar no Procon”.

Para o gerente de TI da empresa de fast-food, a grande questão é como trazer os dados das redes sociais para dentro das empresas e usar essas informações na melhoria dos serviços. Ricardo Jordão, CMO da Rakuten Brasil, afirma que ainda é preciso fomentar a participação dos usuários brasileiros na Internet: Quando olhamos os sites de produtos como a Amazon, vemos que o consumidor de lá comenta, resenha e critica mais os produtos anunciados. Esse tipo de comentário agrega mais valor do que uma simples reclamação ou elogio.

Precisamos incentivar o mesmo comportamento aqui”. Mas há outros aspectos a serem abordados quando discutimos a relação entre redes sociais e consumidores. Um deles é como identificar nichos de consumidores no turbilhão de mensagens postadas diariamente.

O segmento farmacêutico tem um público de nicho na terceira idade. Rogério Segala, da Brasil Pharma, explica que a relação dos mais velhos com a tecnologia e a compra de produtos é muito diferente das gerações mais jovens. “Não se pode comparar uma farmácia com um Starbucks, por exemplo.

O que tentamos fazer é usar os dados de compras anteriores para recomendar novos produtos. Outra estratégia é investir na personalização do atendimento. “Pessoas mais velhas tendem a comprar sempre com o mesmo vendedor. Essa proximidade não pode ser desprezada”, explica Segala.

No caso do varejo, as redes sociais podem ajudar num aspecto importante do negócio: a variação diária de preços. Muitas cadeias de varejo trocam constantemente de preço: “Só a Amazon faz 5 milhões de ajustes de preços todos os dias”, explica Carlos Carvalho, gerente do Roldão Atacadista.

Segundo ele, a variação de preços dos produtos poderia estar vinculada ao tráfego de consumidores durante o dia em cada loja. “Monitorar as redes sociais é fundamental para fazer esse tipo de ajuste”, finaliza.

 

(Fonte: Decision report) – Varejo Digital – 05 Jun 2014

http://www.gsmd.com.br/pt/noticias/varejo-digital/midias-sociais-e-crowdsourcing-no-varejo