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Como o Clubhouse pode ser útil na indústria de comunicação?

Marcas podem usar aplicativo para se aproximar do público, prestação de serviços e promover debates sobre questões que afetam a sociedade

As definições de FOMO (sigla para “medo de ficar de fora” em inglês) não cessam de ser atualizados no aplicativo Clubhouse que, desde a semana passada, tem sido palco para conversas sobre diferentes assuntos que duram horas e, a cada momento, são alimentadas por novos usuários. Entre 30 de janeiro e 6 de fevereiro, as buscas no Google pelo app aumentaram em 525% em relação a semana anterior. Embora tenha acabado de ganhar popularidade no Brasil, executivos do mercado publicitário já enxergam possibilidades da união entre marcas e plataforma.

Para Rodrigo Tigre, da Audio.ad, Clubhouse deflagra poder do áudio (Crédito: William Krause/Unsplash)

Até então disponível apenas para celulares com sistema iOS, o aplicativo é uma espécie de podcast ao vivo ou então uma live sem câmeras em que moderadores podem permitir usuários ouvintes a contribuírem para o debate. Para entrar, é necessário receber um convite de um outro usuário ou então submeter um nome de perfil para ficar salvo como seu e esperar algum colega de sua lista de contatos autorizar sua entrada. O login é feito pelo número do telefone celular.

Inserido no universo do Clubhouse, o usuário pode selecionar temas de interesse, participar de clubes ou ingressar em alguma sala ativa que é exibida na primeira página do aplicativo. No app, já é possível ouvir debates sobre posicionamentos de marcas, criação de conteúdo, cultura do cancelamento, empreendedorismo e tantos outros.

O Clubhouse existe desde março de 2020 como um “tipo de produto social baseado na voz, permitindo que pessoas em todos os lugares falem, contem histórias, desenvolvam ideias e criem amizades ao redor do mundo”, descrevem os fundadores Rohan Seth, ex-funcionário do Google, e Paul Davidson, empresário do Vale do Silício.

Porém, o que proporcionou sua ascensão rápida para as discussões nas redes sociais nessa transição de mês foi a presença de nomes como Elon Musk, Mark Zuckerberg, Oprah Winfrey, Drake, Ashton Kutcher, Anitta, Luciano Huck, Boninho e demais celebridades participando de conversas. O app ficou conhecido pelo mercado publicitário quando executivos de agências e marcas aceitaram convites para entrar na plataforma.

Abre alas
Para Rodrigo Tigre, country manager da Audio.Ad, o ingresso do público se deu por conta da curiosidade entorno do aplicativo. Apesar disso, ele alerta para a desproporcionalidade do buzz. “Com certeza, o tuíte do Elon Musk expandiu a busca pela rede, pois ele é um influenciador grande e real. Outros influenciadores, como o Felipe Neto, deram visibilidade para a rede no Brasil, potencializando o buzz no país. Mas temos que tomar um pouco de cuidado. Há muito buzz em torno do Clubhouse, mas ele ainda é nichado. Sinto que ele está no núcleo de tecnologia e comunicação. Além disso, o acesso é apenas para iOS e ainda não foi aberto para o sistema Android”, pondera.

Se foram as celebridades e grandes empresários que proporcionaram uma leva de novos usuários à rede, o que fez eles ficarem foi o que a plataforma ofereceu enquanto comodidade e necessidade humana, indica Ana Carolina Targino, assistente de social listening e estratégia da CP+B Brasil. “As pessoas podem ouvir enquanto fazem outras atividades e, se tiverem interesse, ainda podem pedir para entrar no debate. Quantas vezes estamos ouvindo um podcast e queremos opinar e não podemos? Outro ponto importante é que muitas pessoas não se sentem à vontade com câmeras, e o fato de não precisar aparecer se torna muito relevante”, explica.

Ainda assim, os grandes nomes não deixam de estar entre as características mais marcantes do app pela proximidade antes impensável que ele oferece. “Além disso, pode proporcionar uma aproximação com pessoas que antes era quase impossível ou possível somente através de grandes eventos pagos e, mesmo assim, com limitações, porque mesmo nesses eventos há uma dificuldade em ter contato direto com grandes nomes”, coloca Targino.

Gui Rios, diretor executivo da SA365, remonta a atratividade da rede para aspectos mais instintivos do comportamento humano. “A voz sempre foi a forma mais natural para o humano se comunicar, não é por acaso que dispositivos inteligentes como Siri, Alexa e Google Home ficaram tão famosos ao ‘falar’ com as pessoas. Ou até o sucesso das mensagens de voz em aplicativos como o WhatsApp. Mas o que acredito que seja mais encantador é a possibilidade de juntar pessoas ao redor de uma ideia ou ouvir alguém que você admira construindo um raciocínio, batendo papo com alguém. Essa mistura de uma linguagem mais natural, senso de comunidade e a presença de formadores de opinião interessantes foi fundamental para a explosão do Clubhouse”, defende.

Aplicações
O executivo abriu uma sala na rede para mostrar aos clientes o potencial que vê na rede. Segundo ele, as marcas podem se beneficiar das salas para prestação de serviço ou entreter o seu público alvo como, por exemplo, para atendimento ao consumidor, em que técnicos e usuários colaboram nas dúvidas das pessoas em tempo real, aulas de culinárias patrocinadas e painéis de empresas com seus executivos sobre negócios e sustentabilidade. “Tudo numa plataforma espontânea, com baixo custo de implantação, possibilidades infinitas de correção de rota e muita proximidade com clientes e consumidores”, diz.

“Entendo que no Clubhouse as pessoas podem se divertir, aprender, fazer conexões significativas e compartilhar experiências com outras pessoas ao redor do mundo. Todos valores que algumas marcas têm explorado em sua comunicação. Então, se uma marca tiver como divertir alguém, ou ensinar algo, seja por seus porta-vozes, ou por criadores de conteúdo com quem tenha afinidade, poderá se aproximar do seu público no Clubhouse”, declara Rios. O aplicativo ainda não tem espaços publicitários.

Como alternativas à prestação de serviço, a executiva da CP+B acredita que o Clubhouse pode cumprir estratégias de humanização da marca ao aproximá-la do consumidor ao promover conversas que vão além do negócio da empresa e gerem benefícios sociais. Do lado de ouvinte, as marcas e agências podem usar o canal para obter insights criativos e em relação ao negócio. “Mas as marcas precisam estar preparadas para ouvir críticas também, lembrando que as salas na rede acontecem em tempo real e não há edição”, lembra.

As oportunidades são múltiplas. Para Tigre, é possível usá-lo como clube de leitura, mesa redonda, para ouvir comentários do Oscar enquanto a transmissão ocorre na televisão ou ouvir sua celebridade favorita comentar o Big Brother Brasil enquanto você assiste ao programa. “A diferença para outras redes é que a comunicação acontece via áudio, ao vivo e não fica gravada. O aplicativo traz algumas dinâmicas de rede social que já conhecemos, como o espaço de fala que já existe em outras redes. Mas essa é uma sala em que as pessoas entraram para falar, para discutir determinados assuntos ou apenas para ouvir”, propõe.

O poder do áudio
Ainda de acordo com o country manager da Audio.ad, o Clubhouse veio ocupar o espaço da voz entre as redes sociais, o que mostra como o áudio digital está cada vez mais relevante, consumido e buscado. O executivo ainda indica a flexibilidade da mídia áudio por poder ser consumida em diferentes situações como segunda tela.

“Fazendo uma análise das redes que já estão na nossa rotina, o Orkut tinha a comunidade, o Facebook trouxe o compartilhamento de ideias por texto, o Instagram é imagem, o Twitter é a sintetização da opinião, o LinkedIn é uma rede de trabalho e agora o Clubhouse traz a voz. Para o momento do áudio digital no mundo, faz todo sentido. Vale lembrar que foi a mídia que mais cresceu no Brasil em 2020. Ele funciona como uma segunda tela, sem necessariamente ter a dependência de uma tela”, argumenta.

Futuro
Mesmo que seja cedo para prever a evolução do aplicativo, o crescimento da base de usuários no Brasil pode revelar desafios para a plataforma, como disputa de audiência, já que o conteúdo não fica salvo, aponta Targino, e dificuldades de moderação dos pedidos de falas pelos ouvintes ou pelo conteúdo que pode ser dito, como discursos de ódio. “Textos de baixo calão ódio são mais fáceis para robôs. Em áudio ainda não há uma tecnologia tão apurada”, diz Tigre.

Thaís Monteiro – 9 de fevereiro de 2021 – https://www.meioemensagem.com.br/home/midia/2021/02/09/o-clubhouse-oferece-oportunidades-para-a-comunicacao.html

Vídeos curtos: automação e resultados de conversão

Formato disponível em plataformas como TikTok, que fechou um acordo com a Sony nesta segunda, e Instagram, atrai marcas em busca de performance

A plataforma TikTok tem sido usada por marcas, como Nestlé (crédito: divulgação)

A história da evolução da propaganda no audiovisual iniciou-se na década de 1890, quando Meliès, pai dos efeitos especiais, percebeu a possibilidade de inserir mensagens publicitárias no roteiro de suas películas. Com o tempo, as propagandas sob o modelo de interrupção abriram espaço para as sob o de permissão e de atração. Plataformas, como TikTok e Instagram, tornaram a audiência a própria produtora de conteúdo e, mais do que isso, direcionaram parte do investimento em publicidade no audiovisual para vídeos curtos. Baixo custo de produção, agilidade na execução e disponibilidade do usuário para o consumo do formato são algumas das características dessa mídia, que, cada vez mais, tem atraído os olhares de marcas e agências. Os vídeos curtos disputam, diariamente, a atenção do público, seja pela capacidade de transmitir mensagens objetivas, seja pela pertinência de linguagem. Mais presente na vida do usuários, o formato exige automação.

Segundo Jairo Anderson, chief creative officer da Peppery, dois aspectos incentivam que marcas apostem em vídeos curtos, a forma e a adesão do público. “A forma, quando bem trabalhada, transmite mensagens de forma fluída, objetiva e eficiente. Já a adesão do público é o que faz com que cada uma dessas plataformas já tenha seu público cativo, que não apenas consome, mas também produz seus próprios conteúdos”, explica. Para Cristina Fragata, coordenadora geral da Agência 242, por sua vez, a inclusão das redes sociais no dia a dia dos usuários e a autenticidade proporcionada pelas plataformas são os itens que atraem anunciantes: “Estar nessas redes cria janelas de oportunidades muito interessantes para que as marcas consigam se conectar com os interesses do público e, até mesmo, criar novos”.
A automação permite que agências e marcas façam, rapidamente, ações que levariam muito tempo se realizadas manualmente. A partir desse recurso e, mais especificamente, da tecnologia, os processos de marketing digital tornaram-se mais eficientes e passaram a contar com estratégias simplificadas. O mercado já possui várias ferramentas que auxiliam as agências na automação dos processos de produção e distribuição de vídeos curtos.

Softwares mais simples de edição até tecnologias de back-end para personalização de conteúdo, bem como ferramentas de sugestão de vídeos semelhantes, estão no dia a dia de profissionais de criação e marketing. Hoje, afirma Cristina, o diferencial estratégico “é entender qual ferramenta faz mais sentido para os anunciantes, a fim de tornar o processo escalável e relevante”.

Em junho deste ano, por exemplo, o chinês TikTok lançou o TikTok Business. A ferramenta auxilia agências e anunciantes a produzir e gerenciar publicidade no aplicativo. Por meio da novidade, há cinco possibilidade de inserção de publicidade: o Top View, anúncio exibido quando o usuário inicia o aplicativo; Brand Takeovers, publicidade em vídeo ou imagem de três a cinco segundos; Feed Videos, vídeos de até um minuto inseridos no feed de publicação; Hashtag Challenges, que permite que as marcas criem desafios para os usuários; e o Branded Effects, com efeitos criados pelas marcas em 2D, 3D e, agora, também em realidade aumentada que podem ser usados pelo público em seus vídeos. Por enquanto, o TikTok for Business não está disponível no mercado brasileiro e a empresa afirma que não tem ainda mais detalhes para compartilhar no momento.

Nesta semana, os usuários de TikTok passaram a ter acesso a músicas de milhares de artistas da Sony Music Entertainment. De acordo com a Bloomberg, isso é resultado de um novo acordo assinado entre a gravadora e a rede social de vídeos curtos. Além disso, o acordo também exige que o TikTok coopere com a Sony Music Entertainment em projetos de divulgação de seus artistas e identificação de possíveis talentos.

O sucesso dos vídeos curtos atraiu olhares de outras empresas de tecnologia. No mesmo mês, o Instagram lançou a função Reels, que permite o compartilhamento de vídeos curtos com efeitos ou edição e conta com aba própria nos perfis de usuários. A novidade vinha sendo testada, no Brasil, desde novembro de 2019, sob o nome de Cenas. A automação do Instagram, por exemplo, além de permitir acesso a relatórios de crescimento, capazes de gerar melhorias no planejamento de conteúdo a ser publicado, possibilita uma comunicação mais assertiva com o público-alvo via chatbots e SAC 3.0. Ademais, com ferramentas de segmentação poderosas, é possível trazer para o perfil na rede social pessoas que possuem interesse no nicho da marca. A automação é uma aliada para manter seguidores engajados, uma vez que aumenta as oportunidade de visibilidade da companhia.

Segundo a Infobase Interativa, o TikTok é a quarta maior rede social do mundo em número de usuários (crédito: Kon Karampelas/Unsplash)

Para Jairo, “se num primeiro momento a automação pode sugerir uma espécie de padronização dos conteúdos criados pelas marcas, isso deixa de ser uma questão porque a qualidade e o perfil dos conteúdos que vão sendo colocados nesse processo é o que vão determinar o estilo dos vídeos de cada marca”.

De maneira ampla, as possibilidades que os vídeos curtos podem gerar são as mais diversas. A coordenadora geral da Agência 242 afirma: “Caso o seu olhar for voltado para engajamento, pode significar mais relevância por trazer o conteúdo certo na hora certa para o usuário certo. Por outro lado, se for para performance, pode significar o aumento das conversões em uma janela de oportunidade muito favorável para a sua marca. Já, em termos de aquisição, podem alavancar uma estratégia cirúrgica que represente um aumento significativo na sua base”.

Entretanto, o chief creative officer da Peppery acredita que os formatos de automação de vídeos em redes sociais ainda estão em estágio inicial. De acordo com o profissional, no futuro, parte das ferramentas serão compradas pelas plataformas de grande alcance, como Instagram e Facebook, ou, no mínimo, as gigantes empresas de redes sociais replicaram certos features, para que as pessoas possam produzir conteúdo com facilidade. Ademais, segundo Cristina, a cultura de dados será mais dada à prática do que ao discurso. 
Segundo a Infobase Interativa, o TikTok, criado na China, é a quarta maior rede social do mundo em número de usuários — com 1,5 bilhões de usuários mensais, sendo 500 milhões apenas em seu país de origem. Já o Instagram, de acordo com pesquisa da Socialbakers, divulgada neste ano, globalmente, teve um volume de interações entre os usuários 20 vezes maior do que o Facebook, no último trimestre de 2019. 

Para Jairo, os vídeos curtos são uma forte tendência: “O dinamismo do meio digital é uma realidade que reflete diretamente o comportamento das pessoas. Às vezes, eles vão ser protagonistas. Às vezes, vão ser coadjuvantes. Mas, eles vão estar presentes”. O formato faz parte de uma ecossistema de marca completo e abrangente. “Se hoje temos a possibilidade de criar vídeos mais otimizados nos aspectos de estilo e conteúdo, que podem ser mais escaláveis, personalizáveis e data based, podemos dizer que o formato curto é uma tendência que veio pra ficar”, adiciona a executiva da Agência 242.

*Crédito da imagem no topo: Martin Lopez/Pexels – Victória Navarro
4 de novembro de 2020- https://www.proxxima.com.br/home/proxxima/noticias/2020/11/04/videos-curtos-automacao-que-agiliza-resultados.html

JD.com aposta em live streaming, customização e digitalização de serviços

As lições da JD.com durante a pandemia podem ter se baseado inteiramente nas experiências dos consumidores chineses, mas as tendências em direção ao e-commerce, streaming ao vivo, customização e digitalização de serviços são tendências globais que já estavam sendo acompanhadas e que Ella Kidron, senior manager International Corporate Affairs da gigante do comércio eletrônico aponta como primordiais para ditar o futuro do varejo.

O ambiente do varejo é muito fragmentado, por isso é preciso estar sempre atento. Segundo ela, é importante que os clientes tenham uma experiência consistente em todos os canais. Alinhado a isso, Ella explicou que a JD se preocupa em engajar cada vez mais os seus consumidores para que todos estejam cientes das ações da companhia.

A executiva citou a importância do uso de ferramentas como Realidade Aumentada e Realidade Virtual. Ella explicou que os itens que as pessoas compraram até hoje seguiram um padrão distinto, principalmente conforme a pandemia progredia. “Nós olhamos para o consumo e a estrutura do consumo por completo. E ferramentas que facilitam a experiência do nosso consumidor serão sempre uma opção que continuaremos investindo”, disse.

Omnicanalidade

Uma das principais estratégias da cadeia de suprimentos por trás dos negócios da JD é o varejo omnichannel. “Digitalização e omnicanal não estão em conflito”, disse Ella. “Para um varejista, a maneira de medir o sucesso é a experiência do cliente. Os consumidores estão ficando mais sofisticados e têm demandas maiores.” No momento, existem muitos formatos de compras – online, offline, live streaming, comércio de conteúdo e comércio social, apenas para citar alguns. “Os consumidores têm uma necessidade muito forte de ter uma experiência consistente em todos os formatos de compra”, explicou.

Live Streaming

O surgimento do fenômeno live streaming também é algo que a JD está olhando estrategicamente. “Do nosso ponto de vista, se você der um passo para trás, a transmissão ao vivo é um tipo de conteúdo. Isso é muito importante, pois acreditamos que o conteúdo e o varejo convergirão no futuro”, disse a executiva.

A JD tem uma posição clara sobre transmissão ao vivo. Enquanto algumas empresas e plataformas veem a transmissão ao vivo como um negócio, a gigante do comercio eletrônico enxerga essa prática de transmissão ao vivo como uma ferramenta para capacitar os comerciantes”. Existem dois tipos de intenções de compra – compras por objetivo e compras por impulso. “O live streaming se adapta muito bem às compras por impulso”, disse Ella.

O modelo clássico de e-commerce é focado em economizar tempo – você abre o aplicativo, procura o produto que deseja e faz um pedido. Mas live streaming é mais sobre “matar o tempo”. “É adequado para alguns produtos e alguns momentos de compras.” –

 de Imprensa Mercado & Consumo – 15 de setembro de 2020 no Global Retail Show, https://mercadoeconsumo.com.br/2020/09/15/jd-com-aposta-em-live-streaming-customizacao-e-digitalizacao-de-servicos

Brandcasters: a era das marcas influenciadoras digitais já chegou

“Broadcast” e “Socialcast” são conceitos que precedem o Brandcast. No primeiro, os veículos tradicionais de comunicação transmitem seus conteúdos às suas audiências, de uma maneira unilateral e massificada. Já no formato Socialcast, as figuras que se ocupam de disseminar conteúdos são os influenciadores digitais, e o fazem por meio das mídias sociais, aplicativos e plataformas da rede. Assim, o social se torna o principal o modelo de propagação e canal de informações, conteúdos e disseminação de influência usado por essas figuras.

Entendemos por Brandcast as difusões de conteúdo das marcas via mídias sociais ou próprias (sites, blogs, apps, etc), que vêm se aproximando muito dos modelos empregados pelos influenciadores digitais. São muitos os exemplos hoje que reforçam como as organizações podem exercer, também, o papel de influência no ambiente digital sem intermediários nem interferência de terceiros.

Hoje, com a hiperdigitalização, mesmo a mídia dita clássica (tv, rádio, jornais, revistas) passou a incorporar elementos da comunicação digital interativa para engajar e convocar a audiência a participar de seus produtos. Programas de sucesso mundial de grandes redes acolhem há algum tempo votações do público pelas plataformas digitais, como o The Voice e o Masterchef; telejornais recebem informações urgentes dos espectadores por meio de hashtags e mídias sociais; rádios e ouvintes colaboram mutuamente via WhatsApp; entre outros.

Neste contexto, o papel das organizações encontra espaço para ser uma plataforma aglutinadora de interesses comuns das pessoas baseando-se naquele setor/segmento em que atuam, servindo, inclusive, como fonte de confiança, referência e conteúdo de determinada temática. Assim, podem se apropriar de modelos consagrados usados no Socialcast, não dependendo exclusivamente destes, mas também, transformando  seus canais próprios em publishers de conteúdo.

As Brandscasters criam pautas e fazem seus próprios veículos de mídia que vão “falar diretamente” com seus públicos, elaborando, discursivamente, conteúdo desintermediado no digital. Elas exercem o papel de municiar o público com informações e influenciar a formação de uma opinião favorável aos seus interesses institucionais e/ou comerciais.

A empresa brasileira de investimentos XP é uma delas, usando o modo como se comunica com fins de geração de boca a boca espontâneo e influência para a organização e seu público. Um dos propósitos da marca, de acordo com seus fundadores, é investir em comunicação para permitir mais acesso à informação sobre educação financeira, buscando se reinventar e abrir diálogos, falando e ouvindo a audiência em uma pluralidade de canais.

Em 2020, a empresa ampliou seu projeto Expert XP, antes exclusivo para o mercado financeiro, para que o grande público também pudesse participar. Criando debates virtuais por meio de dezenas de painéis que contaram com a presença de convidados internacionais e especialistas, a marca conseguiu atingir milhões de pessoas pelo digital e amplificar o acesso ao seu site, especialmente de não clientes interessados nos temas selecionados e disponibilizados pela organização.

Em 2018, Pyr Marcondes chamou o fenômeno de Communication Bypass, pautado pelo conceito (e estudo) semelhante do IAB (Interactive Advertising Bureau) de Direct Brands. Para ele, as marcas vão cada vez mais usufruir de seus próprios canais digitais diretos para se comunicar e criar relacionamento com seus consumidores, além de vender sem intermediadores.

As organizações, quando entendem que possuem conteúdo e espaço no segmento em que atuam, podem se tornar máquinas produtoras de informação relevante e influência para suas audiências digitais. Há quem nomeie esse tipo de postura da marca de Brand Publisher, reforçando a tendência de trazer cada vez o público por meio do conteúdo nos canais digitais, oportunizando mais relacionamentos e contato cada vez mais direto entre eles.

O blog do banco digital brasileiro Nubank, chamado de “Fala Nubank”, é mais um exemplo de como uma marca pode conquistar espaço informando e se engajando com sua audiência em um canal próprio, para além dos jardins murados das mídias sociais digitais. Mesclando conteúdo próprio e organizacional com temas de relevância para os consumidores, a organização consegue criar ali, por meio de suas postagens, uma comunidade de fiéis leitores que buscam mais conhecimento sobre seus serviços e as práticas do setor financeiro no Brasil.

Em posts recentes, a marca explicou, por exemplo, sobre a nova CPMF planejada pelo governo, a “necessidade” da nova nota de R$ 200, e porque a taxa da Selic não para de cair. Temas que normalmente seriam cobertos por veículos do jornalismo tradicional foram se tornando parte do trabalho de comunicação da organização para abastecer seu público e estender o relacionamento entre ambos por meio do Brandcast.

Se pararmos pra pensar, faz total sentido uma marca se tornar hoje uma produtora de conteúdo. As pessoas possuem expectativas em torno das organizações para que estas informem e resolvam oportunamente questões e problemas não solucionados  por governos e instituições tradicionais. Isso ficou bastante claro durante a pandemia do novo coronavírus com o que chamamos anteriormente de social brands, e com os protestos #blacklivesmatter, no qual marcas como Nike, Netflix, HBO, Citigroup e Starbucks levantaram a bandeira para causas, escolhendo lados e também influenciando o debate do tema na sociedade por meio da informação.

Outra marca que se estabeleceu no Brasil como Brandcaster é a Magazine Luiza. Com uma estratégia de conteúdo parruda para além da simples venda, uma influenciadora artificial que é sucesso nas redes (a “Lu do Magalu” tem até perfil próprio e “cria” conteúdo nas principais plataformas de mídias sociais) e um olhar também para causas, a organização envolve seus seguidores, cria pautas próprias e gera buzz em função de seus posicionamentos e seus conteúdos. Recentemente a marca adquiriu o site Canaltech, uma plataforma multimídia de temáticas de tecnologia e notícias em formato diário, buscando ampliar ainda mais seu alcance, sua geração de conteúdo e sua audiência por meios próprios e sem intermediação.

Há cada vez mais oportunidades para que as organizações se posicionem em seus setores de atuação com voz ativa e legitimidade por meio de conteúdo original. Transportamos essa possibilidade para o ambiente digital em que as marcas têm a chance de se relacionarem com suas audiências de modo direto, expondo seus pontos de vista como fontes de referência e influência em seus segmentos.

Ser uma Brandcaster significa ter estrutura para atuar como uma publisher de conteúdo relevante; ser uma organização com posicionamentos claros sobre causas sociais e temais atuais; e, principalmente, compreender o caráter dialógico das redes com fôlego para influenciar e fazê-lo bem feito.

Sua marca está pronta para uma nova era de influência?

Carolina Frazon Terra – João Francisco Raposo – ProXXIma
12 de agosto de 2020 – https://www.proxxima.com.br/home/proxxima/how-to/2020/08/12/brandcasters-a-era-das-marcas-influenciadoras-digitais-ja-chegou.html