Arquivo mensal: agosto 2019

Marketplace vira aposta de empresas B2B

A utilização de marketplaces é uma forma de o vendedor expandir o alcance. Mas, para alguns fabricantes e distribuidores, esse aumento de alcance não vale as ameaças competitivas que eles podem enfrentar em um marketplace.

“É por isso que alguns varejistas e marcas estão planejando não apenas criar seus próprios sites de comércio eletrônico, mas também criar seus próprios marketplaces”, disse Jillian Ryan, analista principal da eMarketer e autora do último relatório Marketplaces 2019: B2B Ecommerce Strategies for Amazon, Alibaba e Outros.

De acordo com dados da FitForCommerce, os varejistas estão lançando seus próprios marketplaces para preencher as lacunas no sortimento de produtos, reduzir o risco e o custo de assumir estoques, de remessa e fortalecer o relacionamento com os fornecedores.

“Alguns de nossos clientes estão construindo marketplaces”, disse Jason Woosley, vice-presidente de produto comercial e plataforma da Experience Business na Adobe. “Eles estão permitindo que terceiros participem para responder à necessidade do comprador B2B por um conjunto mais amplo de produtos”.

Há também um punhado de clientes B2B da Luminos Labs, que está abrindo seu próprio marketplace, de acordo com o diretor de desenvolvimento de negócios da empresa, Mike Zaruba.

Um desses B2B é um fabricante nacional de unidades de refrigeração de grande escala que queria vender mais do que apenas os produtos que construía, mas também oferecer soluções incrementais de outros fornecedores que são complementares. “A Amazon não era a opção certa para esse cliente”, disse Zaruba. “Eles queriam reunir várias opções de produtos para seus compradores e ter controle sobre o marketplace, em vez de vender seus estoques em outros”.

Outro cliente da indústria de fornecimento de restaurantes também está no processo de construir seu próprio marketplace com a Luminos Labs. “Eles estão procurando construir um marketplace que capture não apenas seus próprios produtos, mas também outros produtos que possam ajudar a servir através das conexões que eles têm dentro dessa indústria, e depois expandir a partir daí. Eles estão tentando preencher uma lacuna em seu setor que outros marketplaces simplesmente não cumprem”, disse Zaruba.

Esses dois fornecedores B2Bs veem o valor de criar um único destino de comércio online para seus clientes e desejam facilitar a unificação de compras. Ainda assim, os dois ainda não estão funcionando. Por isso, ainda não se sabe o sucesso desses tipos de marketplaces.

A Office Depot está mais adiantada no processo de iniciar um marketplace, que, semelhante à Amazon, vive em seu site atual que vende seu próprio inventário. No início de 2019, a varejista de material de escritório lançou um piloto para a funcionalidade de mercado em seu site com um vendedor: eForCity, um distribuidor de acessórios para dispositivos eletrônicos.

“Queríamos procurar um vendedor que fosse complementar ao que vendemos”, disse Natalie Malaszenko, vice-presidente sênior de comércio eletrônico da empresa. “Eles também estão em vários mercados, por isso foi realmente uma parceria no lançamento, porque sabíamos que iríamos aprender juntos, já que este é o primeiro teste puro de B2B marketplace”.

O lançamento do novo marketplace tem sido lento para a Office Depot, de acordo com Malaszenko. “Queríamos garantir que a integração com o restante do nosso site fosse perfeita. E testar foi importante para ver como nossos clientes atuais responderam à opção”, disse ela.

Parte da estratégia era também atender os pequenos e médios vendedores B2B que buscavam outra plataforma para distribuir seus estoques e aproveitar o público existente da Office Depot. No entanto, neste momento, a empresa está sendo seletiva sobre quais marcas podem vender através de seu mercado, disse Malaszenko.

Informações do site Emarketer

Mercado Livre inaugura categoria dedicada a produtos sustentáveis

O Mercado Livre lançou uma nova seção dedicada a produtos sustentáveis. São 5 mil itens, incluindo composteiras para transformar lixo orgânico em adubo, painéis solares, eletrodomésticos com baixo consumo de energia elétrica, entre outros.

O objetivo é vender produtos que influam positivamente na sociedade e no meio ambiente. O lançamento da seção ocorreu em vários países além do Brasil, como Chile, Argentina, Colômbia, Peru, México, Venezuela e Uruguai.

A ação é uma estratégia de mercado do Mercado Livre para aumentar a frequência com que os clientes visitam o site, pois alguns destes produtos têm grande recorrência de compra, como alimentos orgânicos.

“Os consumidores que querem comprar esse tipo de produto enfrentam dificuldades para encontrar variedade”, disse Julia Rueff, diretora de vendas do marketplace do Mercado Livre no Brasil.

A empresa realizou uma pesquisa com 18 mil clientes de todos os países em que opera, com exceção da Venezuela. O estudo mostrou que apenas 11% encontram sempre os itens sustentáveis que buscam. Revelou também que 66% dos seus clientes compram produtos ligados à saúde e ao meio ambiente ao menos uma vez por semana.

Por outro lado, apenas 26% dos pesquisados revelaram estar dispostos a pagar mais caro por itens que acreditam ter impacto positivo. Mas a metade só escolheria estes produtos se estivem com o mesmo preço dos regulares.

Mais da metade dos respondentes afirmam que entre os motivos para escolher estas mercadorias estão a boa qualidade. Outras razões citadas foram a preocupação com o futuro e as próximas gerações.

Os consumidores brasileiros aparecem com os menos familiarizados com o consumo responsável, com 89% dos pesquisados respondendo que conhecem o assunto. Este número está abaixo da média de 84% dos outros países latino-americanos. O maior percentual foi o do México, com 96%.

A pesquisa revelou ainda que os millennials são os mais preocupados com questões sociais e ambientais na escolha de produtos online. Entre eles, 90% consideram o impacto no mundo de suas compras.

O marketplace inclua uma seleção de produtos sustentáveis durante a Ecofriday, promoção anual feita desde 2016 e que disponibiliza produtos sustentáveis com desconto. Para criar a nova seção, a companhia analisou os produtos. Os interessados em comercializar itens na nova categoria devem responder um questionário e o portal decide se o vendedor responde aos critérios de sustentabilidade.

“Hoje é um nicho pequeno, mas acreditamos que o futuro passa pela sustentabilidade e queremos estar preparados para ter tudo que o cliente quer consumir”, esclareceu Rueff.

Os 7 sinais de engajamento no e-mail marketing

O e-mail marketing é uma das ferramentas mais utilizadas no marketing digital, porém, destacar-se diante da concorrência, não é uma tarefa considerávelmente fácil. As empresas buscam cada vez mais estratégias inovadoras para melhorarem suas campanhas de marketing e se diferenciarem no mercado.
As empresas têm sido obrigadas a adotarem métodos voltados aos seus consumidores e a importância do engajamento do usuário para as campanhas de e-mail marketing vem ganhando cada vez mais notoriedade.
Em fevereiro desde ano, aconteceu um grande evento de e-mail marketing, o Email Evolucion Conference. Poderia ter sido mais um grande evento no meio de muitos, mas exclusivamento o EEC15,  teve um encerramento excepcionalmente esclarecedor. Quatro dos maiores ISPs do mundo, Paul Rock (AOL), Matthew Moleski (Comcast), Sri Somanchi (Gmail), e John Scarrow (Outlook.com), responderam às perguntas feitas por Dennis Dayman (ReturnPath), Ryan Phelan (Impact Digital Acxiom), entre outros da plateia.
O que significa o Engajamento? Qual a sua importância?
No e-mail marketing, o termo engajamento significa interação, relacionamento com a marca, envolvimento com os clientes. Por exemplo, sua empresa tem uma reputação exemplar, mas ainda sim, uma mensagem específica acaba indo para caixa de spam ao invés da entrada particular. Porque isso acontece? Para Microsoft, Gmail e AOL, o engajamento de uma pessoa não tem efeito sobre a reputação de forma global. Segundo o representante do Gmail, o engajamento de uma pessoa em particular somente terá efeito na reputação global for positiva.
Quais são os 7 sinais de engajamento?
  • Abertura: mesmo se eles pensam que abertura se tornou menos relevante eles continuam rastreando. Considerado positivo.
  • Responder: se uma pessoa responde direitamente para o seu email usando a função “responder”, sera um sinal extremamente forte de engajamento. Considerado positivo.
  • Mover para pasta de SPAM: forte sinal negativo de engajamanto. Considerado negativo.
  • Não é SPAM: clicar no botão “não é spam” é um sinal forte de engajamanto, pois significa que este email não deveria ser considerado como spam. Considerado positivo.
  • Apagar sem ler: um rápido olhar e não gostar. Considerado negativo.
  • Mover de pasta: significa que você esta demonstrando interesse nesta mensagem. Considerado positivo.
  • Adicionar remetente na lista autorizada: Considerado positivo.
Segundo o representante do Outlook.com, somente o item três afeta a reputação de forma global e negativa. Para os outros ISPs todos os pontos podem ter influência na reputação de forma global.
Cliques não afetam reputação 
Uma solucão simples para provar que o consumidor viu o anúncio de sua empresa é o clique, porém nem sempre essa atitude significa a intenção de compra. Segundo os ISP, eles não utilizam a estratégia de rastrear cliques, pois veem isso como uma violação de privacidade, portanto, acreditam não tem efeito sobre engajamento e não afetam a reputação.
Como eles decidem o que vai para caixa de SPAM ?
Não existe uma real definição, segundo os quatro dos maiores ISP. É tudo questão de monitoramento constante de vários sinais que determinam se a mensagem é realmente relevante ou não para um determinado usuário. Claro que existem sinais obvios como reputaçao de IP, blacklist e outros…
Emails Inativos: O que devo fazer? Guardar ou descartar?
John Scarrow do Outlook.com diz, não, não se livre deles. Segundo ele, os emails inativos não afetam direitamente a reputação do seu remetente. A única maneira de influenciarem sua reputação, seria se declarassem seu email como spam, no entanto, não significa que você entregará na caixa de entrada dos inativos que não o declararem como spam. Os profisionais precisam separar o conceito de reputação de remetente e a preferência pessoal da caixa de entrada (neste caso preferência faz referencia a entregabilidade, decisão se vai ou não em spam, da sua propria caixa). Sua reputação pode ser exelente, mas se a pessoa não é engajada ela não receberá na caixa de entrada.
Os outros ISPs não concordam com essa argumentação da Outlook.com. Segundo o representante da Gmail, da mesma forma que você precisa subir gradualmente o volume (ramp up) quando você começa seu programa de email marketing (ou quando você troca de ESP) você tem que introduzir uma diminução gradativa do número de email enviados para esses inativos (ramp down). Abaixo estão algumas dicas:
  • Mudar uma vez por semana se você estiver enviando diariamente.
  • Troca por uma ou duas vezes por mês se você envia semanamente.
  • Após três a seis meses é importante você questionar o usuário se ele gostaria realmente de receber aqueles emails. Se ainda não tiver interação, está na hora de deixar eles irem, segundo o repesentante da Gmail.
Entregabilidade é uma coisa pessoal
Quando a quantidade de assinantes aumenta, naturalmente cresce a demanda de vendas geradas com o envio de e-mails. Portanto, é importante criar um relacionamento e saber se os seus clientes estão gostando de suas mensagens e interagindo com o conteúdo. O engajamento faz diferença dentro das empresas, pois ao considerarmos os interesses e expectativas do público alvo que se deseja engajar, mais será vendido o seu produto. A partir deste pensamento que surgem os métodos com foco no consumidor e, com efeito, o marketing de engajamento, enquanto métrica e ferramenta de marketing, se faz interessante.
Durante o evento Email Evolucion Conference, muitas coisas sobre a misteriosa caixa de entrada e o que acontece quando apertamos o famoso ENVIAR, foram esclarecidas de forma precisa e objetiva. O que vai na minha caixa de entrada pode cair em spam pra você. O que considero irrelevante pode não ser desimportante para você. O que considero SPAM e excluo, você pode declarar como não spam e mover na caixa de entrada. Pois é, a entregabilidade mudou, agora é uma questão pessoal.
Artigo de Sergio Palmeirão, diretor de suporte e serviço da Alglete
02/05/2016 – https://adnews.com.br/adarticles/os-7-sinais-de-engajamento-no-e-mail-marketing/

Mercado de lácteos à base de vegetais cresce no Brasil

O mercado de produtos lácteos à base de vegetais é a nova grande aposta da indústria vegetariana do Brasil. Após a consolidação dos produtos à base de vegetais que imitam o sabor e a textura da carne animal, como hambúrgueres e embutidos, agora é a vez dos leites vegetais.

O grande diferencial neste caso é o perfil da demanda, que cresce com a mesma velocidade do surgimento de doenças e intolerâncias associadas ao consumo do leite animal – direcionando um público enorme para os leites alternativos.

Embora não exista um cálculo específico sobre o tamanho do mercado brasileiro de produtos livres de proteína animal, a Associação Brasileira de Supermercado (Abras) avalia que a demanda por produtos vegetarianos é maior do que a oferta no país e responde por boa parte dos R$ 55 bilhões faturados pelo segmento de produtos naturais, anualmente.

Empresários estimam ainda que o mercado vegano tenha crescido a uma taxa anual de 40%, nos últimos anos, em média.

Os dados refletem um fenômeno social: atualmente, 14% da população se declara vegetariana, segundo pesquisa divulgada pelo Ibope Inteligência, em abril de 2018. Em grandes capitais como São Paulo, Recife, Curitiba e Rio de Janeiro, esse percentual sobe para 16% – o que representa um crescimento de 75% da população vegetariana nessas regiões, nos últimos seis anos.

A mesma pesquisa do Ibope Inteligência encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) mostra que 55% dos brasileiros consumiriam mais produtos veganos, se existissem indicações sobre os produtos no ponto de venda.

De olho nesse mercado em ebulição, empresas como a brasileira Vida Veg apostam alto no Brasil. A companhia está prestes a inaugurar a maior fábrica de substitutos lácteos do país, o que irá causar um grande impacto no segmento de produtos veganos, nos próximos anos. O portfólio de produtos 100% vegetal oferece aos consumidores iogurtes, shakes, queijos e a nova linha de leites vegetais frescos nos sabores de coco, amêndoas e castanha de caju.

Anderson Rodrigues, diretor executivo da Vida Veg, afirma que os lácteos de origem vegetal produzem menor impacto ambiental em comparação com os produtos de origem animal. “A produção de cada litro de leite de amêndoas ou de coco demanda 70% menos água em comparação ao leite de vaca, além de não precisar explorar nenhum animal”, explicou.

A multinacional de origem grega Violife também enxerga o atual momento como oportunidade. O desembarque dos produtos está previsto para setembro e deverá contemplar uma linha completa de queijos do tipo mozzarela, prato, provolone, parmesão, entre outros. Os queijos veganos da Violife estão entre os mais consumidos nos Estados Unidos e ficaram entre as 20 marcas de queijo mais vendidas no Reino Unido em 2018.

O fenômeno observado atualmente no mercado brasileiro já foi presenciado nos Estados Unidos, há alguns anos. O mercado por lá está mais consolidado e com fôlego cada vez maior.

De acordo com dados da Nielsen, o mercado varejista de leites vegetais nos Estados Unidos apresentou crescimento de 20% no volume de vendas, em comparação a 2017. As receitas destes produtos cresceram 9% no mesmo período, atingindo US$ 1,6 bilhão e representando um percentual de 13% do mercado total de leites. Os iogurtes (+55%), queijos vegetais (+43%) ocuparam lugar de destaque, seguidos pelas carnes vegetais (+24%) e ovos/maioneses (+16%).

Para gerar novas receitas e antecipar o futuro, shoppings devem investir no MBE – Mall Business Ecosystem

A transformação radical pela qual passam os shopping centers não é mais novidade. O perfil e a motivação dos seus frequentadores já não são como no passado, quando esses empreendimentos chegaram a ser rotulados de ‘Templos do Consumo’.

Ainda acontecem muitas compras nas lojas dos shoppings brasileiros, é claro. Porém, uma quantidade cada vez mais significativa de pessoas busca esses locais para simplesmente passar bons momentos ou resolver problemas.

Não é à toa que as vendas do segmento de alimentação têm aumentado três vezes mais rápido do que as de moda em várias redes de shoppings do país. E tem mais: o crescimento dos serviços é ainda maior do que o da alimentação.

Tudo isso representa um grande desafio para os shopping centers, pois as novas operações que chegam, em geral, não pagam aluguéis tão bons quanto as que estão saindo.

Outro fator de preocupação são os estacionamentos, segunda maior fonte de receita dos shoppings, depois dos aluguéis. Nas grandes cidades, principalmente, é possível notar pouco a pouco novos hábitos se consolidando.

Pessoas preferindo lugares mais próximos de casa, onde é possível chegar a pé, crescente uso de bicicletas e patinetes, com o estímulo das empresas que alugam esses equipamentos e, obviamente, o incremento no uso do transporte por aplicativos.

Vale lembrar que boa parte das vendas de automóveis no Brasil hoje é dirigida às empresas de locação de veículos, que, por sua vez, abastecem os motoristas de aplicativos. Frequentadores que vão ao shopping a pé, de bicicleta, patinete ou Uber não pagam estacionamento.

A pergunta que não quer calar é: como seguir elevando receitas nesse cenário tão complexo? A resposta talvez possa ser encontrada na China.

De todas as contribuições que a China tem oferecido ao mundo, em termos de inovação, uma das que mais impressiona quem visita gigantes como Alibaba ou Tencent é o modelo de ecossistema de negócios.

Em oposição às estruturas tradicionais, o ecossistema de negócios se baseia em uma disciplinada integração entre empresas independentes, que atuam de maneira harmônica para ampliar sua presença na vida dos clientes, diferenciar-se fortemente de seus concorrentes e usar sinergias para gerar novas receitas. Tudo isso coordenado por um forte agente central.

Cada ecossistema, em geral, possui três camadas. A primeira é o Núcleo, onde residem as atividades que originaram a empresa e são ainda a principal fonte de receita e de atração de usuários. A segunda é o Suporte, camada que conecta as empresas do ecossistema e é compartilhada por todas. Podem ser incluídos aí meios de pagamento, sistemas de logística, programas de marketing e dados dos consumidores, por exemplo. Já a terceira camada são os negócios expandidos, representados por serviços adicionais relevantes para os clientes e sinérgicos com o Núcleo.

Pensando no Alibaba, o Núcleo é obviamente o e-commerce. O Suporte é formado pelas estruturas de logística, como Cainiao e o Ele.me, de pagamentos, como AliPay e de financiamento, como Ant, entre outras empresas, que formam uma espécie de ‘cola’, conectando e apoiando todos os negócios.

Já o Ecossistema Expandido é formado por uma infinidade de serviços para o consumidor, que vão desde conteúdo de entretenimento até transporte, passando ainda por segmentos tão diversos quanto saúde e redes sociais.

Como o modelo dos ecossistemas de negócios poderia ser aplicado no universo dos shopping centers no Brasil? Bem, se a gente prestar atenção de verdade, ele já começou a ser aplicado de alguma forma.

O Núcleo, no caso dos shoppings, é a intermediação entre quem quer comprar e quem quer vender. A novidade é que isso, até bem pouco tempo atrás, acontecia apenas no mundo físico, por meio de lojas e quiosques, mas agora já existem também marketplaces virtuais em operação, como os da CCP, JHSF e Aliansce Sonae.

A coisa começa a ficar mais interessante quando pensamos nas demais camadas, ainda pouco exploradas. Podemos dizer que as associações entre Delivery Center, Multiplan e brMalls caracterizariam o início da formação de um ecossistema? Tecnicamente sim, embora não seja possível afirmar que a visão estratégica de todas essas empresas tenha sido inspirada no modelo chinês.

Mas, certamente, conversas sobre meios de pagamento proprietários, sistemas de CRM para identificar os clientes e apoiar os negócios e novas parcerias, como a que a própria brMalls estabeleceu recentemente com Mercado Livre ou que Rappi alinhou com alguns shoppings, vão transformar completamente o negócio shopping center.

Os eventos deixarão de ser fontes de despesa do Fundo de Promoção e passarão a gerar novas receitas a partir de associações entre shoppings e empresas de entretenimento. Serviços financeiros serão incorporados.

Os estacionamentos serão pontos de entrega e recolhimento de pessoas e também de aluguel de bicicletas, patinetes e automóveis compartilhados. E o papel dos atuais profissionais de shopping centers será totalmente diferente.

Não estou falando de um tempo distante. Já estamos construindo com alguns de nossos clientes o que chamamos de MBE – Mall Business Ecosystem. Afinal, o futuro é hoje à noite.

Como o novo perfil de compras impacta nos canais do varejo

Estamos passando por um momento único na história do varejo, onde os novos hábitos de compra estão transformando os tradicionais canais e estimulando o surgimento de novos formatos de lojas. Tudo começa pelo shopper, aquele personagem fundamental que sempre realizou a compra na sua loja e que sempre decidiu o que iria comprar na frente da prateleira. Isso é passado. Ele mudou e não mudou hoje.

A tecnologia, que está em todo lugar, facilitou tanto a sua vida, tornou tão fácil a comparação de preço, ganhou agilidade na “compra com um clique”, que hoje está avançando para entregas quase que imediata das mercadorias e acostumou tão bem o shopper, que ele está buscando essa facilidade do mundo digital no mundo físico, através de uma palavra: conveniência.

A busca pela conveniência, aliada ao equilíbrio do preço cobrado, está impactando diretamente as características dos canais tradicionais do varejo. Você conhece o novo atacado? Como os hipermercados estão reagindo à esse movimento? O que são as lojas de proximidade? As lojas de conveniência não são mais as mesmas e você precisa entender no que elas se transformaram. Quais as oportunidades das farmácias no novo varejo?

Atacado

Para aqueles que acompanham de perto o desenvolvimento deste canal, percebe que está havendo uma transformação, principalmente, em função do perfil de quem está visitando suas lojas. Os principais clientes do atacado sempre foram os “Transformadores”, isto é, pizzarias, restaurantes e pequenos negócios de alimentação fora do lar. O shopper brasileiro, atento a essa oportunidade, passou a fazer compras nos atacados. As famílias e amigos se organizam para fazer compras planejadas de produtos para abastecer o mês inteiro e, no final da compra, dividem a conta. Pela redução de compra das pessoas jurídicas e o crescimento das pessoas físicas, em algumas lojas, o percentual de participação já está equilibrado em 50%.

Não é à toa que este canal vem crescendo nos últimos anos e o atacado está se transformando em atacarejo (atacado + varejo) por força do novo consumidor. Os atacadistas estão tendo que rever suas operações de loja, a gestão de seus funcionários e o sortimento oferecido, para atender melhor um cliente que tem um tíquete médio menor que um Transformador e que tem exigências distintas, sem deixar de atender bem seu cliente de maior volume.

Hipermercado

Fazer compras em hipermercado já não seduz mais o shopper como ocorria antes. Grandes lojas, longos corredores, centenas de opções de produtos, tudo em uma loja em que o shopper faz tudo sozinho. Apesar de bons preços, definitivamente essas características não combinam com conveniência. O consumidor sabe disso e os hipermercados estão passando por um momento delicado de revisão do seu modelo para torna-lo mais ágil e mais moderno para atender o novo shopper. A busca por eficiência e produtividade das suas operações é constante, assim como a rentabilidade dos milhares de metros quadrados de suas lojas.

Lojas de Proximidade (ou de vizinhança)

As grandes empresas proprietárias de redes de hipermercado não estão paradas. Sabendo da dificuldade de mobilidade urbana, aliada à busca pela conveniência, redes como Carrefour e GPA estão investindo pesado no desenvolvimento das Lojas de Proximidade, ou as chamadas lojas de vizinhança. São lojas menores que um supermercado, que concorrem diretamente com a lojinha de bairro, com a vantagem de ter suas compras centralizadas e com todo o know how do grande varejo.

As Lojas de Proximidade tem um sortimento adequado à área de influência da loja e uma quantidade restrita de funcionários, o que facilita o treinamento, melhorando o nível do serviço oferecido.

Como fica mais conveniente para o shopper encontrar o que procura, como o nível de atendimento é melhor que um auto serviço, o cliente se permite pagar mais por esse serviço.

Lojas de Conveniência

Ir ao posto para abastecer e aproveitar para comprar bebida e cigarro. Esse era o perfil das lojas de conveniência até pouco tempo atrás. Hoje, apesar dos preços mais altos, as lojas de conveniência estão se tornando a principal solução como um facilitador de compra, com um bom nível de serviço.

Não só no exterior, mas também no mercado brasileiro, as lojas mais modernas ampliaram os serviços oferecidos e contam com padarias, área de produtos frescos e saudáveis (FLV), refeições feitas na hora, farmácias e o cliente pode até abastecer o carro.

A ampla capilaridade e o hábito de ir até o posto de combustível complementam as fortalezas desse canal aqui no Brasil. Um posto de combustível que tem uma loja de conveniência junto do seu negócio fatura em média de 20% a 30% a mais de combustível. Em países onde o varejo é mais desenvolvido, as lojas de conveniência conseguem atuar independente do posto de combustível, se aproximando das características de uma Loja de Proximidade.

Farmácias

A legislação brasileira talvez seja o maior entrave para que este canal se torne uma solução completa para o varejo. Segundo relatório recente do ICTQ “Os serviços farmacêuticos prestados em farmácias e drogarias, têm sido vistos como fator de diferenciação para os negócios, e como fator social cada vez mais necessário à saúde pública. Desde a regulamentação da prescrição farmacêutica e da lei 13.021, que define a farmácia como estabelecimento de saúde, os serviços farmacêuticos ganharam força e estão cada vez mais presentes em todo o varejo. A população, atenta à evolução da profissão farmacêutica, já demanda por estes serviços – alguns mais, outros menos.”

Serviços Farmacêuticos que os brasileiros mais buscam nas farmácias

Entender o perfil e os caminhos de transformação que cada canal está seguindo é fundamental para a estratégia de qualquer indústria que atua no varejo. Assim como ser ágil em adequar o formato das lojas, melhorar seus processos, rever o sortimento e a estratégia de preço é fundamental para o varejo permanecer competitivo e atender melhor seu shopper.

A indústria no franchising: a simbiose perfeita para aproximação com o novo consumidor

Como as indústrias vêm se beneficiando do franchising para acelerar a transformação na forma de se relacionar com o consumidor final?

O que está em discussão
Não se discute mais o quanto o franchising é uma forma de expansão que vem mudando, no mundo, a forma e a velocidade com que as empresas estão expandindo seus negócios e ocupando mercado de forma exponencial, desde os pequenos negócios até os grandes players do varejo, serviços e indústrias de bens de consumo. O que está em destaque aqui é o quanto as indústrias podem se beneficiar ainda mais do franchising para entender o varejo e, consequentemente, entender melhor o consumidor de seus produtos, aquele que é a base da pirâmide de desenvolvimento das empresas, explorado por mim em artigo anterior.

A cultura nas indústrias
Ainda se discute sobre a cultura impregnada nas indústrias, de pouca flexibilidade e voltada para dentro, com foco na qualidade dos produtos e na eficiência e produtividade dos equipamentos, na formação do time de produção – fazer mais, mais rápido e melhor.

Porém, com tudo isso, ainda fica a dúvida: quando se trata da condição para a sobrevivência dos negócios no mundo atual, classificado como mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) – termo incorporado ao vocabulário corporativo, apesar de ter surgido na década de 90 no ambiente militar, pelo U.S Army War College, para explicar o mundo no cenário pós-Guerra Fria – o  quanto a indústria está preparada para ser ágil em  responder  às transformações intensas e absolutamente disruptivas, que trazem desafios enormes, uma vez que rompem completamente padrões tidos como corretos e imutáveis?

Como ser indústria 4.0 e amiga do consumidor?

A transformação da indústria tradicional para a Indústria 4.0, também  bastante explorada no mundo das consultorias e no meio empresarial,  foca no fato de que a indústria deve adotar tecnologias emergentes de TI e automação industrial, criando um  sistema de produção físico-cibernético, com alto nível de digitalização de dados que se comunicam com máquinas, produtos e pessoas, o que deverá gerar um ambiente de manufatura muito  mais  flexível e auto ajustável  à demanda crescente por customização.

Tudo perfeito! E como essa indústria contemporânea, digital 4.0 vai interagir com o consumidor final de seus produtos? A resposta, e como uma das alternativas mais segura para a marca, é por meio de um canal que fala diretamente com esse consumidor, que convive com ele diariamente e que pode lhe oferecer a experiência que deseja e no momento que deseja. Estou falando do franchising.

As indústrias podem se beneficiar muito do franchising para tornar tangível para o cliente final toda essa transformação e investimentos que vêm fazendo para se tornarem Indústria 4.0, digital,  ágil e amiga do consumidor. Já temos muitos cases de sucesso no mercado que podem servir como o teste de São Tomé, para aqueles que querem ver para crer.

Indústrias que, a partir de um produto, estão criando redes de franquias com lojas ou  unidades de prestação de serviços que falam diretamente com o consumidor da marca.  No Brasil, esse movimento começou com a indústria de cosméticos, com O Boticário, depois com a indústria de calçados, vestuário e, mais recentemente, a indústria de produtos de higiene e limpeza, como as lavanderias OMO, entre outros cases.

Os desafios
Qual é o grande desafio nesse processo? A incorporação da cultura de varejo e de franchising – que tem muito de prestação de serviços e relação ganha ganha com uma a rede de empresários, e não com distribuidores –, o que não se faz numa virada de chave. O empresário que faz essa opção deve percorrer uma jornada de transformação e de mudança de cultura interna, de forma quase que radical.

Em muitos casos a mudança ou incorporação de novos profissionais é inevitável, caso contrário, o processo entra nos mesmos trilhos da cultura já arraigada e tradicional da indústria  e os resultados podem ser prejudicados ou mais lentos. O maior desafio tem sido o de assimilar a dinâmica que o varejo os impõe e a mudança na forma de se comunicar com esse novo consumidor que vive e transpira no mundo digital.

A solução
A entrada no varejo via franchising é uma nova estratégia e como tal deve ser tratada, bem concebida, com o projeto realizado com o apoio de especialistas e sem queimar etapas, o que passa pela concepção do modelo e formato do negócio, viabilidade financeira da operação para o franqueado e franqueadora, plano de expansão consistente, além de estrutura, processos, tecnologia e pessoas com competências alinhadas à nova cultura e estratégia a ser implementada.

Resumindo: é uma jornada que não permite mais amadorismo, evitando colocar em risco uma marca com décadas de existência e não perder a oportunidade de ser mais um case de sucesso da indústria atuando no varejo.