Arquivo mensal: março 2019

O varejo de serviços deixa de ser coadjuvante nos shopping centers

Antes confinados a áreas específicas, o varejo de serviços começa a avançar nos corredores dos shoppings e aumentar sua participação no mix. Algumas redes de franquias e de varejo pegaram o boom deste fenômeno no Brasil e tiveram terreno fértil para crescer nestes centros comerciais.

De acordo com a Associação Brasileira de Shopping Centers (ABRASCE), em 2017, o segmento de conveniência e serviços obteve um incremento de mais de 15%, comprovando a preferência dos clientes por um espaço mais completo e que facilite as necessidades diárias. Redes de serviços de beleza e estética, academias de ginástica, laboratórios clínicos, clínicas médicas e até odontológicas começam a ter participação que beira 25% do mix.

Em viés de alta, este percentual tende a crescer cada vez mais nos próximos anos que, acompanhado pelo segmento de foodservice, juntos já chegam em alguns shoppings a ultrapassar 50% do mix. Confira alguns exemplos de redes de serviços:

– A rede de clínicas de depilação Espaçolaser teve crescimento vertiginoso nos últimos anos. Em 2015, a empresa contava com 33 lojas e 300 funcionários em todo o Brasil. Em 2018, fechou o ano com 400 unidades abertas em todo o Brasil, sendo 78% delas em shopping centers. Nesses três últimos anos, foram investidos R$ 230 milhões. Deste total, 100 lojas são próprias, 91 mistas – com sócios que possuem 49% da operação – e o restante é de franqueados. Os planos de expansão da rede, que tem um faturamento anual de R$ 800 milhões, preveem a abertura de 800 unidades no Brasil e na América Latina, o que fará a companhia dobrar o faturamento. A expansão internacional começou pela Argentina, com uma loja inaugurada em setembro do ano passado e seguirá para Paraguai, Uruguai, Chile e Colômbia.

– Outro fenômeno de crescimento é o Grupo Sobrancelhas Design, rede que iniciou e popularizou este segmento especializado no serviço de tratamento e embelezamento para sobrancelhas. Um negócio que, em seis anos, se multiplicou e hoje já conta com 420 franquias, incluindo unidades nos Estados Unidos, Guatemala e, em breve, em Portugal. Nos próximos cinco anos, a meta é chegar a 800 lojas em todos os continentes. A maior parte das unidades são localizadas na rua, mas parte estratégica da sua expansão prevê abertura de lojas em todos os shoppings do país.

– Na área de saúde, as redes de clínicas de consultas populares, que se pulverizaram em diversas redes regionais se espalharam por praticamente todos os shopping centers brasileiros. A rede paulista Dr. Consulta foi a pioneira do setor e hoje conta com 56 clínicas abertas, muitas em shoppings e pretende encerrar o ano com 79 unidades abertas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

– O Shopping Eldorado, na capital paulista, um dos primeiros shoppings a apostar em varejo de serviços no Brasil, abriga há algum tempo uma filial da Clínica CEMA, centros médicos do Hospital CEMA, referência no tratamento de olhos, ouvidos, nariz e garganta. Este, por sua vez, convive muito bem em shopping centers. Das suas 10 unidades, 9 estão localizadas nestes centros. O mesmo Eldorado incorporou no final do ano passado uma clínica pioneira. Trata-se da startup brasileira SouSmile. A clínica propõe um modelo mais prático e barato para clarear os dentes ou usar aparelhos alinhadores, aqueles modelos transparentes que encaixam na arcada dentária.

– Recentemente os shoppings Ibirapuera, Morumbi e Vila Olímpia, em São Paulo, receberam as filiais das Clínicas Seven, especializada em emagrecimento. O método “Metabolic Seven”, criado pelo médico Thiago Ferreira Lima faz sucesso entre blogueiras e influenciadoras digitais conhecidas do público adolescente e adulto.

À primeira vista soa insólito fazer exames, arrumar a sobrancelha, se depilar, corrigir os dentes ou mesmo realizar um programa de emagrecimento dentro de um shopping center. Mas considerando cada vez mais o trânsito caótico, o corre-corre diário e o excesso de compromissos, acaba sobrando muito pouco tempo para fazer tudo que é preciso. Se puder resolver tudo isto num único lugar, tanto melhor. É a hiper conveniência!

O CTA também vale para as lojas físicas

Por Caio Camargo – 

CTA: Call to action. Termo em inglês que significa “chamar para a ação”. É muito utilizado principalmente nas mídias digitais, como as postagens nas redes sociais, como forma de engajar consumidores, ou pelo menos, estimulá-los a participarem da conversa, com comentários e opiniões.

São frases como: “E aí, qual sua opinião sobre esse assunto?”, que costumam a encerrar as postagens, no intuito de que movimentar o post em si. Em tempos onde comentários e compartilhamentos são muito mais valiosos do que os likes antes perseguidos, o CTA hoje é essencial para as marcas.

Agora o que isso tem a ver com as lojas físicas? Há muito tempo estamos criticando as lojas que ainda insistem no modelo de ser apenas um local de venda de produtos, ou um ponto de venda como sempre utilizamos na linguagem técnica, para algo muito maior do que isso e que no âmbito de marca, seja um local de conexão entre a marca e os consumidores.

Mas falta pegada.

Se estiver por exemplo em algum corredor de shopping, talvez o único call to action que você verá na maioria das lojas ainda são os cartazes com descontos, cada vez menos eficazes, uma vez que há a sensação de que durante o ano todo você encontra descontos de 20-30% em praticamente todas as lojas do local. Para o consumidor, virou paisagem.

E se sobra inspiração na hora de pensar no conceito ou arquitetura da loja, parece que falta brilho ou inspiração na hora de criar vida e atenção na hora da promoção.

Embora seja uma das alternativas, principalmente se estivermos falando de lojas de rua com perfis mais populares, música alta ou clima de festa não funciona para todos.

Exemplos como colocar na entrada, algo que possa contar com a interatividade do consumidor, como um local “instagramável”, que sirva de inspiração para uma foto, ou melhor dizendo para muitas fotos, podem ser algumas das alternativas. Empresas como Mac e Hering apostaram recentemente nesses conceitos.

Na recente loja conceito da Hering, do Morumbi Shopping, por exemplo, há um balanço colocado na vitrine, onde as pessoas podem literalmente fazer parte da vitrine. Um convite não só para uma foto, mas para conhecer a loja.

Vale a pena buscar novas possibilidades para chamar a atenção do consumidor. Hoje, mais do que uma loja de descontos, os novos consumidores cada vez mais buscam um local para se relacionar, e se relacionar com a marca. Em um mundo onde o engajamento se torna cada vez mais relevante em relação à notoriedade, buscar novas e criativas formas de “chamar para alguma ação” seus consumidores, é cada vez mais essencial.

* Imagem reprodução

https://www.mercadoeconsumo.com.br/2019/03/20/o-cta-tambem-vale-para-as-lojas-fisicas