Arquivo mensal: janeiro 2016

O Novo Marketing – Por que tocar o coração dos clientes não é mais suficiente

Segunda metade do século XVIII, advento da industrialização. O desenvolvimento de técnicas para produção em massa abria caminho para o esboço do marketing que conhecemos hoje. O foco central era o produto, a transação única, e o objetivo era produzir em larga escala, sem grande diferenciação, como forma de garantir a competitividade. A linha de produção era regida pela batuta do taylorismo e do fordismo. Segmentação de mercado e pesquisa eram assuntos impensáveis na época e nem sequer existia a premissa básica do marketing, atender às necessidades do cliente, simplesmente porque o cliente não era protagonista da história, e operava a lógica do cliente servindo ao produto, e não o contrário.

Tecnologias de broadcast como rádio e televisão permitiram a comunicação em tempo real e de maneira massiva, criando um terreno favorável para o embrião do storytelling. O desenvolvimento da tecnologia da informação expandiu o acesso ao conhecimento e permitiu às corporações perceberem que o que diferenciava os clientes uns dos outros eram as suas preferências. Surgia aí o tradicional conceito da segmentação de mercado, sustentado pelo marketing centrado no relacionamento com o cliente.

Hoje, a nova onda de tecnologia, propulsionada pelas ferramentas sociais, fez nascer o Novo Marketing. Nele, cada cliente é tratado como um único indivíduo em sua totalidade, dotado de corpo, mente, coração e alma. Seus interesses são únicos e não podem ser divididos em segmentos. Aliás, segmentação agora passa a ter menos relação com a tradicional categorização de clientes utilizando fatores estáticos e mais com a identificação de silos de comportamento. Somente vender e repetir a venda para o mesmo cliente não é mais suficiente. O grande trunfo é satisfazer os consumidores através de valores que os preencham em sua plenitude.

Do marketing transacional, passando pelo emocional, chegamos ao marketing espiritual. Os consumidores estão se identificando com empresas, produtos e serviços que mirem problemas da sociedade, e, mais do que buscar o melhor produto ou serviço, eles estão à procura de marcas cuja missão, visão e valores façam seus olhos brilharem. Sai de cena a ditadura do TER para dar lugar ao SER, ao FAZER, ao COMPARTILHAR.

Pouco a pouco as empresas estão percebendo que responsabilidade social vai muito além de meia dúzia de práticas de sustentabilidade pregadas no mural do café: ela passou a fazer parte de seus core businesses, a ser parâmetro de engajamento. As marcas estão se humanizando e se tornando mais transparentes. Seus valores estão se tornando sua principal vantagem competitiva. Quem poderia prever que a Microsoft, por meio da Fundação Bill e Melinda Gates, aplicaria mais de US$ 30 bilhões em atividades humanitárias, especialmente contra doenças, em uma ação que pouco fala com a missão tradicional da empresa? Empresas em todo o mundo estão adotando a estrutura de Triple Bottom Line para avaliar suas performances ponderando fatores sociais, ambientais e financeiros, em detrimento do conceito tradicional de lucro, retorno sobre investimento e valor aos acionistas. O antigo conceito dos “Ps” de marketing agora ganhou uma nova roupagem: pessoas, planeta e profit.

Essa é a era do empoderamento do consumidor como indivíduo. Quando uma marca consegue que sua missão seja abraçada pelos consumidores, eles passam a deter o poder sobre ela. Sim, isso significa que as corporações não têm mais 100% de controle sobre suas próprias marcas. Em “Marketing 3.0”, Philip Kotler relembra a história da New Coke, lançada em 1985 e totalmente rejeitada pelos consumidores americanos. O motivo? Nada a ver com o sabor. A Coca-Cola sempre fez parte da cultura popular americana, e os consumidores sentiam uma ligação profunda com a marca. O lançamento enfraqueceu a marca e a mística em torno da fórmula secreta da bebida. Prova disso é que, no Canadá, por exemplo, o lançamento foi bem aceito porque até então a Coca-Cola não tinha status de ícone naquele país. Quando uma marca traz transformação, os clientes a aceitarão como parte de suas rotinas. Isso é o Novo Marketing.

Sob o aspecto competitivo, a palavra de ordem é disrupção. A competição do passado baseava-se na capacidade de fabricar produtos e prestar serviços melhores ou mais baratos. Para defender-se, bastava melhorar a qualidade, produzir em larga escala para ganhar em preço, diversificar a cadeia de distribuição ou incrementar as ações de promoção. Hoje a competição é invisível e marginal. A maior ameaça são competidores que ainda não são nem classificados como competidores. As fronteiras entre as indústrias estão se esvaindo, e companhias de um setor estão aplicando sua expertise em outros e redefinindo as verticais em que sempre foram classificadas. Executivos de todo o mundo entrevistados pela IBM indicam que a convergência de indústrias é a tendência que mais deve impactar seus negócios nos próximos 3 a 5 anos. Nesse cenário, a empresa míope continuará enxergando os competidores tradicionais. A consagrada será capaz de enxergar muitos e muitos palmos à frente do nariz.

Vivemos o império da colaboração, em que a credibilidade é a moeda mais valiosa. Assistimos no passado à cultura do “um para muitos”, passamos pelos relacionamentos “um para um” e chegamos às relações de “todos para todos”, em que o processo de criação e melhoria de produtos opera de maneira colaborativa entre usuários, clientes, empresa e comunidade. A nova onda tecnológica, impulsionada pela democratização da internet e seu acesso anytime anywhere, pelos aparatos tecnológicos móveis e pelo modelo open source, facilita a expressão, a colaboração entre os indivíduos e a formação de comunidades com interesses em comum. A mesma tecnologia que inicialmente isolou os indivíduos hoje é a aglutinadora das multidões. As pessoas estão usando o on-line para se encontrarem no off-line e decidir sobre a próxima grande estratégia das corporações. A pesquisa realizada pela IBM mostrou que mais da metade dos executivos entrevistados em todo o mundo está buscando fontes de inovação externas à empresa para ter acesso à inovação. Esses visionários já entenderam que a descentralização na tomada de decisão é um caminho sem volta e que a hierarquia tradicional não é apropriada quando o valor está justamente no ecossistema.

Na era digital, pano de fundo do Novo Marketing, qualquer indivíduo é uma mídia em potencial, e as redes sociais são os amplificadores dessa orquestra de vozes. Instantaneamente, milhões de indivíduos comuns se transformam em milhões de repórteres, críticos, fotógrafos, especialistas em política, em gastronomia. Mais do que aguardar pelo conteúdo, o consumidor tornou-se produtor dele. E é por isso que as relações horizontais estão mais fortes e que a confiança entre consumidores se tornou mais poderosa do que qualquer argumento de vendas por parte das empresas. Como bem cita Gil Giardelli em “Você é o que você compartilha”, os mercados são feitos de sussurros, as pessoas estão próximas. Vender passou a ser uma conversa a dois em uma mesa.

Por Vanessa Pugliese | 15 janeiro 2016

O Novo Marketing – Por que tocar o coração dos clientes não é mais suficiente

 

Relatório de Mídias Sociais da FAAP aponta Instagram como destaque

Quem sabe trabalhar com imagens pode comemorar: a rede que mais cresceu em 2015 em número de seguidores de perfis de marcas foi o Instagram. Os números são da nova edição do relatório Mídias Sociais 360º, desenvolvido pelo Núcleo de Inovação em Mídia Digital da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) em parceria com a Socialbakers.

Comparando os resultados do último trimestre de 2014 com o mesmo período de 2015 fica claro o quanto cresceu a plataforma de imagens e vídeos curtos. As Top 100 marcas no Brasil (em número de interações) tinham 49.762 seguidores no último trimestre de 2014. Já no último trimestre de 2015, esse número saltou para 324.246.

No trimestre imediatamente anterior (julho, agosto e setembro de 2015), essa média era de 244.745 seguidores.

“Temos visto esse crescimento a cada nova edição do estudo. Essa tendência mostra que as marcas precisam de um esforço muito forte na comunicação audiovisual se quiserem atingir o público. A comunicação através do vídeo cresce cada vez mais, seja no Instagram ou nas demais plataformas”, afirma Eric Messa, coordenador geral do Núcleo de Inovação em Mídia Digital da FAAP.

Nesse sentido, o infográfico #MS360FAAP mostra também que outro importante destaque de 2015 foi o YouTube, que aumentou mais que dobro do número médio de assinantes nos canais de marcas de um ano para outro. No último trimestre de 2014, esse número era de 16.598. Já em outubro, novembro e dezembro de 2015, ficou em 36.315. A média de crescimento de assinantes por trimestre era de 3.282 em 2014 nos últimos três meses daquele ano, chegando a 7.203 em igual período de 2015.

Por outro lado, o Facebook se mantém com um número estável de curtidores das páginas, mas com uma queda no crescimento de curtidores. “Isso acontece porque a base instalada do Facebook é muito maior. Ela ainda é a rede de maior penetração”, diz o professor Thiago Costa.

No último trimestre de 2014, o setor com maior média de crescimento no número de fãs foi o de Mídia e Notícias, com 162.743 curtidores. Já em 2015, no mesmo período, esse segmento apresentou um número de crescimento médio de 154.173 curtidores.

Nos meses de julho, agosto e setembro de 2015, o setor de entretenimento contava com uma média de 1.922.856 fãs por página. Já nos três meses subsequentes daquele ano, o contingente médio de curtidores subiu para 2.120.881.

Por outro lado, o setor de bens de consumo teve queda na média de curtidores das páginas entre os dois últimos trimestres de 2015, saindo de 1.459.446 e caindo para 1.425.149.

Outros destaques da pesquisa: o tempo médio de resposta no Facebook aos usuários das Top 100 Marcas no Brasil foi de 3 horas e 39 minutos no último trimestre de 2015; os vídeos das principais marcas nacionais no YouTube têm, em média, duração de 2 minutos e 45 segundos; e 36% das publicações das Top 100 Marcas no Brasil usam de duas a três hashtags no Instagram.

Redação Adnews – 29 de janeiro de 2016 

http://www.adnews.com.br/midia/relatorio-de-midias-sociais-da-faap-aponta-instagram-como-destaque

Esqueça o “Abra a felicidade”: Coca quer que você “Sinta o Sabor”

 

Como uma espécie de piada interna, numa roda de publicitários, costuma-se se dizer que a Coca-Cola praticamente patenteou o conceito de “felicidade” na propaganda e fez dessa palavra o DNA de sua comunicação. Agora, sete anos após o lançamento da assinatura “Open Happiness”, para evitar o desgaste, a marca criou um novo posicionamento global.

Com “Taste the Feeling” ou “Prove o Sentimento” na tradução, a Coca-Cola volta a colocar o produto no centro de seus comerciais, sem deixar de lado a sua abordagem humana e emocional. “A grandeza da Coca-Cola reside no fato de que é um prazer simples, de modo que quanto mais humilde formos, maior seremos. Queremos lembrar as pessoas sobre o porquê elas adoram o produto tanto quanto amam a marca”, disse o CMO da empresa, Marcos de Quinto. No fim das contas, o direcionamento é bem básico: celebrar a experiência de beber uma Coca-Cola gelada.

Além disso, numa grande mudança estratégica, a indústria de refrigerantes anunciou hoje (19), num evento em Paris, que pela primeira vez vai unir todas as marcas, incluindo a Coca-Cola Zero, no mesmo projeto de comunicação. “A ideia é reforçar que a Coca-Cola é para todos”, disse o executivo.

Para lançar a campanha no âmbito global, diversas agências já começaram a criar as peças para todas as mídias, incluindo os comerciais de TV. Entre elas, Mercado-McCann, Santo, Sra. Rushmore e Oglivy & Mather. No Brasil, o lançamento ficou sob responsabilidade da J.Walter Thompson e a Mutato, que também é uma agência do grupo JWT, produziu um trabalho especial para a plataforma de comunicação em tempo real da Coca-Cola. Ao todo, são 20 vídeos de 15 segundos chamados de “Thirstygrams”, que serão veiculados no Instagram da marca em vários países.

Confira abaixo alguns dos primeiros comerciais da nova proposta da gigante das bebidas. O primeiro deles abre a nova série. Já o segundo, conta com um detalhe especial: o cover de “Under Pressure”, de Queen e David Bowie

Redação Adnews – 19/01/2016

http://www.adnews.com.br/publicidade/esqueca-o-abra-a-felicidade-coca-agora-quer-que-voce-prove-o-sentimento

WhatsApp passa a ser gratuito e quer conectar pessoas e marcas

O WhatsApp é hoje, de longe, o aplicativo de mensagens instantâneas mais popular e utilizado em todo o mundo. Isso não significa que a ferramenta deva caminhar o tempo todo em águas tranquilas, sem a companhia da concorrência. Mas será que a empresa consegue se manter no tempo da preferência se obrigar seu usuário a pagar a anuidade proposta no começo da assinatura?

Por essa e outras, o serviço decidiu mudar a estratégia e se tornar 100% gratuito. A ideia é buscar novos meios de gerar receita sem interromper a experiência dos milhões de usuários cadastrados no serviço. A informação foi confirmada pelo cofundador e presidente da empresa, Jan Koum, durante a conferência Digital-Life-Design (DLD), em Munique, na Alemanha.

“Conforme crescemos, descobrimos que essa abordagem não funcionou bem. Muitos usuários do WhatsApp não têm cartão de débito ou crédito e ficavam preocupados em perder acesso a seus amigos e família após seu primeiro ano”, disse Koum. “Nós não queremos que ninguém tenha sua comunicação cortada por causa de um problema de cartão de crédito.”

É possível ainda que a opção de gratuidade do aplicativo demore algumas semanas para ser atualizada. No Brasil, por exemplo, o app ainda conta com a informação da anuidade.

Para rentabilizar sua ferramenta, Koum disse que deve continuar tentando evitar publicidade direta e spam, mas confirmou que vai, através da plataforma, conectar pessoas com marcas de produtos e serviços de alguma maneira. O aplicativo já conta com 990 milhões de usuários em todo o mundo.

Com informações do G1
Redação Adnews – 18/01/2016

http://www.adnews.com.br/tecnologia/whatsapp-passa-a-ser-gratuito-e-quer-conectar-pessoas-e-marcas

Gamificação: um tesouro inexplorado nas redes sociais

Para se dar bem no mundo dos negócios uma das regras de ouro é conseguir atender a necessidades básicas humanas. Grandes inovações e invenções que resistem ao tempo têm essa característica. Não por acaso, um bom exemplo é a indústria de games, que deve crescer 30% até 2017, desempenho que supera, de longe, a indústria tradicional de entretenimento. E qual seria uma das razões para tanto sucesso? Simples. Ela fomenta dois elementos da natureza humana: interagir e competir!

Na mesma linha, segue o sucesso das redes sociais como o Facebook, Instagram, Twitter e Youtube que além de proporcionarem (muita) interação, intrinsecamente induzem a competição. Só que, pasmem, ao mesmo tempo em que o mundo corporativo utiliza amplamente as redes sociais para buscar engajamento de consumidores, relega a gamificação para os departamento de recursos humanos e a algumas ações da área vendas, que aliás, a utilizam muito bem, com ótimos resultados.

Entretanto, alguns fatos como os custos de anúncios digitais que tendem a ficar mais caros, o avanço dos ad blocks, softwares que bloqueiam anúncios online e em redes sociais, mesmo que ainda pequeno no Brasil, já está acontecendo; ou ainda, a crise econômica que tem deixado os consumidores mais seletivos, exigentes e menos fiéis às marcas,apontam  que as redes sociais vão ganhar ainda mais espaço nas disputas de mercado.

Agrega-se a esse cenário o cliente do século XXI, que é conectado, exige abordagem personalizada e satisfação de necessidades antecipada. Para conseguir envolvê-lo será necessário, no mínimo, oferecer uma experiência divertida e motivadora. Ou seja, a gamificação nas redes sociais é uma tendência inexorável.

Dependendo da forma como for aplicada, além de incentivar o engajamento e fidelização, a gamificação pode ser aliada a tecnologias de enriquecimento de CRM para se obter informações comportamentais por meio da visualização e captura de dados dos perfis dos fãs, organizados por comunidades. Isso permite, por exemplo, a criação ações customizadas focadas em grupos criados e selecionados de acordo com o gosto do próprio usuário, aumentando o engajamento dos consumidores existentes e o alcance de novos, além das tradicionais segmentações de acordo com histórico de produtos comprados.

Fora do âmbito virtual, as informações obtidas pelas gamificações nas redes sociais podem direcionar e sustentar ações de marketing e vendas com base em hábitos, tendências e ainda indicar os pontos a serem atacados para aprimorar e impulsionar a experiência com a marca.

Quando as empresas descobrirem o que podem conseguir com recursos que parecem existir apenas para estimular fãs a participarem de atividades, a vencer desafios e conquistar pontos para trocá-los por prêmios, curtir e comentar publicações no imensurável mundo virtual, elas terão a sua disposição caminhos que poderão resultar num consumo ainda menor em anúncios, resultados em mídias sociais mais palpáveis e uma economia mais real.    

Artigo de João Caetano, diretor executivo da Agência da Vila – 12/01/2016

http://www.adnews.com.br/artigos/gamificacao-um-tesouro-inexplorado-nas-redes-sociais

Periscope agora pode ser acessado diretamente no Twitter

A partir desta terça-feira (12) será mais fácil ver o que está acontecendo no mundo a partir das redes sociais, pois as transmissões do Periscope, tanto ao vivo como as repetições, poderão ser acessadas diretamente via Twitter.

A integração é global e válida desde já, começando para usuários de iOS. Antes, Periscopes no Twitter apareciam como links dentro dos Tweets. Segundo a rede social, a mudança é um fator importante para crescimento do Periscope, já que as transmissões estarão mais acessíveis à audiência do Twitter, que tem hoje 320 milhões de usuários ativos por mês.

Por outro lado, os usuários do Twitter terão uma melhor experiência de uso do Periscope, pois poderão ver as transmissões ao vivo sem ter que sair da linha do tempo do Twitter. “A integração é importante para o Periscope, que ganha uma exposição mais direta aos milhões de usuários do Twitter, e também para o Twitter, que reforça sua posição como plataforma de conversas em tempo real com o reforço do vídeo ao vivo”, diz Guilherme Ribenboim, vice-presidente do Twitter para a América Latina.

Os usuários poderão interagir com os vídeos do Periscope no Twitter como já faz com os Tweets: respondendo, curtindo, Retweetando, entre outras coisas.

Redação Adnews – 12/01/2016

http://www.adnews.com.br/internet/twitter-integra-periscope-na-plataforma

Marketing de Experiência cresce em meio a ações virtuais

Ações de Marketing de Experiência ajudam empresas a se diferenciarem em meio a ações digitais

Por Thiago Terra, do Mundo do Marketing | 04/01/2010
A tecnologia avança na vida dos consumidores e é cada vez mais comum a criação de ações virtuais para envolvê-los com a marca. Redes sociais, e-mail marketing, aplicativos com serviços e games são algumas das ferramentas mais usadas por empresas na hora de chamar a atenção do consumidor. Mas e a experiência real? E o contato direto com a marca?

Com o crescimento e certa padronização das ações virtuais como “acesse, cadastre-se e concorra”, a diferenciação está sendo feita na prática, literalmente. Basta perceber que ações de experiência de marca ganham espaço nas estratégias de grandes empresas como Alcatel-Lucent, D-Link, além de Itaú, Gerdau e IBMEC. Nelas, o objetivo principal é ressaltar a importância dos sentimentos e emoções para que uma empresa seja lembrada e admirada.

Especializada em Experience Marketing, a agência O Melhor Da Vida fechou parceria com empresas para oferecer experiência como recompensa. Mas não só para clientes. A agência elabora ações de incentivo para colaboradores a fim de promover o encantamento com a marca, que é mais propenso a acontecer quando ela passa a fazer parte da memória destas pessoas.

Experiência X bens materiais
A D-Link criou o Gourmet Experience há cerca de um ano com o objetivo de premiar os distribuidores com experiências relevantes. A partir de uma experiência diferente de uma premiação com bens materiais, a marca é fixada na mente do consumidor de forma emocional. “Ao dar uma TV, a pessoa sabe o valor. Uma experiência fora do padrão fica marcada na mente”, diz André Teixeira, Gerente de Marketing de volume da D-Link, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A empresa de produção de equipamentos de networking, conectividade e comunicações de dados realizou ações de experiência para seus fornecedores como o Gourmet Experience. A ação levou convidados para uma aula de culinária com um renomado Chef de cozinha promovendo assim um melhor relacionamento com fornecedores, além de posicionar a marca de forma saudável e inovadora.

Mas não basta fazer uma ação pontual de experiência. É necessário dar continuidade ao trabalho de emocionar e encantar, oferecendo sempre novas e diferentes opções de experiência. “Promovemos a manutenção com experiências diferentes para cada distribuidor. Depois de ações de incentivo e de confraternização daremos uma diária em um Hotel Fazenda”, adianta Teixeira.

Estratégia para conhecer o consumidor
Eventos de grande porte já não são mais tão eficazes para estreitar o relacionamento com os consumidores segundo Lucila Frias, Gerente de Marketing da Alcatel. Após realizar uma pesquisa para saber o que agrada o público executivo, a Alcatel-Lucent decidiu criar o Gourmet Show, em que o consumidor pode escolher entre as opções de peça de teatro com direito a jantar no restaurante DOM, camarote no GP Brasil, ou ser piloto por um dia na Fórmula 1. “Temos clientes com perfis diferentes. Por isso fizemos algo que pudesse agradar a todos”, explica Lucila ao site.

De acordo com a executiva, o Marketing de experiência é uma oportunidade de conhecer e saber o que os clientes da empresa precisam e quais são os seus objetivos. “Nossos produtos não são de venda imediata e esta é uma oportunidade única para gerar a proximidade e a facilidade de contato”, conta Deise Palma, Analista de Marketing.

Na contramão vem a D-Link. A empresa desenvolveu uma ação de experiência para o consumidor final, mesmo sem ser esse o público-alvo da companhia. “Fizemos algumas ações voltadas para os usuários finais oferecendo viagem com tudo pago. Desta forma conseguimos motivar, premiar e incentivar o usuário final a procurar o nosso produto”, afirma Teixeira.

Virtual X real
Segundo Jorge Nahas, CEO da agência O Melhor Da Vida, a experiência ajuda a proporcionar qualidade de vida para funcionários e clientes, oferecendo emoções. “A experiência envolve sentimento, emoções, e isso gera uma ligação a mais com a marca. Ativando esses sentidos, a marca passa a ter lembrança perene”, acredita Nahas.

Apesar de novo no Brasil, este conceito cresce principalmente devido ao seu caráter de diferenciação. “Cada vez mais as empresas e os produtos são iguais e o mercado depende de pessoas para fazerem a diferença. Não adianta mais premiar em dinheiro ou com bens materiais porque vivemos um paradigma onde o grande diferencial são emoções transmitidas para toda a cadeia de valor de um negócio”, ensina o CEO de O Melhor Da Vida.

Segundo ele, o mercado de Marketing de experiência cresceu 45% em 2009, mas no exterior foram gastos € 75 bilhões somente este ano. Estes números devem continuar crescendo principalmente por conta das novas tecnologias que surgem a todo o instante. Mas não em prol da ações de experiência. “Quanto mais tecnologia, maior a distância do mundo real. A partir disso, o consumidor valoriza mais as experiências que envolvem emoções e mexem com seus sentidos”, completa Jorge Nahas.

http://www.mundodomarketing.com.br/12,12564,marketing-de-experiencia-cresce-em-meio-a-acoes-virtuais.htm