Depois das POP UP, estão chegando as lojas UP POP

O conceito de lojas POP UP é conhecido e envolve operações que são lançadas para operar por período limitado de tempo, não mais que seis meses, em localizações tradicionais ou, ideal, em espaços icônicos, museus, centros de entretenimento, arenas esportivas ou outros, que possam conciliar a oferta por tempo limitado, gerando uma motivação adicional de visita, com o “buzz” de um local diferenciado e chamativo.

Nas principais cidades do mundo, lojas POP UP têm aparecido e, especialmente nos Estados Unidos, têm crescido o número de operações que desenvolvem essas propostas para dar uma oxigenada na imagem e, ao mesmo tempo, gerar um adicional de vendas.

A Target americana tem explorado bastante essas oportunidades, como quando montou uma grande casa de bonecas dentro da Grand Central Station em NY para mostrar sua nova linha de artigos para o lar ou, recentemente, quando montou no Bryant Park, no coração de Manhattan, também em NY, uma área especial para mostrar produtos da sua exclusiva coleção Lilly Pulitzer.

Ainda em abril a Amazon, numa variante do mesmo tema, montou o Amazon Pop Up Loft no Soho, em NY, oferecendo acesso Wifi, snacks e outras atrações para envolver clientes.

No Brasil, algumas iniciativas interessantes nessa linha, como a loja pop up da Dafiti, aberta no primeiro trimestre deste ano, na rua Oscar Freire, ou mesmo a apropriação do conceito pela loja POP UP aberta no Shopping JK, como proposta definitiva.

Mas o conceito que estamos batizando de UP POP, que seria o inverso da lojas POP UP, é aquele em que a loja permanece, com sua proposta de design, serviços, operação e tecnologia, porém sem compromisso com os produtos ofertados que são periodicamente trocados, por conta da sazonalidade ou oportunidade, porém sempre de forma consistente com sua localização e proposta.

São ainda poucos exemplos no mundo, mas parecem sinalizar uma nova tendência.

A Q&A na Holanda, empresa de pesquisa e serviços, abriu há um ano sua Store of the Future, com proposta que se aproximava desse conceito. A Loja Ao Vivo.TV, na rua Harmonia, na Vila Madalena em São Paulo, que já operou uma extensão do conceito no Shopping Higienópolis como Pop Up, e voltará a fazê-lo neste final de ano, no mesmo local, também poderia ser enquadrada no mesmo conceito.

Nos dois casos, o design, os conceitos, os espaços, a tecnologia embarcada, o atendimento, a comunicação visual, a fachada e a opção e-commerce permanecem praticamente os mesmos e apenas varia de tempos em tempos a oferta de produtos e marcas.

Na essência da proposta está um compromisso com o segmento-alvo do público da proposta em oferecer curadoria para buscar atender necessidades, desejos e mesmo a oportunidade de trazer conceitos que façam sentido para esses clientes.

Algo que a rede Muji, de origem japonesa, de alguma forma tangencia em sua proposta.
A Muji é, atualmente, uma rede global de lojas de produtos focados em design e minimalistas em sua concepção original com o conceito “No Brand”,  oferecendo um sortimento bastante amplo que vai de vestuário a artigos para escritório, viagens, objetos para o lar e uso pessoal, com preços um pouco abaixo da média de mercado e com qualidade, que se propõe a atender segmentos de clientes que tem essa filosofia de vida.

A proposta filosófica e ideológica de seus clientes determina sua oferta de produtos e serviços, que já chegou inclusive a oferecer um carro desenvolvido em conjunto com a Nissan. Coincidentemente, nesta semana, a Muji estará inaugurando sua nova loja flagship na rua 41, entre as avenidas 7 e 8 em NY.

Talvez pudéssemos considerar o conceito Muji e seu foco na proposta de servir clientes de um target específico com uma linha ampla e mutável, como o embrião do conceito das lojas UP POP.

Mas, de fato, o que determina a maior convergência com a proposta é toda a estrutura, processos, design, serviços, atendimento, tecnologia, comunicação e localização da loja sendo fixos, ou com alguma flexibilidade para se adaptar à oferta do momento e à troca da oferta dessas linhas, categorias e produtos, de tempos em tempos, para oxigenar a proposta, o interesse e a visitação. E, muito importante, sempre integrado com conceitos Omni, ou seja, com oferta de múltiplas plataformas de vendas e relacionamento.

O varejo global é cada vez mais criativo na geração de novos conceitos e alternativas para atender um consumidor que se transforma contínua e constantemente, especialmente na Omniera, e as lojas UP POP fazem parte dessa permanente renovação de conceitos e propostas.

Marcos Gouvêa de Souza – é diretor-geral da GS&MD – Gouvêa de Souza. MOMENTUM – 12 Out 2015

http://www.gsmd.com.br/pt/eventos/momentum/depois-das-pop-up-estao-chegando-as-lojas-up-pop

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