Arquivo mensal: julho 2015

Expert dá dicas para um projeto de mídia out of home bem-sucedido

Waltely Longo (Divulgação)

O primeiro dia de DSE Conference, que aconteceu durante a primeira DSE South America, teve como um dos grandes destaques a palestra “Mídia DOOH: Veículo de mídia ordinário ou um meio de comunicação extraordinário?” de Waltely Longo, especialista em mídia digital out of home que ajudou a desenvolver o segmento no Brasil com sua TV Mulher & Mãe e também como presidente por dois mandatos da ABDOH – Associação Brasileira de Mídia Digital Out of Home.

O especialista falou sobre a mídia out of home como um novo meio de comunicação que ainda tem muito a ser explorado e, apesar do risco de se tornar apenas mais uma entre as centenas de veículos, ela pode se transformar em uma mídia extraordinária se bem utilizada, reconquistando a atenção dos consumidores. “Atenção, relevância e sincronia transformam pedra em ouro nesse meio”, declarou Longo.

De acordo com Waltely, nos últimos 10 anos as pessoas passam em média 30% menos tempo em casa, o que alterou completamente a forma de se comunicar. Se antes as pessoas consumiam mídia em casa, hoje em dia a atenção está fragmentada e esse é um aspecto que a mídia out of home deve aproveitar por ser multimídia e ter a possibilidade de uma linguagem em sincronia com o momento das pessoas. “É possível ter uma comunicação massiva e ainda assim individualizada com a MDOOH, já que se trabalha com o ativo e o dirigido de forma conjunta e integrada. A sincronia é um gerador de relevância”, explica.

Atualmente diretor da PROOH, empresa full service especializada em mídia out of home, Longo acredita que há uma tendência do setor em fazer investimentos reduzidos em conteúdo. “O conteúdo é o principal responsável por conseguir conquistar a atenção da audiência, mas seja em função do processo histórico ou da cultura da empresa, pelo foco no curto prazo ou mesmo pela crise financeira, é nítido que o conteúdo fica em segundo plano”, lamenta. Para ele, esse é um dos maiores erros que as empresas que querem investir nessa mídia cometem, porque o conteúdo é um dos principais pilares para o sucesso da sinalização digital. Confira as dicas de ouro do expert em digital signage:

1 – Tente estabelecer ou reforçar sua identidade editorial. Para isso, tenha voz e opinião, já que o espaço editorial, por menor que seja, ajuda muito criar uma identidade de conteúdo e é ótimo para praticar a sincronia. De forma gradual, a audiência começa a se tornar relevante.

2- Aproveite o benefício de sua audiência ser rotativa. Uma programação fixa é sempre inédita para um público que se renova. Dependendo do setor de atuação, o público da mídia DOOH tem um nível de rotatividade que pode ajudar muito na hora de reduzir recursos de produção;

3- Segmente o conteúdo pelo ambiente das telas. A segmentação internacional de mídia out of home é dividida em ponto de espera (dentro de metrô e ônibus, elevadores, prédios corporativos, fila de banco, etc), ponto de vendas (varejo, shopping, lojas de conveniência, etc) e ponto de trânsito (aeroporto, ponto de ônibus, estação de trem e metrô, vitrine de loja, etc);

4 – Agregue pensamento estratégico à sua programação. O importante é que sejam estabelecidos guias para a criação do conteúdo com antecedência. Para isso, é necessário que haja a análise do ambiente onde vai ocorrer a comunicação, a identificação do perfil do público que compõe a audiência e a definição do que se pretende comunicar nas principais peças de comunicação.

Redação Adnews – 22 de julho de 2015 · Atualizado às 16h59

http://www.adnews.com.br/midia/expert-da-dicas-para-um-projeto-de-midia-out-of-home-bem-sucedido

A pesquisa pode funcionar como um psicólogo de marcas

24 de julho de 2015 · Atualizado às 11h16

Como atingir e engajar o target? Quais são as mudanças estratégicas necessárias para alcançar os objetivos? Como promover os conceitos de um produto? Qual é o mindset correto? Toda marca tem diversas questões “ideológicas” para resolver. Qual é o primeiro passo? Compreender melhor todos os “dilemas”. E é aí que entra a importância de empresas especializadas em pesquisas como a Liga, criada pela publicitária Alice Whately Neves. Confira a entrevista abaixo, que fala sobre esse mercado essencial, as metodologias de estudos, sobre a carreira de Alice e sobre como a Liga Pesquisa trabalha.

Como você começou a empreitada profissional da Liga?

Eu comecei trabalhando em agências de publicidade. Quando estava na F/Nazca, e atendia Skol, eu fazia muita pesquisa de mercado, tanto qualitativa quanto quantitativa. Foi quando eu comecei a perceber que havia uma grande resistência em relação às pesquisas tradicionais, especialmente pela área da criação, que encarava, diariamente, o desafio de digerir relatórios gigantes e extremamente densos para conseguir ter insights criativos. Depois da F/Nazca, fui para a Ponte Estratégia; lá, eu trabalhava na área de pesquisa, com foco na classe media brasileira, e tive a oportunidade de viajar por todo o Brasil, entrar em periferias de vários estados, além de conversar com muitos especialistas. A partir dessas experiências, comecei a perceber que a pesquisa podia ser muito mais gostosa de ser absorvida pelas pessoas e virar, de fato, um projeto de trabalho para a vida real. Foi aí que eu e uma amiga de trabalho da F/Nazca fizemos nascer a Liga. Queríamos criar um modelo de pesquisa interessante para todos os envolvidos; todos os processos deveriam ser gostosos do começo ao fim. Queríamos refletir um olhar humano na Liga: para fazer o roteiro, deveríamos nos colocar no lugar do entrevistado que iria respondê-lo; para desenvolver as metodologias, deveríamos pensar em como intervir o mínimo possível no ambiente dos entrevistados. Hoje, trabalhamos com clientes dos mais diversos segmentos, como Elo, Visa, Bradesco, Itaú, Unilever, JWT, NBS, entre outros, e temos muita recompra.

Estamos em uma casa deliciosa e tentamos, ao máximo, passar esse clima para todos que entram aqui: fugimos de salas de espelho e adoramos fazer grupos focais e entrevistas na nossa casa, com café fresquinho, bolo quentinho e muitos outros “mimos”.  Temos uma equipe fixa de cinco pessoas, mas trabalhamos com um hub de profissionais das mais diversas áreas: fotógrafos, editores de vídeo, designers, antropólogos, sociólogos.

Qual a importância da pesquisa nesse ambiente tão caótico da comunicação atual, onde o grande êxito é conseguir se conectar com o target da maneira correta?

Eu acredito que nós vivemos em um mundo que não é exatamente do jeito que é, mas sim do jeito que os nossos olhos enxergam. Um dos grandes desafios das marcas é entender qual é a melhor lente para usar e enxergar o que está em volta. Cada vez mais as pessoas estão, paradoxalmente, conectadas e desconectadas; tudo muda muito rápido e as marcas são componentes vivos e ativos desse ciclo. A pesquisa pode funcionar como um “psicólogo de marcas”, que ajuda os clientes a olharem seus consumidores com uma lente humana e generosa, compreendendo-os como pessoas reais, não simplesmente como consumidores ou admiradores de produtos e serviços. Existe sentimento por trás de cada uma dessas pessoas e só conseguimos enxergar isso quando vestimos uma lente profunda e respeitosa. Quem os compreende, consegue mergulhar não só em sua personalidade, mas em suas almas.

Fale um pouco sobre as metodologias de pesquisa da empresa?

Nós usamos metodologias tradicionais da pesquisa de mercado – etnografias, entrevistas em profundidade e grupos focais -, mas as vestimos com “roupas novas”. Um dos nossos principais objetivos é que nenhum entrevistado se sinta objeto de estudo, mas sim uma pessoa que está sendo ouvida e compreendida. Desenvolvemos roteiros envolventes, que façam com que esqueçam que estão participando de uma pesquisa e buscamos inseri-los em ambientes acolhedores, como a nossa casa ou em suas próprias casas. Normalmente, fugimos das salas de espelho, que são ambientes um pouco intimidadores, mas, quando é um pedido do cliente, optamos por espaços que se aproximem do cantinho acolhedor que valorizamos.

Tentamos nos adaptar ao máximo ao perfil de cada cliente e, para isso, achamos essencial que metodologias alternativas e fora da caixa sejam levadas em consideração, como grupos via facebook ou whatsapp, missões no instagram, fotonovela (“seguimos” e acompanhamos a rotina do entrevistado por, aproximadamente, 2 dias), grupos com entrevistados que sejam amigos entre si (todos agem com mais naturalidade e um “dedura” o outro, é incrível),  grupos focais em bares, salões de beleza, entre outros. Também gostamos muito de conversar com especialistas, para que haja ainda mais profundidade nos aprendizados do estudo.

Qual é o diferencial da Liga com relação às empresas que também prestam serviço de pesquisa?

A Liga é apaixonada pelo que faz e incorpora aquele olhar de “psicólogo de marcas” que citei. Nós aprendemos com os entrevistados e clientes e nos esforçamos para que eles aprendam com a gente também. Nos dedicamos para que todos os processos sejam cativantes e envolventes, porque a pesquisa não é uma área fria, mecânica e imparcial como parece ser; nós lidamos com comportamento, emoções, sentimentos… Tem algo mais quente que isso? Nós queremos que todos vivam essa sensação calorosa e, para isso, vestimos, sempre, a nossa lente humana, que extrai verdades profundas e gera insights inspiradores.

Qual é o nível desse mercado de pesquisa no Brasil?

O nível do mercado de pesquisa no Brasil é bastante alto. Vivemos em um país com muita diversidade cultural e social. Temos muitos estados, uma classe média que apresentou um boom gigante há pouco tempo, muitas opções e preferências culturais, gastronômicas, etc. Aqui, um é muito diferente do outro e isso obriga as marcas a serem extremamente criativas; nós, como pesquisadores, não podemos colocar todos os nossos entrevistados na mesma caixa e tratá-los como se fossem todos exatamente iguais. Esse cuidado é muito necessário.

Por Renato Rogenski

http://www.adnews.com.br/negocios/a-pesquisa-pode-funcionar-como-um-psicologo-de-marcas

10 termos atuais de marketing que você precisa conhecer

Não é difícil nos depararmos com termos que não conhecemos. Palavras em inglês, por exemplo, são constantemente apropriadas pelo mercado, principalmente se tratando de marketing.
Para ficar um pouco mais por dentro do que anda sendo dito, aí vão as definições de dez termos de marketing que você precisa saber.
1. Blended Marketing: união de estratégias online e offline, onde ambas têm o mesmo peso no objetivo de transmitir de forma ideal a mensagem que a marca deseja.
2. Newsjacking: refere-se à busca por conteúdos que tenham a ver com o tema que se está tratando.
3. Buyer Journey / jornada de compra: todo o processo pelo qual o consumidor passa, desde que conhece até o momento em que adquire o produto.
4. Snackable content: está inserido no content marketing. Consiste em oferecer “pequenas doses” de informação sobre o produto com a finalidade de criar interesse no possível consumidor.
5. Funnel: literalmente um “funil”. Utilizado em diversas situações no marketing, trata-se de ir eliminando perspectivas até ficar com apenas uma.
6. Tráfego orgânico: o número de espectadores que uma marca consegue atrair de forma gratuita, vindo de sites ou redes sociais.
7. “Fooji”: emojis que representam alimentos. Técnica está sendo utilizada por algumas marcas em campanhas online.
8. Lead: termo de e-marketing que se refere a uma página onde um possível cliente preenche informações, possibilitando um meio de qualificação do contato da marca com ele.
9. Omnishopper: termo de e-commerce que se refere ao usuário que busca informações sobre um produto em diferentes páginas da internet.
10. Talkability: nada mais é do que a possibilidade de interação das marcas com seus clientes, realizada principalmente por meio das redes sociais.
Redação Adnews – 28 de julho de 2015 · Atualizado às 12h36

Reforma em lei poderá impedir comerciais de bebidas alcoólicas

Um projeto prestes a ser votado na Câmara dos Deputados pode trazer grandes mudanças na veiculação das propagandas de bebida alcoólica.

O PLC 83/2015 prevê mudanças na Lei 9.294/96, que trata das restrições à publicidade de cigarro, derivados de álcool, medicamentos e defensivos agrícolas. A proposta determina que campanhas do gênero passem a ser veiculadas exclusivamente através de painéis e pôsteres na parte interna dos locais de venda. A linguagem também seria limitada, proibindo o incentivo de consumo ou associação do produto a hábitos saudáveis.

Para quem insistir nesse tipo de publicidade, as punições previstas no projeto sugerem o pagamento de multa variando de R$ 5 mil a R$ 100 mil.

A proposta também cria o Dia Nacional de Prevenção e de Combate ao Alcoolismo e às Drogas, com o objetivo de esclarecer a população os danos provocados pelo consumo excessivo.

Redação Adnews – 30 de julho de 2015 · Atualizado às 15h28

http://www.adnews.com.br/midia/reforma-em-lei-podera-impedir-comerciais-de-bebidas-alcoolicas

Por que o Brasil (e o mundo) precisa de ‘Marcas Ágeis’

27 de julho de 2015 · Atualizado às 15h46

Em 2014, o Brasil abriu mais de 1,8 milhão de empresas de acordo com o Indicador Serasa Experian de Nascimento de Empresas – um crescimento de 1,4% em relação a 2013. Apesar do fraco desempenho econômico que o país enfrenta, a chegada de novos empreendimentos será inevitável. Mas o que as novas marcas e as já existentes estão fazendo para encarar um mercado cada vez mais competitivo?

Para sobreviver, algumas marcas estão se tornando ágeis. O conceito “Marca Ágil” fala sobre como se adaptar à evolução do mercado e permanecer fiel aos propósitos. A Johnnie Walker faz isso há anos e, por isso, é uma das centenárias mais famosas. Ela se tornou ágil porque reconheceu que o futuro da empresa estava totalmente ligado a isso.

Mas quais são os conceitos que envolvem uma “Marca Ágil”? Um deles é ser global. Seguindo aJohnnie Walker como exemplo, a marca mantém um posicionamento global, mas consegue se tornar relevante localmente. A campanha publicitária Keep Walking foi adaptada para 120 mercados globais com sucesso. No Brasil, fez o morro do Pão de Açúcar levantar e caminhar.

Adaptação. Marcas ágeis estão dispostas a mudar e a fazer isso rapidamente. Elas entendem que o sucesso exige ser ágil ao risco e à oportunidade. Veja três categorias de viagens: aluguel de carros, táxi e hotéis. Em poucos anos foram afetadas por novos modelos de negócios, como os serviços oferecidos pela Zipcar, Uber e Airbnb. Ao enfrentar tamanha concorrência, qual o sentido de permanecer rígido?

O problema é que algumas marcas ainda se comportam como se estivessem no século 20, quando eram construídas para suportar os caprichos das transformações. Na época, a variação era considerada uma fraqueza, havia certa relutância às mudanças. No entanto, nos moldes atuais, a agilidade é o que determina a sobrevivência. Hoje, elas necessitam ser flexíveis às transformações, caso contrário, mesmo que você ainda não saiba, sua marca já pode estar morta. Henry Ford disse que o carro pode ser de qualquer cor, desde que seja preto. Talvez na década de 1940, quando a participação do consumidor junto à marca era praticamente nula.

Outro conceito é ser focada em princípios. A marca de desodorante Old Spice traz um excelente aprendizado. Até pouco tempo atrás um navio à deriva, voltou com força ao mercado com o gancho “masculinidade”, mas de um jeito contemporâneo. Ela procurou novas maneiras de entregar valor e garantir relevância, mas sem perder a própria essência. Os comerciais bem humorados viraram hits na internet e hoje é o desodorante mais vendido nos Estados Unidos. No Brasil, chegou ano passado com a mesma campanha irreverente, estrelando o ator Malvino Salvador acendendo uma vela com um lança-chamas.

Uma marca ágil tem de ser conectada com todos os stakeholders. Elas podem começar do zero, mas necessitam da colaboração de funcionários, parceiros e da sociedade para crescerem. A Salesforce.com é uma empresa de software que construiu uma relação com seus stakeholders por meio de reuniões, conferências, comunidades, dentre outras ações.

Postura de líder é o bê-á-bá das marcas, assim, podem definir o próprio futuro, mudando e desafiando a si mesmas, antes que alguém o faça. A britânica Virgin Media ilustra muito bem isso. Para continuar divertida e irreverente, incluiu animais em sua campanha publicitária com “Ed, o Urso do Sofá”, que faz uma caricatura sobre os diferentes jeitos de as pessoas assistirem TV. A empresa entendeu que esse era o caminho para cativar os clientes e assumiu os riscos, sem se deixar ser moldada por outros.

E nem é preciso olhar para o futuro para falar sobre explorar as mais diversas plataformas. Uma marca multicanal tem mais chance de sobreviver à concorrência. Embora a experiência do varejo físico e online seja completamente diferente, a Tiffany & Co., por exemplo, construiu um bem-sucedido e-commerce e virou referência mundial.

Artigo de Fernando Leira, General Manager da Landor São Paulo

http://www.adnews.com.br/artigos/por-que-o-brasil-e-o-mundo-precisa-de-marcas-ageis

O feijão com arroz do posicionamento de Marcas

Posicionamento é uma dessas palavras abusadas e parodiadas sem muita análise ou preocupação. Os profissionais de comunicação com foco estratégicos estão tendo que lidar com imitadores, profetas e magos da comunicação que nada colaboram, a não ser para confundir o termo e pasteurizar seu significado. E de quebra, prejudicar seus clientes e os verdadeiros profissionais. Estes são normalmente agências de comunicação visual ou publicidade que preenchem seu portfolio com serviços/produtos que não podem entregar de fato.

Portanto tomo como desafio desmistificar o significado de palavras “sujas” pelo mal uso. Tanto perante a comunidade do mercado como às pessoas que tem interesse real em discernir os termos. Afinal, transparência e clareza em um mundo saturado de informação parece ser muito mais interessante para todos os stakeholders.

Vamos lá. Olhe para você mesmo. Você já está posicionado em muitos assuntos. Religião, times esportivos, preferências de filmes, tipos de bebida que aprecia. Tudo isso cria uma rede semântica de quem você é​. Este conglomerado de significados servem para que outras pessoas formem em suas cabeças o que ​você​ significa​ para​elas​. O posicionamento de uma Marca não é mais complicado que isso.

1. Para posicionar-­se, é preciso conhecer­-se

Acredito que estamos constantemente aprendendo em nosso caminho vitalício. Conhecendo pessoas, trocando experiências. A progressiva reflexão de nossas conclusões e atitudes é muito normal, aliás, importante e saudável. Não se entrincheirar em um argumento ou ideia vai lhe dar liberdade de enxergar novas possibilidades. Apesar disso, temos princípios e valores que nos conduzem, e estes são pouco modificados. Às vezes passamos a vida toda para entendê­los e finalmente aceitá­los.

Brincamos, no âmbito de gestão de Marcas, que para entender a cultura de uma empresa é preciso levar ela ao divã. Precisamos entender o propósito de vida, as reflexões e inputs culturais que formam a empresa. Sabemos por tentativa e erros ­e muito estudo de casos­, como acessar essas informações. Encontrar a essência de uma Marca é gratificante tanto psicologicamente quanto financeiramente. Todos os recursos e processos da empresa finalmente terão um intento engajador e um direcionamento claro.

Em 94 a Havaianas estava em crise, perdendo market share em ritmo constante. Demoraram 6 anos para que a Havaianas descobrisse seu verdadeiro significado e aprimorasse o produto. Hoje a Marca tem alinhamento global e um significado cultural único e relevante. Teve um faturamento de R$ 1.6 bi em 2014.

2. Posicionamento não é uma decisão de curto prazo

Você não é são paulino para depois virar palmeirense só por que seu time perdeu de lavada. Muito menos vai, de um dia para o outro, mudar sua preferência musical de jazz experimental para sertanejo universitário. Tudo isso requer muita reflexão, atitude, postura, e principalmente, entendimento dos contextos culturais e sociais em que estamos inseridos.

Uma empresa só deve refletir em criar um posicionamento quando estiver munida de um conjunto de estratégias, dados empíricos e considerações holísticas de seu negócio e o entorno. Os resultados só virão com o amadurecimento e a aplicação rotineira destas estratégias, como um mantra.

A Zappos, uma empresa que começou vendendo sapatos online e em 10 anos foi vendida para Amazon por $1.2 bi, levou anos para colocar em prática seu modelo de negócio inovador. Ela trabalhou constantemente seu posicionamento de Marca para se adaptar aos novos contextos e pessoas.

3. Posicionamento estratégico de Marca é refletido por um Planejamento estratégico de campanha, mas nunca são a mesma coisa.

Sua maquiagem deste dia, a roupa que está usando e o iWatch que você comprou não​dizem, na essência​, quem você é. São pequenas peças de um enorme quebra­cabeça. Você pode deixar a maquiagem de lado, sentir­se estranho naquela roupa ou mesmo não ver vantagem no novo relógio. Você vai continuar o mesmo apesar da mudança de “vestuário”. Ou seja, uma coisa é sua essência e valores que são perenes. A outra é a imagem que você está comunicando, muito mais efêmera.

Uma agência de publicidade, por exemplo, vai saber pontualmente e criativamente desenvolver um planejamento estratégico para seu produto ou serviço, e este deve​estar intrinsecamente relacionado com a estratégia de Marca e de negócio. Mas não se iluda, a agência não tem competência ou interesse de gerar valor de longo prazo, descobrir e disseminar a cultura de sua Marca, por melhores que sejam suas intenções.

Como o iraniano Amir Kassaei, CCO da DDB Worldwide, perfeitamente colocou em uma recente aparição nas premiações de Cannes, “cerca de 90% dos trabalhos que vimos aqui esta semana e que foram feitos para ONG e outras associações não foram feitos para ajudar aquelas pessoas. Foram feitos por alguém que quis ter uma grande ideia para enviar a um conjunto de 25 palhaços em salas escuras a verem e a apaixonarem­se por aquilo e darem um prémio”. Ele foi ovacionado por todos os publicitários presentes.

4. A comunicação visual deve nascer de um posicionamento estratégico

Os designers desavisados podem se tornar bodes expiatórios de muitas confusões relacionadas à Marcas. Muito disso vem de equívocos conceituais do que é Marca, logotipo, identidade visual e comunicação visual.

Se a publicidade, em seu melhor estado, é a realizadora da promessa da Marca perante as mídias e seus espectadores, a comunicação visual é a expressão da Marca perante o mundo.

A responsabilidade de se desenhar uma Marca é uma das maiores, visto que você está criando metaforicamente a pele que gruda na carne da empresa. E a comunicação vai além. Temos que desenhar o processo de como sua empresa conversa com seus públicos de relacionamento, seu tom de voz, escolher as cores e desenvolver simbolismos que a representam.

Reafirmo que o posicionamento estratégico ­peça chave dentro do processo de gestão de Marcas­ não é a comunicação visual ou o desenho do logotipo. Estas são expressões da essência da Marca e seu posicionamento definido anteriormente ​perante o mercado e a comunidade.

Quando o aeroporto de Guarulhos (GRU) em São Paulo refez sua comunicação visual, ele se baseou em um posicionamento estratégico definido anteriormente. Somente observando, vivenciando e interagindo com a Marca que iremos descobrir como ela se posicionou perante o mercado e as pessoas.

5. Existem várias metodologias, mas o resultado deve ser um só

Receitas para preparar um bolo de cenoura existem inúmeras, assim como cifras diferentes para se tocar a mesma música. O objetivo final é alimentar­se com um doce e, no segundo caso, relaxar e fazer um som.

Entretanto, na minha compreensão, suspeito de qualquer consultoria ou agência que coroe seu trabalho de posicionamento de Marca com um slogan ou tagline em um par de semanas. Ou que colha informações de um briefing e produza um posicionamento em alguns dias, fechados em quatro paredes.

Não há magia, espetáculo ou maquiagem. O posicionamento da Marca é a decisão estratégica de como a Marca se torna única na mente dos clientes e qual espaço ela pretende ocupar no mercado. ​Esta​, normalmente em formato declaração institucional, oferece uma plataforma básica para as comunicações que auxiliará a Marca na diferenciação de suas ofertas frente à concorrência.

Sim, chegar aí exige muita reflexão, dados puros (não manipulados), empatia em relação ao contexto social e a comunidade do entorno e principalmente uma visão 360º da empresa que só pode ser conquistada ouvindo todos os públicos que com ela se relaciona. É um trabalho colaborativo. Não existe posicionamento estratégico sem a participação de uma amostragem significante de pessoas relacionadas à ela. Mesmo após isso, juntar e consolidar todos esses dados de forma inteligível requer algumas boas dinâmicas de grupo e recomendações técnicas imprescindíveis.

Portanto, o profissional que está desenvolvendo o posicionamento de sua empresa deve ser um facilitador​muito bem munido e, de preferência, multidisciplinar. Nunca um criador silencioso ou um gênio criativo.

Não coloque seu cozinheiro para servir os pratos com destreza. Embora ambas tarefas tenham seus méritos, você estará desperdiçando talentos ou mesmo prejudicando processos.

Artigo de Lorenzo Sacchi Padovano, co­-fundador da consultoria de gestão de Marcas Trustworks

29 de julho de 2015 · Atualizado às 10h40

http://www.adnews.com.br/artigos/o-feijao-com-arroz-do-posicionamento-de-marcas

Geolocalização no marketing: os melhores usos de marca

A geolocalização cada vez mais faz parte de ações de marketing de empresas que buscam relevância na mensagem com base na localização exata do seu consumidor.

Confira a seguir alguns exemplos do uso dessa tecnologia aliado a uma boa dose de criatividade.

1 – A corretora de imóveis Realtor.com tem um app que reúne as informações do GPS dos consumidores para personalizar sua experiência de busca de imóveis, com opções como “para vender por perto”. Isso significa que os usuários não precisam preencher dados de localização e podem simplesmente usar o botão do aplicativo que exibe todas as casas a venda em torno da sua localização. O case é relatado por Ray Pun, Head of Strategic Marketing for Mobile Solutions da Adobe, em “What Marketers Need To Know About Geolocation Targeting”, publicado no CMO.com.

2 – A Nordstrom utilizou a tecnologia chamada Euclid Analytics para rastrear os movimentos dos seus consumidores no interior das lojas por meio de antenas WiFi. A experiência foi realizada por oito meses, entre 2012 e 2013, e, com a análise dos dados coletados, a rede conseguiu monitorar a visita dos clientes a cada departamento e o tempo que eles passavam em cada um.

Com isso, pôde, por exemplo, saber se era preciso adequar o número de atendentes a determinados horários de rush ou mudar o layout de uma ou outra seção. A rede afirmava que os dados eram anônimos e que, por isso, os consumidores não precisam se preocupar, mas ainda assim a prática gerou muita discussão em torno da privacidade dos consumidores e do direito de coletar dados de aparelhos móveis. Segundo o New York Times, a Nordstrom foi apenas uma das cerca de cem clientes da Euclid, que já havia rastreado em torno de 50 milhões de aparelhos em 4 mil localidades.

3 – A tecnologia utilizada pela Nordstrom é semelhante a dos beacons, com a diferença de que estes utilizam o Bluetooth no lugar do WiFi. Consumidores que não queiram ser rastreados podem simplesmente desativar a conexão de seus celulares. Já os que estiverem “visíveis” em uma loja Apple, por exemplo, que utiliza seus próprios iBeacons, podem receber comunicações personalizadas e, muitas vezes, relevantes sobre acessórios em promoção, por exemplo.

A Apple, inclusive, já trabalhou em parceria com a Major League Baseball (MLB) para colocar iBeacons nos estádios durante a temporada de beisebol. Para alguém que fosse assistir ao jogo do San Francisco Giants com o aplicativo da MLB no celular, o código de barras do bilhete poderia ser automaticamente exibido quando o usuário se aproximasse do portão. Para completar, o app exibiria também um mapa da localização do assento. E tem mais. Se o usuário se deslocasse, o app pode direcioná-lo para o fornecedor de hotdog mais próximo com um cupom de desconto. Redes como Lord & Taylor e Hudson’s Bay também já usam beacons em suas lojas.

4 – A Home Depot, rede de construção e decoração, é dona de uma das melhores práticas de geolocalização segundo Ray Pun, Head of Strategic Marketing for Mobile Solutions da Adobe. Ele conta que os clientes da rede ficam felizes em informar sua localização por dois motivos basicamente. Primeiro porque muitas vezes eles se perdem nas suas lojas gigantescas. Segudno porque a rede oferece algo que é realmente útil. Quando um cliente chega, o app Home Depot usa o GPS para fornecer um menu específico que ajuda o visitante a encontrar os itens que procura dentro da loja com mapas detalhados.

5 – A Quirky e a GE também usaram geolocalização para segmentar consumidores de Boston e Nova York e promover uma campanha de ar-condicionado controlado por dispositivos móveis. Segundo a ProXXIma, para isso as empresas utilizaram o serviço Poncho, que enviou mensagens de texto e e-mails com informações sobre o clima nas duas regiões. Depois de receber o alerta que indicava uma temperatura muito elevada, o consumidor impactado visualizava o link para comprar o ar condicionado pelo site.

Por Innovation Insights | 29 julho 2015

http://innovationinsider.com.br/geolocalizacao-no-marketing-os-melhores-usos-de-marca/