Arquivo mensal: agosto 2014

Desafios e oportunidades para empresas funcionarem 24 horas

A vida corrida das cidades e o acúmulo de funções faz as pessoas irem cada vez mais tarde para a cama, aumentando consequentemente o período produtivo e também de consumo. O hábito de fazer compras ou mesmo transações bancárias a qualquer hora do dia se fortaleceu com a internet, canal em que as lojas e agências nunca fecham. Fora do ambiente virtual, empresas que sempre foram tradicionais na madrugada como hipermercados, livrarias e lojas de conveniência começam a encurtar a sua jornada atemorizados pela violência ou desestimulados pelo custo. Ao mesmo tempo, salões de beleza, academias de ginástica e empresas de delivery começam a explorar o potencial do noturno.

As empresas que experimentam o horário estendido pretendem atingir grupos mais ativos durante a noite e a madrugada. As lojas físicas 24 horas são mais fortes em bairros pequenos como os da Zona Sul carioca, em que as pessoas se deslocam a pé com facilidade, e também nas comunidades pacificadas, onde o fluxo de moradores que voltam do trabalho nunca para. Já em bairros com maior extensão territorial, como Jacarepaguá e Barra da Tijuca, em que o deslocamento depende mais de carro a preferência é pela entrega em domicílio.

Apesar de atrativo, à primeira vista, o funcionamento na madrugada é um desafio que possui peculiaridades em quesitos como equipe, logística e segurança. Caso essas questões não sejam bem conduzidas, podem comprometer a rentabilidade e até mesmo a saúde do negócio. Enquanto algumas empresas testam sua popularidade na madrugada, outros estabelecimentos já consolidados como 24 horas, tais como supermercados e lojas de conveniência de postos de gasolina, encurtam seu expediente. “Quem opta por não trabalhar mais na madrugada, provavelmente verificou que seu custo estava superando o faturamento. Além disso, o baixo movimento facilita a ocorrência de crimes”, diz Ricardo Teixeira, Professor dos MBAs da FGV, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Demanda x Custo
Antes de fazer alterações drásticas no funcionamento do estabelecimento é necessário verificar se a demanda na localidade é sustentável para o produto ou serviço oferecido na faixa de horário em que se pretende atuar. O Koni optou por funcionar durante a madrugada na maioria das suas lojas de rua, mas em uma das duas unidades localizadas no bairro do Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, o horário foi reduzido devido à baixa movimentação. “Nesse caso, optamos pela redução no funcionamento e a loja continua saudável. A outra unidade, no Baixo Leblon, uma região mais boêmia, continua funcionando durante a madrugada”, diz Michel Jager, Sócio Fundador da Rede Koni, em entrevista ao Mundo do Marketing.

O mesmo aconteceu com a rede GPA que aboliu o funcionamento 24 horas dos super e hipermercados Pão de Açúcar e Extra. A opção se deve aos custos da operação depois da meia-noite, que não eram supridos pelas vendas. “A decisão está baseada nos estudos de comportamento dos consumidores, que apontaram baixa adesão às compras no período da madrugada. Todas as unidades terão horário comercial definido de acordo com o perfil do cliente de cada região. O quadro de colaboradores será remanejado de acordo com a escala de funcionamento das unidades. Para comodidade dos clientes, a empresa também oferece o serviço de entregas pela internet”, disse a empresa em nota enviada ao portal.

Entre as mudanças necessárias para quem deseja manter o estabelecimento em funcionamento constante é o quadro de funcionários. O turno da noite, em geral, pode ser menos robusto do que aquele que atua em horário de maior fluxo, porém, os custos se mantêm elevados devido aos direitos trabalhistas que contam com diferenciais como o adicional noturno. Outra dificuldade está no recrutamento de mão de obra disposta a atuar depois da meia-noite diariamente. “As farmácias 24 horas mantinham equipe regular enquanto trabalhavam com as portas abertas. Depois passaram a operar com as portas fechadas e um guichê com um único funcionário. A demanda existe, mas não é elevada, o que justifica um encurtamento da estrutura”, avalia Ricardo Teixeira.

Quando a madrugada é estratégica
A política de horário para ser adequada deve estar intimamente ligada com a estratégia central da companhia. É o caso da Koni Store que optou por manter seu funcionamento até às 6:00 nas sextas-feiras e sábados. Nos demais dias, o ponto fica aberto até as 3:00. Quando decidiram adotar essa política, a intenção da temakeria era construir a imagem de um estabelecimento que fornece comida fresca a qualquer hora e se aproximar dos jovens que frequentam casas noturnas. “O consumo na madrugada funcionou muito bem como oportunidade de experimentação de uma nova categoria de produto para os consumidores que precisavam recorrer apenas aos salgados requentados. Posteriormente, o consumo de nossos temakis se estendeu para outros momentos”, conta Michel Jager, Sócio-Fundador da Rede Koni.

A Johnnie Walker também aproveitou a identificação dos seus consumidores com a vida noturna para fortalecer sua marca em parceria com o aplicativo Easy Taxi. As duas empresas perceberam o aumento da procura por taxis na saída de boates, bares e restaurantes. Em uma ação, os consumidores que acessavam o aplicativo das 20:00 até às 6:00 eram informados sobre uma cortesia de R$ 40,00 no valor da corrida. “Como somos um serviço que funciona 24 horas e sabemos que na madrugada a propensão de consumir bebida alcóolica é maior, oferecemos este benefício para reforçar nosso compromisso social em apoio à segurança no trânsito”, diz Camila Ferreira, CoCEO da Easy Taxi no Brasil, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Algumas vezes, a extensão de horário não visa apenas o lucro, mas conquistar novos perfis de consumidores. A estratégia é válida especialmente para estabelecimentos que já se consolidaram e que tem a intenção de fortalecer o relacionamento com o consumidor. Por outro lado, abrir uma empresa 24 horas apenas para acompanhar a moda e sem garantia de rentabilização pode ser fatal. “Se a empresa já tem sucesso e quer testar ficar aberta por mais tempo, a experimentação é sempre bem-vinda. A princípio a demanda costuma ser tímida mas tende a se fortalecer, à medida que os consumidores tomam conhecimento”, diz Ricardo Teixeira.

Segurança é um ponto de atenção
A violência nas grandes cidades é inimiga dos estabelecimentos 24 horas. Em certas regiões, os consumidores são afugentados pelo medo de assaltos. Na Barra da Tijuca, alguns postos de gasolina reduziram a jornada, ficando abertos até meia-noite. Uma das unidades chegou a registrar 15 assaltos em um período de seis meses. “A segurança precisa ser levada em conta pelo gestor tanto no que diz respeito aos seus funcionários e à empresa, como também com relação ao cliente. Se o estabelecimento fica em locais onde a incidência de crimes é alta, pode não ser uma boa ideia funcionar até tarde. Qualquer coisa que aconteça com os clientes no trajeto para o estabelecimento de alguma forma recai sobre a marca”, comenta Augusto Uchôa, Professor de Marketing da ESPM Rio, em entrevista ao Mundo do Marketing. 

A deficiência de transportes públicos aumenta a insegurança e reduz a frequência de consumidores em programas que terminam mais tarde. Para atender a esta demanda, a Easy Taxi desenvolveu uma ferramenta específica para eventos e estabelecimentos comerciais, que permite ao funcionário solicitar até seis carros de uma vez para os clientes, reduzindo o tempo de espera. “Quando tem um evento parceiro, alertamos todas as viaturas próximas ao local para que redobrem a atenção aos chamados. Assim, o tempo de espera não passa de cinco minutos, na maioria dos casos”, comenta a CoCeo do Easy Taxi no Brasil.  

Quando a segurança aumenta na região isto se reflete na demanda por consumo em horários alternativos. O empresário Antônio Claudino apostou na madrugada há 15 anos com o restaurante Garota da Via Ápia, na rua principal da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Ele que era também sócio de outro restaurante, o Le Coin II, no Leblon, abriu mão do estabelecimento no bairro nobre para investir na comunidade. “Depois da chegada da UPP, as pessoas, mesmo de fora da comunidade, têm mais segurança para vir até aqui. Recebo sempre funcionários do Shopping Fashion Mall, em São Conrado”, conta Antônio Claudino, proprietário de restaurante, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Antônio comprou a participação dos outros sócios na casa da Rocinha e investiu na renovação do layout com um projeto de arquitetura e adotou o nome fantasia Amarelinho. “Na madrugada, atendemos os moradores que retornam do trabalho em grandes restaurantes da Zona Sul e da Barra. O segredo é oferecer sempre comida fresca. Essa é uma demanda que não pode ser deixada de lado. Preferi a Rocinha porque o movimento nunca para”, analisa o empresário.

Delivery é um nicho fértil para a madrugada
O delivery é uma tendência forte nas madrugadas, já que na internet é possível encontrar serviços que vão desde chaveiro até buffet de crepes que atendem em casa. Na entrega em domicílio o investimento é menor, o que viabiliza a diversificação da oferta. “Não é necessário ficar com uma loja aberta esperando o consumidor. Quando se trabalha com mobilidade, o custo fica menor, moldando-se às demandas”, diz Augusto Uchôa.

Este raciocínio levou o empresário Leon Schaefer a criar, em 2010, o site Alô Madruga, especializado na entrega de bebidas, petiscos e comida congelada. “Sempre preferi encontros sociais em casa e, quando faltava algo no meio da noite, não tinha onde comprar. Para preencher este espaço, criei a empresa. As pessoas estão preferindo confraternizações em casa para fugir do trânsito, da Lei Seca e dos preços altos cobrados nas casas noturnas, nas quais uma cerveja pode custar até R$ 15,00”, conta Leon Schaefer, Fundador do Alô Madruga, em entrevista ao Mundo do Marketing.

O estabelecimento conta atualmente com cinco entregadores e atende a uma média de 40 pedidos por noite em sete bairros do Rio de Janeiro. Originalmente, a empresa atendia a partir das 20:00, mas com o crescimento da procura agora inicia suas operações às 16:00, nos finais de semana, e pretende expandir o novo horário também para os dias úteis, até o final do ano. “Minha maior dificuldade ainda é encontrar profissionais dispostos a trabalhar de madrugada todos os dias. A demanda vem crescendo constantemente impulsionada pelo boca a boca e pelas buscas na internet”, complementa Leon Schaefer.

Por Luisa Medeiros, do Mundo do Marketing | 27/08/2014

http://www.mundodomarketing.com.br/reportagens/planejamento-estrategico/31527/desafios-e-oportunidades-para-empresas-funcionarem-24-horas.html?

Moda passa cultura e lidera vendas em lojas virtuais no país

Dados são de recente estudo divulgados IBOPE E-Commerce

O segmento de moda e acessórios ultrapassou o de cultura e lidera as vendas em lojas virtuais no país, segundo pesquisa do IBOPE E-Commerce. Entre maio e junho, o setor comercializou mais de 7 milhões de peças, frente a 5,5 milhões de produtos culturais, como livros e DVDs.  

O faturamento das 50 maiores lojas do comércio eletrônico de roupas foi de aproximadamente R$ 1,5 bilhão nos primeiros seis meses deste ano, com quase 10 milhões de pedidos e um ticket médio de R$ 155, aponta o instituto de pesquisa.  

Em terceiro lugar, aparece o setor de beleza e saúde, com a venda de 2 milhões de itens no bimestre. Em quarto, está o segmento de informática (1,5 milhão). O setor de telefonia ficou em quinto lugar e vendeu 1,3 milhão de peças (confira o ranking no final desta reportagem). 

O estudo usa dados das 50 principais lojas virtuais do país, responsáveis por cerca de 80% do faturamento nessa modalidade.

 

Comércio virtual cresce

A tendência é que as vendas online ainda cresçam no país, de acordo com relatório da empresa de informações de comércio eletrônico E-bit. O estudo mostra que 5 milhões de consumidores fizeram sua primeira compra online no primeiro semestre de 2014. No total, 25 milhões de consumidores fizeram compras pela web neste período. 

Para quem quer apostar no comércio eletrônico de roupas, o consultor do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Marcelo Sinelli, estima que uma loja virtual bem estruturada demanda um investimento de pelo menos R$ 20 mil. 

“Há de se considerar dois custos importantes: o de logística para entrega, entre o local de estoque e o cliente; e o custo de TI, com plataforma, ferramentas de segurança e de certificação digital.”

 

Loja virtual deve mostrar padrão de tamanhos das peças

Para a especialista em moda do Senac-RJ Ursula Carvalho, os consumidores estão cada vez mais confiantes na compra de produtos pela internet, mesmo sem poder experimentar. Entretanto, é necessário oferecer uma referência de tamanho para as roupas. 

“Adotar uma tabela precisa de medidas e sempre seguir as especificações adotadas traz maior segurança para quem compra”. A especialista também enfatiza a importância de estruturar um sistema de troca, com regras e prazos claramente definidos. 

Aos que tiverem condições de investir, os consultores recomendam apostar em interfaces de navegação, oferecendo acesso à loja virtual por meio de versões que funcionem bem em celulares.

 

Produtos mais vendidos em lojas virtuais em maio e junho

1 – Moda e acessórios: 7,5 milhões de produtos

2 – Cultura (livros, CDs, DVDs): 5,5 milhões de peças

3 – Beleza e saúde: 2 milhões de produtos

4 – Informática: 1,5 milhão de peças

5 – Telefonia: 1,3 milhão de itens

 

Fonte: UOL – 24/08/2014 – http://www.gsmd.com.br/pt/noticias/varejo-digital/moda-passa-cultura-e-lidera-vendas-em-lojas-virtuais-no-pais

Pensar e fazer diferente – uma frase tão conhecida, porém pouco utilizada

Não basta pensar diferente, tem que fazer diferente. Em uma recente visita à uma “Apple Store” em Nova York, tive uma experiência de compra fantástica. 

Entrei para comprar fones de ouvido, fui atendido pelo vendedor que, pacientemente, respondeu à todas as minhas dúvidas, sugeriu qual o melhor modelo e apontou o melhor custo beneficio. 

Decidida a compra, perguntei a ele: Onde fica o caixa? e ele respondeu: aqui mesmo, senhor! 

Sacou um scanner portátil, escaneou o produto, perguntou se eu preferiria utilizar cartão de crédito e tudo mais… 

Mostrou o valor da compra já acrescido de impostos, conferi e entreguei o meu cartão de crédito.  Ele pegou meu cartão, passou no mesmo scanner e, em seguida, fechou a compra.  Assinei com meu dedo, no próprio scanner. 

Ele empacotou o produto e me acompanhou até a porta. Despediu-se, entregou seu cartão de visitas e informou que eu receberia a nota fiscal com a garantia por e-mail. Uau! 

A Apple renovou suas 201 lojas, mudando o layout, adicionando serviços e aumentando seu quadro de pessoal. E, o mais importante: nenhuma caixa registradora sequer.

 

A tecnologia disponível/A tecnologia como aliada 

Sem dúvida nenhuma, já existe tecnologia disponível no Brasil para fazermos isso. O RFID (do inglês “Radio-Frequency IDentification”) é uma delas, porém ainda com algumas desvantagens. 

Infelizmente, o custo elevado da tecnologia RFID em relação aos sistemas de código de barras ainda é um problema e também o preço final dos produtos, pois a tecnologia não se limita apenas ao microchip anexado. 

A razão disto é que, por trás da estrutura do RFID, estão antenas, leitoras, ferramentas de filtragem das informações e sistemas de comunicação. Lembrando que o espaço deve ser adaptado, pois todo o uso de materiais metálicos e condutivos pode afetar o alcance de transmissão das antenas. 

Como a operação é baseada em campos magnéticos, o metal pode interferir negativamente no desempenho. Outra adaptação é a  padronização das frequências utilizadas para que os produtos possam ser lidos por toda a indústria, de maneira uniforme. 

Além disso, mesmo tendo tecnologia (RFID) disponível, porém com alto custo, ainda persistem os entraves tributários brasileiros.

 

Desafios a serem superados 

Nosso cliente nos deu como desafio a tarefa de aumentar a produtividade, melhorando a experiência de compra tendo em vista as dificuldades do cenário econômico brasileiro. 

Neste momento, devemos superar o estado de ‘conformismo’. Todos sabem que empreender no Brasil não é nada fácil. E viva o “Custo Brasil”! 

Diante deste cenário, fizemos um diagnóstico e traçamos algumas ações de mudanças no PDV, que tem como objetivo melhorar e experiência de compra e aumentar a produtividade. 

E ainda, no meio do processo, também observamos resistência dos próprios funcionários, pois toda novidade assusta. Para combater este problema, adotamos as seguintes medidas:

  • Sabemos que resistência interna se quebra mostrando aos funcionários que é possível promover a mudança e que a mudança será benéfica. Informamos que nenhum colaborador perderia o emprego e que nada seria feito sem uma fase de teste;
  • Orientamos a área de T.I. e Arquitetura para que fosse criado um mobiliário expositor. A ideia era dispor apenas 4 terminais de caixa;
  • Iniciamos um treinamento de operação de caixa para todos os vendedores. Cerca de 300 colaboradores receberam treinamento dos próprios colegas, que antes exerciam a função de caixa, pois já conheciam a operação melhor do que ninguém. Já os colaboradores que exerciam função de caixa, receberam treinamento de vendas e 80% deles passaram a exercer a função de vendedores.

Resultados palpáveis 

Como resultado, tivemos 7 metros quadrados a menos na loja, que foram utilizados com a criação de lounges com sofás, revistas, e WIFI aberta. Dessa forma, observamos que o cliente passou a ficar mais tempo dentro da loja. 

Tivemos também 100 operadores de caixa a menos e 100 vendedores a mais.  Resultando em um aumento de vendas em 10% (aproximadamente) e uma redução de custo fixo de 5%. 

Os vendedores passaram a acompanhar o processo de venda do inicio ao fim, fato este que melhorou a qualidade de atendimento e, consequentemente, a experiência de compra do cliente.

 

Roberto Perez ( roberto.perez@gsmd.com.br), diretor associado, da GS&MD – Gouvêa de Souza.

 21 Ago 2014 – http://www.gsmd.com.br/pt/eventos/produtividade-no-varejo/pensar-e-fazer-diferente-uma-frase-tao-conhecida-porem-pouco-utilizada

Pesquisa: A loja eficiente

Hoje em dia, a tecnologia disponível permite que saibamos exatamente tudo o que ocorre com o consumidor dentro de uma loja. Com apoio  dos chamados beacons pode-se verificar inúmeras ações dentro do ponto de venda.

 Os beacons são pequenos dispositivos que podem servir para diversas finalidades e estão espalhados pelo ponto de venda. Utilizam-se dos sinais emitidos pelos bluetooth dos smartphones que estão nas mãos dos clientes.

Uma vez capturados estes sinais, é possível mapear a loja e conhecer as interações que estes consumidores fizeram com este espaço e com os produtos e serviços lá oferecidos.

Conseguimos saber, por exemplo, qual o fluxo dos consumidores dentro da loja, por onde passam, por onde passam mais e por onde não passam. Isto, por si só permite  redefinir layout de lojas, exposição de produtos e comunicação interna, dentre outros pontos.

Além disto, sabendo defronte a qual produto o consumidor para e cruzando este dado com as vendas efetivas, pode-se saber quais ações de shopper marketing são efetivas e quais delas devem ser desativadas por não serem atraentes o suficiente à luz do frequentador.

 

O consumidor no ponto de venda

Desde há muito tempo, em especial com o advento do conceito de gerenciamento por categoria, passou-se a observar o comportamento do consumidor no ponto de venda.

Inicialmente, a observação se dava através de pesquisadores plantados em pontos estratégicos que relatavam por escrito as ações que o consumidor realizava.

Na sequência aparece a utilização de tecnologia, onde o principal expoente foi o pesquisador Paco Underhill,  com câmeras que filmavam determinados espaços dentro da loja e permitiam retirar a presença de alguma forma constrangedora dos observadores, mas ainda exigiam que os filmes fossem assistidos para permitir algum tipo de análise.

O que se vê hoje com os beacons é a possibilidade de ter isto tudo mapeado e analisado, gerando relatórios previamente definidos ao mesmo tempo em que o consumidor está lá na loja fazendo suas compras ou apenas visitando.

Toda esta tecnologia só coloca mais pressão ainda sobre a gestão da loja na busca de formata-la da maneira mais eficiente possível.

Por outro lado pode significar a otimização de recursos humanos e financeiros na busca dos melhores resultados. Vale lembrar que a tecnologia é sempre um apoio importante na redução da carga de trabalho operacional, porém impõe maior rigidez na análise e manejo das informações.

 

A experiência de compra

Os beacons, até que a próxima engenhoca apareça, serão, certamente, as vedetes naquilo que diz respeito às ações que acontecem no ponto de venda, desde as ações de um fornecedor agindo na gestão de suas promoções, seja nas de um varejista que experimenta um novo conceito de comunicação ou ainda de um fabricante de dispositivos de exposição de produtos avaliando um novo layout de gôndola ou de arara. Deverão ocupar este espaço, ao menos, pelos próximos dois ou três anos.

O mais importante disto tudo é saber que o fundamental é fazer este ponto de venda físico, cada vez mais caro, que cada vez mais enfrenta a concorrência dos canais digitais, que pode se transformar em vitrine para vendas destes canais e que tem que atender cada vez mais a um consumidor mais informado e seletivo, um local eficiente e que promova uma experiência de compra absolutamente memorável e vantajosa na mente do consumidor.

Em resumo, com mais ou menos tecnologia, gastando mais ou gastando menos, a ordem mundial e consequentemente seus efeitos no mercado brasileiro, impõem que a loja seja cada vez mais eficiente.

Por outro lado, mais importante do que a tecnologia utilizada, a gestão produtiva do PDV passa pela obtenção da informação relevante e que fará a diferença no resultado financeiro efetivo da operação. Seja com beacons, seja com pesquisadores anotando com lápis e papel as informações, fazer a loja vender mais usando menos recursos é o que importa.

 

Luiz Goes, sócio sênior da GS&MD – Gouvêa de Souza e responsável pela área de Inteligência de Mercado.

19 Ago 2014 – http://www.gsmd.com.br/pt/eventos/de-olho-na-pesquisa/a-loja-eficiente

Tremenda confusão

Já faz tempo que existe um equívoco assumido pelo Varejo de que o consumidor insiste em receber atendimento. Isso é só, parcialmente, verdadeiro.

 

O consumidor quer, na verdade, resolver seu problema e isso passa por encontrar, da forma mais fácil possível, o produto ou serviço que satisfaça suas necessidades ou desejos.

 

Sejam produtos alimentares para a confecção de uma nova receita ou queijos e vinhos para impressionar os convidados de uma recepção, seja a compra de um roupa nova para o dia a dia, os consumidores de uma forma ou outra estão sempre em busca de uma solução para os seus desejos.

 

Como, em determinadas circunstâncias, a exposição das mercadorias é confusa, existe excesso de produtos, falta informação sobre as características desses produtos, o preço não está fixado corretamente, o layout da loja não favorece a visibilidade da oferta, e a loja abarrotada de mercadorias.

 

Tudo isso prejudica o acesso do consumidor aos produtos e, desta forma, a melhor alternativa para ele será identificar e avaliar mais rapidamente sua necessidade com a ajuda do vendedor ou do atendente da loja.

 

Ou seja, em muitos casos o vendedor e/ou atendente, passa a ser um instrumento para  compensar as deficiências de uma loja que não consegue cumprir adequadamente seu papel.

 

Autonomia para o cliente

 

Sanadas essas questões, a tendência cada vez mais presente, é que o consumidor procure resolver de forma mais autônoma as suas necessidades.

 

Esse pressuposto está associado fortemente a uma mudança no perfil do consumidor, que busca, quase que desesperadamente, mais conveniência para sua vida, o que passa por maior facilidade na identificação e escolha do produto ou serviço e rapidez na finalização da compra.

 

Tal comportamento é reforçado pelo fato que uma parcela já significativa de consumidores estarem cada vez mais familiarizados com o consumo em lojas virtuais e cada vez mais aparelhados com smartphones para apoiarem o seu processo de pesquisa e comparação entre produtos.

 

Se ainda não estão convencidos, percebam o quanto vem se expandindo nos grandes centros urbanos o número de vendor machines nos pontos de alta concentração de pessoas (metrôs, terminais de ônibus, trens, etc.), com os mais variados produtos.

 

Vejam o quanto as pessoas se sentem atraídas por soluções como Totens Digitais (quando disponíveis) para buscarem informações.

 

Observem como os shopping centers estão ampliando o número de equipamentos de autoatendimento para o pagamento dos estacionamentos.

 

As experiências de redes americanas com a expansão dos self checkouts (em algumas lojas da CVS nos Estados Unidos a maioria dos consumidores já opta por realizar o checkout nestes equipamentos) têm demonstrado um apetite cada vez maior dos consumidores em cuidar do próprio processo.

 

A Rede Muffato de “super” e “hiper” mercados, com sede no Paraná, tem tido experiências positivas com a implantação desse tipo de equipamento em suas lojas em Londrina, demonstrando que esse fenômeno em termos de mudança cultura não está restrita somente aos grandes centros urbanos.

 

É tempo, portanto, do Varejo rever esses paradigmas há tanto tempo arraigados, cuidando de impor mais organização e tecnologia na loja, disponibilizando elementos que permitam aos consumidores optar pela forma como querem realizar suas compras. Isso pode ser considerado também uma boa oportunidade para reduzir custos operacionais, uma vez que o custo de mão de obra deixou de ser tão baixo, o que sempre inibiu esse tipo investimento.

 

É lógico que existirá, alguns modelos de negócio para o qual essa solução não é aplicável, assim como sempre haverá consumidores que gostam de realizar suas compras com o suporte de um vendedor. Existem também muitos consumidores que sofrem de carência afetiva e que gostam de ir às lojas para conversar com os vendedores, mas isso é uma disfunção e é prudente não se direcionar o modelo de negócios às exceções.

 

Alexandre Horta (horta@gsmd.com.br), sócio sênior da GS&MD – Gouvêa de Souza http://www.gsmd.com.br/pt/eventos/repensar-distribuicao/tremenda-confusao

 

Fusão entre o on e o offline ainda desafia marcas

As barreiras entre o on e offline estão cada vez mais diluídas, com atividades do cotidiano permeadas de ares digitais e a tecnologia fazendo parte de praticamente todos os momentos da vida. Isso é resultado nítido do aumento do consumo de equipamentos eletrônicos dos mais diversos tipos, todos conectados à internet. Segundo uma pesquisa encomendada pelo Google à TNS, 29% dos brasileiros já têm um smartphone, índice que salta para 45% se o universo é restringido para jovens de 16 a 34 anos.  O país possui atualmente mais dispositivos móveis do que computadores, posicionando-se como um dos principais mercados para as companhias de telecomunicações.

O primeiro efeito disso é a alta do consumo de conteúdo virtual: 13% de todo o volume de dados transmitido em 2013 partiu de smartphones e tablets, o que representa um crescimento de 12 vezes em três anos. O fenômeno de convergência entre o real e virtual fica mais evidente no momento em que um motorista lança mão de um aplicativo de geolocalização enquanto dirige por estradas e ruas de uma cidade, ou quando crianças passam a utilizar tablets para praticar a velha brincadeira de desenhar e pintar.

O relacionamento estabelecido entre o consumidor e o mundo, a partir das lentes dos seus dispositivos, lança desafios de Marketing para as companhias. Manter a presença digital de qualidade, a partir desse contexto, exige muito mais do que manter um site. Torna-se necessário trabalhar na adaptação às diferentes plataformas para, assim, gerar valor para o consumidor, que se acostumou com a gratuidade da internet. “Estamos em uma nova fase da revolução da informação, iniciada com a criação do transistor em 1960. Num primeiro momento, criou-se o mundo online e, nesse segundo, o virtual se une de forma indissociável ao mundo real”, aponta Ricardo Longo, Diretor Geral da Onoffre Consulting, em entrevista à TV Mundo do Marketing.

Operação instintiva é uma necessidade
Assim que surgiram, os computadores eram restritos para o uso de pessoas altamente treinadas, que traduziam a linguagem humana para códigos e vice-versa. O uso foi se tornando intuitivo aos poucos, até a popularização do mouse e do teclado. A palavra de ordem agora é adotar interfaces simples e naturais, que passam a ser controladas por toque, gesto, voz e até impulsos elétricos dos músculos de usuários. É o caso da pulseira que identifica os movimentos e permite interação com computadores, tablets, smart TVs e videogames. “Estimulando uma área mais primitiva da evolução do cérebro, o processo de aprendizado se torna mais fácil, o que permite que bebês, idosos e até gatos interajam de forma instintiva com estes equipamentos”, pontua Ricardo Longo.

O corpo humano começou a se aproximar das máquinas a partir do advento das tecnologias vestíveis, próteses computadorizadas e impressoras 3D. O Google Glass, por exemplo, é o precursor de uma categoria que permite ao seu usuário buscar informações em tempo real por comando de voz, movimentos dos olhos e sensores de movimentos. “Estamos entrando em uma era de superpoderes, com cálculos infinitos na palma das mãos, visão além do alcance, possibilidade de comunicação em qualquer idioma, memória infalível ou olhos biônicos, que fornecem mais informação sobre o que estamos vendo”, comenta o Diretor da Onoffre Consulting.

Presença digital das marcas
Os equipamentos ampliam as funções naturais do corpo e, consequentemente, expandem as chances de entrega e de interação das marcas com seus clientes. Cabe às companhias eleger os canais mais relevantes e adequar o formato e funcionalidade da plataforma para cada ponto de contato. “No ano 2000, gerenciar bem a área digital se restringia a ter um bom website. Com a união dos mundos on e off, o trabalho ficou mais complexo, porque não adianta querer replicar o mesmo formato em todos os canais. Cada um deles exige uma adaptação. Não adianta ter um aplicativo, por exemplo, que não faça mais que um site”, diz Ricardo Longo.

A presença digital de uma marca deve estar adaptada também para os sistemas operacionais, como o iOS e o Android, além de precisar levar em consideração os diferentes formatos de equipamentos e os momentos de acesso do consumidor. Fora todo esse aspecto técnico, o conteúdo merece atenção especial. É ele que fará a companhia vencer na disputa pela atenção dos internautas. Já não é mais suficiente apenas estar visível, presente na web. “Ter um canal no YouTube vazio é pior do que não ter. À companhia, basta estar nos canais que fazem sentido para ela e suprir as expectativas neles. Nenhum dos pontos de contato pode ser estático. A internet exige dinamismo, vida. O trabalho só tende a crescer, quanto mais canais surgirem”, diz o Diretor.

O desafio não para na produção do conteúdo. Estende-se também para a maneira como ele será oferecido ao consumidor. Em vez de aguardarem que seus clientes interajam com as publicações ou os produtos, as marcas é que assumem o papel de se aproximarem ativamente deles. Isso pode acontecer, por exemplo, por meio do uso da tecnologia de geolocalização em uma loja, permitindo direcionar mensagens relacionadas a ofertas e promoções a consumidores que estejam em determinada seção. Esse mesmo recurso pode funcionar para atrair alguém que passeia no corredor de um shopping para dentro do ponto de venda. “O smartphone em si não é mobile, as pessoas é que são. Elas estão em constante movimento e sempre com um celular a poucos centímetros de si”, comenta Ricardo Longo.

M-commerce vai além dos dispositivos móveis
Ao contrário do que o nome indica, o m-commerce não se restringe ao ato de comprar em uma loja virtual por meio de um dispositivo móvel. A prática vai além e está muito mais ligada a uma releitura do varejo físico. As lojas nos moldes tradicionais sempre exigiram dos frequentadores que se deslocassem até seu endereço e procurassem manualmente entre as gôndolas e araras os produtos que mais lhes interessassem.

O mobile-commerce funde a experiência física do ponto de venda com as praticidades do online. Não existem mais fronteiras entre um mundo e o outro. No início dos anos 2000, para acessar a internet era necessário ir até um computador ligado à uma conexão discada e se sentar. Hoje em dia, não conseguimos mais determinar se a pessoa está em uma atividade online ou offline. “Mesmo durante uma compra física os consumidores consultam preços, atributos do produto e outras lojas por meio do smartphone”, avalia o Diretor.

A C&A disponibilizou araras que permitiam que o cliente curtisse a peça exposta e a compartilhasse, simultaneamente, em sua rede social. Já os supermercados Pão de Açúcar e Zona Sul expuseram gôndolas virtuais em shoppings e estações de metrô. Todas estas ferramentas tentam dialogar de forma mais próxima com este consumidor conectado. Logo, o varejo tradicional deve incluir QR Codes com informações detalhadas de produtos e até mesmo estoques virtuais que permitam ao consumidor finalizar a compra de um produto que esteja em falta e recebê-lo em casa.

Cada vez mais as empresas precisarão entregar além do sua oferta, conteúdos relevantes para o consumidor. O grande desafio é lidar com pessoas que se acostumaram à gratuidade de downloads que passaram a substituir serviços e produtos que antes eram pagos. É o caso do GPS, que custava cerca de R$ 300,00 e, rapidamente, foi substituído por aplicativos grátis. Os aparelhos de DVD e de videogame seguem o mesmo caminho, ao serem trocados por jogos e filmes salvos em arquivos, assim como as ligações internacionais, que agora podem ser feitas por meio de programas como Skype e Viber. “As empresas se perguntam como precificar para quem já se acostumou a não pagar. Só existe um caminho: criar valor. No futuro, todas as empresas devem se reinventar como software”, diz Ricardo Longo.

Por Luisa Medeiros, do Mundo do Marketing | 22/08/2014

http://www.mundodomarketing.com.br/reportagens/digital/31494/fusao-entre-o-on-e-o-offline-ainda-desafia-marcas.html?

P&G expõe produtos em vending machines instaladas em aeroportos

A P&G instalou vending machines com alguns de seus produtos de higiene pessoal em aeroportos brasileiros. As máquinas estão funcionando em um projeto piloto no Santos Dumont (RJ), em Confins (MG) e em Recife (PE). O objetivo da marca foi aproveitar a movimentação do turismo promovido pela Copa do Mundo para realizar vendas, oferecendo conveniência para quem estava em trânsito, e apresentar aos consumidores os produtos da P&G.

Os itens ofertados nos equipamentos foram selecionados pensando nos viajantes. Eles encontram no local absorventes Always e Tampax, lâminas femininas e masculinas, desodorantes e espuma de barbear Gillette, desodorante Old Spice, shampoo, condicionador e ampolas Pantene, shampoo head&shoulders, escovas, fios dentais e pastas de dente Oral-B, toalhinhas umedecidas Pampers, pilhas Duracell e Tide to Go – um removedor instantâneo de manchas das roupas.

Na vending machine do Aeroporto Santos Dumont, os toalhas umedecidas custam R$ 14,00, os absorventes Always, R$ 6,00 e os desodorantes, entre R$ 8,00 e R$ 10,00. A companhia não revela o volume de vendas nas máquinas.

P&G, vending machine

Por Renata Leite, do Mundo do Marketing | 21/08/2014

http://www.mundodomarketing.com.br/ultimas-noticias/31496/p-g-expoe-produtos-em-vending-machines-instaladas-em-aeroportos.html?