Com a boca cheia

O setor de alimentação fora do lar, também conhecido com Foodservice, tem crescido sua participação no conjunto do consumo de alimentos em todo mundo. No Brasil esse segmento representava 24,1% dos dispêndios com alimentos em 2002 e em 2013, estima-se que tenha chegado a 32,9% como resultado das profundas e amplas mudanças que ocorreram, onde se destacam o aumento da participação da mulher no mercado de trabalho e o forte crescimento da participação das classes B2C no consumo.

Depois de ter sofrido forte impacto nos Estados Unidos durante a crise recente o segmento de alimentos e bebidas fora do lar apresenta tendência de crescimento mais forte que o varejo, sendo previsto que possa evoluir 3,5% nominais em 2014, o que é uma forte expansão considerando a maturidade e o tamanho desse mercado e que, por essas projeções deverá se aproximar do valor de US$ 992 bilhões em 2018.

No maior mercado global acontece nesta semana o maior evento do setor, em Chicago, ocupando totalmente o McCormickPlace, principal centro de eventos dos Estados Unidos, reunindo fornecedores e operadores do setor, apresentando lançamentos e novos conceitos, serviços e produtos, com uma estimativa de 60 mil visitantes de todo o mundo nesses quatro dias.

Paralelo à feira que envolve produtos, serviços, instalações, equipamentos e soluções, são discutidos novos conceitos e tendências que irão orientar o planejamento das empresas dos principais mercados.

Entre os tópicos apresentados foram mostradas as tendências que envolvem os novos formatos de lojas de alimentação, sendo destacada a forte expansão do segmento de Fast Casual, de redes como Five Guys ou Chipotle que, entre as dez empresas que mais crescem em Foodservice nos Estados Unidos, sete delas operam com este conceito. Da mesma forma como foi debatida a busca da reação dos operadores de supermercados e supercenters, como WholeFoods, Wegmans e outros que reveem suas operações e incorporam novas categorias na busca por alternativas para não perderem market-shares em alimentos para as redes de Foodservice.

No Brasil o forte crescimento do consumo nos últimos anos fez acelerar a expansão das redes que já operavam no país e estimulou muitas outras a olharem para o mercado em busca de oportunidades e o que temos tido e uma ampliação significativa de marcas, lojas e conceitos gerando muito mais alternativas para os consumidores.

Isso explica a recente vinda de empresas como PF Chang, Chili’s, RedLobster, Carls Jr, Benihana, Longhorn, Cold Stone e a chegada prevista da CheesecakeFactory e do Eataly que, coincidentemente, inaugurou sua loja em Chicago no último dezembro e tem sido a loja mais visitada, e elogiada, nesses dias em que a cidade está tomada por experts do setor.

Apesar do tamanho e maturidade do mercado norte-americano de Foodservice, o segmento no Brasil também vive profundas mudanças e transformações e isso foi medido e avaliado através de estudos que foram realizados por iniciativa do IFB – Instituto Food Service Brasil.

Nestes últimos meses foram disponibilizados, pela primeira vez, amplos estudos realizados em todo o país para buscar uma uniformização das informações disponíveis no mercado e que pudessem permitir um melhor conhecimento desse processo de transformação balizado pelas mudanças do comportamento dos consumidores.

A estrutura atual do mercado de alimentação fora do lar foi segmentada e mostrou que 33% dos operadores no Brasil são do segmento de Foodservice, enquanto que 20% são de Fast Casual, 11% são Padarias e os demais 36% são restaurantes Full Service. De todos esses apenas 5% oferecem a opção de atendimento via ecommerce, segmento que deverá crescer nos próximos anos.

Nesse estudo, foi também apurado que 41% dos consumidores brasileiros só se deslocam até 15 minutos para suas refeições fora do lar e que 82% só aceitam se deslocar até 30 minutos.

Um dado interessante permitiu comparar o ticket médio de R$14,39 pago pelo consumidor brasileiro que na relação direta em conversão de moedas se mostrou ser um dos mais baixos na amostra de onze países onde são feitos estudos similares, porém, quando convertido usando o critério PPP, de Paridade do Poder de Compra, mostrou ser o segundo mais alto, só perdendo para Alemanha, na mesma amostra de países.

O segmento de Foodservice teve e continuará tendo expansão mais forte do que o varejo tradicional, descontando o ecommerce, e o instrumental de análise, pesquisa, informação e monitoramento do desempenho está cada vez mais rico em alternativas, permitindo que essa gestão se faça de forma cada vez mais profissional e madura, desenhando uma nova e desafiadora realidade.

Momentum – 18/05/2014

Marcos Gouvêa de Souza (mgsouza@gsmd.com.br) diretor-geral da GS&MD – Gouvêa de Souza.

http://www.gsmd.com.br/pt/eventos/momentum/com-a-boca-cheia

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