Arquivo mensal: novembro 2013

Redes de moda ampliam formatos

Grandes redes varejistas do setor de moda instaladas no Brasil estão com toda disposição para mudanças em seus modelos de negócio. As marcas C&A e Riachuelo são as que mais estão investindo em novos nichos e novos endereços – em áreas mais nobres de cidades como São Paulo e Rio. E garantem que as novidades nada tem a ver com a chegada de concorrentes de peso, caso da GAP e da Forever 21. A holandesa C&A, presente no Brasil há 37 anos, inaugura nesta sexta-feira sua primeira loja no bairro de Ipanema, no Rio, totalmente voltada para as mulheres. Afinal, elas respondem por 70% das vendas da rede. O foco da loja serão as coleções assinadas por estilistas conhecidos. A de Roberto Cavalli já está nas araras e, em breve, serão substituídas pelas as peças de Lenny Niemeyer.

“Depois da flagship no shopping Iguatemi, estamos abrindo no Rio uma loja voltada exclusivamente para o público feminino. Vimos uma oportunidade em um bairro importante da cidade, que permite uma operação desse tipo. Em geral, nossas lojas têm 2.300 metros quadrados e a de Ipanema é menor”, explica Elio França e Silva, diretor de Operações da C&A.

Ele diz que não está nos planos da empresa fazer uma sequência de lojas apenas para o público feminino. Mas, ao avaliar novos espaços para expansão e havendo uma oportunidade para esse filão, as lojas só para elas serão, sim, prioridade. O foco nas coleções vai levar em conta também o perfil da consumidora do bairro e da região em seu entorno. Elio afirma que hoje, a consumidora das classes A e B compra em redes de departamento quando encontra produtos de qualidade.

“Nossa negociação com fornecedores leva essa questão muito em conta. Para que possamos ser a preferência de clientes de todas as classes sociais, cuidamos das peças e investimos nas coleções assinadas. De 2009 até agora já foram 30 coleções”, destaca ele, enfatizando que os preços dos produtos serão semelhantes aos encontrados em outras lojas da rede.

Esse ano, a C&A abrirá mais 28 lojas no país, totalizando 268 filiais. Além do novo nicho, a empresa vem reformulando suas outras lojas, modernizando o layout das unidades e a divisão por segmentos: mulher, homem, infantil e acessórios. E tem buscado, com outros formatos , a entrada em cidades menores, com um mix reduzido de produtos. Empresa de capital fechado, a C&A não revela dados de faturamento e nem os investimentos feitos na abertura de novas unidades ou na reforma das já existentes.

Marcella Kanner, gerente de marketing da Riachuelo, faz coro com Elio e afirma que, cada vez mais, as redes de varejo buscam novos nichos para ficar mais perto do consumidor. No dia 28, a marca abre uma loja conceito na Rua Oscar Freire, em São Paulo.

“A loja da Oscar Freire era uma cobrança das clientes da região. As consumidoras das classes A e B estão hoje no Brasil muito mais receptivas ao fast fashion, sem dúvida. Algo que não acontecia há dez anos, quando muitas dessas clientes ainda torciam o nariz para os magazines. As redes estão investindo mais em moda, e em informação de moda. Isso atrai os consumidores”, diz ela.

A filial da Oscar Freire é resultado de um investimento de R$ 7 milhões pela varejista. E, segundo Marcella, será a maior loja da região, com 1.200 metros quadrados, com um café para a pausa entre as compras. Lá, todas as marcas premium da rede estarão reunidas em três andares. A próxima grande loja da rede será aberta na Avenida Paulista, no primeiro semestre do ano que vem. Depois disso, o próximo passo é encontrar um ponto de venda semelhante, dessa vez no Rio de Janeiro. “Tem sido uma tarefa mais difícil, mas a procura continua. É claro que uma loja em Ipanema ou no Leblon é o ideal. São os bairros desejados”, diz ela.

Também pensando em formatos menores para garantir o processo de expansão, a Riachuelo criou o Riachuelo Mulher. Marcella destaca que a loja é uma nova proposta para assegurar o projeto da rede de abertura de pelo menos 40 lojas por ano e chegar a 330 unidades até 2016. Atualmente, são 187.

O último balanço da empresa, com os resultados do terceiro trimestre deste ano, aponta alta de 18,9% na receita ante o mesmo período do ano passado, chegando a R$ 1,3 bilhão. A aposta da marca para dar impulso aos seus projetos é a manutenção dos níveis de emprego e da renda da população.

Fonte: Brasil Econômico 23/11/13

http://www.gsmd.com.br/pt/noticias/mercado-consumo/redes-de-moda-ampliam-formatos

O desafio dos grandes formatos – Parte 2

No segmento de alimentos o cenário está desenhado para os grandes formatos: em mercados maduros o quadro é cada vez mais complicado pelas mudanças dos hábitos e atitudes dos consumidores e nos mercados emergentes os hipers e supercenters cumprem seu papel de oferecer tudo num só local e de forma muito promocional, encantando os consumidores com seu recém-adquirido poder de compra.

Em todos os mercados esses formatos enfrentam os desafios da expansão da alimentação fora do lar e do avanço das soluções híbridas de internet e ponto de coleta de produtos. Esse poderia ser o “resumo da síntese” das discussões trazidas no artigo anterior sobre os desafios dos grandes formatos em alimentação.

Em outras categorias a situação é diferente e os maiores concorrentes, de forma geral, são os canais digitais e a conveniência com as alternativas que oferecem, aliadas a uma crescente flexibilidade na avaliação de produtos, preços e promoções.

O resultado desse cenário é uma crescente junto com a irreversível pressão sobre a rentabilidade das operações de varejo, enfrentada pelo foco obsessivo na melhoria da eficiência e produtividade por parte de varejistas e seus fornecedores.

Esse cenário em algumas categorias, como informática, livros,  eletrodomésticos e eletrônicos, já tirou do mercado marcas que foram em algum momento ícones com sua proposta de oferecer tudo num só lugar, como B. Dalton, Borders, CompUSA e Circuit City. E Best Buy está sofrendo para se reinventar por conta do forte crescimento das vendas via ecommerce que afeta particularmente esse segmento de eletroeletrônicos.

Por ser uma categoria de produtos quase que commodities em sua concepção, diretamente comparáveis entre si em suas especificações e condições, o canal digital se mostra particularmente interessante para o consumidor que pode comparar diretamente ofertas e produtos e optar por aquela marca, site ou loja que ofereça o melhor binômio preço-valor. Esse processo enseja uma mudança estrutural nessa categoria, que se agrava com o movimento de algumas marcas, como recurso extremo, criando canais exclusivos, via lojas ou internet, próprias ou através de franquias, como é o caso global de Samsung, Sony, Bosch, Electrolux ou a icônica Apple.

No setor de moda e vestuário o quadro não tem sido muito diferente, afetando principalmente as lojas de departamentos que tentam há muitos anos se reinventar e com pouco ou relativo sucesso. A perda de mercado desses formatos nos EUA é absolutamente consistente nos últimos vinte anos tanto assim que em muitos casos partiram para a busca de formatos mais compactos, como foi o caso da Bloomingdale’s ou Macy’s nos EUA e Selfridges na Inglaterra.

Em países como França, Itália, Espanha, Inglaterra, China, Índia, Japão, Singapura, Chile, México ou Austrália, o formato ainda mantém sua atração, mas enfrenta crescente concorrência de novos conceitos derivados do Fast Fashion, como Zara, H&M, Forever 21, Uniqlo e outros mais.

No Brasil as lojas tradicionais de departamentos, como Mappin e Mesbla, sucumbiram por conta de sua incapacidade de se reinventarem, agravada pelos problemas de gestão e governança e foram substituídas pelos formatos orientados para moda.

As maiores empresas do setor, C&A, Riachuelo, Marisa e Renner, tiveram a competência de desenvolver formatos híbridos que incorporaram elementos do Fast Fashion, porém adequados às características locais do mercado, que exigiram extrema capacidade para atuar de forma agressiva no crédito, o que tornou o Brasil um exportador desse modelo para outros mercados emergentes.

No presente essas redes têm dedicado crescente atenção ao desenvolvimento de formatos mais compactos e flexíveis que permita manter o ritmo de crescimento e estarem presentes em regiões com potencial em crescimento que não justificariam uma loja convencional, além de desenvolverem alternativas focadas em categorias, como é o caso da Marisa com roupa íntima, Renner com jeans e como C&A ensaiou no passado.

No segmento de materiais para construção o problema global não tem a mesma magnitude das outras categorias uma vez que a demanda por tudo num só local, quando existe a demanda concentrada por conta de uma reforma ou construção, é uma real demanda dos consumidores. Ainda assim, existe uma tendência de desenvolvimento de formatos mais compactos e focados, viabilizando visitas mais rápidas por consumidores que cada vez têm menos tempo.

Por conta disso, empresas como Home Depot ou Lowes nos Estados Unidos ou Saint Gobain e Adeo, controlador da Leroy Merlin na Europa, operam formatos mais compactos visando atender demandas mais específicas e focadas, em alguns casos usando suas próprias marcas principais ou através de outras marcas, caracterizando a diferença de conceitos.

Na realidade brasileira esse setor tem entre os cinco maiores operadores quatro grupos internacionais e essas operações têm enfrentado um problema adicional na questão imobiliária por conta da valorização nos últimos anos e a disputa de áreas com shopping centers, hospitais e projetos multiuso que indicariam a necessidade de acelerar o desenvolvimento de alternativas mais compactas, em especial se integradas com uso do ecommerce, um tema ainda distante das alternativas estratégicas dos principais operadores.

De forma geral deve ser considerado, em todos os segmentos, que o universo digital criou uma nova realidade que tenderá a acelerar a revisão de modelos e formatos que, naturalmente, já seriam passíveis de revisão e quanto mais rápido houver esse movimento estratégico pelas empresas, mais chances de continuar um player relevante no varejo micro-orientado.

Marcos Gouvêa de Souza, diretor-geral da GS&MD – Gouvêa de Souza.

http://www.gsmd.com.br/pt/eventos/momentum/o-desafio-dos-grandes-formatos-parte-2

Experiência do Consumidor

Desde há um bom tempo, muito se fala sobre a experiência do consumidor na hora da compra, mas pouco se aprofunda nesta questão. No Brasil, décadas atrás, experiência era oferecer uma loja bonita e bem arrumada para os poucos que podiam pagar muito por produtos ou uma loja minimamente organizada e com produtos baratos para a imensa maioria dos consumidores.

Hoje esta questão é muito mais complexa e não se remete pura e simplesmente ao status econômico. Para começar, quando se fala em consumidor é preciso considerar que este tem uma conexão através de diversos canais com as marcas e que a vivência em um pode ou não ser complementar a outro, ou ainda uma experiência inadequada em um canal pode comprometer todo o relacionamento com a marca.

Independentemente do canal utilizado, a experiência do consumidor se configura através de componentes racionais e outros emocionais. Dentre os racionais, podem ser destacados: a percepção de preço, as formas de pagamento, o produto em si no que tange à satisfação de suas necessidades, ao espaço físico no caso de uma loja, ou então à facilidade de navegação quando o canal considerado for digital e assim por diante. Normalmente estes quesitos respondem pelo cumprimento básico das obrigações e não podem ser desprezados sob pena de colocar em risco toda uma gama de atributos trabalhados de outra forma. Uma loja que apresenta constante ruptura de produtos compromete o seu posicionamento, por melhor que seja trabalhado. Uma loja que não cumpre prazos de entrega ajustados com o consumidor se distancia como uma das lojas possíveis para o consumidor. Este básico bem feito é fundamental.

Os atributos emocionais são aqueles que contribuirão especificamente para dois aspectos fundamentais: promover a diferenciação e gerar os efeitos mais relevantes desta experiência no canal de venda. É importante ressaltar que tudo se faz a partir dos aspectos racionais que são a ignição principal. A partir da existência da loja física ou então da loja digital é que tudo começa e que a experiência se consolida. Os aspectos emocionais vão incentivar no consumidor relações sensoriais que este terá com o ambiente físico do canal, com produtos, com reminiscências de marca, enfim com tudo o que diz respeito à satisfação de suas necessidades, sejam estas planejadas ou estimuladas.

O consumidor será convidado a explorar não apenas seus cinco sentidos como também exercitar toda a sua capacidade cerebral. A cada dia que passa crescem as oportunidades de utilizar os conhecimentos de neurologia e aplicá-los aos fundamentos do marketing moderno. A experiência deve considerar o que o consumidor vê, o que ele cheira, o que toca, o que ouve e até mesmo o que saboreia, tudo isto imerso em um caldeirão neural que irá por fim consolidar aquilo que passará a ser experiência de compra.

Parece simples colocar assim desta forma como se constrói a experiência de consumo, mas isto é algo extremamente difícil, face a tantas nuances e especificidades, e são poucas as marcas de produtos ou de varejo que conseguem propiciar algo relevante para o consumidor. Muitas vezes existe o equívoco de que é preciso ser sofisticado para oferecer uma experiência memorável ao consumidor e isto, definitivamente, não é verdade. As lojas da Apple, sinônimo de jornada memorável, apesar de primarem pelas suas localizações geográficas, resumem muita simplicidade na forma de apresentar seus produtos e interagir com os clientes.

Independentemente do tipo de experiência que pretende envolver o consumidor, o fundamental é que a marca, seja do produto, do serviço ou da loja mostre-se de forma natural, sem alterar suas propostas e posicionamento, além de dizer claramente ao consumidor que não evita esforços no sentido de fazer o melhor por ele.

Não existe experiência sem transparência. Não existe transparência sem uma proposta clara de valor. Não existe valor sem execução. Não existe execução sem planejamento. Tudo muito claro, mas tudo muito difícil.

Se a sua marca pretende empreender rumo a uma oferta de experiência significativa aos seus consumidores, prepare-se. Tem muito trabalho, muita cabeça para quebrar, alguns  inevitáveis erros para acumular a com eles aprender, além da necessidade de inovar constantemente, pois uma das poucas certezas é que a experiência, normalmente, tem prazo de validade.

Luiz Goes , sócio sênior de Inteligência de Mercado da GS&MD – Gouvêa de Souza. 14/11/13

http://www.gsmd.com.br/pt/eventos/de-olho-na-pesquisa/experiencia-do-consumidor

O cliente tem sempre razão

A velha máxima que há anos aparece em plaquinhas nas paredes de muitos PDVs pelo país nunca foi tão verdadeira: os clientes têm sempre razão. A cada dia, os consumidores se tornam mais exigentes e, para ter sucesso, as marcas têm de manter a centricidade neles.

A relação do consumidor com o ponto de venda já não é a mesma e, por isso, dar razão ao cliente também é diferente. As tendências do novo varejo foram apontadas, recentemente, pela PSFK Labs na quarta edição do relatório O Futuro do Varejo. O documento mostra que marcas e varejistas devem corresponder a quatro principais expectativas: conveniência, reconhecimento, serviço e imediatismo.

Também foram levantadas algumas estratégias para atender a esta nova realidade do consumidor, que se relaciona com marcas e varejistas em diversos canais. É importante entender os vários pontos de contato como oportunidades para se relacionar e oferecer suporte, conveniência e familiaridade aos consumidores. Não importa como o cliente chegou: pelo site, pela loja, pela assistência técnica ou pelo serviço de atendimento. Ele tem de ser bem tratado porque tudo é visto como relacionamento.

Outra dica do relatório é usar a tecnologia a favor da empresa. Os dados dos clientes devem não apenas ser usados para pular etapas do processo de compra e, assim, agilizá-lo, mas também para humanizar mais o contato, além de personalizar a experiência de compra. Ao saber quem é o cliente e quais são seus costumes, o varejista tem de se antecipar aos desejos.

O desafio das empresas é saber como fazer a entrega das suas histórias e experiências neste novo cenário. O tratamento personalizado para que cada um se sinta especial no relacionamento com a marca é uma das exigências do público atual.

As pessoas procuram soluções simples, mas não simplistas, para seus problemas. Elas querem que seus anseios sejam aplacados como em um passe de mágica, mas com resultados satisfatórios. E descobrir como a marca é vista pelo cliente é essencial para conseguir suprir as expectativas do público alvo.

A primeira preocupação das empresas está em conhecer a fundo esse consumidor que visita esse novo PDV. Hoje a loja é mais um showroom do que um lugar para fazer compras e precisa ter como meta manter o cliente no centro de tudo.

Para ajudar nesta tarefa, o GAD’ usa o BrandView, uma ferramenta própria desenvolvida para mapeamento da performance das marcas em dimensões estratégicas, considerando os eixos da história e da experiência. Uma marca com histórias fortes e experiências relevantes se torna uma lenda. O objetivo da ferramenta é gerar insights sobre qual caminho deve ser tomado para corrigir eventuais ruídos no posicionamento das marcas.

Em um mundo onde o omnichannel é uma realidade, o BrandView inspira a repensar o varejo como ele se apresenta muitas vezes ainda hoje. As empresas precisam criar um cenário no qual a história e a experiência se conectam. Há a necessidade de usar um novo design de espaço que possa fundir o virtual e o real. Não adianta apenas ter uma loja bonita, é preciso entregar conveniência, reconhecimento e facilidade.

A máxima é velha, mas o olhar é novo e atender suas expectativas é um desafio ainda maior. Os clientes como sempre continuam tendo razão, mas agora com mais argumento, propriedade e informação.

 

 

O BrandView analisa as marcas levando em conta o poder de experiência e de história de cada uma e, a partir daí, as classifica como Irrelevantes, Mestres em Experiência, Storytellers ou, o que todas almejam ser, Lendas.

 

Leonardo Koboldt de Araujo (leonardo@gad.com.br) é sócio do GAD e diretor do Gad’Retail. Graduado em Arquitetura e Urbanismo, possui mais de 30 anos de experiência na gestão de design de ambientes comerciais, design de produtos, na criação, planejamento e desenvolvimento de espaços e experiências para importantes marcas nacionais e internacionais.

08/11/2013

http://www.gsmd.com.br/pt/eventos/redesign/o-cliente-tem-sempre-razao

O desafio dos grandes formatos – Parte 1

O tema é recorrente e continuará a ser, pois a realidade se transforma a cada momento e cria novos e maiores desafios para os grandes formatos de lojas, em todos os setores e nos diversos mercados do mundo.

A começar pelo mercado europeu, onde o hipermercado foi inventado pelo Carrefour na França há mais de 50 anos e sua participação no varejo vem gradativamente se reduzindo, apesar dos esforços de reinvenção do conceito que teve seu projeto mais ambicioso feito pelo próprio Carrefour com sua proposta Planet, recentemente abortada em sua expansão pelo atual CEO, Georges Plassat.

Na própria França o Casino vem tentando revitalizar sua operação Geant por meio de uma agressiva estratégia de preços enfrentando os bens posicionados Auchan e, principalmente, E.Leclerc, Systeme U e outros.  Mas nos diversos países desenvolvidos da Europa, inclusos Espanha, Itália, Inglaterra e demais, a questão se repete e a dúvida permanece: existe espaço para a continuidade do negócio dos hipers em mercados maduros e competitivos?

A questão central no desafio dos grandes formatos de alimentos, na Europa e em outros países ou regiões desenvolvidas, está na mudança de comportamento de consumidores, mais maduros e demandando maior conveniência que, crescentemente, veem os hipers e seus similares norte-americanos, os supercenters, como inconvenientes em tempos de busca crescente por facilidade, menor tempo, menos stress, mais adaptabilidade a uma vida por si só mais estressada. Em especial nos grandes centros urbanos no qual o trânsito cria ainda mais contingências.

E por conta disso, o surgimento de novos formatos, em especial os “drives” – híbrido de operação ativada pela internet e concluída num ponto de coleta de produtos, que pode ser até o anexo de uma loja tradicional – criaram uma nova realidade omnichannel, com mais de 2300 lojas na França e que se mostram mais rentáveis do que outras operações, em parte porque na composição de suas vendas as marcas próprias representam 23% dos SKUs disponíveis e 43% da venda.

Essa situação é absolutamente distinta em mercados emergentes onde os hipers e supercenters são vistos como verdadeiros templos de consumo por conta de sua oferta variada e imagem altamente promocional que enfeitiçam os novos consumidores com acesso a essa realidade recém-adquirida. Nas regiões emergentes do Brasil e de outros países latino-americanos ou na Rússia, Índia, China, Indonésia, Tailândia e outros tantos mercados, a afluência de público e o deslumbramento com a oferta e as promoções são o maior fator de atratividade e sucesso.

À medida que o mercado cresce, amadurece e se transforma, outros formatos mais convenientes, que impliquem menor deslocamento e compras mais parcimoniosas, passam a crescer em preferência. Em especial quando se desenvolve a questão dos multicanais, com seleção de canais e formatos múltiplos de forma complementar de acordo com a categoria considerada, os produtos e o momento e as circunstâncias das compras.

Mas essa realidade está e será cada vez mais impactada pelo crescimento irreversível da alimentação fora do lar no conjunto dos negócios em alimentos, que em mercados mais maduros, incluindo as regiões mais desenvolvidas do Brasil chega próximo a 50% do total de gastos nessa área.

 Por conta disso, as redes de super e hipers em países mais maduros e desenvolvidos já estão começando a operar no setor de restaurantes e outros formatos entendendo que se desenha uma transformação estratégica e estrutural que pede uma revisão da mesma magnitude.

Mas esta é apenas a realidade do setor alimentar, aquele que em todos os mercados é o que maior participação tem nos dispêndios familiares. Em outras categorias como vestuário, esportes, material de construção ou outros bens duráveis temos o desenho de outras realidades, igualmente desafiadoras, que serão o tema da próxima semana.

Marcos Gouvêa de Souza diretor-geral da GS&MD – Gouvêa de Souza.

11/11/2013

http://www.gsmd.com.br/pt/eventos/momentum/o-desafio-dos-grandes-formatos-parte-1

Showrooming: tudo indica que o bicho não é tão feio quanto parece

Há uns dois anos o ICSC – International Council of Shopping Centers aderiu ao coro formado por grandes varejistas, como Target e Best Buy, contra o comportamento de consumo apelidado de showrooming. Quer refrescar a memória?

Então vamos lá.

 

Estamos falando do movimento criado por consumidores que entram em uma loja física, testam os produtos e tiram dúvidas com o vendedor, antes de sacar do bolso um smartphone e checar os preços daqueles mesmos artigos em sites da internet, comprando online quando os preços são mais vantajosos. Para os shopping centers o fenômeno é preocupante, porque em teoria transfere vendas das lojas de tijolo e cimento para o comércio eletrônico, afetando diretamente as suas receitas.

O cenário tem ficado mais complicado nos últimos tempos porque o problema já não se restringe aos consumidores. Para piorar a situação, parte do varejo tradicional desistiu de lutar contra o showrooming e resolveu abraçar a ideia, convencido de que os ventos sopram mesmo na direção dos que apostam na estratégia omnichannel (uso combinado de vários canais). Para se ter uma ideia, este ano em sua campanha de Natal, a Best Buy posiciona suas lojas como ‘The Ultimate Holiday Showroom’ (algo como ‘O showroom definitivo de Natal’). Como você pode perceber, a Best Buy resolveu aderir à tese do‘se não pode vencê-los junte-se a eles’. Não é incrível?

É verdade que nem todos os varejistas embarcaram nessa. Marcas como a Williams-Sonoma, por exemplo, ainda procuram combater o showrooming por meio de produtos exclusivos, seja de marca própria ou de fabricantes conceituados, e também com a promoção de aulas e demonstrações de produto dentro das lojas. Isso tudo, claro, temperado pela política de price match, ou seja, cobrindo os preços praticados pelo e-commerce.

Porém, nem todas as notícias recentes são ruins para os shopping centers. A melhor delas veio de uma pesquisa da Columbia Business School, que depois de entrevistar 3 mil pessoas em três países diferentes, concluiu que apenas 6% dos consumidores que usam seus celulares dentro de uma loja possuem o firme propósito de completar a compra pela internet. Descobriu ainda que cerca da metade dos pesquisados faz comparação de preços e que muitos se limitam a utilizar o aparelho para obter mais informações sobre o produto, ler avaliações de outros consumidores e muitas vezes navegar no site da própria loja onde estão. A pesquisa mostra ainda que o showrooming é alimentado por preços baixos e promoções online. Já o que desequilibra a balança para o lado das lojas físicas são fatores relacionados à gratificação instantânea: vontade de levar o produto na hora, falta de paciência para esperar a entrega online e a conveniência de comprar na loja física.

A conclusão do estudo é de que o showrooming, no final das contas, não é um bicho tão feio assim. E que a natureza imediatista das pessoas, aliada ao prazer de fazer compras em lojas de verdade, ainda são poderosos aliados de lojas e shoppings. Apesar disso, não custa nada ficar atento, manter a guarda e seguir os passos da cartilha anti-showrooming: investir em bom atendimento e em experiências diferenciadas, de preferência baseadas em entretenimento, educação ou estética. Afinal, prevenir é sempre melhor do que remediar, não é mesmo? 😉

 

Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da GS&BW.

05 Nov 2013 – http://www.gsmd.com.br/pt/eventos/shopping-centers/showrooming-tudo-indica-que-o-bicho-nao-e-tao-feio-quanto-parece