Arquivo mensal: outubro 2011

Suspensão do CDC na Copa é bola fora para o consumidor

 Fifa pediu ao governo brasileiro que, durante o período de realização da Copa do Mundo no país, em 2014, suspendesse o Código de Defesa do Consumidor, o Estatuto do Idoso e o Estatuto do Torcedor. A ideia da entidade que organiza o Mundial de futebol era ter liberdade absoluta para decidir o preço dos ingressos, não disponibilizar meia entrada para idosos e estudantes e não ter que eventualmente indenizar consumidores por eventos cancelados ou adiados. O pedido aconteceu dentro do contexto de debate para a formatação do projeto da Lei Geral da Copa.

Retrocesso para os direitos do consumidor, suspensão do CDC agride as leis brasileiras.Retrocesso para os direitos do consumidor, suspensão do CDC agride as leis brasileiras.O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) enviou carta à presidente da República, Dilma Rousseff, ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso e ao ministro dos Esportes, Orlando Silva Junior, a respeito do envio do projeto que prevê restrição de direitos sociais, especialmente de direitos dos consumidores, em virtude da realização da Copa do Mundo de 2014, sediada no Brasil.

As últimas declarações públicas do Governo apontam para o afastamento de direitos historicamente conquistados, como o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003), o Estatuto de Defesa do Torcedor (Lei 10.671-2003), as leis estaduais de meia-entrada para estudantes e, especialmente, o Código de Defesa do Consumidor (CDC – Lei 8.078/90) durante o ano de realização da Copa. Segundo o Idec, a  tentativa de “invalidação” do CDC é ainda mais preocupante, pois se dá através do próprio texto do PL 2.330/11, enviado ao Congresso no mês de setembro.

Estatuto do Idoso eleis estaduais de meia entrada são principais alvo da FIFA.Estatuto do Idoso eleis estaduais de meia entrada são principais alvo da FIFA.Retrocesso no direito do consumidor

O especialista em direito do consumidor, Bernard Netto, acredita que sancionar tal pedido seria, com efeito, um regresso do Estado Democrático de Direito; uma afronta aos princípios da Ordem Constitucional.
“Há opiniões de todos os lados acerca do proveito econômico e financeiro que a Copa trará ao país. Não é ocasião para analisarmos este embate. Todavia, é importante lembrar que, ainda que o Brasil tenha manifestado interesse em sediar a Copa, foi a FIFA quem qualificou e escolheu o país para a realização do evento”, diz.

Segundo o especialista, o pedido da FIFA vai contra os preceitos mais fundamentais do Direito brasileiro, tais como:

Soberania Nacional – De forma singela, é a condição de liberdade alcançada pelo país em relação a outros países ou a poderes internos. Significa que na área geográfica pertencente ao Brasil quem manda é o Brasil, por meio de seus Poderes constituídos (Legislativo, Executivo e Judiciário), e ninguém mais. A principal forma de manifestação da Soberania é a formulação, adoção e manutenção de um conjunto de regras próprio – um Direito próprio. Ora, como dito, foi a FIFA que escolheu o Brasil para aqui sediar o campeonato. O CDC é lei com vigência há mais de 20 anos. Não se pode admitir que uma lei de tal importância tenha passado despercebida. Assim, dados os investimentos que têm sido realizados em preparação para a Copa, um “pedido” como o agora formulado pela organizadora do evento é muito mais do que uma simples solicitação: apresenta-se quase como uma condição. Fere, portanto, a soberania nacional ao pretender adequar o Direito nacional aos seus particulares interesses. É, na verdade, uma tentativa de negociar com algo inegociável.

Segurança Jurídica – É o princípio que determina que as regras perduram no tempo. Assim, uma lei, via de regra, continuará vigendo por prazo indeterminado – até que outra lei a revogue. Cientes deste princípio as pessoas formam a justa expectativa de que as relações jurídicas continuarão amparadas pelo Direito. Suspender a vigência de uma lei, durante um determinado período, é, pois, total desconsideração a este princípio. Lembra, sem dúvidas, os períodos de exceção da ditadura. Ademais, a defesa do consumidor é uma das garantias fundamentais, o que significa que nada (emenda constituicional, lei, decreto, medida provisória, etc), durante a vigência da atual Constituição, poderá abolí-la.

Igualdade – É curioso pensar como se daria esta requerida “suspensão”. Seria uma lei dizendo “a FIFA não se aplica as regras de proteção ao consumidor”? Se fosse assim, já começaria errado. A lei deve ser direcionada a toda coletividade; deve ser impessoal. Não se pode aceitar uma lei que exclua uma pessoa específica da necessidade de obedecer a uma obrigação que a todos é comum. Seria desigual. Por outro lado, caso a lei fosse ampla (“durante o período da Copa não se aplica o CDC”), estaria instalado o caos no Brasil. Toda e qualquer relação de consumo estaria sem um Direito a lhe amparar. Restaurantes, hotéis, crianças na escola, nos hospitais, parques de diversão, supermercados, farmácias… Todos agindo sem qualquer regra! Um colapso.

Aprovação de medida pode significar caos nas relações de consumo.Aprovação de medida pode significar caos nas relações de consumo.Para o advogado, a requerida “suspensão” do CDC não encontra qualquer condição de ser aceita de modo harmônico pelo Direito brasileiro. “Porém, acostumados que estamos com as decisões sem fundamentos e que, nitidamente, destinam-se a satisfação de minorias interessadas, não seria surpreendente que se concretizasse a edição de uma norma neste sentido. Impossível é só o que ainda não foi feito e no Direito nacional há muito pouco que ainda não tenha sido feito”, conclui.

As informações do Idec também apontam que o projeto elenca dispositivos que conflitam diretamente com direitos, garantias e princípios expressamente previstos no CDC. “Sua aprovação, portanto, além de levar a uma norma com significativo potencial de inconstitucionalidade, extrapola a própria lógica de preservação da ética e da boa-fé nas relações de consumo”, complementa Guilherme Varella, advogado do Idec.

De acordo com o órgão, o projeto tal como se encontra, e os recentes apontamentos do Governo Federal sobre a possível flexibilização de direitos sociais para atender à excepcionalidade da Copa significam um retrocesso na defesa dos consumidores brasileiros, há mais de 20 anos protegidos pelo Código de Defesa do Consumidor.

Se isso acontecer, talvez aí esteja a grande herança da Copa ao povo brasileiro: uma infindável quantidade de ações judiciais a serem propostas para abarrotar ainda mais as prateleiras do Judiciário.
http://consumidormoderno.uol.com.br/cdc-codigo-de-defesa-do-consumidor/suspens-o-do-cdc-durante-a-copa-e-bola-fora-para-o-consumidor

5 brasileiras estão entre marcas mais engajadas no Facebook

O site All Facebook divulgou um levantamento da Fangager com as 100 marcas que possuem os fãs mais engajados no Facebook. No topo do ranking aparece a Sony Ericsson, que tem 5,7 milhões de pessoas atreladas à sua fan page, das quais 105,2 mil são ativas.

O top 5 é completado por Walmart (9,2 milhões de fãs; 99,7 mil ativos), Red Bull (22,3 mi e 85,4 mil), Disney (28,5 mi e 83,8 mil) e Pepsi (5,8 mi e 79,1 mil).

Cinco marcas brasileiras estão presentes na lista, sendo que a melhor posicionada é a L’Oréal Paris Brasil, que aparece em sétimo lugar com 1 milhão de fãs, dos quais são 72,8 ativos.

Também aparecem a TIM, na 25ª posição com 579,2 mil fãns (12,6 mil ativos); Itaú, na 35ª (81,8 mil fãs, 6,9 mil ativos); Bradesco, na 69ª (8,3 mil e 437); e Petrobras, na última posição com 2,8 mil fãs, mas nenhum ativo.

* Com informações do AdNews

http://consumidormoderno.uol.com.br/consumidor-2-0/5-brasileiras-est-o-entre-marcas-mais-engajadas-no-facebook

Marcas devem contar histórias no PDV para atrair clientes

Contar histórias nos pontos de venda para envolver os consumidores. Esse é o caminho que vem sendo utilizado por marcas em todo o mundo para destacar suas lojas físicas em um cenário cada vez mais competitivo, especialmente com o crescimento do varejo eletrônico. Na busca por encantar o shopper, o design tem um papel fundamental e permite aguçar todos os sentidos, muito além da visão, criando sensações de bem estar.

“A internet torna o varejo mais competitivo. Por que ir até a loja? Ela precisa criticamente inovar mais do que antes, trazer um diferencial e criar uma relação. O design deve atrair mais”, diz Nelly Sitbon, sócia da agência francesa Chasseurs d’Influences, especializada em desenvolvimento de imagem, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Em Lyon, uma das maiores cidades da França e que atrai grande número de turistas, a Câmara de Comércio realiza um concurso anual, chamado Lyon Shop & Design, que premia as cinco lojas locais que unem da melhor maneira o visual ao comércio, com o objetivo de aquecer o mercado e embelezar as ruas. Este ano, os vencedores escolhidos mostraram decoração inovadora e técnicas de sucesso para atrair shoppers.

Fábrica de chocolate
A chocolateria Chokola, por exemplo, trouxe como novidade uma ambientação completamente baseada em uma fábrica de chocolate (foto) e acabou virando uma espécie de atração turística local, proporcionando uma real experiência ao comprador. Até os canos no teto são feitos de materiais que parecem levar o produto por toda a loja, além da presença de uma cascata de chocolate.

O ateliê de produção é completamente aberto e funcionários explicam o processo por meio de uma abordagem lúdica. Uma estante feita de tabletes de chocolate também decora a loja, além de um balcão que mostra as criações antigas e renomadas da empresa dentro de ampolas de vidro, como os marshmallows e caramelos vintage.

“Uma das estratégias mais importantes é realmente contar a história da marca por meio do design da loja, pode ser pela decoração ou pela disposição de produtos antigos e notáveis. O shopper tem que ser levado a entrar na identidade da empresa, estando tudo disposto com coerência”, diz Nelly, que veio ao país para participar do Sim Varejo – Seminário Internacional do Marketing no Varejo, promovido pelo Popai Brasil, em São Paulo, entre os dias 4 e 5.

Tradução da identidade da marca
Os lemas e valores, ou aquela característica única da empresa, que ela quer reforçar, devem estar presentes em forma de design no ponto de venda. “A identidade da marca precisa estar muito clara na loja, e também em todas as formas de apresentação”, diz Nelly.

Um exemplo de marca que fez isso no Brasil foi a Asics, que recentemente inaugurou uma loja conceito em São Paulo, com a decoração das vitrines seguindo o visual das peças gráficas dos tênis, conectadas ainda a um vídeo wall que mostra imagens dos produtos e explica suas características.

Outra loja que fez sucesso no concurso francês, graças à habilidade de traduzir seu conceito no ambiente, foi a Pas de Printemps pour Marnie. O nome da loja de sapatos (foto) é o título em francês do filme “Marnie”, de Hitchcock, e o visual da loja dá continuidade ao conceito já expresso no título. Da iluminação aos móveis do estabelecimento, o clima remete ao suspense e elegância típicos dos filmes do diretor inglês, com espaços monocromáticos e objetos dos anos 1950. “O ideal é definir um ponto chave para nortear o estilo de toda a ambientação da loja”, diz Nelly.

Experiência sensorial
Uma estratégia para se sobrepor à concorrência é utilizar meios que agradem a todos os sentidos do cliente, e não só o visual, no ponto de venda. “O design não é só para os olhos, mas também para o tato, a audição e todos os outros sentidos, que estimulados em conjunto criam um verdadeiro sentimento”, conta Nelly.

Algumas marcas brasileiras têm apostado no poder do Marketing olfativo para incrementar as vendas, oferecendo perfumes com o aroma característico da loja. A estratégia funciona mais para criar uma ambientação prazerosa para o shopper e estimular o bem estar dos consumidores. Este ano, a M&M’s, marca da Mars que costuma fazer ações ousadas de Marketing, criou uma megastore em Londres (foto) que pretende levar o ponto de venda a outro nível.

Lançada com o conceito “Sensações doces para fãs de chocolate”, o local tem o cheiro do produto no ar. O estabelecimento também brinca com o visitante em outros sentidos, com performances de animadores fantasiados das mascotes da marca e ações interativas, como um local onde os clientes podem criar seu próprio M&M’s customizado, escolhendo as cores e sabores. É preciso, é claro, saber o público-alvo e criar algo especial para ele, escolhendo entre técnicas intimistas e de relacionamento próximo ou usar a maior quantidade de atrativos possível.

Sinta-se em casa
Seguindo a ideia de competir com a praticidade das compras pela internet, algumas marcas também oferecem “mimos” para os consumidores em seus pontos de venda. É o caso do projeto Carrefour Planet, já inaugurado pela rede de hipermercados na França, Espanha e Bélgica e com planos de outros 500 a serem construídos na Europa até 2013.

A remodelação das lojas consistirá em tornar o ambiente mais amigável, confortável e aconchegante. Em uma área, profissionais ensinam a cozinhar e demonstram receitas. Já no setor de produtos de beleza, o cliente conta com especialistas dando dicas e até rápidas “transformações” em termos de maquiagem e cabelos. Para as mulheres grávidas, funcionários carregam as compras e pediatras estão disponíveis para conselhos. Além disso, há uma área dedicada somente ao lazer, com tablets, e-books e TVs em 3D disponíveis para uso.

Outra estratégia do Carrefour Planet é organizar eventos especiais no local, como exibições, workshops e festas surpresa a cada duas semanas, que incluirão até sessões de massagem. A rede aposta nos eventos temáticos, como para o Dia das Mães, com o objetivo de fazer os consumidores voltarem.

Conexão com o site
Apesar dos esforços em atrativos para o ponto de venda, não dá para esquecer as formas de apresentação da marca no meio digital. “Para o sucesso ser absoluto, todos os pontos de contato devem estar alinhados, como no site ou em fan pages do Facebook”, diz Nelly.

O tema básico do ambiente nos pontos de venda deve se relacionar com o design do site. A identidade da empresa, ou de um lançamento que ela queira reforçar devem estar complementados no meio digital e no físico. Uma marca que fez isso recentemente foi a Olympikus, com o lançamento da linha MOV. Seguindo o conceito da ação de divulgação dos tênis, que era de elasticidade, a empresa criou um site em que o usuário poderia “torcer e girar” o conteúdo.

“O visual do ponto físico e o layout do site devem ser desenhados da mesma maneira. A identidade principal precisa estar presente nos dois para que haja uma comunicação e que um até faça a divulgação do outro, assim eles podem se fortalecer juntos”, diz Nelly.

Por Fernanda Salem, do Mundo do Marketing | 06/10/2011

http://www.mundodomarketing.com.br/15,20942,marcas-devem-contar-historias-no-pdv-para-atrair-clientes.htm

As lições de Steve Jobs para o Marketing

Inovação, design, experiência e excelência nortearam o cofundador da Apple

As lições de Steve Jobs para o MarketingSteve Jobs reinventou o mercado de telefonia móvel com o iPhone, o de comunicação com o iPad, o de entretenimento com o Ipod e sua App Store, além da Pixar, criou uma experiência única com seus computadores pessoais e forjou um dos mais bem acabados modelos de negócios na Apple ao orientá-la pela inovação e pelo design. É daqueles visionários que transformam o mundo para sempre e que nos deixa muitas lições.

Todos os produtos de sucesso lançados enquanto Jobs dava as cartas ganharam vida a partir de um pensamento orientado pela simplicidade. Para muitos deles não havia sequer uma demanda latente, mas criaram desejos que beiram a doença. Filas de quase um dia inteiro para adquirir um produto são a prova disto. Steve Jobs mudou a forma de fazer Marketing no mundo. Ou fez uso da forma mais inteligente vista até então.

Jobs criou uma marca valiosa e principalmente amada e adorada por milhares de pessoas em todo o mundo. Desde então, não se fala mais em Branding sem citar o exemplo da maçã mordida. O líder aclamado pelas escolas de negócios do mundo inteiro e também por seus pares no terreno da tecnologia levou até o último nível o conceito que transforma os produtos em experiências. O varejo em experiência e um evento em algo esperado. Nenhuma loja no mundo vende mais por metro quadrado do que a Apple Store e nenhum evento na área de tecnologia chama mais atenção que os seus lançamentos de produtos.

Pense diferente
Pouquíssimas empresas no mundo conseguem transportar seus valores, seu DNA, sua essência e seu propósito de marca de forma tão tangível e sensitiva em seus produtos e em suas lojas. Isso porque é muito difícil encontrar exemplos como o de Steve Jobs. Como bem disse Barack Obama, Jobs foi “bravo o suficiente para pensar diferente, bravo o suficiente para achar que podia mudar o mundo e talentoso o suficiente para fazê-lo”.

Pensar diferente e ter coragem para mudar. Fácil no discurso, difícil na prática. Infelizmente, reservado a poucos profissionais e a poucas empresas. Digamos que Jobs teve muita facilidade em se diferenciar e criar produtos que se transformaram em sinônimos de categoria. Afinal, está tudo igual. A inovação é cada vez mais escassa. Poucos pensam diferente e têm coragem para mudar o status quo. Poucos têm a coragem de transformar um mercado. O mundo.

Mas só terá um Steve Jobs nos livros de história. O que chama atenção é que ele não inventou nada, “apenas” reinventou. Para isso, teve como meta nada menos que a excelência, como disseram os fundadores do Google. Não que seja uma tarefa menos árdua. Pelo contrário. Mas aqui também mora uma boa reflexão: a de que é possível transformar uma indústria pensando diferente e de forma simples. O mundo já está complexo demais. Difícil demais. Simplificar as coisas nunca foi tão urgente. E Jobs fez isso como ninguém nos últimos anos. É uma pena não tê-lo mais entre a gente para nos ajudar

http://www.mundodomarketing.com.br/editorialmateria.php?hi=27&materia=20936